Saturday, May 30, 2009

Sete Rei da Lira - 1971



Sete Rei da Lira - LP - Odeon - 1971

01.Saravá a Coroa Maior; 02.Sete na Lira; 03.Guardião dos Caminhos; 04.A Casa de Seu Sete; 05. É prá quem tem fé; 06. Sete é protetor; 07.Rosa Vermelha; 08.Rei da Lira; 09.As quatro cordas; 10.Estrela de Audara Maria; 11.Audara Maria do Ricó; 12.Dona Audara Edimum;

A Mãe de Santo Cacilda de Assis foi um dos médiuns mais polêmicos da história da religião brasileira, graças ao Exu que lhe assistia. Aos 13 anos de idade recebeu pela primeira vez o "Seu" Sete Rei da Lira, o qual foi assentado em 13 de junho de 1938, aos 15 anos, quando Cacilda recebeu sua iniciação de seu Pai, Benedito Galdino do Congo, em Coroa Grande, próximo da conhecidíssima Itacuruçá, no Rio de Janeiro (local onde funcionou um outro importantíssimo terreiro da história das religiões brasileiras). Ela também trabalhava com a Pomba Gira Audara Maria.



Mãe Cacilda de Assis em seu programa de rádio



O Rei da Lira se apresenta como Exu, muito embora suas características originais o liguem mais ao mundo da encantaria, onde é conhecido como Sete Rei da Lira, José das Sete Liras ou o Rei das Sete Liras. Poucos conhecem a sua história como encantado, que começa na Idade Média e vai até a sua reencarnação no século dezenove. Na Espanha Medieval, havia um casal: Caio e Zelinda. Caio era um descendente de gregos, que tocava e fabricava instrumentos musicais, especialmente liras. Zelinda era uma bela negra africana, que escondida dos poderosos da época, fazia rituais mágicos.





Tiveram um filho chamado José, que era muito inteligente e tocava instrumentos como ninguém. O garoto herdou do pai o gosto para tocar e fabricar liras, das quais construía 7 diferentes modelos. Da mãe herdou os poderes paranormais: curava pessoas doentes, movia objetos com o olhar, tinha sonhos premonitórios, via a aura das pessoas etc. Na adolescência, conta a lenda que o garoto passou a incorporar espíritos enquanto tocava e uma destas almas seria a do bíblico Rei Davi. Por fazer muito sucesso com as mulheres, um marido ciumento entregou-o para os representantes da igreja, acusando José das Sete Liras de bruxaria. Foi queimado na fogueira pela Inquisição.





Seu Sete da lira trabalhando



A fama do Exu Sete Rei da Lira que baixava em Mãe Cacilda começou a crescer rapidamente devido à característica inusitada de suas giras - onde todo tipo de música poderia ser cantada e tocada - e no uso impressionante da ingestão de vários litros e litros de "marafo", além da roupa ritualística bordada em veludo preto, botas, capas e cartola. Quem presenciou a manifestação deste espírito se impressionou com o magnetismo e com a capacidade de movimentação das pessoas que acorriam ao seu templo, em Santíssimo, um bairro do Rio de Janeiro. Corriam as notícias de boca a boca, dos casos de cura de doenças gravíssimas etc e rapidamente a gira de seu Sete chegou à marca impressionante de mais de cinco mil pessoas por rito.



Compositora e escritora, Mãe Cacilda tinha um programa na Rádio Metropolitana de Inhaúma e o caso é que a fama de seu 7 se espalhou tanto que artistas como Tim Maia, Freddie Mercury e o grupo Kiss estiveram por lá sabe-se lá por qual razão, até que um dia alguém foi até o terreiro e desafiou o Exu a baixar em rede nacional. Ao contrário do que se esperava, o seu Sete concordou e foi aí que o "dendê ferveu"!





Fotos das milhares de pessoas que acorriam ao templo de seu Sete da Lira. Olhe bem e descubra onde está o Exu!



Eu me lembro bem do fato, pois todo mundo comentou: foi em 1971, eu tinha 5 anos e me é inesquecível o sotaque de uma portuguesa da vila em que eu morava no bairro do bexiga em sampa, agressiva e transtornada, ao comentar: "Um ab'surdo, c'mo deixaram um d'mônio daq'les b'xar no p'grama do Ch'crinha?? Viram o que el' fêx?? A revolta da mulher, católica radical (ainda não existiam os neopentecostais que mais tarde se aproveitariam do mesmo tipo de discurso), era acompanhada de uma credulidade não assumida: "T'do bem, o santo baixou em todo mundo, isso realmente é difícil de explicar, mashhhh..."





Seu Sete da Lira no programa "Flávio Cavalcanti"



Incorporada pelo Exu "Seu" 7 Rei da Lira Cacilda havia transformado os programas de Chacrinha e Flávio Cavalcanti num verdadeiro ritual de Kimbanda, daqueles mais bravos. Não se questiona aqui a veracidade da presença do Exu naqueles momentos, ou se é válido esse tipo de exposição ou de manifestação em público, mas há a verdade inquestionável de que algum poder realmente tomou conta das pessoas naqueles programas, pois platéia, cantores, assistentes de câmera, seguranças, contrarregras e outros entraram em transe, desmaiaram ou foram "mediunizados" por exus e outras entidades.



Inabalável, seu Sete da Lira após "tocar a macumba" no programa de Flávio Cavalcanti, sem desincorporar saiu de carro dos estúdios da TV Tupi acompanhado por seus cambonos e foi até os estúdios da Rede Globo no programa do Chacrinha e nem bem entrou no palco, o mesmo fenômeno aconteceu: Chacretes, músicos, diretores e outros entraram em transe.



O próprio Chacrinha, o rei da caricatura e da esbórnia ficou sem ação, conforme o relato do professor universitário Paulo Duarte: "(...) me causou espanto, assistir, há dias àquele espetáculo de 'Seu Sete', apresentado como se fosse um retrato do Brasil: uma 'mandingueira' de cartola e charuto, espargindo cachaça pela multidão em transe, como um sacerdote o faz com água benta. Um adolescente entrou para colaborar, quando foi 'tomado' diante da Mãe de Santo. Esta, que já bebera em público largos goles de pinga, esborrifou-lhe o rosto com um pouco da bebida, aos efeitos mágicos da qual o moleque voltou à razão em meio ao alvoroço da multidão, sob o patrocínio de um Chacrinha mais inconsciente que legítimo".


Reportagem na revista "Amiga" de 1970, sobre seu 7 da lira (Cortesia do irmão Maleronka!)


Na Censura Federal centenas de telefonemas de protestos e de narrativas de pessoas que haviam entrado em transe em suas casas entupiram as centrais telefônicas, a Igreja Católica constrangida reuniu sua cúria para debater o problema e a concessão das duas emissoras de TV quase foram suspensas pelo governo, alegando a defesa da "moralidade" e dos "bons costumes".


Na verdade, o que podemos concluir é que a Umbanda e as religiões afrobrasileiras fazem parte de uma parcela do imaginário brasileiro - principalmente a Kimbanda - que se for colocada à mostra em sua totalidade, pode gerar efeitos inesperados no senso comum e padrão das classes sociais e religiosas acomodadas, pois raramente se viu na história da cultura brasileira a religiosidade das classes subalternas manifestar-se de modo tão expontâneo e incontrolável e ainda, em escala nacional, como foi feito pelo Sr. Exu da Lira e só por ele, sozinho!


Uma das últimas fotos de Cacilda de Assis mediunizada... paradeiro????



Pela primeira vez na história do país, cujo Estado e cujas classes dirigentes desfiam ao longo dos tempos uma compreensão e narrativa eurocêntrica sobre si mesmos, a sociedade brasileira se viu obrigada e se olhar no espelho tão profundamente que não aguentou se ver tão frágil e desnuda frente aos efeitos do trabalho de um Exu Guardião. E as reações subsequentes revelaram ainda posicionamentos elitistas arraigados nas velhas estruturas de dominação e da luta de classes no plano das representações simbólicas. Entre o próprio povo do santo a coisa se dividiu: em conversa com nosso querido amigo, o pai Pedro Miranda, esse nos relatou que certas "cúpulas" umbandistas da época recusaram-se a tentar entender o fenômeno "da Lira" e também tentaram abafar o caso...


Mas o evento mais grave e interessante aconteceria longe, no centro do poder: estavam assistindo aos programas o então presidente Médici e sua esposa D. Cyla. Indignado, o general iria tomar algumas "providências" contra Mãe Cacilda, quando, subitamente, ao seu lado, D. Cyla, incorporada, dá uma sonora gargalhada, pede uma rosa, uma champanhe e diz pro presidente não mexer com quem não podia...


Bastidores do Brasil... bastidores da Kimbanda...


Ao sr. Sete Rei da Lira: Mojubá Exu!!

Para ouvir a faixa 10, "A estrela de Audara Maria", com a participação do próprio Exu Sete da Lira, clique abaixo:

Friday, May 29, 2009

AMAZÔNICA - 1997



AMAZÔNICA – Camerata Cantione Antiqua e Angaatanàmú – CD – Sony – 1997

01.Caramuru; 02.Toada pra Xangô; 03.De deserto a deserto; 04.loa de maracatu:Vovó falou e baque de parada; 05.Baiano; 06. Chegança; 07.Caboclinhos; 08.Caramuru (reprise); 09.Aboio; 10.Aboio Grande;

Um disco interessantíssimo, que reconta – através de partituras recuperadas – como era a música brasileira dos anos 1600, com suas influências bem nítidas e ainda puras: há desde o canto das “Santidades”, onde os índios entoavam loas católicos (uma das bases dos cultos de encantaria), passando pelos primeiros cânticos de Candomblé até uma esquecida, mas importantíssima matriz da música nordestina: a música árabe/judaica. Nessa faixa (faixa 03 - De deserto a deserto) pode-se notar como as duas formas de se fazer música – do oriente médio e do nordeste – estão assustadoramente próximas, acrescidas ainda de um toque de flautim quase barroco à guisa de Ars Nova. Outra faixa importantíssima é a recuperação de um cântico de bruxaria Gêge, onde, num envultamento faz-se a pergunta tenebrosa: “que diabo de casa que não tem buraco pra sair?” O pessoal da pesquisa deste disco – em especial o diretor musical Miguel Kerstman - foi realmente fundo e produziram um dos mais importantes registros de nossa história musical, que, é claro, ninguém conhece, infelizmente... O disco é tão legal e importante, que colocamos logo três faixas para apreciação...

Para ouvir as faixas 02, "Toada prá Xangô", 03, "De deserto a deserto" e 06, "Chegança: Que diabo de casa é essa?", clique abaixo:







Thursday, May 28, 2009

Maracatu Nação Pernambuco - Independente - 2000

Maracatu Nação Pernambuco - Independente - 2000
1-Maracatu Misterioso; 2-Viver solto Virado; 3-Latina Cigana; 4-Toque Moderno; 5-Mateus embaixador; 6-Coroa Imperial; 7-Pão e Circo; 8-Recife; 9-Folia Geral; 10-Brasindiano; 11-Cambinda Nova; 12-Leão Coroado; 13-águas do MUndo das Águas; 14-Boi Aroeira;

Todo Maracatu possui ligação direta com algum terreiro. Esta é a tradição e sempre surge em algum tema a ser tocado o imaginário das Umbandas, Encantarias e Nações. Surgido em 1989, formado, em sua maioria, por jovens da classe média, o Maracatu Nação Pernambuco tinha como objetivo difundir o ritmo, na época em decadência, e pouco conhecido fora das comunidades onde era praticado. O Nação Pernambuco teve papel importante no reinteresse pelo maracatu em Pernambuco e no resto do país, e também no exterior, pois o Nação Pernambuco tem feito apresentações constantes na Europa. Participante da primeira edição do Abril Pro Rock, em 1993, o grupo ajudou bastante a fazer com que os novos músicos pernambucanos se interessassem pelo maracatu. O grupo já lançou três discos, o primeiro deles Batuque da Nação (1992), e tem participações em diversos outros discos, entre os quais Oceano, de Sérgio Mendes (1997).

Para ouvir a faixa 10, "Brasindiano", clique abaixo:



Wednesday, May 27, 2009

Le Monde Sonore des Bororo – Auvidis/Unesco – 1989


Le Monde Sonore des Bororo – Auvidis/Unesco – CD - 1989

01 - Roia Kurireu-Grande Chant During The First Burial; 02 - Marido Paru- Preparations for the dance game of th marido; 03.Exhortationbs; 04-Roia Mugureu Boecojiwu- Night time sitting cant; 05-Marido-Dance game; 06-Aije-Dance of the Bull Roarers; 07-Marenauire- Cant of the mourning; 08-Roia Mugureu Merijiwu- Daytime sitting Chant; 09-Oiego Joyful Chant For a Collective Hunt;
Bororo tocando o tambor Ka

Belíssimo trabalho de registro sonoro da gravadora Auvidis, apresentando canções dos índios Bororo gravado na própria aldeia. Trata-se de um disco misterioso, com clima sempre denso em cada uma das faixas, onde ritos fúnebres e cânticos para momentos simples, tais como o amanhecer e o anoitecer nos lembram de como a civilização nos levou a estranhar a celebração de pequenas observações e prazeres da natureza. É o que transforma a maior parte das canções num roteiro emocional para se compreender a paisagem sonora de uma cultura quase sem nenhuma conexão com nosso modo ocidental de se entender música. Escute atentamente a faixa onde o Pajé saúda o amanhecer com um sereno e místico canto quase mantrânico.

Ritual para casamento


Para ouvir a faixa 07, "Marenauire- Cant of the mourning", clique abaixo:


Wednesday, May 20, 2009

Voices of Africa - 1997





Vozes da África – CD – Amharsi Srl-1997

01.Mustapha Tettey Addy (Ghana); 02.Cabdullahi Qarshi-Cumar Dhule (Somália); 03.Africa Jolé (Guiné); 04.Gabin Dabiré (Burkina Faso); 05.Traditional Orchestra of the Comore Islands (Camarões; 06. La Famille dembelê (Burkina Faso) 07. El Mouahidya (Argélia); 08.Arafan Koyate (Mali); 09.Amanpondo (África do Sul); 10.Hausa-Ibo-Ensemble (Nigéria); 11.La Famille Dembele (Burkina Faso); 12. cabdullahi Qarshi-Cumar Dhule (Somália); 13.Sonia laaraisi (Tunísia); 14.Music of Nande (Zaire); 15.Florida Uwera (Rwanda);

Este é um trabalho lindíssimo do sêlo italiano Amharsi Srl. Trata-se de um apanhado precioso de canções africanas de todo o continente, constando de dois volumes: este aqui é o que dá ênfase ás vozes africanas e o volume dois, que se concentra nas cordas e nos instrumentos de sopro. Sim, exatamente! A idéia é essa mesma, a de explorar o tão pouco conhecido universo africano da música que não está concentrada só no tambor, pois a idéia estereotipada da cultura africana é de que lá só existe o tambor como instrumento e mais nada. Ao contrário, verdadeiras orquestras tradicionais de cordas realizam trabalhos importantíssimos de manutenção da cultura musical mais antiga do mundo e o tambor, em muitos casos é um mero coadjuvante.


Há a música de tribos, de griots e akpalôs - contadores de histórias -, a música influenciada e que influenciou o mundo árabe e sem exceção, em todas as faixas encontramos excelentes cantores. Um disco interessante para quem estuda as origens da música e para quem quer compreender as várias influências da música africana no modo de cantar da música de terreiro.

Para ouvir a faixa 01, com Mustapha Tettey Addy (Ghana), clique abaixo:


Monday, May 18, 2009

Adão Daxãlebaradã - Escolástica - 2003

ESCOLÁSTICA - Adão Dãxalebaradã- 2003 - CD - Selo Ambulante

1-Armas e Paz; 2-África; 3-Computador; 4-Bibi Lobi Woa; 5-Luanda; 6-Deus é um Negrão; 7-Vida Curta; 8-Escolástica; 9-Diamante; 10-I Ia Laa; 11-Xirê; 12-Vida Curta (Remix); 13-Armas e Paz (Remix);


Adão Daxãlebaradã: um gênio destruído pela violência


Um dia o cineasta Walter Salles subiu o morro do Cantagalo, no Rio, à procura de novas expressões artísticas. De lá, saiu com um documentário e uma descoberta: Adão Dãxalebaradã. Waltinho foi levado à casa desse músico desconhecido por Luanda, caçula dos filhos de Adão e bailarina do projeto Dançando para Não Dançar. O diretor de Central do Brasil ficou impressionado com o compositor, de mais de 500 canções, e o apresentou à sua parceira Daniela Thomas e ao irmão dela, o produtor musical Antônio Pinto. “Fiquei obcecado em registrá-lo. Adão tem um discurso de contestação, de paz, mas com olhar particular”, disse Antônio. Hipnotizados pela mistura de sons – reggae, samba, afro-beat, rap – e pelas letras vigorosas, os três decidiram revelar Adão. O resultado foi o disco Escolástica, o documentário Somos Todos Filhos da Terra e o videoclipe Armas e Paz.

Sobrevivente de emboscadas da polícia e de bandidos, levou 12 tiros. Quatro foram de metralhadora, e foi perseguido por 30 homens da polícia especial. Segundo Adão, o motivo foi ele ter sido excluído do Exército, conforme crê, por preconceito racial. Passou a pregar peças no coronel responsável pela sua exclusão. Em plena ditadura militar, conta ter sido até torturado. Um dos tiros de metralhadora ficou a um dedo do coração, e Adão passou meses no hospital.

A última bala ele levou quando tentava se afastar da violência do morro, como mecânico, em 1973. Em tese, foi assalto. Quis reagir e, sem ver que havia outro bandido atrás, foi alvejado. O tiro o deixou numa cadeira de rodas. “Sou semiparaplégico, consigo andar segurando nas coisas, tomar banho sozinho, fazer sexo", dizia. "Na verdade o tiro foi um mal que veio para bem, pois descobri as coisas da Umbanda e do Candomblé”. Daxãlebaradã é uma qualidade de Xangô que significa “Princípio, Meio e Fim”. Este foi o nome espiritual que adotou desde então.

Adão começou a fazer música aos cinco anos: “Meus pais eram crentes. Fazia hino de igreja”. Sua brincadeira era imitar o pastor. Aos oito anos, fugiu de casa e foi morar na rua. “Não tinha liberdade, era criado na base da pancada. Não podia jogar bola de gude nem soltar pipa porque eram coisas do diabo”, lembrava ele, o mais velho de nove irmãos. “Só podia brincar no porão. Não podia me misturar com filhos de pessoas que não eram da igreja.”
Na rua, sobrevivia com o que lhe davam. Foi encaminhado a uma instituição para menores, onde ficou dos 9 aos 17 anos. Foi guia espiritual de sua comunidade e por ser ligado às raízes afro-brasileiras, compôs cerca de 500 músicas sobre o tema. Residia no Morro do Cantagalo, em Ipanema. Faleceu no Hospital Miguel Couto, segundo alguns, vítima de uma Hepatite C com infecção generalizada, sendo enterrado no cemitério São João Batista, mas há muitos que juram que Adão incomodou o pessoal do tráfico, quando fêz a música "armas e paz", um protesto criticando o tráfico de armas e sua morte foi "repentina" e estranha demais...
A música de Adão é forte, cheia de fúria, com as letras focadas na injustiça de todos os matizes. Tocava apenas um atabaque - que era como compunha suas músicas - e muita gente achava que fazia parte da galera do funk carioca, o que o produtor Antônio Pinto provou não ser verdade, pois construiu junto com Adão um dos discos mais lindos da história da música brasileira. Adão era um homem de raiva e de fé, raiva dos poderosos que manipulam idéias para manter os homens escravizados, raiva da apatia dos seus iguais e fé na força de suas origens no Orun e nos rios da África, que o inspiravam na sua pregação libertária. Com uma voz rouca e profunda, forjada na tristeza e na difícil vida que levou, ela soa como se viesse de antes dos tempos, tempos melhores que estes que o fizeram vítima da violência. Adão foi uma perda, quase despercebida pelos homens, mas certamente, será sempre lembrado pelos deuses.
Deixou dois filhos: Ortinho e Luanda.
Para ouvir a faixa 2, a maravilhosa "Mãe África", clique abaixo:


Sunday, May 17, 2009

Umbanda – Força e Magia – Boiadeiro

Umbanda – Força e Magia – Boiadeiro – CD – TBS – 2003

01.Boiadeiro; 02.Terra Sagrada; 03.Salve o Boiadeiro; 04.No Caminho; 05.De manhã cedo; 06.Gruta de Jesus; 07.Cadê o boiadeiro;08.Seu Vaquejada; 09.Galo cantou; 10.É hora;

Vado canta bem, o coro as vezes desafina e há alguma coisa com o tempo da voz em relação aos tambores em algumas faixas que não andou muito bem... excetuando-se um o dois pontos, a maioria das cantigas parecem terem sido gravadas sem ensaio e muito rapidamente. Uma pena, pois seria um disco interessante se a revisão da qualidade técnica – até mesmo artística (a capa traz um desenho estranhíssimo) – fosse um pouco melhor.

Para ouvir a faixa 3, "Salve o Boiadeiro", clique abaixo:



Candombless



Carlinhos Brown - Candombless – Candiall Music – CD – 2005

01.Labarã; 02.Orerê emapá; 03.Patuá; 04.Aguaxirê/Saleromi; 05.Xerê Jexé; 06.Kissanga; 07.Três Coruna; 08.Ódemã; 09.Coicoia; 10.Saudação a Oxossi; 11.Seleloá (Nave Isaura); 12.Rei da Hungria;

Senhoras e senhores, o que dizer de uma obra onde respeito e integridade se fundem de tal forma que já não é possível pensar em nada, a não ser que estamos frente a uma nova reconstrução da música num encontro suntuoso de ancestralidade e modernidade!? As cores múltiplas de todas os modos brasileiros de se fazer música tradicional estão nessa obra impecável, da Umbanda ao Candomblé, da Encantaria ao canto Católico e além. Permeado por toques sutis de psicodelia, ruídos sampleados são tratados como percussão e percussão viva é perfeitamente transformada em agradáveis melodias onde baixos e agudos se reconstroem numa concepção timbrística intrincada e muito bem pensada. Carlinhos Brown atingiu a excelência como um pensador refinado das atitudes e posturas que o músico das religiões brasileiras deve ter enquanto fomentador social no tocante ao poder de envolvimento que tem com os prosélitos do "santo" e consequentemente ponte essencial da responsabiulidade de ser um tradutor entre a linguagem dos homens e dos deuses.





Candombless mistura a música pop eletrônica aos cantos tradicionais dos cultos que colorem a Bahia de todos os tempos. O disco conta com a participação da comunidade dos músicos e sacerdotes do santo e em momento algum esta é submergida ou absorvida por qualquer excesso eletrônico, pelo contrário, a eletrônica, como filha da acústica, atualiza os pontos para uma linguagem contemporânea, tornando-se tão ancestral e milenar como eles. Há rezadeiras, Ialorixás, Alabês e Babalorixás, traz a reza da aparição do Arcanjo Gabriel e o canto de Oxotocanxoxô, o mito primordial de Oxossi, como o guerreiro que venceu uma batalha com apenas uma flecha. E conta com participação mais que especial de Mateus Aleluia, o último dos Tincoãs.


É assim: Carlinhos Brown, AYAN IRÊ Ô!!


Para ouvir a faixa 07, "Três Coruna", clique abaixo:





Umbanda – Força e Magia – Marinheiro - CD – TBS – 2004

Umbanda – Força e Magia – Marinheiro - CD – TBS – 2000

01.Marinheiro; 02.Martin Pescador; 03.Apitou um navio; 04.Artilharia; 05.Ele é de Jauá; 06.Rema a canoa; 07.Navio no mar; 08.Sentado na pedra; 09.Eu viajei; 10.Boca do garrafão;

Apesar dos já tradicionais problemas dos quais a TBS sempre é criticada em seus discos (má gravação, masterização inexistente, uma batida pré-gravada dos atabaques ao fundo, apenas com um agogô ao vivo, má qualidade gráfica que já “estimula” a produção de cds piratas, sendo que, exatamente por tais fatores, a pirataria de discos de umbanda cresceu etc...), nós sempre fomos defensores da boa vontade dos mesmos em gravar pontos que já estavam caindo no esquecimento do povo do santo, sendo que a TBS foi uma das primeiras gravadoras dos anos 00 a ressuscitar o clima de magia surgido nos anos setenta com as gravações da música de terreiro, principalmente pelo estilo de cantar do Tombensi, com outro alguém cantando ao fundo num intervalo de terça típico das escolas congo/angola. Este disco de Marinheiro traz apenas dez faixas, mas são todos pontos de raiz da verdadeira encantaria da Jurema e da Angola. Sim, senhores, esse disquinho é – apesar de todos os revezes, - simplesmente muito bom!


Para ouvir a já conhecidíssima "Martim Parangolá", clique abaixo:


Saturday, May 16, 2009

Atabaque - Tocando para os Orixás


Atabaque - Tocando para os Orixás – Gravadora desconhecida – CD – data: ?

01.Todos os Orixás – Bata; 02.Ogum – Vasse; 03.Oxossi – aguerê; 04.Ossanha – Vasse; 05.Obaluayê – Opanijé; 06.Omulu – Savalu; 07.Oxumaré – Bravum; 08. Xangô - Vasse/Alujá; 09.Xangô – Arrebate; 10.Oxum – Ijexá; 11.Iansã – Ihu; 12.Iemanjá-Jincá; 13.Oxalá – Ibi; 14.Todos os Orixá – Ramunha; 15.Tempo – Congo; 16.Mamento/tateto –Barravento; 17.Todos orixás – Cabula; 18.Babalorixá/tatetos – Agabi;

Este disco foi enviado da Bahia por um admirador do acervo. É um disco que consta de informações pouco precisas com relação à datas, intérpretes e informações dos toques, que nos pareceu um pouco confusa, além da capa ser um xerox bem "funhanhado " e apagado. A gravação é extremamente precária (parece que foi gravada num gravadorzinho digital de mão, pois escuta-se o “bip” que anuncia a pausa do aparelho), mas, minha gente, QUEM SÃO ESTES ALABÊS??? Precisão, técnica, velocidade, uma MARAVILHA! Fazem o que se deve fazer em toques de kêto e angola e garanto a vocês, se fecharem os olhos durante audição vocês serão capazes de ver os eleguns dançando com a roupa do orixá correspondente ao toque, tamanha a capacidade de invocação dos camaradas. O tocador de Rum me pareceu o Vadinho, ou alguém que aprendeu com ele, mas como ter certeza?? Se alguém tiver mais informações nos informe, aqui, no meu, no seu, no nosso... acervo ayom!

Para ouvir a faixa 14, "Ramunha", clique abaixo:

Wednesday, May 06, 2009

LANÇAMENTO!! NO CLARÃO DA LUA! Série Brasil Encantado Vol. I: Ciganos e Malandros


A Ayom Records lança o primeiro volume da série "Brasil Encantado", uma série destinada a resgatar e registrar os cânticos entoados em templos que cultuam os espíritos encantados, tais como Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Ciganos, Mestres, Malandros, Nobres, Turcos, Caboclos e tantos outros.

O templo A Caminho da Paz é um templo tradicional do Rio de Janeiro que cultua os espíritos de Ciganos e de Malandros com musicalidade de raiz, com atabaqueiros de primeiríssima linha e excelentes curimbeiras. Gravado ao vivo, a energia e a garra passada na execução dos pontos chega a ser emocionante.

Para quem cultua os espíritos de encantados na Umbanda em outros cultos, tais como a Jurema, Catimbós, Omolokôs, Candomblés, e mesmo para estudiosos das origens e evolução da chamada "Encantaria", este é um disco que não pode faltar em sua coleção!


Tuesday, May 05, 2009

Kangoma na Vila!



09/05/2009 - Sábado


Kangoma na vila


Livraria da Vila - Shopping Cidade Jardim


Av. Magalhães de Castro, 12.000


Pista Local da Marginal Pinheiros


18:00 hs
Te esperamos lá!!


Entrada Franca