Sunday, December 30, 2007

Encontro dos Giros - Filho de Ogum - 1973

Encontro dos giros - Filho de Ogum - Manoel Bento - LP - Continental - 1973



01.Filho de Ogum; 02.Ogum de Ronda é me amigo; 03.A luz divina; 04.Ele vencerá; 05.Só cuide de Omulú; 06.Jardim do velho; 07.Eu venho de longe; 08.Cheguei da minha aldeia; 09.Por ordem de Sultão; 10.Bacia de Oxum; 11.Brincando com sereia; 12.Eu já fui pedir; 13.A minha homenagem; 14.Também é babalorixá;


Alabês e coro: Vadinho do Gantois; Vadinho da engomadeira; Sedir alves dos santos; Claudete Macedo; Olidelma; Gigi do pandeiro;


Manoel Bento era um querido ogã da Bahia e resolveu gravar este disco para louvar os orixás, guias e protetores, sob o patrocínio da famosa casa 7 linhas (que um dia acreditou na música de terreiro). Assim, compôs vários hinos de louvação que trazem bem explícitas a fé de Manoel no mundo astral. Acompanhado do lendário Vadinho do Gantois, um dos maiores alabês da história da religiosidade brasileira, este disco é muito bom de se ouvir. Manoel canta bem, com um coro simples mas eficiente. Um trabalho muito bonito e quase desconhecido dos umbandistas.
Para ouvir a faixa 06, "Jardim do Velho", clique abaixo:


Bresil - Bahia - 1977


Grupo Odundê - Bresil - Bahia - LP - Discovale - 1977

01.Mártir; 02.Ê Ganga; 03.Mãe Maria; 04.Zênite; 05.Obá Alá; 06.Águas; 07.Batah; 08.Samba de Roda; 09.Saca de Farinha/Aguerê; 10.Raios; 11.Jambelê; 12.Afochegue; 13.Alegria, alegria de Odundê;

Direção Musical: Mônica Millet

Músicos:

Alabês: Tião, Lazinho, Mônica Millet

Vocais: Ana Cristina Canário (Voz solo); Coro: Tânia Bispo, Rosângela Silvestre, Isaura Oliveira, Jussara Silveira, Nadja Miranda;

Este disco raríssimo, produzido pelo Departamento de Dança da Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia, foi lançado na França, pela gravadora Discovale. O grupo Odundê, a exemplo de muitos outros grupos de dança contemporânea brasileiros, se utiliza fartamente da música de terreiro para construir suas coreografias e passar a mensagem do Brasil-universo pelo mundo afora. Com essa proposta, este disco conta com músicas inspiradíssimas, muito bem executadas - sob a batuta de Mônica Millet, grande "Alabê" (por mais que os tradicionalistas possam rugir, a mulher toca prá caramba!) -, pois um bom grupo de dança pede uma trilha sonora à altura, pois desde sempre, som e movimento nunca se separaram, principalmente sob a luz de um ritual, mesmo que este rito esteja disfarçado como uma apresentação teatral.
Para ouvir a faixa 09, "Saca de farinha/aguerê", clique abaixo:

Friday, December 28, 2007

Aparecida - Foram 17 anos - 1977


Aparecida - Foram 17 anos - LP - CID - 1977

01.17 anos; 02.Tributo às almas; 03.Os deuses afros; 04.Melodia não deixa Parada de Lucas; 05.Grongoiô Popoiô; 07.Diongo, Mundiongo; 08.Aruê; 09.Todo mundo é preto; 10.Saravá, saravá, Bahia; 11.Lágrimas da Oxum;

Músicos:

Papão -Bateria; Alexandre - Contrabaixo; Horondino - Violão; Jorgem Menezes: Violão; Hélcio Millito: percussão; Orlandivo: Percussão e Coro; Conjunto Nosso Samba: Percussão e coro; As gatas: coro; José Mexezes: violão; Celso; Flautas em Sol e Dó; Braz Limonge: Oboé; Gabriel: contrabaixo acústico; Os Tincoãs: coro;

Só pelo time acima já dá prá saber o nível deste disco, uma raridade em termos de exemplares e de proposta. Aparecida em seu segundo disco veio com tudo e deu no que deu: fez muito sucesso com "17 anos", "Todo mundo é preto", "Santo Antônio de Pemba" e "Grongoiô Popoiô". Mas isso não é tudo: como se não bastasse o naipe dos músicos que a acompanham, a presença de uma outra figura maravilhosa de nossa música encabeça o LP e o eleva a um patamar de qualidade que beira a excelência. Como prova de que naqueles tempos não haviam fronteiras entre a música secular e a música sacra, o grande SIVUCA participa das gravações com o respeito, responsabilidade e qualidade que não se vê hoje em dia quando se fala de música de terreiro. Que voltem essas eras!!!

Para ouvir a faixa 02, "Tributo às almas", clique abaixo:



Thursday, December 27, 2007

Amacy - Cantos de Umbanda -2005


Dudu Tucci - Amacy - Cantos de Umbanda - CD - Welhunder Records - 2005

1. Abertura; 2. Canto à Exu; 3. Defumação; 4. Defumação II; 5. Saudação à Pemba; 6. Saudação à Ogum; 7. Saudação à Ogum Beira-Mar; 8. Saudação à Xangô; 9. Saudação a Oxossi; 10. Saudação a Obaluaiê; 11. Saudação às Criancas; 12. Saudação a Yemanjà;13. Saudação a Oxum; 14. Saudação a Yansã; 15. Hino de Umbanda; 16. Saudação ao Caboclo Flecha Vermelha; 17. Saudação ao Caboclo Ubiratã; 18. Saudação às Almas; 19. Saudação aos Pretos Velhos; 20. Saudação aos Pretos Velhos II; 21. Saudação aos Pretos Velhos III; 22. Saudação à Cabocla Yamar; 23. Canto à Yemanja; 24. Saudação ao Povo da Bahia; 25. Saudação ao Povo da Bahia II; 26. Encerramento;


Dudu Tucci nasceu em São Paulo e vem de uma família de músicos. Já tocava atabaque em sua juventude em ritos de Umbanda. Estudou percussão clássica e flauta, antes de viajar em 1976 por vários países latino americanos onde descobriu muito da espiritualidade que o acompanha. Tocava com Arrigo Barnabé quando participou do Festival de Jazz de Berlim. Desde 1982 vive na Alemanha onde trabalhou e trabalha com vários artistas, entre eles com o dançarino Ismael Ivo com o percussionista Reinhard Flatischler em sua turnê Megadrums e o grupo de percussão coreana "Samul Nori" que o levaram em 1988 para uma turnê no Japão e Coréia. Apresentações em vários festivais internacionais como as noites afrobrasileiras em Berlim e Tübingen, a EXPO 93 em Taejon, o Percpan em 1993 em Salvador e no dia da percussão internacional em Koblenz em 1995. Juntamente com o musicólogo Thiago de Oliveira, publicou o livro Samba e sambistas no Brasil. Professor muito procurado de percussão, somente na Alemanha existem mais de 130 grupos de samba, cujo repertório foi fortemente influenciado pelos seus Workshops. Alem da participação em discos de vários artistas já lançou seis Cds solos. Neste trabalho, "Amacy", Dudu consegue, mesmo longe de suas raízes, morando na Alemanha, trazer a atmosfera dos cânticos de terreiro com uma propriedade poucas vezes vista. O disco é muito bem gravado e Dudu manda muito bem nos couros!! Mesmo dando atenção primordial à seu trabalho como percussionista profissional e estando afastado da vida religiosa no que se refere aos tambores, Dudu Tucci não deixa de ser um dos maiores alabês do Brasil em todos os tempos.


Para ouvir a faixa 22, "Saudação à Cabocla Yamar", clique abaixo:


Wednesday, December 26, 2007

Eu, Bahia - 1975


Edinho Marundelê e Onias Comenda - Eu, Bahia - LP - Phonogram/Philips - 1975

1.Sequecê (Oração aos orixás, Ritual Angola)/Ouiumba ouiumba é de mê (Pergunta, ritual angola); 2.Ereum Malê/Yêyê ô/Yada Baô; (saudação a Oxum); 3.Mina Oraê (saída de Caboclo)/Têtêtê da cabocla kissanga (ritual de caboclo); 4.Oridê deô (Saudação a Oxum); 5.Cambinda quearaquara (pedido de licença para entrar no Terreiro de Angola, ritual angola); 6.Dilanumatambangola (despedida de Nanã, ritual angola); 7.Toques tradicionais (Angola, São Bento Grande, Santa Maria e Idalina); 8.Cânticos de capoeira; 9.Trio de berimbaus (Gunga, Viola e Viola centro) 10. Desafio de viola com o berimbau; 11.Berimbau (improvisação); 12.Ê tava lá em casa;

Já comentamos várias vezes sobre as "pontes" que existem entre a música de terreiro e a música popular, pontes estas que estabelecem o vínculo emocional entre a atmosfera ritual e a necessidade de expressão popular que se manifesta na alegria e na celebração. A Capoeira é uma dessas pontes, pois ela traz a magia dos timbres, dos temas e de todo o mistério dos rituais dos cultos brasileiros. Este disco é um ótimo exemplo desta unidade que sempre existiu entre a arte marcial brasileira e os cânticos sagrados, que recentemente tem sido abalada por uma infecção evangélica que pretende descaracterizar a essência da capoeira, dissociando sua identidade com a umbanda através da negação de suas raízes essenciais.

O disco demonstra muito claramente que essa é uma união indissolúvel: de um lado, Edinho Marundelê canta maravilhosamente vários pontos da raiz Angola e de Umbanda, para caboclos.
Do outro, Onias Comenda mostra vários toques de capoeira e até mesmo a Viola é inserida (raramente ela é reconhecida como instrumento ligado às coisas do santo, apesar de sua igual importância) numa das faixas, em desafio com o Berimbau.

Um disco raríssimo, muito disputado, é uma obra singela e basilar para quem quer conhecer a verdadeira unidade de nossa religião brasileira.



Para ouvir a faixa 2, "Ereum Malê/Yêyê ô/Yada Baô (saudação a Oxum); ", clique abaixo:

Tuesday, December 25, 2007

Os Tincoãs - 1973

Os Tincoãs - LP - Jangada - 1973

01.Deixa a gira girá; 02.Yansã, Mãe Virgem; 03.Sabiá Roxa; 04.Ogundê; 05.Na Beira do Mar; 06.Raposa e Guará; 07.Saudação aos Orixás; 08.Canto para Iemanjá; 09.Capela D'Ajuda; 10.Obaluaê; 11.A Força da Jurema; 12.Embola, embola;
Geograficamente um dos maiores redutos de negros na Bahia concentrou-se na região do recôncavo, tendo a cidade de Cachoeira, às margens do Rio Paraguaçu, como maior referência. Quem a conhece pode observar tradições centenárias como a procissão da Boa Morte, misturada a rituais católicos, bem como apreciar uma boa apresentação de samba de roda com os artistas locais. A riqueza cultural dessa região trouxe muitos frutos para a cultura brasileira, como os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia, Raimundo Sodré, Roberto Mendes - todos de Santo Amaro da Purificação - e o trio vocal Os Tincoãs de Cachoeira, que conquistou o Brasil com a beleza e harmonia de suas vozes, bem como a excelência de seu repertório.
Formado inicialmente por Erivaldo, Heraldo e Dadinho, todos de Cachoeira, os Tincoãs - cujo nome é originário de uma ave que habita o cerrado brasileiro - iniciou sua carreira em 1960 no programa da TV Itapoã "Escada para o Sucesso", interpretando canções, em sua maioria boleros, inspirados no sucesso do Trio Irakitan. Chegaram inclusive a gravar um disco intitulado "Meu último bolero", sem alcançar o êxito esperado. Em 1963 Erivaldo desligou-se do grupo e a este foi incorporado outro componente, Mateus, que com os demais formaria a base principal do conjunto. Renovaram o repertório e partiram para adaptar os cantos de candomblé e umbanda, sambas de roda e cantos sacros católicos. Mas foram os terreiros de Umbanda e Candomblé que deram a base principal da musicalidade dos Tincoãs.
Em 1973 gravam o segundo disco produzido por Adelzon Alves - o mesmo produtor de Clara Nunes nos primeiros discos -, e o primeiro como representantes legítimos da música afro-baiana, este LP é um marco importante da música brasileira, não apenas pela qualidade das músicas, como também pelo arranjo com características de coral feitos a partir de canções oriundas dos terreiros, tendo como base apenas quatro instrumentos: violão, atabaque, agogô e cabaça. Este disco também revela o talento dos componentes como compositores, principalmente Mateus e Dadinho, que assinam a maioria das músicas.
Um dos destaques do disco é "Deixa a gira girá", um ponto de Umbanda, adaptada pelo trio com muito talento (que na verdade foi "apropriado" por J.B. de Carvalho algumas décadas antes), e uma das mais executadas quando se apresentavam em público. Merece referencia também "Iansã Mãe Virgem", "Sabiá roxa", "Na beira do mar", "Saudação aos orixás" e "Capela da Ajuda", que fazem um belo painel da cultura negra do recôncavo baiano. Principalmente a última, que faz referência explícita a uma das poucas construções religiosas da Bahia de estilo católico, mas que cultua e abriga em seu interior rituais da tradição africana.
Com produção musical do maestro Lindolfo Gaya, o LP tornou-se recordista de vendas na ocasião de seu lançamento. Não pelo ineditismo de seu repertório, já que muitos outros discos com temática afro já haviam sido lançados no mercado. O seu diferencial esta na beleza plástica das canções e da perfeita harmonia vocal do grupo, o único no país que conseguiu fielmente traduzir o sentimento e a musicalidade de nossas tradições negras, numa demonstração de afirmação da identidade de uma cultura que nos engrandece e nos faz ver o quanto devemos aprender com ela. Mesmo porque já faz parte de nossa formação, e a ela devemos o privilégio de conviver com esta mestiçagem que tanto nos orgulha e é a responsável pela formação da identidade cultural brasileira. Ouvir o disco dos Tincoãs é reafirmar a certeza de que não seríamos um país tão rico se não fosse a nossa ancestralidade africana, pois ela traduz o mais autentico sentimento de brasilidade que carregamos.
Mas esse texto sobre o primeiro disco dos Tincoãs não poderia terminar sem falarmos também sobre a trajetória ocorrida logo após o seu lançamento... Em 1975 a primeira grande baixa no grupo ocorre com a morte de Heraldo, depois de gravar um compacto e uma faixa, "Banzo", no LP da trilha sonora da novela Escrava Isaura. A lacuna foi preenchida com a entrada de Morais, permanecendo por pouco tempo, mas participando do terceiro LP do grupo, "O Africanito", lançado em 1975. Logo depois, substituindo Morais, foi incorporado ao trio o vocalista Badu, mantendo dessa forma a tradição e a qualidade musical do grupo. No ano de 1977 gravaram um outro disco destacando-se a música "Cordeiro de Nana", de Mateus e Dadinho.
Em 1983 Os Tincoãs foram para Angola para temporada de uma semana em Luanda, e lá se estabeleceram, participando de projetos da Secretaria de Estado da Cultura de Angola, que entre suas prioridades visava identificar valores angolanos na cultura e na música brasileira, além de estabelecer ligações entre o culto angolano e a religião praticada no Brasil. Nessa ocasião gravaram o disco Afro-Canto Coral Barroco, com a participação do coral dos Correios e Telégrafos do Rio de Janeiro, sob a regência do maestro Leonardo Bruno e produção de Adelzon Alves. Este disco permaneceu inédito, só sendo lançado em 2003, portanto vinte após a sua gravação.
Este casamento de culturas ancestrais dentro de um trabalho musical, conferiu ao Tincoãs (por autoridades antropológicas, históricas, jornalísticas e musicais como Maestro Leonardo Bruno,- Maestro João Donato, Maestro Alemão Koellreutter - na ocasião Diretor do ICBA - Rio de Janeiro, Antropólogo e Etnólogo Babalaô Nigeriano Francis Ifá Kaiodê Akinwelere, e pelo seu já conhecdio produtor, Adelzon Alves, radialista e produtor discográfico, a condição de co-reanimadores da ancestralidade musical afro-barroca, brasileira.
Em 1984 Badu desligou-se do grupo, porém Mateus e Dadinho permaneceram juntos e em 1985 gravaram um disco no Brasil pela gravadora CID, que foi lançado em Angola. No país que abraçaram trabalharam em Luanda, Huambo, Lubango, Benguela, Namibe e Bengo e puderam ver de perto as batalhas que redundaram na guerra pela independência.
Com a morte de Dadinho em 2000 o grupo se desfez (Mateus Aleluia retornou de Luanda e vive entre Cachoeira e Salvador. Ele reapareceu na TVE-Ba, no especial ‘Gaiaku Luiza’ , que versa sobre uma legendária mãe de santo do candomblé de Cachoeira.), mas deixou um legado dos mais primorosos para a música popular brasileira, e para a música de terreiro: discos e músicas inesquecíveis.


Para ouvir a faixa 01, "Deixa a gira girá", clique abaixo:

Monday, December 24, 2007

Sussu - O Rei do Congo - 1972


Sussú - O Rei do Congo - LP - Tropicana - 1972
1.Rei do Congo; 2.Ogum na Ronda; 3.Kirombô; 4.Nanã Buroquê; 5.Mironguê; 6.Rompe-Ferro; 7.São João Batista; 8.Mãe iemanjá; 9.Cacique Ubirajara; 10.Festinha; 11.Filho de Jurema; 12.O Home é...;
Mais um disco raríssimo de Sussu, talvez um dos últimos de sua carreira vitoriosa dentro da divulgação do imaginário umbandista. Dá para perceber pela respiração de Sussu, que ele já se encontrava de alguma forma debilitado e o modo como o disco foi gravado, com os canais separados totalmente, nos faz acreditar que ele tenha gravado por partes a sua voz, que ainda hoje, mesmo depois de tantos anos, possui um timbre que emociona. A banda já não é tão inspirada como nos seus outros discos, talvez pela direção musical, que por esta época já procurava andar por caminhos mais modernos em termos de arranjo, o que colocou os músicos numa espécie de "andar em círculos", pois aparentemente, todas as faixas começam e terminam da mesma forma. Mesmo assim, é um marco na história da Música Brasileira e da Música Umbandista. Saravá Sussú!!

Para ouvir a faixa 12, "O home é", clique abaixo:


Sunday, December 23, 2007

Mestrando Morcego - 2005



Abadá Capoeira - Mestrando Morcego - CD - Independente - 2005


Mestrando Morcego, natural do Rio de Janeiro, iniciou capoeira com o Mestre Camisa no ano de 1981 no Clube de Natação e Regatas Santa Luzia, no Aterro do Flamengo - RJ e formou-se Mestrando em 1995. Iniciou seu trabalho ministrando aulas na academia Souza Anjos, em Cordovil - RJ, ampliando posteriormente este trabalho nas Academias Las Vegas, Jardim América - RJ e Jorge Gonzales, Ilha do Governador - RJ. Mudou-se para Brasília em 1998 onde ministrou aulas até o ano de 2004, atualmente reside no Rio de Janeiro, contudo supervisiona trabalhos realizados por seus alunos nos seguintes locais do DF e entorno: Asa Norte, Asa Sul, Guará, Lago Sul, Taguatinga, Braslândia , Samambaia, Águas Claras, Val Paraíso e Cidade Ocidental. Durante três anos foi o responsável pelo aprimoramento técnico dos integrantes da Abadá-capoeira da Região Sul e atualmente é o responsável por este acompanhamento na Região Nordeste, além de ter seu trabalho estendido por seus alunos aos seguintes estados: RJ, DF, RN, CE, PR, PB e GO. E também na França, Córsega e Luxemburgo.
O cd é muito bom, Mestre Morcêgo é afinado e tem aquele timbre de voz que faz com a capoeira seja uma das mais fortes ligações dos movimentos populares com os cultos brasileiros. É um disco bem gravado, com a ambiência típica de uma roda, sem certas modernidades que as vezes, por excesso dos produtores, tornam os discos atuais um tanto quanto artificiais...
Para ouvir a faixa 06, "Vôo da Iúna", clique abaixo:


Candomblé - 1977


Candomblé - LP - Phonogram/Fontana - 1977
1.Exu; 2.Ogum; 3.Oxossi; 4.Ossanha; 5.Obaluaê; 6.Oxumarê; 7.Xangô; 8.Iansã; 9.Oxum; 10.Nanã; 11.Yemanjá; 12.Euá; 13.Obá; 14.Oxalá; 15.Avania;
Atabaques: Vadinho, Dudu, Alcides;
Coro: Alice, Eliana, Vadinho, Dudu, Alcides;
O lendário percussionista Djalma Corrêa não foi importante apenas para a cultura brasileira através de seus instrumentos. Também foi um grande estudioso e batalhador do resgate e do registro de várias manifestações dos cultos brasileiros e neste disco contribui com o registro do grande alabê Vadinho do Gantois, acompanhado por outros excelentes músicos de outras casas da Bahia. Um disco excelente, muito bem gravado e gostoso de se escutar.
Para ouvir a faixa 02, "Oxossi", clique abaixo:



Saturday, December 22, 2007

Aparecida - 13 de Maio - 1979


Aparecida - 13 de Maio - LP - RCA - 1979



1.13 de Maio; 2.Vovó Maria Conga; 3.Aleluia Dom Miguel; 4.Indeua Matamba; 5.É mania sua; 6.Mussy Gatana; 7.Orixá de Obá; 8.Vem na Areia; 9.Tia Catarina; 10.Ela Mandou rezar; 11.Dança dos negros; 12.Ceará; 13.Dia de Ogum na Casa Branca;



Arranjos e regência: Zé Menezes; Bateria: Papão; Baixo: Luizão;Viola/Violão Tenor/Cavaco: Zé Menezes; Cavaco: Carlinhos; Violão 7 cordas: Raphael; Acordeom: Chiquinho; Percussão: GeraldoBongô/Stênio/Orlandivo/Nô/Gordinho/Gilberto/Cabelinho;Coro:Dinorah/Eurídice/
Zenilda/Míriam/Orlandivo/Zélia/Estênio/Barbosa/Gordinho/Nô; Cordas:Aizik M.Geller; Flauta:Celso; Oboé: Braz;


Uma das mais injustiçadas cantoras brasileiras... dona de uma voz mítica, alegre e deslumbrante, Aparecida surgiu nos festivais dos jongos de Minas e logo se radicou no Rio de Janeiro. É uma das mais importantes intérpretes da Música Umbandista, pois emplacou pelo menos duas canções nas rádios brasileiras nos saudosos anos 70. Sempre muito bem acompanhada de músicos excelentes (neste disco há participação de um dos pais do Samba-Rock, o lendário Orlandivo!), seus discos são um primor de qualidade técnica, muito bem executados, gravados e masterizados e sempre deixará saudades em quem conheceu a religiosidade brasileira através dos terreiros, onde sempre havia, lá no cantinho, sempre um disco de Aparecida, como símbolo vivo do orgulho de uma maravilhosa intérprete das canções de uma espiritualidade que jamais deixará de existir... Destacamos a Faixa 06, "Mussy Gatana" (de autoria da própria Aparecida, e que tem um arranjo belíssimo), que conta a uma história que ouvimos sobre determinadas entidades bem antes de conhecermos este disco e bem antes de 1979... coisas da banda...
Aparecida sumiu (!!!) e, sinceramente, não sabemos de seu paradeiro... quem tiver alguma informação, nos comunique aqui no AYOM!!
Para ouvir a faixa 06, "Mussy Gatana", clique abaixo:

Wednesday, December 19, 2007

Cânticos de Candomblé - Babalorixá Lázaro Ourualê - 1979



Cânticos de Candomblé - Babalorixá Lázaro Ourualê - LP - Tapecar- 1979

01.Exu; 2.Oxossi; 3.Yansan; 4.xangô; 5.Alujá pra Xangô; 6.Oxum; 7.Obaluaê; 8.Tempo; 9.Caboclo; 10. Isaura (samba de Caboclo);
Alabês: Darcy/Carlinhos: atabaques; Kacilê: agogô;

Côro: Djanira/Sheila/Silvinha/Kacilê

Vocais: Lázaro Ourualê, sob batuta de Candeia (é, aquele mesmo!)

A migração religiosa inciada na segunda metade do século retrasado acompanhando a migração dos trabalhadores baianos para a região do Rio de Janeiro pode ser dividida em duas fases de maior intensidade: a primeira, canalizada principalmente para as áreas mais pobres do centro da cidade e outra canalizada para a Baixada, na medida em que essa área periférica - municípios de Caxias, Nilópolis, São João do Meriti e Nova Iguaçu - integram-se à cidade para formar o Grande Rio. As afinidades sócio-culturais dos dois centros urbanos - núcleos originais de concentração negra - e o elo religioso já estabelecido antes, principalmente através das já famosas Tias do Samba, presentes também na formação da música urbana carioca, justificam a nova corrente migratória religiosa e o menor preço dos terrenos a sua fixação na Baixada, num movimento que teria Joãozinho da Gomea como pioneiro em Caxias. Em seu rastro viriam pais e mães-de-santo já renomados na Bahia, como Ciriaco do Tumbajunçara, Otávio da Ilha Amarela, Mãe Idalice, Zezé (estes citados por Edson Carneiro em seu Candomblés da Bahia), Miguel Arcanjo (Miguel Grosso), Senhorazinha, Ebami Davina, Antonio Fumutim do Bogum, João Lessengue do Bate Folha, Rufino do Beiru e muitos e muitos outros, perpetuados em milhares de filhos e filhas de santo descendentes das nações Ketu, Gege, Ijexá, Congo, Nago Vodum e Muxicongo. Este disco é fruto do desejo e da direção de Candeia - o grande sambista - que fez de tudo para que o pai Orualê gravasse os cânticos aqui registrados. O disco é cheio de altos e baixos. O ponto alto é o Alujá tocado com as mãos na faixa 5 (Pai Lázaro é um dos melhores exemplos do sincretismo que culminaria na síntese Umbandista, pois mesclava nações distintas como Angola e Ijexá); um ponto baixo é a inserção de um violão perdido no meio da última faixa "Isaura", na tentativa de simular uma viola, como nos cultos de encantados. A coisa não dá muito certo e logo o tocador pára. Mas o disco é muito bom, uma raridade e uma jóia rara na música da Banda de todos os tempos...


Para ouvir a faixa 3, Yansan, clique abaixo:



A Brasileiríssima Cacilda de Assis - Jorge Ogan - 1978


Canta, canta, Ogan - Orquestra e Coral Setista "Girando na Umbanda" - A Brasileiríssima Cacilda de Assis interpretada por Jorge Ogan - LP - Íris - 1978

1.É o Pino da Hora Grande; 2.Assim não dá; 3.A deusa da beleza; 4.Cabocla Jurema; 5.O Manto de Iemanjá; 6.Oiê Caninana; 7.A Deusa do mar; 8.Xangô deus do trovão; 9.Louvação a Nanã Buruquê; 10.Inhaçã; 11.Papai Ogum; 12.Eu criei cobra;

Cacilda de Assis foi uma das mais famosas mães de santo do Rio de Janeiro, com a incrível presença mediúnica do Exu sr. 7 da Lira, que executou alguns feitos realmente espetaculares quando de sua manifestação em meio ao povo e até mesmo em alguns programas populares da época. Este disco contém algumas composições de louvação criadas pela própria mãe Cacilda. Cercada de vários músicos (segundo dizem, o próprio 7 da lira teria sido músico em outras vidas), como de praxe não creditados no disco, a chamada "Orquestra e Coral Setista realiza um trabalho muito bom nas doze faixas do disco que são creditadas como "oferendas" às entidades. Jorge Ogan canta bem e tudo é bem ao estilo carioca, com os pontos se aproximando bastante da estrutura de sambas e marchas. Um disco histórico, juntamente com os outros da própria Cacilda, perfazem uma mostra do que se tinha como fé nas Umbandas cariocas dos anos 60/70.

Para ouvir a faixa 11, "Papai Ogum", clique abaixo:


Tuesday, December 18, 2007

Imbarabô - Prov. 2003

Imbarabô - Jorge da Fé em Deus - CD - Independente - Prov. 2003
01 - Cânticos Abertura do Tambor - Exú e Ogun; 02 - Cânticos Para Oxalá-Lissá; 03 - Cânticos Para Xangô; 04 - Cânticos Para Badé; 05 - Cânticos Para Toy Averequete; 06 - Cânticos Para Nanã-Vó Missã0; 7 - Cânticos Para Yemonjá-Agbê; 08 - Cânticos Para Oxum; 09 - Cânticos Para Yèwá; 10 - Cânticos Para Navê Zuarina; 11 - Cânticos Para Oyá-Iansan; 12 - Cânticos Para Todos Orixás; 13 - Cânticos Para os Voduns Jejes; 14 - Cânticos Para Toy Zezinho D'Maramadã; 15 - Cânticos Para Oxumarê-Dan; 16 - Cânticos Para Obaluaiyé-Xapanã-Akossi; 17 - Cânticos Para Fechamento do Tambor de Mina - Exu e Lebara;
Uma das vertentes dos cultos brasileiros no Maranhão é o Tambor-de-Mina. Mina identifica diversas etnias de escravos que foram trazidos para o Brasil, embarcados no Porto de São Jorge del Mina, na Costa da África, sendo representado principalmente pela Casa das Minas e pela Casa de Nagô. Na primeira foi implantado o culto aos Voduns e suas famílias. Na Casa de Nagô além dos Voduns são cultuados os Orixás Nagôs, e os Encantados, Nobres, Fidalgos e Caboclos. Destas duas casas surgiu a tradição do Tambor de Mina, onde são usados os tambores conhecidos com Abatás, acompanhados pelos Gãs de ferro e os Agüés (Xequerês). O rito é uma seqüência de cânticos e danças que são dedicados às entidades espirituais homenageadas em cada festa e em cada casa. Descrevem apenas quatro ritmos que são identificados como Dobrado, Corrido, Dobrado Cadenciado e Repinicado. Este disco é uma coletânea do Tambor de Mina do Maranhão, cantado em Nagô-Tapá, Agrono e Jêje-Fon pelo Babalorixá Voduno Jorge Itaci de Oliveira, grande guardião das tradições maranhenses. O título Imbarabô refere-se ao cântico inicial, pedindo ao Orixá Exu que abra os caminhos para as outras divindades. Um disco muito bom, feito com dedicação e esmero. Os músicos são excelentes e Pai Jorge Itaci canta muito bem, chegando a emocionar. Um resgate importantíssimo e exemplo do que o Brasil tem a mostrar de melhor em termos de religiosidade. Infelizmente o disco não traz a data da gravação nem o nome dos músicos...

Para ouvir a faixa 12, "Cânticos para todos os Orixás", clique abaixo:

El Resplandor de Exu - Prov. anos 80

Alagbé Martin de Xangô - El Resplandor de Exu - CD - Independente
Disco 1: 1.Exu 7 Encruzilhadas - Lua cheia ilumino; 2.Exu Eleua - Batalhador do cruzeiro; 3.Exu Eleua - Guerreiro Eleua; 4.Exu Tiriri - Ele é Exu Tiriri Lana; 5.Exu Tiriri - Esse home; 6.Exu Tranca Ruas - Meu nome és Tranca Ruas; 7.Exu Tranca Ruas - Pedido a Seu Tranca Ruas; 8.Exu Tranca Ruas - Sera Macumba Macumba; 9.Pomba Gira - Pedido a Pomba Gira; 10.Pomba Gira 7 Saias - Sua saia tem misterio; 11.Pomba Gira Rosa Vermelha - Rosa de amor & Rosa Vermelha;

Disco 2: 1.Exu 7 Catatumbas - A gente fala; 2.Exu Caverinha - Mozo bonito; 3.Exu Cigano - Salve Povo Cigano; 4.Exu João Caveira - E poerê, ê poerá, olha o mosca; 5.Exu Marê - Navegando, vem navengando & Você que sabe quem sou; 6.Exu Morcego - Um cabo pra Morcego; 7.Exu Omulu - Alumbrando da Cruz; 8.Pomba Gira Cigana - Mistério da Noite; 9.Pomba Gira Maria Padilha das Almas - E Ilumina; 10.Povo Cigano - Magia Cigana;

A Umbanda possui uma grande penetração na Argentina através de templos umbandistas pioneiros. Assim como se deu com algumas raízes da umbanda paulista e mesmo carioca, que se desenvolveram vi terreiros de Angola, Kêto e Nagô, o Batuque do Rio Grande do Sul influenciou muito o modo de se cantar e tocar nos templos da fronteira e assim, a Banda vai se estabelecendo através de rituais próprios e muito particulares por aquelas plagas. Recebemos este disco de um grande irmão nosso, gaúcho, o Paulo Melão, que por vezes "invade" a Província Cisplatina prá nos trazer alguma supresa. E talvez pelo próprio temperamento de nossos "hermanos", eles se afinizam muito com ritos de Kimbanda, daí a importância desse disco. O disco pode estranhar pelo sotaque do Alabê Martin, mas é bem gravado e é uma amostra fidedigna de como se toca e se canta na Argentina, num portunhol esquelético. Claro que muitos pontos são "importados" do Brasil e aos poucos se adaptam à ritualística local. E assim como aconteceu por aqui com as encantarias do nordeste, onde há a presença de violeiros nos ritos, há nos terreiros Argentinos a figura dos tocadores de violão, principalmente em ritos de ciganos.

Para ouvir a faixa 2 do disco 1, "Exu Eleuá - Batalhador do Cruzeiro", clique abaixo:

Monday, December 17, 2007

Jongo da Serrinha - 2002


Jongo da Serrinha - 2002 - CD/Livro - Independente


01. Bendito / Pisei na Pedra / Boi Preto / Eu Chorei0; 02. Vapor da Paraíba; 03. Guiomar; 04. Caxambu de Sá Maria; 05. Ai Morena / 13 de Maio; 06. Finca Tenda (Seu Vito) / É de Lorena / Jongueiro Bom; 07. Caxinguelê; 08. Coitado do Zé Maria; 09. Eu num é Doutô / Desaforo / Carnero tá na Serra; 10. Mamãe Foi Pro Jongo / Papai Subiu o Morro de São José / Maria Sunga a Saia / Eu Tenho Pena; 11. Saracura; 12. Bana Cum Lenço / Vou Caminhar / Bênção de Deus;

A associação Grupo Cultural Jongo da Serrinha (GCJS) foi criada em 2000 com o objetivo de dar continuidade aos trabalhos de preservação do patrimônio histórico do jongo e assistência social desenvolvidos há mais de 40 anos por Vovó Maria Joana Rezadeira e Mestre Darcy do Jongo.
Com sete anos de existência, a ONG já recebeu diversos prêmios entre eles o Itaú-Unicef e a Medalha de Ordem ao Mérito Cultural do Ministério da Cultura. O GCJS tem duas missões institucionais: educar e capacitar crianças e jovens e preservar o jongo como Patrimônio Imaterial. Como estratégia, desenvolve atividades de arte-educação e memória oral diárias e cria produtos como discos, livros, filmes e espetáculos que envolvam, da criação à produção, moradores da Serrinha. A Escola de Jongo funciona em 3 espaços da comunidade: no Centro Cultural Jongo da Serrinha, na Biblioteca Comunitária Resistência Cultural da Serrinha e no Terreiro Vovó Maria Joana.
O projeto é financiado pelo Ministério da Cultura, Prefeitura do Rio e Criança Esperança e sua base pedagógica é a cultura afro e as tradições e memória da Serrinha. Este disco foi lançado em 2002, produzido independente pelo próprio Jongo da Serrinha. Contudo, a edição de 4 mil cópias está esgotada.
O jongo é uma herança cultural trazida da África pelos negros bantus, da região do Congo-Angola, para as fazendas de café do Vale do Paraíba durante o período da escravidão. Com a Abolição, muitos libertos migraram para a então capital do país, o Rio de Janeiro, formando as primeiras favelas cariocas. É uma das pontes entre a arte musical dos terreiros e as manifestações populares. Considerado como o ritmo “pai do samba”, o jongo quase foi extinto durante o século passado. O Morro da Serrinha, em Madureira, na zona norte, é uma destas favelas centenárias da cidade do Rio e o único núcleo tradicional de jongo da cidade. Contudo, em 2005, o jongo foi tombado pelo IPHAN como o primeiro Bem Imaterial do Estado do Rio e as ações positivas de divulgação do Jongo da Serrinha vêm fortalecendo esta tradição.
Para ouvir a faixa 2, "Vapor da Paraíba", clique abaixo:





Os Afro-Sambas - Baden Powell, Quarteto em Cy e Vinícius de Moraes - 1966


Os Afro-Sambas - Baden Powell, Quarteto em Cy e Vinícius de Moraes - LP- 1966 - Forma/Philips

01- Canto de Ossanha; 02- Canto de Xangô; 03- Bocoché; 04- Canto de Iemanjá; 05- Tempo de amor; 06- Canto do caboclo Pedra Preta; 07- Tristeza e solidão; 08- Lamento de Exu;

Músicas e letras da autoria de Baden e Vinícius

Ficha Técnica:

Produção e direção artística: Roberto Quartin e Wadi Gebara.
Técnico de gravação: Ademar Rocha;
Contracapa: Vinicius de Moraes;
Fotos: Pedro de Moraes;
Capa: Goebel Weyne;
Arranjos e regência: Maestro Guerra Peixe;
Vocais: Vinicius de Moraes, Quarteto em Cy e Coro Misto;
Sax tenor: Pedro Luiz de Assis;
Sax barítono: Aurino Ferreira;
Flauta: Nicolino Cópia;
Violão: Baden Powell;
Contrabaixo: Jorge Marinho;
Bateria: Reisinho;
Atabaque: Alfredo Bessa;
Atabaque pequeno: Nelson Luiz;
Bongô: Alexandre Silva Martins;
Pandeiro: Gilson de Freitas;
Agogô: Mineirinho;
Afoxé: Adyr Jose Raimundo;

No início dos anos sessenta Vinicius de Moraes foi presenteado pelo baiano Carlos Coqueijo Costa com um exemplar do LP Sambas de Roda e Candomblés da Bahia, disco esse que impressionou profundamente o poeta descortinando para ele uma vertente da música popular que ele ainda não havia descoberto. Vinicius então mostra o disco a Baden Powell seu parceiro mais constante na ocasião e este também se encanta.
Em 1962 Baden visita a Bahia para apresentar um show com Silvia Teles no Country Club, familiariza-se com artistas e intelectuais baianos, demonstra seu interesse pelas tradições afro baianas e acaba sendo apresentado ao capoeirista Canjiquinha que o leva a terreiros, rodas de capoeira e o mais importante interpreta para ele os cânticos e sons do candomblé. Baden fica fascinado, não propriamente pelo sentido místico do que vira, mas sim pela beleza das harmonias do que ouvira.
Ao se reencontrar com Vinicius compõe o samba Berimbau e resolvem iniciar uma série de canções sobre a cultura afro brasileira. Nessa época Baden Powell estava estudando canto gregoriano com o maestro Moacyr Santos e percebeu que eles tinham semelhança com os cânticos afros que havia ouvido na Bahia e inspirando-se nessas duas influencias resolve então compor uma série de temas mesclando-os com a batida do samba (que na verdade é um ritmo oriundo dos terreiros) surgindo assim uma nova modalidade musical, os afro sambas no dizer de Vinicius de Moraes e que seria uma característica inconfundível na obra musical de Baden.
Passados os momentos de estudo e assimilação da temática os dois parceiros estavam prontos para iniciar a realização das canções e assim surge “Canto de Ossanha”, “Canto de Xangô”, “Bocoché”, “Canto de Iemanjá”, “Tempo de amor”, “Canto do caboclo Pedra Preta”, “Tristeza e solidão” e “Lamento de Exu”. Findo o trabalho partiram então para a gravação das músicas num LP intitulado de Os Afros Sambas, produzido por Roberto Quartin dono da etiqueta Forma e com arranjos de Guerra Peixe.
Gravado nos dias 3, 4, 5 e 6 de janeiro de 1966, o disco conta com a participação do Quarteto em Cy e com um coro misto formado por amadores ligados por amizade aos autores, aliás como bem definiu Vinicius, um “coro da amizade” pois a intenção apesar dos arranjos elaborados, era dar um tratamento simples, despojado e espontâneo a gravação. Nesse coro estão presentes Eliana Sabino, filha do escritor Fernando Sabino, Bety Faria, iniciando sua carreira artística no teatro e na dança, Tereza Drumond, namorada de Baden, Nelita, então esposa de Vinicius, Dr. César Augusto Parga Proença, psiquiatra e o medico Otto Gonçalves Filho.
Baden sempre reclamou da qualidade de gravação deste disco. Guerra Peixe rebatia, dizendo que queria recriar a atmosfera de "terreiro", com a qualidade sonora um tanto quanto precária. Aparentemente, nos parece que não foi possível realizar a captação de um modo mais limpo devido ao grande número de instrumentos de percussão... Baden estava certo: as vozes se embolam e não dá prá entender muito bem o que Vinicius canta em algumas faixas... sorte que as músicas são excelentes, verdadeiros diamantes da MPB: eternos e indestrutíveis!
Apesar de já estar definitivamente inserido como um dos mais importantes discos da música popular brasileira, o comentário de Vinicius de Moraes na contra capa do LP é mais elucidativo do que qualquer outra observação que se queira dar ao trabalho: “Essas antenas que Baden tem ligadas para a Bahia e, em última instância para a África, permitiram-lhe realizar um novo sincretismo: carioquizar dentro do espírito do samba moderno, o candomblé afro brasileiro dando-lhe ao mesmo tempo uma dimensão mais universal (...) nunca os temas negros de candomblé tinham sido tratados com tanta beleza, profundidade e riqueza rítmica (...) é esta sem dúvida a nova música brasileira e a última resposta que da o Brasil, esmagadora à mediocridade musical em que se atola o mundo. E não digo na vaidade de ser letrista dos mesmos; digo-o em consideração a sua extraordinária qualidade artística, à misteriosa trama que os envolve: um tal encantamento em alguns que não há como sucumbir à sua sedução, partir em direção ao seu patético apelo”.
Palavras proféticas as do poeta, pois, parece-nos cada vez mais distante e difícil produzir-se obras tão magníficas em função da “mediocridade musical em que se atola o mundo”.
Para ouvir a faixa 6, "Canto do Caboclo Pedra Preta, clique abaixo: