Friday, August 31, 2007

O Universo Rítmico de Guem – 1982


O Universo Rítmico de Guem – LP – Som da Gente – 1982

1.Viagem; 2.Universo; 3.Tempestade; 4.Riacho; 5.Nostalgia;

A primeira vez que vimos Mestre Guem, ele estava tocando no centro de São Paulo, num palanque baixinho, embora em minha memória tenha-se fixado a imagem de um gigante rodeado de tambores. Fiquei impressionado e até hoje parece que escuto os sons mágicos que saíam dos Ashikos, Djembês, Congas, Atabaques e outros tambores africanos...

Mais tarde, o conhecemos pessoalmente e ao seu parceiro neste disco, o grande percussionista Daniel Slom. Aprendemos muito com os dois e trazemos conosco uma lembrança muito boa daquela época.

Descendente de escravos nigerianos, Guem desistiu de ser jogador de futebol para dedicar-se a percussão tradicional africana e a música e dança de transe junto ao grupo Zaka formado por seus alunos. Um verdadeiro mestre dos tambores, Guem toca praticamente todos os instrumentos de percussão e seu interesse pelos diferentes ritmos do mundo chegou ao Brasil resultando neste disco, o álbum "O Universo Rítmico de Guem", gravado em São Paulo, junto com Daniel Slom.

Extremamente musical, o mestre se apodera muito mais das possibilidades sonoras harmônicas dos instrumentos do que das possibilidades rítmicas óbvias que os tambores oferecem. Guem, este mestre do Ayom evoca um hino harmonioso, um som que penetra em nosso ser aumentando a energia vital... para Guem, o corpo humano é o principal instrumento percussivo por carregar o ritmo da vida e ele jamais dissociou as idéias e ligações espirituais dos tambores da música que ele executa em shows e em seus discos maravilhosos...
A última faixa, "Nostalgia" é um impressionante registro de um eco dos rituais dos tambores Ayom, um solo de três Têtes (um tipo de tambor africano), onde um só músico soa como dois, ou mais.

Este LP é um encontro da musicalidade africana com a brasileira numa parceria solene entre duas das principais correntes musicais do mundo.


Para ouvir a faixa 01, "Viagem", clique abaixo:

Thursday, August 30, 2007

Pontos de Umbanda Girassol – 1970


Pontos de Umbanda Girassol – LP – Nilser – 1970

1.Defumação; 2.Prece; 3.Abertura: a)Oxalá, abertura de gira; b)Exu, Tranca Rua, Exumarê; c)Ogum, Xangô; d)Saudação aos Guias; e)Firmeza de terreiro; 4.Chamada do Guia chefe (Caboclo Girassol): a) Caminhou, caminhou; b)Lembrai de seu Girassol; 5.Chamada do Guia Chefe (Caboclo Girassol): a)Que caboclo lindo; b)Seu Girassol foi prá caçada; c) Na aldeia; 6.Ogum: a)Vamos Sarava Ogum; b)Beira-Mar; 7.Xangô: a)chamada de Xangô; b)No alto da pedreira; 8.Exu: a)Exumaré; b)Boa noite Exumaré; 9.Pomba Gira: a)Cigana de Fé; b)Rainha da encruzilhada; 10.Chamada de Caboclos; 11.Povo d’água: a)Iansã; b)Moça rica; 12.Beijada: a)Tem doce no jardim; b)Dandá na areia; 13.Almas: a)Pai Sabino; b)Os velhos da Bahia; 14.Encerramento: a)Subida do Caboclo Girassol; b)Oxalá; c)Fechamento de Gira; d)Estrela do Céu;

Filhos da Casa de Caridade Caboclo Girassol com Ogã Colofé Miguel Monassa e os Ogãs de atabaque Reinaldo Chaves e Joaquim Pontes;

O que dizer, ora, o que dizer? Praticamente não existem palavras para descrever o que o vinil registrou para a posteridade... Clássico absoluto, sem precedentes ou sucessores... Quem já escutou este disco certamente se deu conta da força e do poder da Umbanda quando se fala em simplicidade, sensibilidade, fé e alegria... a bolacha realmente captou a essência do que era o rito do Caboclo Girassol – o impressionante registro das intensas emoções que acontecem numa gira.

Do começo ao fim, os pontos – uma sucessão de clássicos da música sacra brasileira - arrepiam, induzem ao respeito e às lágrimas, e à esperança de que a Umbanda seja assim em todos os templos do Brasil. Os mais velhos ao escutarem este disco se lembrarão: a volta à infância nas imagens e sons mais lindos de uma gira bela, profunda e repleta de espiritualidade no seu mais alto grau.

Os médiuns cantam com fé, amor e disposição, afinados e acompanhando com palmas; não há palavras para definir o timbre de voz do Ogã Reinaldo, uma voz distante, forte e que faz tremer o coração e a alma... os ogãs Reinaldo e Joaquim estão, com certeza entre os melhores do Brasil em todos os tempos, se utilizam da técnica, velocidade, conhecimento, dinâmica, acentuação e respeito pelo coral, deixando, com perfeição, que este apareça nos momentos adequados. Raramente se viu ou se vê algo assim: a interação entre alabês e corrente num nível perfeito, jamais alcançado em nenhum registro que tenhamos escutado ou presenciado. O Ogã Miguel é uma voz de respeito, elegante e comovente... e todos os pontos certamente evocam, invocam e movimentam forças positivas em todos os níveis.

Novamente, o que dizer deste disco? Influenciou tudo o que veio depois dele no que se entende como rito umbandista, seja em disco, seja em terreiro, ao vivo... Talvez, para entender a felicidade que nos dá ao escutá-lo, só repetindo a chamada inicial – arrepiante - do Ogã Reinaldo, que abre o disco: ÊÊÊÊ, BANDAAAA!!!!


Para ouvir a faixa 5, "5.Chamada do Guia Chefe (Caboclo Girassol): a)Que caboclo lindo; b)Seu Girassol foi prá caçada; c) Na aldeia" clque abaixo:

Sarava Oxossi – Série dos Ogans Vol. 2 – 1980

Sarava Oxossi – Série dos Ogans Vol. 2 – LP – Cid – 1980

1.Saudação a Oxossi; 2.Cabocla Jurema; 3.Caboclo Guiné; 4.O gauinza; 5.Oxossi da pena Branca; 6. Caboclo Ubirajara; 7.cabocla Jussara; 8.Boiadeiro; 9.Caboclo caçador das matas; 10.Caboclo Tupi; 11.cabocla Jandira; 12.Despedida de caboclo;

Curimba da Tenda Espírita Unidos a Oxalá.

Um disco bem gravado, bem produzido, onde pontos de raiz se encontram com pontos de louvação. Os cânticos são tocados em sua maioria em Congos de Ouro, com arranjos bem próximos da estrutura do samba. Em algumas faixas há a inserção de um bongô, que embora seja um instrumento alienígena nos cultos brasileiros, ainda assim não compromete o resultado final. É um disco bem radiofônico e interessante...


Para ouvir a faixa 11, "Cabocla Jandira", clique abaixo:

Tuesday, August 21, 2007

Virgínia Rodrigues - Nós - 1998


Nós - Virgínia Rodrigues - CD - Natasha - 1998


1.Canto para Exu; 2.Uma história de Ifá; 3.Salvador não inerte; 4.Afreketê; 5.Jeito Faceiro; 6.Depois que o Ilê passar; 7.Oju Obá; 8.Raça Negra; 9.Deus do Fogo e da Justiça; 10.Malê de Balê; 11.Mimar Você; 12. Reino do Daomé;


O que posso dizer deste disco? O que se ouve aqui é algo estratosférico, algo que realmente beira o imponderável: forte e sereno ao mesmo tempo, gracioso na proposta, um clima de quase angústia se sobressai sobre a melancolia que permeia a atmosfera de toda a obra... quase sobrenatural a voz de Virgínia parece um orixá na terra, como é descrito nas lendas: com toques de uma humanidade já esquecida... é como se sua voz nos lembrasse de algo que não está na memória, de tão antigo, de tão ancestre.


A sua aprendizagem foi feita de uma maneira informal, crescendo a cantar em coros de igrejas católicas e protestantes e em cerimónias de Candomblé, até ser descoberta pelo Bando do Teatro Olodum que a convidou para integrar os seus espectáculos.


Em 1997, durante um ensaio de “Verónica”, uma representação desta companhia bahiana, alguém começou a chorar ao ouvir a voz de Virgínia Rodrigues. Essa pessoa era Caetano Veloso que, juntamente com Marcio Meirelles, encenador do Olodum, se encarregou de a dar a conhecer ao mundo.


A ex-manicure saída de uma favela de Salvador realizou, em um ano, duas turnês pelos Estados Unidos, shows na Europa e foi entrevistada por David Byrne, ao vivo, na televisão americana. Nos Estados Unidos, Europa e Japão, o primeiro disco de Virgínia saiu pela gravadora Rykodisc, de propriedade de Cris Blackwell, o mesmo que popularizou nomes como Bob Marley, Peter Tosh e U2.


Me arrisco a dizer se não seria ela uma nova Clementina...

Para ouvir a faixa 01, "Canto para Exu", clique abaixo:



Monday, August 20, 2007

No Reino de Nanã Buruquê - 1974


No reino de Nanã Buruquê - LP - Japoti - 1974

1.Odoiá; 2.Louvor a Oxalá; 3.Eparrei Oiá; 4.Xangô Agodô; 5.Saudação a Abaluaê; 6.Nana Buruquê; 7.Hierarquia dos Orixás; 8.Saudação a Ode; 9.Papai do céu e as crianças; 10.Ogum Marinho das Ondas; 11.Ogum Beira Mar; 12.Deusa do Mar;

Um disco muito conhecido dos Umbandistas, mais pela capa do que propriamente pelo som, que seria perfeito não fosse alguns detalhes na interpretação da vocalista, um pouco exagerada, às vezes... Mas é um disco muito bem gravado, com o estéreo aberto, na mixagem caprichada pelo técnico, pode-se ouvir nitidamente a percussão: dois atabaques, agogô, adjá e bateria e surdão na primeira e na segunda faixas, as únicas com violão. Os alabês são muito bons e sustentam o disco.


Para ouvir a faixa 01, "Odoiá", clque abaixo:

Monday, August 13, 2007

Umbanda e seu ritual – Pró-Construção do Hospital Umbandista – 1970


Umbanda e seu ritual – Pró-Construção do Hospital Umbandista - LP – Walby Disc – 1970

1.Ponto de defumação; 2.Ponto de abertura; 3.Ponto de 7 linhas; 4.Ponto da sereia; 5.Ponto do Caboclo da Lua; 6.Ponto do Caboclo 7 Estrelas; 7.Ponto do Caboclo 7 Montanhas; 8.Ponto do Cacique Tupi; 9.Ponto segura o boi; 10.Ponto linha de africano; 11.Ponto Pai Manoel de Angola; 12.Ponto das Crianças; 13.Ponto de Exu; 14. Ponto de encerramento;

Direção Artística: J.M. Alves

Orações: Narração de Sinclair Scandolara

Terreiros participantes: Tenda Pai Manoel de Angola, Tenda Benedito de Aruanda, Tenda Pai Benedito de Aruanda, Tenda Pai Damião, Tenda Santa Rita de Cássia, Tenda Pai Joaquim de Angola, Tenda Cacique Tupi, Tenda Cruz de Oxalá.

Solistas: Elizabeth Aparecido, Seu Pereirinha, Iracilda F. Mesquita, Benedita da Silva, Neusa de Oliveira, MariaInêz, Neusa Mariano, Anedina da Silva.

Este é um disco raríssimo, contando com a direção musical de um dos baluartes da Umbanda, J.M. Alves. O disco foi produzido visando a construção de um Hospital Umbandista. Não sabemos se o intento foi conquistado, mas o disco que conseguiram fazer é um registro muito puro e espcial da umbanda da época. Todos os terreiros cantam muito bem, apresentando pontos de raiz em sua maior parte muito conhecidos pelos Umbandistas do Brasil. Muito bem gravado, os templos foram captados sem maquiagens de estúdio. Impressiona a interpretação de Seu Pereirinha (Seria esta a primeira vez que uma entidade incorporada grava um disco???) da Tenda Pai Damião. Outra curiosidade: na faixa “Ponto das 7 Linhas” pode-se escutar J.B. de Carvalho dando uma canja no coral... Um disco muito bom.


Para ouvir a faixa 4, "Ponto da Sereia", com "Seu Pereirinha" clique abaixo:

1.o Festipen – 2005


1o Festipen – Minas Gerais – CD – W&O Comércio de discos – 2005

01.Mensalão; 02.Judaria Urbana; 03.Domingo Legal; 04. A paz no mundo para reinar; 05.O som não vai parar; 06.Música de agradecimento; 07.Lamento Sertanejo; 08.Menina dos olhos de Deus; 09.Filho; 10.Mulher de Verdade; 11.Poder de compra; 12.Seu cheiro de amor; 13.Solidão, solidão; 14.Vou buscar meus sonhos; 15.Certas situações;

Este disco chegou a nossas mãos de uma maneira estranhíssima. Não sabemos quem o mandou. Foi durante os ataques aqui em São Paulo, quando as gangues incendiaram ônibus e destruíram muitos locais da cidade. O cd foi colocado em nossa caixa de correio e achamos tratar-se de algum “recado” da galera do pedaço. Mas logo vimos que não. Trata-se de um festival realizado por presidiários umbandistas de Minas Gerais, e só por isso o disco já é curioso. Aqui estão vanerões, sambas, raps, pops. Alguns cantam muito bem, outros nem tanto... Não são cânticos de louvação, não falam das coisas do terreiro, mas percebe-se uma intenção profunda em todas as faixas: esperança e consciência. Organizado por José Estadeu Costa, que dedica o disco às entidades que lhe deram intuição para o projeto.


Para ouvir a faixa 04, "A Paz no Mundo", clique abaixo:

Tuesday, August 07, 2007

Férias

Alguns dias de férias, prá levar o carrêgo!! Voltamos logo!!

Sunday, August 05, 2007

O Rei da Magia Negra – Tata Augustin de Satã – 1975


O Rei da Magia Negra – Tata Augustin de Satã – LP – Discos Orixás – 1975

01.Abertura; 02.Chegada do Exu; 03.Saudação a Lúcifer; 04.Saudação à Tata; 05.Saudação A Tranca Ruas; 06.Com sua capa; 07.Ponto de firmeza; 08. Sr. Sete; 09. Saudando exu; 10. Exu Trabalhando; 11.Larue exu; 12.Exu vai ao Ló;

Tata Augustin foi um Pai de Santo muito famoso nos anos 70, pela sua postura assumidamente “kimbandística”. Fazia furor com suas giras em seu terreiro, o Círculo Afro-Brasileiro de Ciências Ocultas na Zona Leste. Ainda hoje ele está lá, com uma loja de produtos religiosos e foi ele quem nos doou este disco, raríssimo, gravado por ele mesmo, de forma independente através da gravadora que ele organizou, a Discos Orixás. Não conseguimos saber se ele possui outros títulos, mas o disco é de uma qualidade excelente em termos de captação, mixagem e masterização. O coro da curimba feminina é muito bom e tocam bem. O disco pode ser polêmico pelos temas relativos a Exu, onde se conecta as questões da Kimbanda com os fundamentos da Cabala Hebraica via satanismo, tema ainda em discussão nos meios umbandistas...


Para ouvir a faixa 02, "Chegada do Exu", clique abaixo: