Wednesday, October 04, 2006

É de Angola - 2000


Angola - Toques de Angola CD - (2000 - Luzes Produções Artísticas Limitada)CD CNAAng
Faixas: 1. Rufo; 2.Ygexá; 3. Arrebate; 4. Barra Vento; 5. Alujá; 6. Congo de Ouro; 7. Congo de Cabula; 8. Cabula; 9. Samba Cabula; 10. Aquerê; 11. Congo Nagô; 12. quebra-Prato; 13. Bravum; 14. Ilú – Omilá de Oxalá; 15. Iká; 16. Sato; 17. Opanijé; 18. Adarrum; 19. Vaninha; 20. São Bento Grande; 21. Oludum; 22. Quenda;

Interprétes: Adalberto Mozer, Rodrigo Rosso e Edgar Pompolino.

Um cd muito bom que já se tornou um clássico, embora nem todos os toques apresentados sejam de angola, o registro vale pela tentativa de se executar com as mãos, toques originalmente tocados com Akidavi; a concepção da origem dos toques e suas relações rituais é um pouco confusa: inserem o Djembê, na verdade um alienígena nos cultos afro-brasileiros e tentam apresentar um toque chamado Oludum como ritualístico. Mas é um disco interessante e muito bem gravado.

Para ouvir a faixa 4, "Barravento", clique abaixo:

6 comments:

Alfredo said...

Olá, sou de Porto Alegre e me interesso muito pelos toques afros. Como eu posso adquirir esse CD? Tem algum link para baixar as faixas?

Valeu!
Abs
Alfredo Barros

Yan Kaô said...

Caríssimo Alfredo, os discos aqui expostos fazerm parte do Acervo FTU e não podem ser comercializados, pois a FTU é uma instituição idônea e não pode ser relacionada à pirataria. Por isso quando podemos, fornecemos os linques para que as pessoas entrem emcontato com os produtores dois discos originais. Salva aínda, os discos do sêlo Ayom, de nossa propriedade, voltado para as manifestações várias da umbanda, você pode adquirir os 22 toques escrevendo para o nosso email ayom77@gmail.com. Ainda assim, conhecemos vários coleciondaores que podem te dar umas dicas. Escreva prá nós que passamos seus contatos. Um abraço.

Adalberto Mozer said...

Sr.(ªs), O CD acima descrito, foi criado em primeiro lugar por Amor a religião e aos toques, sou percussionista,e Ogãn desde 1985 sei que não sei tudo, nem tenho a pretensão, mas por falta de um trabalho didático como foi o Objetivo deste gravamos os toques de acordo com o que nos foi ensinado, e com todo respeito, e sim foram adaptados os toques de outras nações e originalmente tocados em Akidavi para que possam sim serem tocados com as mãos, com todo respeito e sem querer disturbar o seu sentido ou a suas origens, e também a nivel de conhecimento o Djembe foi usado como instrumento de decoração para a capa, o qual o tenho ainda nos dias de hj,(original Senegalez), e os instrumentos usados foram atabaques e tumbadoras, e com relação a relação com os rituais espero que compreenda que isso é uma questão de consagração e julgamento de cada Babalao, e assim sendo nos ritus por mim usados eram e são corretamente consagrados. Obrigado pela divulgação, e gostaria de Lembrar que nunca recebi nenhum centavo pelos direitos de venda ou download pelo CD ou seu conteúdo.Me coloco a disposição para elucidar qualquer duvida que possa ter do trabalho em questão.
Adalberto Mozer Eccard.

Adalberto Mozer said...

Sr. sou Percussionista e Ogãn desde 1985, e não sei nada sobre percussão ou toques Afro-Brasileiros,mas o trabalho citado acima tem a minha assinatura, e foi criado com o intuito didático, e não com o intuito de revelar ritos ou corrigir destreza de nenhum Ogãn, foi feito com base em anos de pesquisa e conversão sim de toques originados de outras nações para a Angola, toques de akidavi, pala a manulação americana da percussão, pois a a africana só se usa os dedos, bom mas isso não importa, são dados técnicos, mas queria dizer que nunca usamos Djembê em nenhum dos toques e o mesmo (meu e instrumento apenas decorativo pela sua origem Senegaleza)apenas foi usado para ilustrar a capa, e com relação a relação com os rituais, peço-lhe desculpas mas discordo de sua opinião, e não sei qual é a correta pois pelo que sei ritmos são usados em rituais de acordo com a relação do Babalaô com seus ritos, não existindo uma uniformidade, ou um conceito onde podemos nos apegar como parâmetro.
e Também queria colocar que nunca recebi, nenhum centavo com a venda deste trabalho ou com parcial divulgação ou download, assim me coloco a sua inteira disposição para a elucidação de qualquer duvida que possa ter ou pairar sobre o trabalho do qual me orgulho muito.

Yan Kaô (Obashanan) said...

Caríssimo Mozer, é um prazer recebê-lo por aqui. Na verdade já o esperávamos! Saravá profundo!

Como pôde ler em nossa resenha, consideramos seu disco um clássico, embora seja nossa obrigação informar a quem possa interessar, que dentro das religiões afro-brasileiras o Djembê nunca existiu - o que torna no mínimo estranha a sua presença na capa do disco -, pois trata-se de um instrumento de celebração (não é um tambor exatamente ritualístico) existente em várias partes da África negra e em outros países asiáticos com outros formatos e outras texturas materiais, que variam seu timbre: o Darbak árabe e isralense e o Drumbek egípcio talvez sejam seus parentes mais próximos, além de outros tambores interessantes nas estepes gregas e russas, com formato parecido.

Em tempo, não entendemos a sua postura, Mozer, um tanto contraditória talvez, pois em sua mensagem coloca que não sabe nada sobre percussão ou ritmos afro-brasileiros. Se é assim, como pode considerar ou querer fazer um cd que chama didático? Sendo mais claro, como pode querer ensinar, se diz que não sabe nada? Desculpe-nos a franqueza, pois nos parece anuviada demais a sua proposta, ou não?
Quanto à ritualização e consagração dos instrumentos, entendemos que cada casa possui uma tradição e cada tradição se utiliza deste ou daquele procedimento para atingir seus objetivos. Mas há uma coisa que não podemos esquecer, Mozer: que todas as casa de tradição e verdade em algum ponto de sua história pregressa encontram-se ligadas a uma mesma origem e raiz. Isso significa que não importa escola, há sempre algo que une os terreiros do Brasil e um dos pontos mais importantes é a sua música e seus fundamentos. E esses fundamentos sempre passam por algo em comum que deve ser comungado da mesma forma, entendeu?

Permita-nos discordar de você, Mozer, quando diz que a percussão africana se utiliza apenas dos dedos. Talvez isso seja verdade em alguns toques dos Djembês, mas nem só de Djembês existe a música da África. Somos Alabê há 35 anos e estivemos na África, em Cuba e pelo Brasil inteiro estudando e pesquisando os ritmos sagrados que aportaram por aqui, além da Irlanda, China e Países árabes. Procuramos resgatar a tradição de Ayan/Ayom, a divindade da música e dos tambores e, veja, na África não se usam somente os dedos. Tem muito "ketu" (tapas), muita manulação, masacotes, abafos graves, e estalos com akidavis e muito pulso, no sentido de volume e mesmo no sentido melódico/harmônico, além é claro das intenções com acentos visando estruturar a dimensão do contato coporal através da dança. Na áfrica sem exceção, nos ritos sagrados de tambores, a intenção é fazer o tambor falar a língua das divindades através da força dos seus elementos. Explico alguma coisa sobre isso aqui: http://www.youtube.com/watch?v=XUfVmFHnbOM&feature=player_embedded

Por isso, a África e mesmo o Brasil ainda tem muito segredo a ser descoberto em termos de ritualização dos tambores, de técnica e de transe. Muita coisa, mesmo. A idéia passa bem longe do que vemos hoje nesses festivais e escolas de curimba que pululam hoje em dia a todo canto, gerando "superstars" da macumba, mas que só servem prá destruir as antigas tradições de canto e de toque do Brasil.

Sobre direitos autorais, lamento que não tenha recebido nada pelo disco. Achava que a gravadora pelo qual seu disco saiu fosse mais honesta e honrada com seu cast. Esse tipo de coisa não acontece conosco da Ayom Records. Trabalhamos com contrato e tudo acertadinho, etc. Quem sabe não fazemoa algo juntos, hein? Nos escreva: ayom77@gmail.com

Abraço!

Ayan Irê Ô!

Adalberto Mozer said...

Motumba axé,
Bom não fiz o comentário em forma a denegrir seu trabalho ou a qualquer outro, muito pelo contrário acho sempre louvável qualquer forma de divulgação de ritmos e cultos afro ou afro brasileiros ou seja ele qual for.Mas ainda digo que foi apenas de uma forma didática, pois na época apenas existia um trabalho feito pelo "Paraná"(percussionista e Ogãn), e pela evolução dos tempos fizemos o É de Angola.
Quando digo que não sei nada... É com relação a variedade de ritmos e nações, relações e formas de se tocar um atabaque com amor e seriedade, ainda sou um Ogãn já com assentamento de Alabê mas prefiro dizer que sou um Ogãn.
Quanto a dizer que a escola africana de percussão é dada com os dedos digo simplesmente com relação a manulação nas escolas de percussão, mas sabemos que não é bem assim...
Vamos nos falando..E com relação a um possível futuro trabalho, acho que podemos sim conversar. Abraços Adalberto Mozer.
contato, adalbertomozer@gmail.com