Monday, May 17, 2010

LANÇAMENTO AYOM RECORDS - O REI DAS ÁGUAS - Canto de Raiz e Tambor de Fundamento


01. Eu vi mamãe Oxum na Cachoeira (2:24); 02. Atira-atira (3:11); 03. Oxalá meu pai (1:11); 04. Eu vou pedir licença a Ossaim (2:34); 05. Ele jurou bandeira (3:02); 06. Ladeira da Pilar (2:33); 07. Mato quebrando, caboclo arriando (2:04); 08. O pisar dos caboclos (2:38); 09. Espia o que vem pelo céu (2:33); 10. O rei das águas (2:58); 11. É Oxalá quem governa o mundo (3:39); 12. Ela é Ogum do fundo do mar (2:17); 13. O sino da igrejinha (3:14); 14. Aguerê (2:58); 15. Cabula de Congo (Congo de Ouro) (2:26); 16. Daró (2:31); 17. Ijexá (1:59); 18. Ritmo Agalu Ayan (3:01);

Na Umbanda, e nos cultos afro-brasileiros, o canto, a dança e o ritmo são aspectos indissociáveis que evidenciam a identidade da tradição a qual o templo pertence. É possível entender a origem de uma comunidade, suas raízes, sua história e seus rumos, de acordo com o jeito de cantar, de dançar e de se tocar os instrumentos ritualísticos. Claro que existem diferenças entre estas tradições e existem ainda, semelhanças cruciais para se compreender a distância gigantesca que separa o que é sagrado do que é profano na arte dos rituais. O Canto de Raiz possui códigos conhecidos apenas por aqueles iniciados na atmosfera musical dos terreiros. São cânticos que produzem efeitos reais e positivos quer seja no momento do transe, quer seja para sensibilizar o ambiente e atrair as divindades até os terreiros, para que se processe o atendimento e as celebrações. O Canto de Raiz geralmente é trazido por uma entidade ou recebido por raríssimos médiuns que possuem a faculdade da Psicofonia, que é a capacidade de receber, através da mediunidade, canções, músicas (cantadas, ou mesmo escritas através de outra faculdade mediúnica: a Psicografia) e mantras que despertam e recuperam as pessoas para uma nova relação com o mundo. Além do Canto de Raiz, existem ainda os Cânticos de Louvação. Estes já não possuem função magística nem invocatória, mas são importantes na condução da fé do Povo de Santo. No Brasil, Tambores de Fundamento são tambores que possuem função sagrada, que movimentam forças de atração e repulsão e que passam por ritos de consagração que os eleva para um status de instrumento mágico. São tocados apenas por músicos que tenham compromisso com sua comunidade e com o espiritual da casa a qual pertencem. Tambores de Fundamento são tambores que “conversam” entre si, são instrumentos vivos (!), onde cada peça faz uma frase diferente (o resultado final é uma espécie de “movimento sonoro”, que, além de ser captado pelos ouvidos, pode ser quase que “visualizado”) e não se apresentam em uníssono, de forma automática e monótona como vemos hoje, devido à padronização imposta pelas ditas “escolas” de curimba.

Infelizmente, tanto os Cânticos de Raiz quanto os ritmos produzidos pelos Tambores de Fundamento estão desaparecendo gradativamente por causa de eventos traumatizantes para a tradição musical dos templos do Brasil, como festivais de curimba e composições feitas apenas com o intuito de se apropriar da religião através de concursos onde o dinheiro fala mais alto. Assim, estas composições e estes “cursos” invadem os terreiros e vão pouco a pouco destruindo e mudando o panorama musical criativo e renovador das antigas casas para pior, desestruturando e descaracterizando a assinatura de tradições antigas, tornando pasteurizado o modo de se cantar e de se tocar. Nesse disco, procuramos resgatar alguns pontos de raiz que foram recolhidos em vários templos do Brasil. Alguns deles já bem desconhecidos da maior parte dos terreiros que conhecemos.
Os atabaques foram tocados com antigos ritmos de fundamento, ritmos que eram usados em muitas casas antigas de Umbanda e que hoje estão cada vez mais raros e difíceis de encontrar, em especial, a faixa “O sino da Igrejinha”, ponto do Exu Tranca Ruas, executado em uma peça de ritmo Agalu, uma rara execução de ritmo em louvor a Ayom, o Orixá dos tambores. Alguns do ritmos são apresentados em seu instrumental, sem voz, no final do CD. Tivemos o prazer de sermos acompanhados por Luciana Gama, curimbeira dos Xangôs e das Umbandas de Recife e pela curimba do templo do Caboclo Arranca-Toco de Campinas, dirigido por nosso irmão, mestre Karabayara (Pai Raimundo Medeiros).
Ayan Irê Ô! (Que Ayan lhe traga felicidade).
Para ouvir a faixa 01, "Eu vi mamãe Oxum na Cachoeira":



William de Ayrá (mestre Obashanan)
Para adquirir este disco escreva para ayom77@gmail.com
Ou ligue: (011) 9761-8058 / 3499-6152