Monday, October 30, 2006

A Caminho da Luz – o disco que traz a Umbanda até você - 1971


A Caminho da Luz – o disco que traz a Umbanda até vocêLP – (Beverly – 1971) – 1.Prece – Homenagem ao Caboclo da Lua; 2.Oxalá; 3.Oxoce; 4.Ogum; 5.Oxum; 6.Xangô; 7.Xangô; 8. Iansã; 9.Preto Velho; 10.Relaxamento;

A Yalorixá Arlete Moita, do templo Rompe Mato,o Babalorixá Azuilson dos Santos da Tenda Vovô Congo da Bahia e o radialista Haroldo Eiras junto ao presidente do templo "A Caminho da Luz", o Babalorixá Paulo Newton de Almeida gravaram este disco que conta com alguns pontos tradicionais da Umbanda, até hoje cantados nos terreiros. Os alabês são competentes, nas cabulas, congos de ouro e Ijexás e embora os Ogãs desafinem um pouquinho, não chegam a comprometer o trabalho. Destaque para o Agogô de três campânulas, com o coro afinado na sua tonalidade.

Para ouvir a faixa 8, "Iansã", clique abaixo:

Sarava Ogun - 1974


Sarava Ogun(LP- Copacabana/Beverly – 1974) – 1. Prece de Cáritas; 2. Ogum já foi coronel; 3.Cavaleiro da alvorada; 4.Ogum Jangadeiro; 5. Clarim na Lua; 6. Rema, rema seu barquinho; 7. Jurou bandeira; 8. Seu barquinho era de ouro; 9. Cavaleiro do Céu; 10. Bahia é boa; 11. Mamãe Cinda; 12. Cosme e Damião;

Coletânea com vários terreiros, gravações de épocas diferentes, que vai de Cicica ao Ogã Ismael. Os pontos são de raiz e de louvação, a qualidade de gravação não é muito boa, mas os músicos são excelentes, o que torna o disco muito interessante num resultado final.

Para ouvir a faixa 11, "Mamãe Cinda", clique abaixo:

Pontos de Terreiro - 1975


Pontos de Terreiro - LP (Alvorada/Chantecler/1975/1986)1.Orixás; 2. Rei Panaiá; 3. beijadas; 4. Ogum Beira-Mar; 5. yemanjá; 6. Exu; 7.Guiame de Caboclo; 8.Guilherme Diogo; 9. Caboclo Rompe mato; 10. Caô cabeci; 11. Exu ponto 2; 12.Ogum; 13. Jurema; 14. Viva as almas; 15. Xangô; 16. Boiadeiro; 17. Nanã;

Conjunto folclórico Ybiara. Dois atabaques, um agogô, palmas e uma excelente colofé fazem deste um excelente disco. Apesar do interior do disco haver a indicação “Conjunto Folclórico”, acreditamos ser esta uma forma de não revelar os nomes dos participantes da gravação, além de rotular os músicos do terreiro com um nome pomposo. Nos parece também que a gravação data de antes de 1975 (como vem indicado no selo do disco), pois a ambiência lembra muito os anos de 50/60. Como se referem a Exu como Santo Antônio, acreditamos que trata-se de um terreiro do Nordeste, onde existe este sincretismo. Há ainda uma misteriosa décima oitava faixa não creditada, parecendo enxertada de outra gravação. Um disco muito bom, com um visual de capa muito bonito e músicos excelentes. Os toques são em cabula, toruá e congo de ouro.


Para ouvir a faixa 1, "Orixás", clique abaixo:


Pontos de Ogun - São Jorge Guerreiro - 1984


Pontos de Ogun - São Jorge Guerreiro (Fermata/Cáritas, 1984); LP/CD 1. Engorossi; 2 – Chamada de Ogun; 3 – Por entre mares; 4 – Saudação a Ogun Megê; 5 – saudação a Ogun 7 Ondas; 6 – Saudação a Ogun Beira Mar; 7 – Batismo na Irradiação de Ogun; 8 – Filho de Pemba; 9 – saudação a Ogun das Pedreiras; 10 – Saudação a Ogun Iara; 11 - Saudação a Ogun de Ronda; 12 – Subida de Ogun; 13 – Despedida de Ogun; 14 – Oração Para Fechamento de Corpo;

Produção: Jairo Rodrigues; Carlos Buby com Coral do Templo Espírita Guaracy; Faixa 14: Dionísio Azevedo; Percussão: Paraná; Um disco bem produzido e muito bem gravado, embora a execução perca um pouco da espontaneidade. Alguns pontos são de raiz, outros de louvação.


Para ouvir a faixa 9, "Saudação a Ogun das Pedreiras", clique abaixo:

Pai João D´Angola – No reino do Preto Velho - 1960


Pai João D´Angola – No reino do Preto Velho (Sarava/Cáritas/1960) LP/CD – 1. Saudação a Exu-Pomba Gira/Cabula; Exu/Congo; 2. Saudação a Defumação-Pemba/Barravento; 3. Saudação a Ogun/Barravento; 4. Saudação a Xangô/Congo; 5. Saudação a Catendê/barravento; 6. Saudação a Oxum/Ijexá; 7. Saudação a Nhá-sã-Caboclo da Morunganga/Barravento; 8. Saudação a Tempo/Cabula, Congo; 9. Saudação a Oxossi/Congo; Yemanjá/Cabula; 10. Saudação a caboclos/Todos os caboclos/Despedida dos Caboclos/Marujada/Congo; Saudação ao povo do Congo/ Congo;

Zelador de Santo Dorico, com Ogan Durval de Souza e Coro da Tenda Virgem Maria de Belo Horizonte;
Exemplo excelente da Umbanda Omolokô, rito em transição dos Cultos de Nação para os templos Umbandistas, onde pontos de nação coexistem com pontos cantados em português. O Zelador Dorico era filho de santo de Tancredo da Silva Pinto e traz toda a carga de informação de antigos ritos Umbandistas, em Kêto e Angola, além de pontos da Encantaria. A capa original em vinil é uma arte muito bonita em lápis, provavelmente de inspiração mediúnica por algum artista chamado Flávio. O disco é sincero e um registro fidedigno do que se canta no Omolokô; a atmosfera do terreiro está presente, e ainda que tenha sido gravado em estúdio, a captação em over possibilitou recriar o clima ritual de modo quase convincente. Obrigatório para os estudiosos dos cultos brasileiros.

Para ouvir a faixa 2, "Saudação à Pemba", clique abaixo:

Pai Guiné de Aruanda - 1985


Pai Guiné de Aruanda(Caritas/Luzes – 1985) – Faixas: 01. Meu Cativeiro; 2. Auê, meu cativeiro; 3. Adorei as almas; 4. Meu candieiro; 5. Pai Guiné de Aruanda; 6. Preto na Senzala; 7. Preto Velho Nagô; 8. Filho de Pemba; 9. Pai Joaquim de Angola; 10. Retirada de Preto Velho; 11. Com Dendê; 12. Congo de Sassaravá; 13. Congo; 14. Rei Congo; 15. Senhora do Rosário; 16. Caminhou; 17. Minha Cachimba; 18. Tá caindo fulô;

Produção e direção: Jairo Rodrigues; Ogã Nelson M. Nogueira com coro da Cabana Espírita Umbandista Nossa Senhora da Glória – BH – MG;

Pontos de profundidade e raiz, com execução simples: Voz, coro, um atabaque Rumpi e um Gonguê. Um exemplo ímpar de como uma obra pode representar com perfeição a musicalidade sagrada do povo brasileiro sem qualquer adereço que não a boa vontade e a alegria de se expressar no contato com a espiritualidade.Um disco muito bem gravado, com a captação em perfeita harmonia das vozes e dos instrumentos. Percebe-se uma proximidade muito grande com a Encantaria e com o Jongo, talvez por ser um templo de Minas. Um clássico da Umbanda.

Para ouvir a faixa 3, "Adorei as almas", clique abaixo:

Oxossi é Rei - 1994


Oxossi é Rei(Cáritas/Luzes – 1994) LP/CD – 1. Aguerê de Oxossi (toques); 2. Ubirajara é Caboclo Valente; 3. Flechas de Oxossi; 4. As Folhas da Mangueira/Ogum de Lei; 5. Cabocla Jurema; 6. Seu Pena Branca/Oxossi Mora; 7. Oxossi é Rei; 8. Sarava Filho de Umbanda; 9. Pisa na Linha de Umbanda; 10. Ubirajara vai embora; 11. Ponto de Inhaçã/Ponto de Oxossi; 12. samambaia; 13. Ele é Oxossi; 14. Caboclo Tangaraí;

Produção de Jayro Rodrigues; Coletânea de vários discos antigos da gravadora Cáritas que abrangem os anos 60/70/80 e 90, além de gravações não aproveitadas em LPS (sobras de estúdio). Estão neste disco Paraná, Ogã Ulisses Lucas, Mãe Santina Toledo,Coro da Tenda de Umbanda Sete Linhas, Tenda de Umbanda Nossa Senhora Aparecida, Zelador de Umbanda Dorico e Tenda de Umbanda Tupã Oca. Assim, podemos ver várias escolas da Umbanda do Brasil: desde toques de Nação até Umbanda Mística e Umbanda Omolocô. Um bom disco.
Para ouvir a faixa 6, "Seu Pena Branca/Oxossi Mora", clique no botão abaixo:


O Valente Guerreiro - 1970


O Valente Guerreiro (LP/CBS/TROPICANA – 1970) - 1. Proteção de Xangô; 2. Jurema; 3. Riscando um ponto; 4. Salve os Meninos; 5. Guia de Yemanjá; 6. 23 de abril; 7. Filho de Umbanda; 8. Rainha do Mar; 9. Divina Yara; 10. Lua Cheia; 11. Xangô meu Pai; 12. Santo Guerreiro;


Todas as faixas são de autoria de D. Monteiro e não há maiores informações nem encarte, como a maior parte dos discos dos cultos brasileiros, um descaso das gravadoras com o registro de nossa história musical. O disco conta apenas com pontos de louvação (não há nenhum ponto de raiz), com coro bem afinado e Alabês muito competentes na Cabula, no Congo de Ouro, no Toruá e num raríssimo Tonibobé tocado com as mãos no ponto Salve os Meninos.


Para ouvir a faixa 4, "Salve os Meninos", clique no botão abaixo:

Na gira de Mamãe Oxum - 1976


Na gira de Mamãe Oxum (Chantecler – 1976) LP/CD

Tenda de Umbanda Pai Jeremias. 1-Okolofé Mamãe Oxum; 2- Mamãe Oxum Chegou; 3 – Canto prá Oxum; 4 – Salve mamãe Oxum; 5 – Minha mãe é Oxum; 6 – Oxum é amor; 7 – Oxum ô Lewá; 8 – Deusa suprema das cachoeiras; 9 – Lá na Cachoeira; 10 – Eu sou da Mina; 11 – Rainha dos Orixás; 12 – Deusa da beleza;
Direção: Matheus Nazaré;
Disco Clássico com várias edições e várias capas diferentes. A produção pasteurizou um pouco a naturalidade da execução. Mesmo assim é um bom trabalho.
Para ouvir a faixa 9, "Lá na cachoeira", clique abaixo:


J. B.de Carvalho – Natal e festas de Umbanda - Anos 50


J. B.de Carvalho – Natal e festas de Umbanda (Musicolor/Discolar- Década de 50?/1969) LP; 1. Natal na Umbanda; 2. Vinte e sete de setembro; 3. Ponto de Mamãe Oxum; 4. Ponto de Mamãe Oxum (a lua vai surgindo); 5. Ponto de Macumba (meu protetor pai xangô); 6. Ponto de caboclo (Zum-Zum-Zum); 7. 23 de abril (Ponto de São Jorge –saravá a Lua); 8. Ponto de Ogun Beira Mar (eu corre e terra e mar) 9. Ponto de São Jorge (general de Umbanda); 10. Ponto de São Jorge (guerreiro meu); 11. Quimanaauê 12. Assucelê;

Um disco datado, do tempo em que a Umbanda ainda era vista como baixo espiritismo e ligado a aspectos negativos da sociedade. Por isso é nítida a vontade de se passar a idéia de uma “Umbanda Cristã”, embora J.B. evidentemente tenha gravado este LP visando ir de encontro ao mercado sempre promissor dos discos de natal. Com isso comete alguns exageros no tocante a simulação teatral de espíritos de crianças incorporados em sua mulher, como pode ser ouvido nas faixas 1 e 2; na parte musical a banda é a mesma do excelente Oxossi Pena Branca, embora as composições sejam bem menos inspiradas. Com relação às “apropriações”, somente a faixa 11 é um ponto de raiz, o resto das composições são realmente de autoria de J.B.

Para ouvir a faixa 6, "Ponto de Caboclo (Zum-zum-zum), clique abaixo:


Sunday, October 08, 2006

O Canto das Montanhas – I festival de Dança e Cultura indígena da Serra doCipó – Krenak, Maxakali e Pataxó - 1999


O Canto das Montanhas – I festival de Dança e Cultura indígena da Serra doCipó – Krenak, Maxakali e Pataxó; CD (Núcleo de Cultura Indígena – 1999) 1. Theon Hô; 2.Yrnon Dhiuk Yndhiak; 3.Hô Nym Paren; 4.Kicrok Tondon Nukui; 5.Nak Inhauit Borum Rerre; 6.Pó Hamek; 7.Taru Rundhium; 8.Thi Ruhá Nim Nengam; 9.Kicrol Tondon Nukuin; 10.kunyakivi; 11.Kumatxu preto; 12.Yamiy; 13.Kumatxu vermelho; 14.Mucará; 15. Mirapé; 16.Tapunahã; 17.Dauê Maiô Inhé; 18. Penaô Baixu; 19.Hô Maracá Txê; 20. Éke Ia Dipê;

Este é um disco importantíssimo (assim como são todos os discos que retratam as manifestações religiosas e artísticas de nossos índios, itens desde sempre raríssimos, principalmente em LPS), pois registra os cânticos de três tribos de nossa terra, os Krenak, os Maxakali e os Pataxó. A captação foi feita in loco, com os índios interpretando seus cânticos do modo mais puro e ortodoxo. A gravação é excelente e é um registro simplesmente poderoso em sua simplicidade, pois pode-se perceber os ecos longínquos das matrizes do que mais tarde se estruturariam como o movimento umbandista em seus cânticos, ritmos, mantras e pontos cantados.

Para ouvir a faixa 20, "Éke Ia Dipê", clique abaixo:


Os orixás - 1978


Os orixás (LP/Som Livre/1978) – 1. Exu; 2. Ogun; 3. Omulu; 4. Oxossi; 5. Logun edé; 6. Nana; 7. Oxun; 8. Yansan; 9. Yemanjá; 10. Xangô; 11. Oxalá; 12. Axé Opô afonjá;

Estranhamente houve uma época em que a Som Livre investiu na cultura popular e religiosa de nosso povo, embora do jeitão deles. Um disco bem produzido, com músicos muito bons, embora um tanto “global”, pois sua produção parece ter sido focalizada em algum musical. Embora exagere a interpretação em alguns momentos, a cantora Eloah é muito boa e é uma pena que não tenha se projetado na MPB..

Para ouvir a faixa 11, "Oxalá", clique abaixo:


Nezinho de Oxalá - 1977


Nezinho de Oxalá (Phonogram/1977) LP/CD – 1. Jurema de Juremá; 2.Presente de Balangandãs; 3. Jardim das crianças; 4.Jardim das Crianças; 5. Os Clarins; 6. Sete Homens; 7. Hora Grande; 8. Maria Conga; 9. Na ponta do pé; 10. Mestre da Justiça; 11. Cobra Coral; 12. Vovó Cambinda; 13. Festa na Senzala; 14. As quatro Deusas;

Nos anos 70 a Umbanda estava muito presente em todas as manifestações culturais, graças a artistas como Clara Nunes e Clementina de Jesus. Alguns outros, mais explicitamente umbandistas, oriundos de terreiros famosos da época, como Cubanito, Nezinho de Oxalá, Dudu de Ogun, Edi Brandão e outros tentavam seu espaço no mercado.

Nezinho de Oxalá tentou via Ruy Maurity, aproximando-se muito do seu estilo samba/rock rural, com temas umbandistas. Trata-se de um disco muito bem gravado e produzido, com uma mixagem excelente, como a maior parte dos trabalhos da época. O Nezinho canta bem, a banda conta com músicos maravilhosos e arranjos excelentes.
Para ouvir a faixa 8, "Maria Conga", clique abaixo:

Baianinha - 1994? Prov. 1960


Baianinha (Universal 1994; Gravação original provavelmente de 1960) LP/CD 1.Filhos de Umbanda; 2. Rainha das águas; 3.Chapéu de Couro; 4. Salve o Povo da Umbanda; 5. Ogum Guerreiro; 6. Saudações aos Orixás; 7. Mãe Maria de Minas; 8. Vence Demanda; 9. Salve a Cabocla Jurema; 10. Salve seu Mata Verde; 11. Aiê, Iê Oxum; 12. Dia de Yemanjá;

Baianinha é uma das mais verdadeiras intérpretes da Música Umbandista, seja em seus discos com pontos cantados, seja em seus discos com banda, (violão, cavaquinho, percussão e coro), como este, onde os temas umbandistas fazem a ponte com a música popular através de um samba-jongo agradável de fácil audição.

Baianinha é simpática e afinada, alegre e bem humorada, uma pena sua carreira não ter ido por outras áreas. Lembra Clara Nunes em seus primeiros discos, e embora a conexão não seja tão direta carrega a mesma atmosfera da Rainha dos Umbandistas: anos 70 felizes e ensolarados, apesar de toda a repressão política da época.

Para ouvir a faixa 2, "Rainha das águas", clique abaixo:

Thursday, October 05, 2006

Saravá Umbanda - 1966


Saravá UmbandaLP – (RCA VICTOR – 1966) – 1.Apresentação; 2.Ponto de descarga; 3.Ponto de firmeza de corrente; 4.Ponto de chamada de orixá; 5.Trabalho dos chefes de linha; 6.Pretos de aruanda; 7.Chamada de Preto Velho; 8.Chamada de Caboclo; 9.Segurança dos cavalos; 10.Ponto de trabalho de todas as linhas; 11.Ponto de trabalho do Pai Sacomé; 12.Encerramento;

Sociedade de Pesquisas em Ciências Ocultas “Terreiro do Oriente”, Pai José Cavalcanti. Item raríssimo, faz parte de um catálogo perdido e jamais encontrado nos arquivos da RCA. Um disco influenciado pela já conhecida Umbanda Esotérica da época. Percebe-se uma preocupação com fundamentos científicos e de magia e cada faixa traz uma explicação rápida sobre o funcionamento de cada ponto.

É um disco muito bem gravado e é, antes de tudo, uma surpresa, com bons alabês na execução de Toruás pesadíssimos, três ilús executados numa densa atmosfera que mistura tambores e mantras cantados com afinação nitidamente inspirada em grupos vocais dos anos 50/60. A segunda faixa trata-se de um ponto cantado numa língua indígena, o que faz com que o Toruá (esse toque dos nossos ancestrais aborígenes) seja a trilha lógica para ele e fundamente a ancestralidade vermelha tão óbvia que a Umbanda possui e as vezes é esquecida, devido a evidenciação das raízes africanas.

Para ouvir a faixa 2, "Ponto de descarga", clique abaixo:


Wednesday, October 04, 2006

É de Angola - 2000


Angola - Toques de Angola CD - (2000 - Luzes Produções Artísticas Limitada)CD CNAAng
Faixas: 1. Rufo; 2.Ygexá; 3. Arrebate; 4. Barra Vento; 5. Alujá; 6. Congo de Ouro; 7. Congo de Cabula; 8. Cabula; 9. Samba Cabula; 10. Aquerê; 11. Congo Nagô; 12. quebra-Prato; 13. Bravum; 14. Ilú – Omilá de Oxalá; 15. Iká; 16. Sato; 17. Opanijé; 18. Adarrum; 19. Vaninha; 20. São Bento Grande; 21. Oludum; 22. Quenda;

Interprétes: Adalberto Mozer, Rodrigo Rosso e Edgar Pompolino.

Um cd muito bom que já se tornou um clássico, embora nem todos os toques apresentados sejam de angola, o registro vale pela tentativa de se executar com as mãos, toques originalmente tocados com Akidavi; a concepção da origem dos toques e suas relações rituais é um pouco confusa: inserem o Djembê, na verdade um alienígena nos cultos afro-brasileiros e tentam apresentar um toque chamado Oludum como ritualístico. Mas é um disco interessante e muito bem gravado.

Para ouvir a faixa 4, "Barravento", clique abaixo:

Na Gira das Crianças - 1975


Na Gira das Crianças – LP – (Alvorada – 1975)- 01.Santos do meu endá; 02.Na gira das crianças; 03.Abença Titio; 04. É beijada; 05.Pula Criança; 06.Filho de Ogum; 07.Os dois meninos; 08. Beijada Cosme e Damião; 09.Três Crianças; 10.Jussara,Jaçanã e Jupira; 11.Festa na rua;

Disco gravado em estúdio, muito bem gravado, por sinal... um projeto que me pareceu uma tentativa de colocar o ponto de umbanda na mídia, fazendo uma ponte sutil entre os toques de terreiros e o samba. Incluíram um surdão no meio dos atabaques para estabelecer a conexão auditiva entre os dois estilos. O coral é muito bem afinado e ensaiado e os músicos são competentes e profissionais. Um bom disco.


Para ouvir a faixa 09, "Três Crianças", clique abaixo:

Macumba - Prov. Anos 40/50


MacumbaLP – (HOT/RIOSOM - Provavelmente anos 40/50, com reedição nos anos 70) 1- Preto Velho; 02-Ogun Jangadeiro; 03-caboclo do sertão; 04-Xangô e Oxum; 05-Quando Carreava Boi; 06- Rema, Rema, seu barquinho, Pai Ogum; 07. Ouvi Cantar; Seu Barquinho era de Ouro; 08- Cafiota de Umbanda; 09-Boiadeiro; 10-Xangô agodô; 11. Cindalodê;

Ogan Salvador de Souza, da Tenda Timbira com o Coral Tupã e os Alabês Milton do terreiro São João Batista e Cristóvão do Terreiro Pena Branca. Um atabaque, uma tumbadora e um reco-reco são os instrumentos deste disco, que conta com pontos pouco conhecidos, quase todos de louvação. Em alguns momentos, os cânticos lembram muito o estilo de Jackson do Pandeiro, uma conexão óbvia pela época e pelas origens do baião, do coco e dos xotes, ritmos oriundos dos terreiros de encantaria e omolokô. Os alabês são muito bons, percebe-se que estão “segurando a mão” para acompanhar o coral e que poderiam tocar muito mais se estivessem em seus terreiros. Os toques são em cabulas, Toruás e Congos de Ouro muito bem tocados, com dinâmica e bom senso.

Para ouvir a faixa 2, "Ogun Jangadeiro", clique abaixo:

Pontos de Umbanda - 1970


Pontos de Umbanda – Primado de Umbanda – SP- Curimba da tenda Luz e Verdade(LP- Musicolor – 1970)- 01- Hino da Umbanda; 02- Ponto de Abertura: os Pretos Velhos e os Caboclos/Curimba de abertura; 03- O perfume da flor da Juremeira; 04-Ogum General; 05-Pedreira de Pai Xangô; 06- Mãe Yemanjá; 07-Caboclo da Jurema; 08- Arranca-Toco é minha Luz; 09-Ogum Beira-Mar; 10-Abenção Pai Oxalá; 11. Lamento de Preto Velho; 12. Festa das Crianças; 13. Ponto de Encerramento;

Curimba da Tenda de Umbanda Luz e Verdade com a Ogã Colofé Maria do Carmo. Um disco antológico, marco de uma época que foi durante muito tempo a principal raiz ritual da Umbanda Paulista, dos anos 30 aos anos 70. O terreiro retratado na Capa existe até hoje (2006) com poucas modificações. A Ogã Maria do Carmo canta com coração, de forma emocionante, com a simplicidade e a fé dos Umbandistas de antigamente, retrato de emoções quase extintas nos dias de hoje. Uma curiosidade é o modo como os Alabês – muito bons, com orquestra completa: Três atabaques, agogô, afuchê e maracas – tocam as Cabulas: demonstram a lógica rítmica de onde saíram as marchas de carnaval e mais tarde o que ficou conhecido como Axé Music, tipo Olodum. A faixa 2 é uma invocação de raiz muito profunda e antiga, surpreende que tenha sido permitido gravá-la, tão rígido era o Sr. Felix com as coisas mais sagradas do Terreiro. Um registro muito bom, saudoso e inesquecível...
Para ouvir a faixa 11, "Lamento de Preto Velho", clique abaixo:


Saudação aos Orixás - 1977


Saudação aos Orixás (Alvorada-1977 – com prováveios gravações dos anos 50/60) – LP – 1.Ponto de Abertura; 2.Saudação aos orixás; 3.Festa dos Caboclos; 4. Xangô Rei da Pedreira; 5. Pai José; 6.Hino da Umbanda; 7.Coroa da Jurema; 8.Vamos sarava; 9.São Jorge Guerreiro; 10.Pai Xangô;
Um disco raro. J.M.Alves foi um compositor de Umbanda que dentre as várias contribuições para musicalidade dos terreiros é o criador do Hino da Umbanda, até hoje cantado em praticamente todos os terreiros. Neste disco encontramos alguns pontos interessantes, outros nem tanto. Os arranjos na maior parte dos pontos são com orquestra e ao estilo dos anos 50/60, Dwo-wop, apesar do disco estar datado com o ano de 1977.

Muitas pontes musicais se encontram aqui, e evidenciam a relação de origem entre os terreiros e ritmos como marchas-rancho, baiões, dentre outros. É um disco histórico, com sonoridade datada, mas não agride.

Para ouvir a faixa 4, "Xangô, Rei da Pedreira, clique abaixo:


Tuesday, October 03, 2006

Saudação à Umbanda - Provavelmente anos 60/70


Saudação à Umbanda (Cáritas/1985?Provavelmente gravações dos anos 60/70) – LP/CD – 1. Abertura e Cáritas; 2.Saudação à Umbanda; 3.Tira a Quizumba; 4. Caboclinha de Yemanjá; 5. Se ele é Baiano; 6. Estrela e a Lua; 7. Ibeji-Irerê-Cosme e Damião; 8. Ponto de Oxossi; 9. Hino da Umbanda; 10. Festa de Ode; 11. Ponto de São Severino; 12. Estrela Guia; 13. Cacique Sete Serras;

Coletânea da Cáritas, com vários templos: Tenda São Jorge, Tenda Tomba Morro, Tenda Sete Serras, Tenda Cacique tupi, Tenda Nossa Senhora Aparecida, Templo da Mãe Rosa Silva Martins e Tenda Pai Anastácio e com a Banda do Exército e Ibejy Miregum;

Um disco abrangente com várias escolas Umbandistas: faixas que vão desde a Prece de Cáritas, Tenda Tomba Morro (muito utilizada por templos orientados para o kardecismo), passando pela banda da Polícia do Estado de São Paulo com o coro de vários templos; pelo Candomblé de Caboclo (Mãe Rosa Silva Martins), pela Encantaria da Jurema com influência católica (tenda Nossa Senhora Aparecida), pela umbanda influenciada pelo Catolicismo através da Congada (Ponto de São Severino pela Tenda São Jorge, pela Umbanda orientada para a Pajelança (Cacique Sete serras, Tenda Sete Serras) e por Música de inspiração Umbandista, com o grupo Ibeji Miregum.
Para ouvir a faixa 08, "Ponto de Oxossi", clique abaixo:

Melodias de Terreiro1 - 70? 80?


Melodias de Terreiro 1 – CS – (Ogan - Provavelmente meados dos 70, meio dos anos 80) – 01-Iansã; 02- OiáOiá; 03-Cabelos louros; 04-Dona do Jacutá; 05-Moça Bonita 06-Oxum; 07-Cachoeira da Oxum; 08-Alto da pedreira; 09-Nagô oxum/Mamãe Cinda;

Ogã José Laurindo e Coro da Tenda Espírita Caboclo Tupinambá, com Alabês Edvaldo e Heleno; Um disquinho simples, sem maiores informações além das colocadas acima. Raríssimo, não sabemos da existência de um volume 2. Atabaques tocados em Cabula simples, com clima do terreiro bem acentuado. Os músicos são competentes, embora a masterização não seja muito boa (talvez tenha sido gravado num estúdio com poucos recursos), o disco é agradável e dá vontade de saber se existe por aí um LP com mais faixas.


Para ouvir a faixa 08, "Alto da Pedreira", clique abaixo:


O Candomblé

O Candomblé

Hoje, quando se fala em "candomblé", o que se tem em mente é um tipo específico de religião formada na Bahia, denominado candomblé "Queto" ou "Ketu", que atualmente pode ser encontrado em praticamente todo o País. Mas o termo candomblé designa muitas variedades religiosas, como veremos adiante.

A palavra candomblé é de origem bantu, podendo derivar da aglutinação das palavras em kimbundo : Kiandombe (negro) + Mebele (casa) = Kiandombemebelê = Candomblé, significando então “Casa de Negros”.

Mas também pode ser o resultado da fusão deste mesmo Mebele, com o prefixo diminutivo Ka + Ndumbe + Mebele = Kandumbele – Ou seja, casa de neófitos, casa de principiantes, ou melhor “Casa de Iniciação”. Esta última é a hipótese mais aceita dentre os estudiosos.Logo sendo a palavra candomblé de origem bantu, podemos admitir a anterioridade dos cultos kongo-angolenses bantu-brasileiros, sobre os cultos de orígem sudanesa.

O candomblé e demais religiões afro-brasileiras tradicionais formaram-se em diferentes áreas do Brasil com diferentes ritos e nomes locais derivados de tradições africanas diversas: candomblé na Bahia, xangô em Pernambuco e Alagoas, tambor de mina no Maranhão e Pará, batuque no Rio Grande do Sul e macumba no Rio de Janeiro.

A organização das religiões negras no Brasil deu-se bastante recentemente, no curso do século XIX. Uma vez que as últimas levas de africanos trazidos para o Novo Mundo durante o período final da escravidão (últimas décadas do século XIX) foram fixadas sobretudo nas cidades e em ocupações urbanas, os africanos desse período puderam viver no Brasil em maior contato uns com os outros, físico e socialmente, com maior mobilidade e, de certo modo, liberdade de movimentos, num processo de interação que não conheceram antes. Este fato propiciou condições sociais favoráveis para a sobrevivência de algumas religiões africanas, com a formação de grupos de culto organizados.

Até o final do século passado, tais religiões estavam consolidadas, mas continuavam a ser religiões étnicas dos grupos negros descendentes dos escravos. No início deste século, no Rio de janeiro, o contato do candomblé com o catolicismo, com as matrizes indígenas e com o espiritismo kardecista trazido da França no final do século propiciou o surgimento de uma outra religião afro-brasileira: a umbanda, que tem sido reiteradamente identificada como sendo a religião brasileira por excelência, pois, nascida no Brasil, ela resulta do encontro de tradições africanas, indígenas, espíritas e católicas. Embora tecnicamente, mesmo os Candomblés, aqui no Brasil sejam radicalmente diferentes de suas matrizes africanas, fazendo com que mesmo estes sejam cultos especialmente brasileiros.

Desde o início as religiões afro-brasileiras formaram-se em sincretismo com o catolicismo, e em grau menor com religiões indígenas. O culto católico aos santos, numa dimensão popular politeísta, ajustou-se como uma luva ao culto dos panteões africanos. A partir de 1930, a umbanda espraiou-se por todas a regiões do País, sem limites de classe, raça, cor, de modo que todo o País passou a conhecer, pelo menos de nome, divindades como Iemanjá, Ogum, Oxalá etc.
O candomblé, que até 20 ou 30 anos atrás era religião confinada sobretudo na Bahia e Pernambuco e outros locais em que se formara, caracterizando-se ainda uma religião exclusiva dos grupos negros descendentes de escravos, começou a mudar nos anos 60 e a partir de então a se espalhar por todos os lugares, como acontecera antes com a umbanda, oferecendo-se então como religião também voltada para segmentos da população de origem não-africana. Assim o candomblé deixou de ser uma religião exclusiva do segmento negro, passando a ser uma religião para todos. Neste período a umbanda já começara a se propagar também para fora do Brasil.

Durante os anos 1960, com a larga migração do Nordeste em busca das grandes cidades industrializadas no Sudeste, o candomblé começou a penetrar o bem estabelecido território da umbanda, e velhos umbandistas começaram e se iniciar no candomblé, muitos deles abandonando os ritos da umbanda para se estabelecer como pais e mães-de-santo das modalidades mais tradicionais de culto aos orixás.

Nesse período da história brasileira, as velhas tradições até então preservadas na Bahia e outros pontos do País encontraram excelentes condições econômicas para se reproduzirem e se multiplicarem mais ao sul; o alto custo dos ritos deixou de ser um constrangimento que as pudesse conter. E mais, nesse período, importantes movimentos de classe média buscavam por aquilo que poderia ser tomado como as raízes originais da cultura brasileira. Intelectuais, poetas, estudantes, escritores e artistas participaram desta empreitada, que tantas vezes foi bater à porta das velhas casas de candomblé da Bahia. Ir a Salvador para se ter o destino lido nos búzios pelas mães-de-santo tornou-se um must para muitos, uma necessidade que preenchia o vazio aberto por um estilo de vida moderno e secularizado tão enfaticamente constituído com as mudanças sociais que demarcavam o jeito de viver nas cidades industrializadas do Sudeste.

O candomblé encontrou condições sociais, econômicas e culturais muito favoráveis para o seu renascimento num novo território, em que a presença de instituições de origem negra até então pouco contavam. Nos novos terreiros de orixás que foram se criando então, entretanto, podiam ser encontrados pobres de todas as origens étnicas e raciais. Eles se interessaram pelo candomblé. E os terreiros cresceram às centenas.

O termo candomblé designe vários ritos com diferentes ênfases culturais, aos quais os seguidores dão o nome de "nações" (Lima, 1984). Basicamente, as culturas africanas que foram as principais fontes culturais para as atuais "nações" de candomblé vieram da área cultural banto (onde hoje estão os países da Angola, Congo, Gabão, Zaire e Moçambique) e da região sudanesa do Golfo da Guiné, que contribuiu com os iorubás e os ewê-fons, circunscritos principalmente aos atuais território da Nigéria e Benin. Mas estas origens na verdade se interpenetram tanto no Brasil como na origem africana.

A Nação Ketu

Na chamada "nação" Ketu, na Bahia, predominam os orixás e ritos de iniciação de origem iorubá. Quando se fala em candomblé, geralmente a referência é o candomblé ketu e seus antigos terreiros são os mais conhecidos: a Casa Branca do Engenho Velho e duas casas derivadas da Casa Branca, o Axé Opô Afonjá e o Gantois; além do candomblé do Alaketo. O candomblé ketu tem tido grande influência sobre outras "nações", que têm incorporado muitas de suas prática rituais. Sua língua ritual deriva do iorubá, mas o significado das palavras e a sintaxe em grande parte se perderam através do tempo. Além do ketu, as seguintes "nações" também são do tronco iorubá (ou nagô, como os povos iorubanos são também denominados): efã e ijexá na Bahia, nagô ou eba em Pernambuco, oió-ijexá ou batuque de nação no Rio Grande do Sul, mina-nagô no Maranhão, e a quase extinta "nação" xambá de Alagoas e Pernambuco.

Mais recentemente, quando o candomblé (de origem baiana, nação ketu) já se encontrava espalhado por todos os grandes centros urbanos, tendo já, inclusive, iniciado sua propagação por países do Cone Sul e também da Europa, iniciou-se um movimento de recuperação de raízes africanas conhecido como "africanização", que rejeita o sincretismo católico, procura reaprender o iorubá como língua original e tenta reintroduzir ritos que se perderam ao longo do tempo e redescobrir os mitos esquecidos dos orixás.

A Nação Angola

A "nação" angola, de origem banto, adotou o panteão dos orixás iorubás (embora os chame pelos nomes de seus esquecidos inquices, divindades bantos, assim como incorporou muitas das práticas iniciáticas da nação ketu. Sua linguagem ritual, também intraduzível, originou-se predominantemente das línguas quimbundo e quicongo. Nesta "nação", tem fundamental importância o culto dos caboclos, que são espíritos de índios, considerados pelos antigos africanos como sendo os verdadeiros ancestrais brasileiros, portanto os que são dignos de culto no novo território a que foram confinados pela escravidão. O candomblé de caboclo é uma modalidade da nação angola, centrado no culto exclusivo dos antepassados indígenas. Foram provavelmente o candomblé angola e o de caboclo, além do catimbó e das juremas, cultos de origem indígena que deram origem à umbanda. Há outras nações menores de origem banto, como a congo e a cambinda, hoje quase inteiramente absorvidas pela nação angola.

A Nação Jeje

A nação jeje-mahin, do estado da Bahia, e a jeje-mina, do Maranhão, derivaram suas tradições e língua ritual do ewê-fon, ou jejes, como já eram chamados pelos nagôs, e suas divindades centrais são os voduns. As tradições rituais jejes foram muito importantes na formação dos candomblés com predominância iorubá.

A palavra JEJE vem do yorubá adjeje que significa estrangeiro, forasteiro. Portanto, não existe e nunca existiu nenhuma nação Jeje, em termos políticos. O que é chamado de nação Jeje é o candomblé formado pelos povos fons vindo da região de Dahomé e pelos povos mahins. Jeje era o nome dado de forma perjurativa pelos yorubás para as pessoas que habitavam o leste, porque os mahins eram uma tribo do lado leste e Saluvá ou Savalu eram povos do lado sul. O termo Saluvá ou Savalu, na verdade, vem de "Savê" que era o lugar onde se cultuava Nanã. Nanã, uma das origens das quais seria Bariba, uma antiga dinastia originária de um filho de Oduduá, que é o fundador de Savê (tendo neste caso a ver com os povos fons). O Abomei ficava no oeste, enquanto Axantis era a tribo do norte. Todas essas tribos eram de povos Jeje.

A palavra DAHOMÉ, tem dois significados: Um está relacionado com um certo Rei Ramilé que se transformava em serpente e morreu na terra de Dan. Daí ficou "Dan Imé" ou "Dahomé", ou seja, aquele que morreu na Terra da Serpente. Segundo as pesquisas, o trono desse rei era sustentado por serpentes de cobre cujas cabeças formavam os pés que iam até a terra. Esse seria um dos significados encontrados: Dan = “serpente sagrada” e Homé = “a terra de Dan”, ou seja, Dahomé = “a terra da serpente sagrada”. Acredita-se ainda que o culto à Dan é oriundo do antigo Egito. Ali começou o verdadeiro culto à serpente, onde os Faraós usavam seus anéis e coroas com figuras de cobra. Encontramos também Cleópatra com a figura da cobra confeccionada em platina, prata, ouro e muitos outros adornos femininos. Então, posso dizer que este culto veio descendo do Egito até Dahomé. Há, ainda a versão de que Dan teria se originado de uma das 12 tribos de Israel. Consta ainda que o povo Nkongolo, que teria originado os povos
Congos e Angolas, cultuava a serpente – de onde veio o nome do nkice Hongolo, mais tarde conhecido como Angorô, relacionado com o Oxumaré dos Nagô. Teriam estes povos uma origem comum?

Os povos Jejes se enumeravam em muitas tribos e idiomas, como: Axantis, Gans, Agonis, Popós, Crus, etc. Portanto, teríamos dezenas de idiomas para uma tribo só, ou seja, todas eram Jeje, o que foge evidentemente às leis da lingüística - muitas tribos falando diversos idiomas, dialetos e cultuando os mesmos Voduns. As diferenças vinham, por exemplo, dos Minas - Gans ou Agonis, Popós que falavam a língua das Tobosses.

Os primeiros negros Jeje chegados ao Brasil entraram por São Luís do Maranhão e de São Luís desceram para Salvador, Bahia e de lá para Cachoeira de São Félix. Também ali, há uma grande concentração de povos Jeje. Além de São Luís (Maranhão), Salvador e Cachoeira de São Félix (Bahia), o Amazonas e bem mais tarde o Rio de Janeiro, foram lugares aonde encontram-se evidências desta cultura.

Muitos Voduns Jeje são originários de Ajudá. Porém, o culto desses voduns só cresceram no antigo Dahomé. Muitos desses Voduns não se fundiram com os orixás nagos e desapareceram totalmente. O culto da serpente Dãng-bi é um exemplo, pois ele nasceu em Ajudá, foi para o Dahomé, atravessou o Atlântico e foi até as Antilhas.

Quanto a classificação dos Voduns Jeje, por exemplo, no Jeje Mahin tem-se a classificação do povo da terra, ou os voduns Caviunos, que seriam os voduns Azanssu, Nanã e Becém. Temos, também, o vodun chamado Ayzain que vem da nata da terra. Este é um vodun que nasce em cima da terra. É o vodun protetor da Azan, onde Azan quer dizer "esteira", em Jeje relaciona-se ao Kaviungo e Xapanã. Achamos em outro dialeto Jeje, o dialeto Gans-Crus, também o termo Zenin ou Azeni ou Zani e ainda o Zoklé. Ainda sobre os voduns da terra encontramos Loko. Ele apesar de estar ligado também aos astros e a família de Heviosso, também está na família Caviuno, porque Loko é árvore sagrada; é a gameleira branca, que é uma árvore muito importante na nação Jeje. Seus filhos são chamados de Lokoses. Ague, Azaká é também um vodun Caviuno. A família Heviosso é encabeçada por Badë, Acorumbé, também filho de Sogbô, chamado de Runhó. Mawu-Lissá seria o orixá Oxalá dos yorubás. Sogbô também tem particularidade com o Orixá em Yorubá, Xangô, e ainda com o filho mais velho do Deus do trovão que seria Averekete, que é filho de Ague e irmão de Anaite. Anaite seria uma outra família que viria da família de Aziri, pois são as Aziris ou Tobosses que viriam a ser as Yabás dos Yorubás, achamos assim Aziritobosse. Estou falando do Jeje de um modo geral, não especificamente do Mahin, mas das famílias que englobam o Mahin e também outras famílias Jeje.

Como relatei, Jeje era um apelido dado pelos yorubás. Na verdade, esta família, deveria ser classificados de povo Ewe, que seria o mais certo. Ewe-Fon seria a verdadeira denominação.
Continuando com algumas nomenclaturas da palavra Ewe-Fon, por exemplo, a casa de candomblé da nação Jeje chama-se Kwe = "casa". A casa matricial em Cachoeira de São Félix chama-se Kwe Ceja Undé. Toda casa Jeje tem que ser situada afastada das ruas, dentro de florestas, onde exista espaço com árvores sagradas e rios. Depende das matas, das cachoeiras e depende de animais, porque o Jeje também tem a ver com os animais. Existem até cultos com os animais tais como, o leopardo, crocodilo, pantera, gavião e elefante que são identificados com os voduns. Então, este espaço sagrado, este grande sítio, esta grande fazenda onde fica o Kwe chama-se Runpame, que quer dizer "fazenda" na língua Ewe-Fon. Sendo assim, a casa chama-se Kwe e o local onde fica situado o candomblé, Runpame. No Maranhão predomina o culto às divindades como Azoanador e Tobosses e vários Voduns onde a "sacerdotisa" é chamada Noche e o cargo masculino, Toivoduno.

Monday, October 02, 2006

Antônio Carlos de Xangô - Axés de Jêje-Ijexá de Bará a Ossanha CD 1 - 2003


Antônio Carlos de Xangô - Axés de Jêje-Ijexá de Bará a Ossanha CD 1 (Katy – 2003) Faixas: 01. Bará; 02. Ogun; 03. Oiá; 04. Xangô; 05. Axé da Balança/Alujá; 06. Ode e Otim; 07. Oba; 08. Ossanha;

O batuque do Sul é pouco conhecido no resto do Brasil, principalmente o de Porto Alegre. Lá a Nação Jeje se mesclou à Ijexá, numa interessante fusão que fez surgir uma variação dos Batas africanos, que aqui ficaram conhecidos somente como tambores ou Ilús, embora possuam uma pele em cada extremo do casco; apesar disso são tocados apenas em um lado, segundo a fórmula ritualística de que o lado superior do tambor é do orixá e o lado inferior é do Exu. A exceção é o tambor Inhã (corruptela de Ayom, o orixá da música e do tambor) mais semelhante aos batás e percutidas dos dois lados ao mesmo tempo.

Embora mais simples, de forma cônica sem as curvas sinuosas características dos batás, a Inhã firmou-se como um diferencial essencialmente Jêje nos Cultos de Nação do Sul. A execução dos músicos deste cd é impecável. Os “tamboreiros”, como se diz no por lá, e o côro são excelentes, cantam num Jêje antigo, num antigo dialeto que era falado no litoral africano. Uma pena não vir mais informações no encarte. Muito bom!

Para ouvir a faixa 05, "Axé da Balança", clique abaixo:


Abertura e encerramento 3 -Carlos Buby - 1984


Abertura e encerramento 3 -Carlos Buby(Fermata/Cáritas – 1984) – 1. Defumação; 2. Saudação a Exu; 3. Saudação a abaluaiê; 4. Saudação à Pemba e à Toalha; 5. Prece de abertura; 6. Saudação a Oxalá; 6. Saudação a Ogum; 7. Saudação a Oxossi; 8. Saudação a Oxossi; 9. Saudação a Xangô; 10. Saudação a Yemanjá; 11. saudação a Linha do Oriente; 12. saudação à corrente africana; 13. Ponto de chamada de caboclo; 14. saudação ‘as Crianças; 15. saudação ao Povo da Bahia; 16. subida de Caboclo; 17. encerramento. 18 Despedida;

Carlos Buby e coro do Templo espírita Guaracy. Paraná e Luiz Cláudio humildemente tocam apenas com um chocalho e um atabaque, de forma linear, apenas segurando o ritmo para o vocal propositadamente radiofônico de Carlos Buby. Não é um disco ruim, pelo contrário, por ser extremamente produzido e em estúdio, com ótima captação e masterização. Tornou-se um clássico da umbanda, já que a ordem dos pontos no disco encontrou conexão com um sem número de rituais realizados em muitos terreiros pelo Brasil afora. Apesar da execução correta ao extremo é uma amostra importante da umbanda em uma de suas expressões mais conhecida.


Para ouvir a faixa 11, "Saudação à linha do Oriente", clique abaixo:


Abertura e encerramento 2 - prov. anos 70


Abertura e encerramento 2 LP/CD (A Universal discos/Chantecler/Cáritas/Luzes/provavelmente anos 70)

1.Prece de Abertura; 2. Saudação a Oxalá; 3.Salve a Pemba; 4. Saudação a Oxosse; 5.saudação a Ogun; 6. saudação a Xangô; 7. Saudação a Iansã; 8. Saudação a Yemanjá; 9.Saudação a Oxum; 10. Saudação a Cosme e Damião; 11. saudação aos pretos velhos; 12. Ponto de Abertura; 13.Ponto de Chamada; 14.Coral; 15. Arranca-Toco; 16. Bahia é Terra de dois; 17.Cadê doun; 18.Eu vi Doum; 19. Os quindins; 20. Salve a Glória; 21. Lampião da Bahia; 22. É lua nova; 23.Deus lhe dê boa noite, Sá Dona.
Walter de Figueiredo com coro e ritmo. Um disco excepcionalmente bem gravado (em estúdio), com alabês e coro muito bons. O ogã Walter tornou-o um ícone por dentro dos terreiros umbandistas, pois muitos passaram a imitar sua impostação de voz e graças a ele muitos pontos de umbanda não se perderam e perduram até hoje nos ritos umbandistas (este disco estava presente em praticamente todos os terreiros que visitei quando da minha infância e os pontos aqui registrados eram entoados em todos).
A orquestra é completa: três atabaques, um agogô e um discreto chocalho percutidos por alabês que mandam muito bem nas cabulas, sem exageros e com dinâmica, com destaque ao alabê que executa o Rum, um músico perfeito. Influente, este é um trabalho obrigatório a todo estudioso da música do santo.

Para ouvir a faixa 23, "Deus lhe dê boa noite, Sá Dona", clique abaixo:

Umbanda 73 - 1973!


Umbanda 73 – (Musicolor/73) – 1.Hino a Ogun; 2.Sarava, senhor Ogun; 3.Mamãe Oxum; 4.Oxoce é rei da aldeia; 5.Festa de Iemanjá; 6.Hino do Primado de Umbanda; 7. A lenda da Pemba; 8.Caboclo do Vento; 9.Caboclo Pena Verde; 10.Salve a Umbanda; 11.Caboclo Urutu; 12.Pontos dos pretos velhos;

Primado de Umbanda do estado de São Paulo, Curimba da tenda de Umbanda Luz e Verdade, com a solista Maria do Carmo; Um disco prejudicado talvez pelo clima de estúdio. Comparado com o primeiro disco do primado este deixa muito a desejar, seja na execução dos pontos – o pessoal parece estar desanimado – seja no tratamento final dado à mixagem e masterização: muito reverber e quase não se entende o que se canta. Todos os pontos são de louvação. Vale pelo esforço do pessoal da época.



Para ouvir a faixa 9, "Caboclo Pena Verde", clique abaixo:




Templo de Umbanda Nagô - 1983


Templo de Umbanda Nagô – LP – (Eger – 83) 1.Chamamento; 2.Preto Velho Pai Joaquim; 3.Conga Velha; 4.Mironga de preto Velho; 5.Procissão dos Orixás; 6.Prece na Beira do Mar; 7.Nas areias brancas; 8.Toque de Alujá; 9.Reza Nagô; 10.Bara Agajô;

Templo de Umbanda Nagô Reino dos Orixás. Antônio Fortes e Roberto Fortes Tumbadora; Renato Oliveira: Tambor; Eugênio: Atabaque; Gilberto Gorga: Bongô; Anelise Correa, Marisa Fortes, Eliane Fortes, Marli Valli e Márcia Henriques: Age; Iara Costa: Agogô; Jaqueline Rocha: Reco-reco. Um disco raríssimo (era prática de muitos terreiros gravarem discos com poucas cópias para ajudarem-se financeiramente a manterem-se abertos. É o caso deste LP) e uma obra impressionante. Apesar de se chamarem templo Nagô, a influência indígena nos toques e nos cantos é marcante, talvez por serem um templo do Rio Grande do sul, onde a cultura indígena nas expressões e nas relações pessoais ainda é muito forte. Todas as faixas são tocadas num Toruá pesadíssimo, a ambiência e a execução dos músicos é quase mantrânica,naquela simplicidade que traz as chaves de abertura com o astral, numa dinâmica que beira o transe verdadeiro. Uma pena não ser muito bem gravado, por vezes os vocais se perdem por trás dos tambores. Os pontos provavelmente são de louvação, mas com certeza são inspirados na melodia e em algumas letras, o que os aproxima da raiz. Este é um disco obrigatório, e vai além da mera raridade pois é uma descoberta surpreendente: como, com ritmos simples, uma capa simples (um desenho quase infantil) e uma produção independente, caseira pode evidenciar tamanha amplitude de expressão musical e uma profundidade tão grande no que se entende como espiritualidade. Um disco profundo, estranho e maravilhoso.

Para ouvir a faixa 10, "Bara Agajô", clique abaixo:




J. B. de Carvalho apresenta Oxossi Pena Branca - Década de 40/50? - 1969


J. B. de Carvalho apresenta Oxossi Pena Branca (Disco Lar/Phonodisc – Década de 50?-1969) LP 1. Oxossi Pena Branca; 2. Caboclo da Pedra Preta; 3. Ponto da Cabocla Jurema; 4. Caboclo Flexeiro; 5. Caboclo; 6. Seara da Mamãe Oxum; 7. Hino a São Jorge; 2. Ponto de São Jorge; 3. Meu São Benedito (É ouro só); 4. Ponto de Preto Velho Africano; 5. Ponto de Exu Duas cabeças; 6. Ponto de Exu da Meia-Noite;
Um dos melhores trabalhos de J.B., um disco rico, com instrumental variadíssimo: podemos ouvir desde berimbaus até um balafon africano e alguns sambas-choro legítimos, com instrumental tradicional: sanfona, flautas, violão e cavaquinho. Como é de praxe na maior parte de seus discos de Umbanda, J.B. “apropria-se” de pontos de raiz, mudando um pouco a letra e a melodia e assina como se fossem de sua autoria. Este é um disco interessante porque mostra com fidelidade a ponte existente entre os sambas-jongo e ritmos populares como marchas-rancho, localizando com exatidão as origens rítmicas brasileiras, que são os terreiros de umbanda. J.B. esta solto, alegre e bem humorado, cantando bem, e acompanhado de excelentes instrumentistas. Um disco maravilhoso, sem senões, podendo ser tranqüilamente apreciado por umbandistas ou não.
Para ouvir a faixa 1, "Oxossi Pena Branca", clique abaixo:


Sunday, October 01, 2006

Vodun – 1993


Vodun – Pai Dancy - LP (Cáritas – 1993) – 1. Cântico de entrada ou chegada dos filhos – É Baruara; 2. Louvação ao Vodun Ayzan ( nata da Terra); 3.Saudação ao Vodun Eleguá; 4. Louvação ao Vodun Agajá Doçu; 5. Louvação ao Vodun Badé; 6. Saudação ao Vodun vereketi; 7. Saudação ao Vodun Dan Ikó (Becém-Mahi); 8. Louvação ao Tohoçu Azaká; 9. Saudação ao Vodun Mahi Sakpatá; 10. Louvação aos Deuses supremos Mawú-Liçá do culto Jeje-Vodun; 5. Cântico ao qual os voduns se despedem da Guma (Barracão) e que os filhos tomam a benção dos Voduns e do Voduno (sacerdote);


Voduncy Jejemin Sodan Dancy, com os huntós Maurício do Vodun Azaká, Walter do Vodun Agajá Doçu, André do Vodun Ágüe, Huntó Marcos Paulo do Vodun Xandantan. Age (Shequerê): Eilson do Vodun vereketi e Luciano do Vodun Irá-Lodo; Coral: Tereza do Vodun badé, Cida do Vodun Dajá, Fátima do Vodun Ágüe, Marquinhos do Vodun liça, Sônia do Vodun Naverualin, Aguinaldo do Vodun Badé Zorogama; Este é um disco especial, pois são poucos os registros dos cultos Jeje no Brasil, uma vez que a maior parte dos escravos dahomeanos (onde se cultuam os Voduns e não os Orixás) foram para as ilhas de Cuba, Haiti, antilhas e costa dos Estados Unidos. No Brasil os Jeje chegaram antes dos nagô e após os Bantu, o que tornou esse tipo de culto muito raro, o que torna o resultado final desse disco muito feliz. É muito bem gravado, os Huntós (como são conhecidos os Alabês entre os Jeje) são extremamente competentes e cuidadosos, tocando muito bem os batas (nas saudações, utilizam-se de Ntamas, os tambores falantes, instrumentos raros nos cultos brasileiros) e o coral, assim como o Pai Dancy, canta muito bem, evocando a cultura ancestral Jeje com uma propriedade poucas vezes ouvida.

Para ouvir a faixa 1, "Ê Baruara", clique abaixo:


Mavambo Trio - 1985


Mavambo Trio (Fermata/Cáritas – 1985) 1. EXU; 2. Ogun; 3. Ossaniyn; 4. Oxossi; 5. Obaluaê; 6. Xangô; 07. Oxumaré; 08. Nana; 09. Iansã; 10. Oxum; 11. Yemanjá; 12. Oba; 13. Ewá; 14. Oxalá; 15. Saudação a Xangô; 16. Saudação a Iansã;

Este disco é um clássico absoluto seja pela originalidade da proposta (São raríssimos os discos em que são apresentados apenas os toques para os orixás, em "sêco", sem canto), seja pela execução precisa dos instrumentistas – ou DO instrumentista, pois ao que parece, o percussionista Paraná é o único integrante do trio (provavelmente um quarteto, ou uma dupla, pois na gravação há um par de caxixis que parecem ter sido colocados após a gravação dos outros instrumentos estar pronta, tamanha a desconexão com o resto do trabalho). A contracapa do disco não dá indicações nem informações a este respeito, constando apenas a autoria dos toques (Paraná) na bola da bolacha preta. Quanto aos toques, só não é um disco perfeito por faltarem alguns ritmos das nações Gêge e Keto: Igbim e Huntó, por exemplo. No disco compacto constam mais duas faixas bônus, e provavelmente não são da autoria de Paraná e nem mesmo da mesma época. Um disco maravilhoso para estudiosos nas coisas do Ayom: obrigatório.

Para ouvir a faixa 07, Oxumaré, clique abaixo:

Oferenda – Cânticos de Umbanda - Anos 70?


Oferenda – Cânticos de Umbanda (Esquema – Anos 70?) LP – 1. Louvação a yemanjá; 2. Louvação a Ogun; 3. Louvação a Iansã; 4. Louvação a Oxum; 5. Louvação a Xangô; 6. Louvação a Cabocla Jurema; 7.Canto a yemanjá; 8. Caboclo Pena Branca; 9. subida de caboclo; 10. Tem areia; 11. canto de Exu;


Estáticos, não sabemos sinceramente, o que dizer deste disco... trata-se de um cantor chamado Fernando Costa, que readaptou (?) os ponto de umbanda, muitos deles tradicionais e de raiz, para um arranjo híbrido entre boleros de boate com o mais impressionante brega anos 60/70. É evidente a vontade de imitar o J.B. Carvalho, na impostação e no modo de cantar. Muitos bongôs, bateria, guitarras a lá Amado Batista e órgãos de churrascaria pululam por todas as faixas, embora os percussionistas e o baterista sejam muito bons, mas sozinhos não conseguem salvar o trabalho. O rapaz chegou a colocar som de metralhadoras e bombas no ponto de Ogun (o senhor da guerra, literalmente!), embora isso não importe muito.
Aliás, a idéia dos arranjos certamente remete ao conceito evangélico de se fazer todo e qualquer ritmo com temas cristãos e talvez os produtores quiseram trazer essa idéia para a Umbanda. Apesar de tudo, temos que admitir que, pelos arranjos, o Fernando Costa é um dos percursores do Axé, ou da lambada... bem, a capa é bonita.


Para ouvir a faixa 2, Louvação a Ogum, clique abaixo:




De Ogun a Oxalá - Provavelmente anos 70


De Ogun a Oxalá – Tapecar (Provavelmente final dos anos 70) – LP – 1. Ogun; 2. Oxossi; 3. Obaluaê; 4. Inge –zeui; 5. Aos Orixás; 6. aos Voduncis; 7. Iansã; 8. Oyá; 9. Trazurê; 10. Xangô; 11. Ronco; 12. Iaô; 13. Vodunci de Ioruba; 14. Oxalá;

Este é um disco polêmico, provavelmente concebido na idéia preconceituosa de agradar ao público “Cristão/Kardecista”, numa tentativa suspeita de retirar a “má impressão” que os cultos afro-brasileiros causam sobre as religiões politicamente corretas. Basta ler o encarte do disco, onde palavras como “primitivismo”, “seita” e um explícito discurso de explicações para que o Candomblé seja “aceito” pelo leigo. Seria um disco belíssimo (principalmente pela capa) se fosse apenas cantado à capella, pois não há nem sombra de atabaques em nenhuma música.



No seu lugar, órgãos e teclados com registro e harmonia claramente voltados a uma liturgia cristã, quase evangélica, estragam os cantos em Yorubá. Para completar, a faixa 5, Aos Orixás, cantada em português entrega o jogo na letra: “desceu Deus do Céu pra dar Aleluia”. Submissão demais até pra quem pretende exercitar o jogo da tolerância!

Para ouvir a faixa 13, "Vodunci de Yorubá", clique abaixo: