Thursday, December 07, 2006

Salve o Povo da Bahia - Prov. década de 70

Salve o Povo da Bahia (Universal/Cáritas-provavelmente década de 70) 1. Sarava Filho de Pemba; 2. Marinheiro Só; 3. Esta casa tem quatro cantos; 4. Tem areia; 5. Se ele é baiano... eu quero ver; 6. Quando cheguei da Bahia; 7. É hora de Samba; 8. Na Bahia tem; 9. Este coco tem dendê; 10. Estrela D´alva; 11. Estava no Mato; 12. Na Bahia corre água sem chover; 13. baiano que vem da Bahia; 14. Vamos pisar no Catimbó; 15. Meu senhor da Bahia; 16. Baiana da Saia rendada; 17. Salve a Bahia;
Tenda da Federação de Umbanda Nossa Senhora Aparecida; Um disco curioso, pois trata-se de um legítimo terreiro de Catimbó já integrado nas práticas ritualísticas umbandistas, mas o encarte traz informações relacionadas a Umbanda esotérica, com os nomes utilizados por essa outra escola onde fazem uma relação duvidosa com correspondências entre potestades africanas e indígenas. A parte musical é muito boa e sincera, remete aos cultos mais indígenas da encantaria de onde a Umbanda mística retirou muito de sua ritualística, os alabês são competentes, tocando quase todo o disco em Toruá, como é característico (com exceção do Tambor de Mina) dos templos de Toré, Catimbó e das Juremas de terreiro. O coro das meninas é muito simpático e estão presentes em vários discos clássicos de Umbanda e Kimbanda (escute o disco No Reino de Exu, o ponto de Tranca Ruas, impressionante); um registro muito bom e verdadeiro.

Para ouvir a faixa 6, "Quando cheguei da Bahia", clique abaixo:

Marinheiro - ?


Marinheiro (Cáritas – 19?) LP – 1.Vem Marinheiro; 2. Minha jangada vai sair; 3. Sua Morada é no mar; 4. Seu Martin Pescador; 5.Marinheiro Só; 6.Cirandeiro; 7. Navio Negreiro; 8. Marinheiro Sou; 9.Toques: barravento; 10. Congo Nagô; 11. Congo de Ouro; Coral da tenda Pai Oxalá e Mãe Maria Conga; Mãe Maria Helena Medeiros e os ogãs Luiza e Álvaro;
Um disco com pontos de raiz e curiosas readaptações: a música dos terreiros influencia e se re-inspira; assim, músicas da MPB são reaproveitadas em pontos, como é o caso de “Minha jangada vai sair” de Dorival Caimmy, provavelmente criada sob o clima místico de algum ponto de encantados, quem sabe? “Marinheiro Só” e “Cirandeiro” são legítimos pontos de encantados que são muitíssimo conhecidos Brasil afora pelo sucesso que fizeram no vocal de cantores consagrados, como Milton Nascimento. O ogã Luiz canta ao estilo dos antigos Colofés, com o vozeirão empostado, visando vencer o volume da percussão. Como é de praxe na encantaria, pode-se ouvir o ganzá, herdeiro direto da maracá, um atabaque apenas, percutido pela alabê Luiza, muito competente e no lugar do agogô, um triângulo.Um disco sem maiores pretensões, mas muito bonito e agradável. A Faixa 8 é enxertada, talvez sobra de estúdio.
Para ouvir a faixa 2, "Minha jangada vai sair", clique abaixo:


Salve o Caboclo Boiadeiro – Miguel de Tempo Deuandá - 1989 - gravações originais anos 60?


Salve o Caboclo Boiadeiro – Miguel de Tempo Deuandá (Cáritas/Luzes – 1989 originalmente, talvez anos 60) LP/CD - 1.Canto de Boiadeiro; 2.Chegada de Boiadeiro; 3. Corda de Boiadeiro; 4. Corda de laçar meu boi; 5. Eu me chamo boiadeiro; 6. A menina do sobrado; 7.Aldeia de Boideiro; 8. Pedrinha Miudinha; 9. Estrela Dalva; 10. Quero ver cair; 11. Seu boiadeiro é quem sabe; 12. Abelha que faz o mel; 13. Retirada de Boiadeiro;
Miguel de Tempo era tido como filho do Joãzinho da Goméia e durante algum tempo foi considerado seu sucessor. Deuandá canta bem, embora seu coro desafine um pouco (coisa natural nas gravações ao vivo); seus alabês são corretos. No Cd foi enxertada uma faixa de capoeira (a primeira). Assim, Miguel de tempo canta a partir da segunda faixa, a primeira no disco original.


Para ouvir a faixa 8, "Pedrinha Miudinha", clique abaixo:

Wednesday, November 29, 2006

Candomblé Gêge - Ijexa- Kêto – Volume 2 - 1987

Candomblé Gêge - Ijexa- Kêto – Volume 2 – (Cáritas – 1987)1.Oxumaré; 2.Ágüe; 3.Iansã; 4.Oxum; 5.Logun edé; 6.Iemanjá; 7.Nanã; 8.Oxalá;
Pai Arlindo Pereira do Rio com o coro dos filhos do templo Xangô Airá Aufungêge. Pai Arlindo e seus filhos nesse disco já desenvolvem algo raro: alguns cantos são em português, algo muito mais observado em Candomblés de raiz Bantu e/ou somente nos Candomblés de Caboclo, mas aí não estamos mais falando de culto Lesè Orixá... as observações para este disco são as mesmas do volume 1.


Para ouvir a faixa 3, "Iansã", clique abaixo:


Candomblé Gêge- Ijexa- Kêto – Volume 1 -1987

Candomblé Gêge - Ijexa - Kêto – Volume 1 – (Cáritas – 1987) 1. Exu-Ogum; 2.Osssãe; 3.Oxossi; 4. Xangô; 5.Omulu; 6.Oxumarê;
Pai Arlindo Pereira do Rio com o coro dos filhos do templo Xangô Airá Aufungêge. Disco muito bem gravado, com ótimos Alabês. O Pai Arlindo canta muito bem, e apesar do coro parecer um tanto quanto inseguro no início do disco – provavelmente o pessoal deve ter estranhado o clima de estúdio – logo essa impressão se dissipa e as cantigas começam a tomar corpo e a ficarem empolgantes, apesar de alguns erros existirem devido a falta de ensaios. Alguns Orikis parecem um tanto quanto diferenciados no modo de cantar se comparados a outros templos, embora isso não comprometa o resultado geral. Um disco muito bom. Mais uma vez não existe nenhum registro de quem são os Alabês, uma falha historicamente constante nos discos da “banda”.

Para ouvir a faixa 9, "Oxumarê", clique abaixo:

Pai Cido de Oxun Eyin - Raízes de Keto - 1994

Pai Cido de Oxun Eyin - Raízes de Keto (Fermata/Cáritas/Luzes -1994) LP; CD;
Faixas: 01. Exu; 02. Ogun; 03. Oxossi; 04. Ossain; 05. Obaluaê; 06. Oxumarê; 07. Xangô; 08. Inhasã; 09. Oba; 10. Oxum; 11. Ewá; 12. Yemanjá; 13. Logun Edé; 14. Nana; 15. Oxaláguiã; 16. Oxalálufã;
Pai Cido de Oxun Eyin com coro da roça do Ilê de Oxum: Ekedi Irani; Ekedi Suely; Ya-Kekerê; Oju Cesi; Pai Paulo de Logun Edé e os alabês: Ogã Giboadê – Lê, Pai Tetê – Rumpi, Pai Tonho - Itu Rum, Ogã Vandinho – Gã; Direção e produção: Jairo Rodrigues; Um dos que mais registraram os cânticos da nação, Pai Cido está muito bem acompanhado pelos alabês (excelentes!) e pelo coro. Um disco bem gravado, muito limpo em sua sonoridade e um clássico no meio da nação Keto. Indispensável...

Para ouvir a faixa 10, "Oxum", clique abaixo:

Candomblé Brasil - 2000

Pai Cido de Oxun Eyin – Candomblé Brasil (Cáritas/Luzes - 2000) CD;
Faixas: 01. Exu; 02. Ogun; 03. Oxossi; 04. Ossain; 05. Obaluayê/ Omulu; 06. Oxumarê; 07. Nana Buruku; 08. Oxum; 09. Logunodé; 10. Oba; 11. Ewá; 12. Iansã; 13. Yemanjá; 14. Xangô; 15. Oxalufã; 16. Oxoguiã; 17. Hino do Candomblé; 18. Solidão (Verônica Pires);
Pai Cido acompanhado pelo coral: Gabriela, Valéria, Juliana, Carmen, Jussara, Rodnei e Enéas e pelos alabês; Marcelo de Xangô: Rum; Nilson de Oxossi: Lê; Maurício de Ogun: Rumpi; Adolfo de Logunedé: agogô; direção: Toninho Gudin; Pai Cido canta bem, mas o coral desafina muito. Os alabês são muito bons e salvam o disco. Uma estranhíssima aparição de uma faixa cheia de teclados cantada por uma tal de Veronika Pires faz o disco virar um exotismo.

Para ouvir a faixa 11, "Ewá", clique abaixo:


Cânticos aos Orixás - Carlinhos de Oxum - 1997


Cânticos aos Orixás - Carlinhos de Oxum - CD (Natasha/1997) Faixas: 01. Avamunha; 02. Exu; 03. Ogun; 04. Oxossi; 05. Obaluaê; 06. Ossanhe; 07. Oxumarê; 08. Nana; 09. Oba; 10. Ewá; 11. Oxum; 12. Iansã; 13. Iemanjá; 14. Xangô; 15. Alujá; 16. Ijexá; 17. Angola; 18. Oxalá; 19. Ijexá II;
Carlinhos de Oxum acompanhado de seus filhos; Coral: Cirene, Guacira, Nádia, Maria Pinheiro; Ana Paula; Viviane; alabês:Marcos Antônio Bastos, Luiz Gustavo, Denílson Silva, Ivo Damas Assunção. Este seria um disco impecável não fosse a mixagem: em alguns momentos os tambores embolam, o Rum fica para trás e o Lê com som de mesa. O mesmo acontece com a voz, que ora está muito alta, ora está para trás, mas traz orikis interessantes e pouco gravados por outros sacerdotes.

Para ouvir a faixa 18, "Oxalá", clique abaixo:

Bate Nagô - Prov. 1970


Bate Nagô – LP – (Cáritas - Provavelmente 1970) – 1.Iansã; 2.Xangô; 3.Oxum; 4.Iemanjá; 5.Orixalá; 6.Bate Nagô; 7.Ogum; 8.Ode; 9.Obaluaiê; 10.Ibeiji; 11.Salubá Nana;
A Yalorixá Rosa Silva Martins canta em Nagô um xirê em que o Alabê (só se ouve um atabaque) toca apenas com as mãos, algo comum nos templos Nagô, embora se use nesses cultos o tambor ilú. Em vez de Xequerê, um dos Alabês usa um Caxixi, o que por vezes atrasa um pouco o andamento das canções, mas os toques estão corretíssimos, e o disco chega a ser envolvente em alguns momentos, os cânticos são bastante antigos e cantados num estilo extremamente africano.
Para ouvir a faixa 9, "Obaluaiê", clique abaixo:


Axé Ilê Oba - 1983


Axé Ilê Oba - LP/CD – (Fermata/Cáritas/Luzes – 1983) 01. Exu; 02. Ogun; 03. Obaluaiê; 04. Xangô; 05. Oxum; 06. Yemanjá; 07. Iansã; 08. Oxumarê; 09. Tempo; 10; Oxossi; 11. Ossanha; 12. Logun; 13. Nana Buruku; 14. Ode; 15. Oxalá;
Babalorixá Caio Aranha com os filhos do Axé Ilê Oba; O Axé Ilê Oba é um dos terreiros mais tradicionais do Brasil. Disco Clássico, muito bem captado em sua ambiência, o clima do terreiro é bem envolvente, com coral afinado e excelentes alabês;

Para ouvir a faixa 08 "Oxumarê", clique abaixo:

Abaçá de Oxalá - 1974


Abacá de OxaláLP – (Cáritas –Provavelmente 1974) 1.Abala Axé (Barra vento); 2.Dijina do Orixá (Congo de Ouro); 3. Saída de Iaô (Congo de Ouro); 4.Iansã (Ilú e Barravento); 5.Oxum (Jexá); 6.Candomblé (agabi-Ijexá-Opanijé); 7. Oferenda a Iemanjá (afro-Nagô); 8.Festa de Ode (Samba Cabula); 9.Lamento Nagô (Bravum-Ijexá); 10.Caboclinha de Yemanjá (samba cabula); 11.Cacique Turiassú (Congo de ouro); 12.Sete Flechas Vermelhas (Samba Cabula); 13.Prece do Abassá(Jexá); 14.Tira a Quizumba (Samba Cabula); 15.Quitanda do Bento (Samba Cabula);
O grupo Ibeji Miregum costumava misturar arranjos tradicionais com arranjos modernos para a época (década de 70). Alguns funcionavam, outros não. É o caso deste Lp, cujo lado A (as seis primeiras músicas) possui uma sonoridade mais próxima de terreiro. No lado B, uma bateria é inserida no contexto, de uma forma despreocupada, o que a torna alienígena em alguns momentos. O lado B também é cantado em português, o que nos leva a pensar numa “modernização” dos arranjos. Os músicos são bons, uma ótima vocalista, mas não há referência ao nome de nenhum deles, infelizmente. Não sabemos porquê, a capa original deste disco – uma Sereia estilizada - foi utilizada em pelo menos mais quatro discos de Umbanda.


Para ouvir a faixa 9, "Lamento Nagô", clique abaixo:

Wednesday, November 15, 2006

Gira de Luz - 2004


Gira de Luz – (Luzes/2004) – CD – 1. Gira de Luz; 2. Pai José é Canoeiro; 3. pai Serafim; 4. Vovó Cambinda; 5. Pai Tomás; 6. preto que preto é; 7. Caboclo Pedra Branca; 8. Jurema; 9. Boiadeiro; 10. Xangô; 11. Nanã; 12.Iansã; 13. Ponto de Oxum; 14. A Onda do Mar; 15. Erê; 16. Povo Trabalhador; 17. Dó ré mi fá do atotô; 18. Filho de Ogum; 19. Gira de Luz;
Lucina e Mário Avelar fizeram um disco feliz, recheado do amor que tinham pelo Pai José; Lucina nunca escondeu seu amor pela Umbanda, mesmo quando em dupla com Luli; o disco é equilibrado, feito para agradar umbandistas e ouvintes comuns.

Para ouvir a faixa 18, "Filho de Ogum", clique abaixo:


Cubanito – Saravá Umbanda (1972) ou Brasil Fantástico (1974)


Cubanito - Saravá Umbanda (1972) ou Brasil Fantástico (1974)Musidisc – LP/CD – 1. Sarava Umbanda; 2 – Mucamo de urucaia; 3 – Oba-Lá-Lá; 4. É de quá quá quá; 5. Era a sereia; 6. O que eu quero mais; 6. Ogum Beira-Mar; 7. Sarava seu Girassol; 8. Xangô das almas; 9. A sua flecha voa; 10.Pomba Gira; 11. Sarava Umbanda;
Nos anos 70 TUDO era discoteque: de Bethoven a Beatles (até mesmo o grupo punk Sex Pistols gravou o estilo em seu segundo disco) do Jazz ao frevo, da trilha sonora de cinema ao comercial de xampu, tudo era remassificado para o estilo e a umbanda é claro, não poderia ficar de fora do olho da mídia radiofônica. Produzido por Nilo Sérgio, um dos mais conhecidos produtores da época, este disco pode causar estranheza na maior parte dos umbandistas nos dias de hoje, mas na época a faixa pomba gira chegou a ser executada em algumas rádios de porte e por ser um ponto de raiz torna-se uma raridade na história da música brasileira. Cubanito era médium do Templo Girassol, um dos maiores e mais conhecidos templos do Rio de Janeiro e contava com uma carreira relativamente longa na música – desde os anos 60 – e tornou-se muito popular entre os umbandistas por este disco, o qual na verdade, é muito bem produzido, com uma gravação excelente, músicos primorosos e arranjos datados, mas precisos. Cubanito canta bem e é sincero em sua proposta. Ouvindo com atenção, o disco é muito bom.
Para ouvir a faixa 4, "É de quá, quá, quá", clique abaixo:


Aruanã – Uma História de Umbanda - 2003


Aruanã – Uma História de Umbanda (Zan Brasidisc - 2003) CD. 01. Senhora do amanhecer; 02. A dona do mar; 03. Reza forte; 04. A luz da justiça; 05. Caboclos de Oxossi; 06. Guerreira; 07. Salubá Nana; 08. Hino aos orixás; 09. Xangô; 10. Brasil; 11. Criança flor em botão; 12. Canto da Alegria; 13. Saudação a Iansã e Xangô; 14. Uma história de Umbanda.
Arranjos e produção: Maestro Areia Lima; Na percussão Laércio costa e Rogério Alves; Grupo umbandista fundado por veteranos da música umbandista dos anos 70/80 (vide Os cantores da Umbanda Vol. 1); Numa tentativa de reviver a música umbandista através do formato mais radiofônico, mesclam axé e temas ao estilo de samba de Clara Nunes e até sertanejo; resulta num disco muito bem produzido, embora desigual.Interessantes as faixas 01 e 05. A faixa 06 lembra muito “Boracho me voy” do grupo Raíces de América.

Para ouvir a faixa 06, "Guerreira", clique abaixo:

Yemanjá - Umbanda - Provavelmente anos 70 com gravações dos anos 50/60/70


Yemanjá-UmbandaLP – (Cáritas/Luzes – Provavelmente anos 70 com gravações dos anos 50/60/70) 1.Louvação a Janaína; 2.Rainha do mar; 3.Yemanjá; 4.Saudação a Yemanjá; 5.Minha Mãe Sereia; 6.Louvação a Yemanjá; 7.Salva a Rainha do mar; 8.Saudação a Yemanjá; 9.Canto a yemanjá; 10.Janaína; 11.saudação a Yabá; 12.Yemanjá-nagô; 13.Cruzambê; 14.Toque para Yemanjá;
Vários terreiros estão neste disco e com exceção de uma faixa do Rwm aos orixás, do Faramim Yemanjá e do Carlos Buby, não conseguimos identificar as outras faixas, pois no disco não há nenhuma informação nem datas de gravação. A parte estas deficiências técnicas oriundas do constante descaso com os discos de umbanda, este trabalho é muito bom, as músicas foram escolhidas com propriedade e criatividade, fazendo do disco uma grata surpresa. Reparem que a capa é a mesma de mais três discos diferentes: Yemanjá Rainha do Mar, Abaçá de Oxalá com o grupo Ibejy Miregum e Yemanjá umbanda (outro disco homônimo a este)

Para ouvir a faixa 1, "Saudação a Janaína", clique abaixo:

No Reino da Umbanda – cantos do ritual - Prov. anos 60/70


No Reino da Umbanda – cantos do ritualLP – (Continental – provavelmente anos 60/70) – 1. Ponto de defumação; 2. Ponto de Ogun; 3. Na Lua Nova; 4. Caboclo Roxo; 5. Pai Xangô; 6. Ponto de Ogun Urubatão; 7. Ponto de Preto Velho; 8. Hino da Umbanda; 9.Ponto da Cabocla Jurema; 10. Ponto de Mamãe Oxun; 11.Xangô rolou a pedra; 12. Ponto de Iansã; 13. Louvação a Ogum Urubatão; 14. Ponto de Cosme e Damião;
Yalorixá Maria D. Miranda e a Corimba da Tenda Ogum Urubatão. Um disco raríssimo, que encontramos em péssimo estado com um comerciante de uma loja de artigos de Umbanda no interior de São Paulo. Talvez tenha sido o disco mais difícil para recuperar, pois além da limpeza dos chiados (que não conseguimos tirar totalmente), havia uma rachadura que ia de um lado a outro do LP, num buraco de mais de meio centímetro. Depois de dois meses conseguimos reconstruir os pontos e tivemos a grata surpresa de ser um dos discos mais puros e belos que já ouvimos em nossa vida. Mãe Maria Miranda canta maravilhosamente, uma voz forte, que evidencia comando e muita devoção. O coro é afinadíssimo, alegre e com presença, soando muito natural; os alabês tocam um Toruá poderoso, cadenciado (com exceção do hino da Umbanda, onde fazem uma espécie de Tonibobé, quase uma marchinha). Percebe-se que a simplicidade é a tônica de uma época em que o astral se evidenciava através de templos como este, se apresentando através da alegria e da força de pérolas registradas por estes músicos, verdadeiros agraciados pelos guias e protetores. Em tempo, para quem conhece o Caboclo Urubatão como da linha de Oxalá ou de Oxossi, basta lembrar que sua emanação como Ogun é bem possível, pois Urubatão em tupi significa guerreiro.

Para ouvir a faixa 4, "Caboclo Roxo", clique abaixo:

VII Festival Nacional de Cantigas de Umbanda - 1979


VII Festival Nacional de Cantigas de UmbandaLP – (Polyfar– 1979) 1.Se suncê precizá; 2.Sete forças da Xangô; 3.Oxum Rainha do Ijexá; 4.Louvação a Iansã; 5.Reino encantado de Oxum Epandá; 6.Senhora da Ventania; 7.mamãe Yemanjá; 8.Uma flor Oxum; 9.Feitiço da dama da noite; 10.Mais uma vez; 11.Maria Padilha; 12.Minha amiga;

Vários terreiros: Tenda espírita Caboclo Folha Verde; Tenda Espírita Caboclo Iandarassu; Tenda Umbandista Pai João Africano;Tenda Espírita São Miguel das almas; Roça do Xangô de Ouro; Centro espírita São José; Centro Afro-Brasileiro abacá de Exu; Tenda Oxossi Tupi-Tupinambá; Centro espírita Caboclo Pena Branca; Ylê Verde Lebara Vodun; Cabana Pai Thomas de Angola; Tenda espírita Vovó Catarina; tenda espírita Vovô Congo do Bahia;
Surpreendentemente a Poligram resolveu investir num disco umbandista, talvez pela época, os anos 70, quando a Umbanda estava em alta por causa de Clara Nunes, Clementina, João Bosco e Ruy Mauriti. É um disco muito bem produzido, com alabês profissionais, excelentes músicos. É muito bem equalizado, com vocais de fundo afinadíssimos. Os cantores, ogãs e colofés de terreiro devem ter sido ensaiados durante muito tempo para chegarem ao nível que se apresenta no disco, extremamente radiofônico. Alguns pontos são bem próximos do samba, mas do tempo em que o samba era bom. Ao fundo, espertamente, o produtor colocou cavaquinhos e violões, num volume que não descaracteriza o clima de terreiro, apenas sugere um formato mais plástico e popular. Os atuais produtores de cds de festivais deveriam se inspirar neste disco, como referência para um produto comercial sem perder a raiz de terreiro. Um disco muito bom.

Para ouvir a faixa 11, "Maria Padilha", clique abaixo:

I Festival de Cantos de Umbanda - 1969


I Festival de Cantos de Umbanda – LP – (Tapecar - 1969)1.Casinha Branca; 2.Bandeira da Paz; 3.Ago, Ago, Ago; 4.Conselhos do Preto Velho; 5. Linda falange das almas; 6. Se seu pai é Xangô; 7. Hino da Umbanda; 8. Louvação ao Caboclo Itatuité; 9. O galo cantou; 10. Lindo Poema; 11. Reinado de Xangô; 12. Chibata de Boiadeiro; 13. Umbanda; 14. Cabocla Jurema;
Diversos templos: Templo espírita Araúna, Tenda espírita Caboclo Pena Azul; Tenda Espírita Unidos a Oxalá; Templo Oriental; Cabana do Caboclo Itatuité; Abaçá do Caboclo Pena Branca; Tenda Espírita nova Aldeia do Boiadeiro;
Desde os anos 70, é comum no Rio de Janeiro a organização de festivais de pontos cantados. É comum o desconhecimento da idéia de pontos de raiz e de pontos de louvação. Evidentemente compositores de pontos de louvação, quando verdadeiramente influenciados pelo astral conseguem captar determinadas composições invocatórias. Do contrário, pontos de louvação muitas vezes se apresentam como composições de mal-gosto, quando não voltadas para aspectos comerciais, principalmente nos dias de hoje (2006), quando os festivais de Umbanda claramente pretendem abrir um mercado semelhante ao mercado gospel, como se nós, do santo, tivemos a obrigação de nos relacionarmos com a espiritualidade como fazem os evangélicos: através da satisfação monetária e do lucro, quando não da usura e da criminalidade. Mas não é o caso deste disco. Talvez por ser o primeiro festival do gênero, ainda estava longe das distorções e absurdos cometidos nos festivais atuais (onde se misturam teatros espalhafatosos nas apresentações com letras absurdas como as que falam de tomar uma “cerva” com os mentores), os pontos são cantados com emoção e com boa vontade, alguns, maravilhosos, possuem uma evidente conexão com a verdade das invocações, como se observa nos dois pontos cantados pela Cabana do Caboclo Itatuité. Os alabês são muito bons, sempre nas Cabulas e nos Congos de Ouro, como é típico nas curimbas cariocas, mais voltadas ao samba.
Para ouvir a faixa 14, "Cabocla Jurema", clique abaixo:


J.B. de Carvalho - 1971


J.B. de CarvalhoLP – (Musicolor – 1971) 1. Jesus Cristo (Com homenagem a Zé Arigó; 2. Capitão da Mata; 3. Rei Oxalá; 4. Botaram Feitiço; 5. Seu Tuniquinho Exu; 6. Xangô é Rei; 7. Canto Para Iansã (com homenagem a Joãozinho da Goméia); 8. Seu Ogum Rompe Mato; 9. Caboclo Junco Verde; 10. Meia Noite; 11. Princesa Jurema; 12. Ponto do Seu 7 da Lira;
J.B. de Carvalho, aos poucos foi deixando para trás muito da seriedade com que encarava a Umbanda em seus primeiros discos. Aos poucos foi colocando pitadas de humor nem sempre benéfico para sua imagem e para a imagem da Umbanda, embora fosse reflexo fidedigno de muito do que acontecia nos templos dos anos 60 para frente. J.B. era inteligente e procurando atrair público para as vendas deste LP, atacou em três pontos cruciais: neste disco faz homenagem a dois ícones da espiritualidade da época, que haviam falecido no período: José Arigó, e Joãozinho da Goméia. Os três “J”, José Arigó, Kardecista, Joãozinho da Gomea, Candomblecista e J.B. de Carvalho, Umbandista, eram, cada qual a sua maneira, polêmicos em seu modo de lidar com as coisas do espiritual. O terceiro ponto é a regravação do hit gospel Jesus Cristo (é, aquele mesmo!!) do Roberto Carlos em ritmo de macumba, o que deve ter enfartado muitos cristãos do período, apesar de provar que houve uma época em que a música poderia conviver tranqüilamente em qualquer setor religioso, sem nichos demagógicos ou separatismo preconceituoso baseado em números de vendas alicerçado na falsa espiritualidade, algo muito comum no recém criado mercado gospel do século 21.


Para ouvir a faixa 1, "Jesus Cristo", clique abaixo:

J. B. de Carvalho – Umbanda - anos 30/40/50, com reedição nos anos 60)


J. B. de Carvalho – UmbandaLP – (Musicolor – anos 30/40/50, com reedição nos anos 60) 1. Areia Branca; 2. Nana Buruquê; 3. Cosme e Damião; 4. Lua; 5. Ponto de são Jorge (Ogun Mora na Lua); 6.Doum; 7. Suará; 8. Ponto de São Benedito das almas; 9. Ponto de Caboclo; 10. Ponto de encerramento;
Um disco com gravações bem antigas de J.B., não há data disponível em nenhuma das edições que encontramos. A maior parte das canções são pontos de raiz que foram “adaptados” por J.B. e registrados como de sua autoria. Por serem bem antigas, estas gravações lembram muito o criador deste estilo de se gravar pontos de umbanda, o conhecido músico e compositor Heitor dos Prazeres, de onde J.B. bebeu toda sua inspiração. A banda compõe-se como um grupo de samba antigo, com violões, cavaquinho, afuxés, pandeiro, surdo e atabaques. É um bom disco, retrato de uma época ainda em formação do imaginário místico brasileiro.

Para ouvir a faixa 1, "Areia Branca", clique abaixo:

J. B. de Carvalho – Eparrei Iansã


J. B. de Carvalho – Eparrei IansãLP – (Musicolor – 1974) 1. Oxossi da Mata; 2. Pena Branca; 3. Como nada no mar; 4. Salve Ogun; 5. Ponto de chamada de Iansã; 6. Ponto de xangô; 7. Cangira, deixa a gira gira; 8. Cacique Junco Verde; 9. Santo Antônio Caminhou; 10. Ogum Megê; 11. Ponto de Mamãe Oxum; 12. Cabocla Jurema;
J. B. de Carvalho e seu grupo estão em alguns de seus melhores momentos neste disco. Apesar de ter sido lançado como LP em 1974, algumas gravações são bem anteriores e aqui foram reunidas neste Eparrei Iansã, um disco repleto de pontos de raiz, essas as gravações mais surpreendentes. A força da primeira faixa, Oxossi da Mata é impressionante, algo acontece ali além da mera execução musical, o que demonstra mais uma vez a diferença entre pontos compostos e pontos de raiz, com poder de invocação. Os alabês são excelentes e o estilo dos arranjos e modo como os músicos tocam foi copiado em muitos discos de umbanda posteriores gravados em estúdio. A mixagem é muito boa, embora a qualidade de conservação não esteja muito boa (foi muito difícil recuperá-lo), é uma obra que comove pela força das canções.


Para ouvir a faixa 7, "Cangira, deixa gira girar", clique abaixo:

A Nova Lei Espírita: Jesus e a Chave de Umbanda


A Nova Lei Espírita: Jesus e a Chave de Umbanda –LP – (Musicolor – 1968) – 1. São Jorge-Ogun de Ronda; 2. Senhor do Bonfim; 3. São Sebastião-Oxossi na linha de Umbanda; 4. Linha africana; 5. São Cristovan-Exu araranda; 6. Xangô Iansan – Na Baroque- Linha semironga; 7. Maria Conga; 8. Senhor da encruzilhada; 9. Rei; 10. Povo das ruas; 11. Pomba Gira; 12. Poderoso Omulu; 13. Crianças-Crispim Crispiniano; 14.Chico Feiticeiro;
Maria Toledo Palmer é a autora da maior parte das músicas deste disco...
Este é um disco para que os ouvintes escutem e julguem a respeito. Não conseguimos classificá-lo...
Para ouvir a faixa 9 "Rei", clique abaixo:


Prêmio Atabaque de Ouro – 2006


Prêmio Atabaque de Ouro – 2006CD (Revista Espiritual de Umbanda - 2006); 01 – Belezas da Oxum; 02- Rainha do Ijexá; 03- Louvor a Seu 7 Encruzilhadas; 04.Canto a Seu Lírio Verde; 05. Canto a exu Tranca Ruas; 06. Louvação a seu Tiriri; 07. Salve, salve, Maria Padilha; 08. Xangô Meu Orixá; 09. Seu Zé, Camarada; 10. Canto a Tranca Ruas de embaré; 11. Agradecimento de um Pescador à Rainha do Mar; 12. Eu tenho fé em Tranca Ruas de Embaré; 13. A batalha; 14. Onde está o Erê; 15. Zé Pilintra, o rei do catimbó;

Vários Intérpretes e Alabês. Nomes como Marcelo Varanda e Márcio Barravento são dos mais conhecidos entre os alabês na Umbanda do Rio de Janeiro. Excelentes músicos, este é um caso a parte. O que se apresenta aqui é a reunião dos campeões dos campeões dos festivais, que são uma constante no Rio de Janeiro, uma evidente procura de mercado para os pontos supostamente de Umbanda. Aqui ocorre um fenômeno de inversão: o samba, que surgiu dentro dos templos, aqui retorna para o terreiro, sob a forma de ponto. O que seriam congos de ouro, cabulas e barraventos aqui ressurgem como sambas-enredo disfarçados em cantigas de louvação. Se essa prática de festivais nesses moldes será bom ou ruim para a Umbanda, só o tempo poderá dizer.

Para ouvir a faixa 04, "Canto a seu´Lírio Verde", clique abaixo:

Yemanjá – Rainha do Mar - prov. 70/80


Yemanjá – Rainha do Mar - CD – (Cáritas – Luzes – Várias gravações, de várias épocas, provavelmente anos 70/80); 1.Na beira da Praia; 2.Eu vi uma estrela brilhar; 3.Duas ventarolas; 4.Quem manda no mar; 5. Nana cadê Yemanjá; 6.Tem areia no fundo do mar; 7.Eu vi o mundo girar; 8.Vi Yemanjá andando no mar; 9.Arreia, arreia, minha cabocla; 10.Boa noite meus irmãos; 11.sarava rainha do mar; 12.Saia do mar; 13.eu sou filho de Iansã; 14.A sereia quer brincar; 15. Brilhou, brilhou; 16. Saia do mar; 17.Corre e gira; 18.Saudação a Yemanjá; 19. Sarava Iemanjá; 20.Toque para Yemanjá;
Uma coletânea agradável, com vários pontos de raiz. A maior parte dos pontos é de algum terreiro bem simples, tocado apenas com um atabaque e um agogô. No mais, na miscelânea temos um terreiro com berimbau e cuíca, uma faixa de toque de atabaque retirado do Rwm aos orixás e outras duas faixas de templos da nação. Infelizmente, como é de praxe, não há informações sobre os músicos, terreiros, etc. Uma curiosidade oriunda do descaso é o fato da capa deste disco ser a mesma de mais três outros, um desleixo com a produção artística e motivo de confusão para os colecionadores.

Para ouvir a faixa 16, "Saia do Mar", clique abaixo:


Ivanilton Marques - Prov. anos 70


Ivanilton Marques – Umbanda – LP - (Beverly - ? Provavelmente anos 70) LP; 1. salve xangô; 2. Seu Sete; 3. Salve Yemanjá; 4. Pomba Gira; 5. Cobra Coral; 6. Maria Padilha; 7. Prece a Umbanda; 8. Ogum Beira Mar; 9.Exu Veludo; 10. Pena Branca; 11. Cabocla Iracema; 12. Pena Amarela;
Como é comum em discos de Umbanda, não há nenhuma informação neste disco. Mas muitos aspectos interessantes podem ser observados: o modo de se tocar o atabaque – só há um atabaque e um agogô na parte rítmica - aproxima-se muito da Pajelança e do Babaçuê do Pará e do Amazonas e mesmo de Pernambuco (muitas células tocadas pelo alabê se aproximam da estrutura do Maracatu); mas o modo de se cantar é muito curioso: as vozes se harmonizam em intervalos de terça, o mesmo método que é usado nas encantarias e mais tarde na música sertaneja. Par alguns pode ser um disco monótono, devido ao mesmo formato em todas as faixas, mas trata-se de um raro exemplo de como a música de raiz surgiu dos templos de umbanda do Brasil.

Para ouvir a faixa 10, "Pena Branca", clique abaixo:


Umbanda Querida - 1988


Umbanda Querida (Fermata – Cáritas – 1988) LP/CD 1 – Defumação/Cruzamento/Oxalá; 2 – Exu; 3 – Ogum; 4 – Oxossi; 5 – Xangô; 6 – Oxum; 7 – Inhaçã; 8 – Iemanjá; 9 – Nana Buruquê; 10 – Obaluaê; 11 – Beijada; 12 – Preto-Velho;
Direção: A. Scheneider. Coro e Ogã Ismael da Tenda Espírita Rompe-Mato; Traz um clássico dos terreiros dos anos 70 e 80: um ponto da pomba gira cigana que chegou até a tocar em rádios do Brasil inteiro; o pessoal do templo é expontâneo ao cantar, percebe-se bem o clima do templo. O Ogã Ismael canta ao estilo dos antigos Colofés (ao estilo de Élcio de Oxalá, talvez uma herança do pioneiro J.B. Carvalho), empostando o vozeirão, com boa dicção pra vencer os atabaques. Um disco feliz que certamente deixou saudades no pessoal do templo.

Para ouvir a faixa 3, "Ogum", clique abaixo:

Filho de Pemba – Cicica - 1974


Filho de Pemba – CicicaLP – (HOT-Riversound – 1974) – 1. Filho de Pemba; 2. Vovó Catarina; 3. Vinte e Sete de Setembro; 4. Pele Vermelha; 5. Rainha Angomate; 6. Maia Dendê; 7. Sarava Senzala; 8. Oxalá Mandou; 9. Macumbembê; 10. Dono da Pedreira; 11. Jurou bandeira; 12. Quem é o primeiro;

J.B. de Carvalho possuía pelo menos um contemporâneo: Sussu, que gravou pontos de sucesso radiofônico nas décadas de 50/60 e assim como seu companheiro, gravava pontos de raiz e os registrava como sua criação, embora sua especialidade fossem realmente as composições autorais. Seu filho Cicica procurou sucedê-lo nos anos 70. Era outra época, outro tempo, o disco até que foi bem aceito, mas Cicica não conseguiu a mesma projeção. O disco é bom, com algumas curiosidades que eram comuns nas umbandas de 30 anos atrás: um ponto do Caboclo Pele Vermelha o identifica como um caboclo do... Canadá! Em outro ponto encontramos a invocação a um caboclo Maia. O coro é bem característico das Umbandas do norte/nordeste, um uníssono agudo, repetindo o refrão, embora Cicica e seu pai fossem radicados no Rio de Janeiro. Os alabês são bons e competentes, segurando um disco muito bem equilibrado.


Para ouvir a faixa 11, "Jurou Bandeira", clique abaixo:

Festa de Nagô - 1973


Festa de NagôLP – (Phonotape – 1973) – 1. Sarava o Sr. Abaluaê; 2.Tambor de Minas; 3.Mestres de Jurema; 4.Pisa Baiano; 5.Zé doLaço; 6.A Mulher de Exus; 7.Caboclo Rompe Mato; 8.Pássaro Manso; 9.Pai João de angola; 10.Caboclo Candindé; 11. Velas para o meu santo; 12. Odoiá;
Um disco claramente influenciado pela encantaria de Minas e do Nordeste. Apesar da maior parte dos pontos estar registrado com autores, muitos dele são pontos verdadeiros de Catimbó, Jurema e Toré. As maracás estão presentes na maior parte das faixas e é explícita a conexão rítmica com o baião e o forró. É um disco muito bom, com grandes cantores e Alabês competentes.
Para ouvir a faixa 5, "Zé do Laço", clique abaixo:


Espada de Ouro ou Gira da Amizade - 1974


Espada de Ouro ou Gira da amizade (Musicolor/Continental – 1974) LP – 1. Eshu; 2. Ogun; 3.Shangô; 4. Yemanjá; 5. Iansan; 6. Oshun; 7. Obaluaê; 8.Nana; 9. Oshosi; 10. Crianças; 11. Caboclos; 12.Preto-velho;
Um disco muito raro, e apesar de se chamar Gira da Amizade em sua edição original, sabe-se lá porquê também é conhecido como Espada de Ouro e traz na capa um desenho do encarte de Clara Nunes. Como é de praxe, não há nenhuma referência ao terreiro, ou aos músicos. Nos parece ser algum terreiro carioca, pelo sotaque e pelo modo de se percutir os tambores, sempre em Cabula e em Congo de Ouro. É um excelente disco, bem gravado e com um clima bem fiel ao dos terreiros.


Para ouvir a faixa 3, "Shangô", clique abaixo:

Na Gira de Preto Velho (Umbanda de Preto Velho) - 1974


Na Gira de Preto Velho (Umbanda de Preto Velho) LP – (Chantecler – 1974). 1.Velho Casanje; 2.Pai Joaquim; 3.Suncê vai ganha; 4.Preto Velho Tá Cansado; 5.Bate tambor na angola; 6.Sinhô Macutá; 7.Preta Velha da Bahia; 8. Vovó tem sete saias; 9. Vovó Catarina; 10. Vovô da Bahia; 11.Vovó Joaquina; 12. Vovó Também manda;
Um bom disco de estúdio, bem gravado, bem produzido, com vocais corretos e percussão precisa. Várias capas de apresentação foram feitas em diversos lançamentos. Este disco é especial porque mostra as primeiras gravações de um compositor que seria um ícone do samba nos anos 80: Bezerra da Silva.

Para ouvir a faixa 7, "Preta velha da Bahia", clique abaixo:


Terceiro festival nacional de cantigas de Umbanda - Prov. anos 70

Terceiro festival nacional de cantigas de Umbanda - LP/ (?-provavelmente anos 70) 1. Abertura – 3 toques de atabaques; 2.Araki, caboclo do amazonas; 3. A dona da rosa; 4.Saudação a Araribóia; 5.Pedido a Oiá; 6.O lindo véu da oxum; 7.Louvação a Ossãe; 8.Miragem; 9.Amor e bondade; 10.Santa guerreira; 11.O palito da vovó; 11.Encerramento – 3 toques de atabaques.
Este terceiro festival apresenta várias composições de louvação, com a característica teatralidade que beira muitas vezes o mal gosto para quem quer entender a umbanda com mais seriedade e profundidade. Mas como discutir os objetivos da fé? No geral os músicos são bons, os cantores executam muito bem as cantigas e os vocais de fundo são bem afinados, o samba sempre em evidência no modo de cantar. É um disco bem produzido e não desagrada se pensarmos que trata-se de cantos de louvação. Uma boa referência para os novos produtores e compositores umbandistas.


Para ouvir a faixa 7, "Louvação a Ossãe", clique abaixo:

Ogun cavaleiro Supremo - 1973


Ogun cavaleiro Supremo (Rosicler/1973) – 1; Ogum 7 ondas; 2. Ogum de Ronda; 3. A espada de Ogum; 4. Ogum Dilê; 5. Cavaleiro Supremo; 6. Ogum na Lua; 7. Ogum Megê; 8. Ogum Rei; 9. Ogum é Meu Pai; 10. Ogum Bandeira; 11. Se Meu Pai é Ogum; 12. Ogum Guerreiro; 13. Ogum Beira-Mar; 14. Ogum radiante; 15. Ogum, Ogum; 16. Ogum salvador; 17. Toque de Clarim; 18. Ogum Matinata;
Uma capa maravilhosa, um disco sincero, provavelmente gravado em estúdio, com médiuns e alabês de verdade, apenas três atabaques tocados num Toruá simples e envolvente e um coro afinado de médiuns femininos. Como é de praxe, vergonhosamente as gravadoras não davam crédito algum aos executantes (discos de Umbanda eram tidos como excentricidade e colocados como de menor importância no Cast das empresas fonográficas) e assim não temos conhecimento de quem são os músicos, ou o nome do terreiro que produziu este disco. As únicas informações são o crédito de três pontos para Haroldo Eiras, Paulo Newton e Raul de Almeida. Todos os outros pontos são de domínio popular. Quase todos os pontos são de raiz. Um obra belíssima e anônima, disco raríssimo, encontramos com muita dificuldade apenas duas cópias bem desgastadas,e com um árduo trabalho conseguimos recuperar sua sonoridade, para que os umbandistas de amanhã possam ouvir esta singela obra-prima.


Para ouvir a faixa 01, "Ogum 7 Ondas", clique abaixo;

Curimbeiros de São Jorge - Vol. 2 - 1976


Curimbeiros de São JorgeVol. 2 (LP/CD - CBS – 1976) 1. Ogum General; 2. Flor de Laranjeira; 3. Mãe Iemanjá; 3. Caboclo Juremera; 4. 27 de Setembro; 5. Gira de caboclo; 6. Inhasã; 7. Homenagem à Mãe Menininha; 8. Pai Jubim de Minas; 9. Rei das Matas; 10. Pai Joaquim D´angola; 11. Amuletos da Iaiá; 12. Ponto de Ganga; 13. Hino da Tenda de Umbanda – Pai Jeremboá.
O segundo disco dos Curimbeiros de São Jorge é uma estranha compilação de canções de J. M. Alves e outros autores. Contratados pela CBS, foi realizado um trabalho onde pretendeu-se aproximar as inspirações umbandistas para a música popular através de arranjos próximos de marchas-rancho e choro, onde harmonias simples com cavaquinho e violão acompanham uma base de atabaque em Ijexá; para os mais interessados na pureza dos pontos cantados em terreiro – mesmo pontos de louvação - esse disco pode ser um absurdo e talvez enfadonho, pois está muito distante, nesses aspectos, do primeiro trabalho. Mas trata-se de um registro que prova que a música de terreiro influenciou a música popular e esta é sua principal característica, sendo importante como prova dessa ponte, demonstrando um caminho natural e nunca assumido na história da MPB. Mais uma vez o nome dos músicos é omitido e mesmo a capa trata-se de uma mera ampliação da capa anterior com o injustificável nome de Maria Bonita.
Para ouvir a faixa 12, "Ponto de Ganga", clique abaixo:


Curimbeiros de São Jorge - 1975


Curimbeiros de São Jorge (LP/CD - Cartaz-1975/1979/A Universal-1994) 1.Hino da Umbanda; 2.Sarava Oxossi; 3.Maria Conga; 4.Lírio Branco; 5. Xangô rolou a pedra; 6. CaboclaJandiara; 7.Oxu-Maré; 8. São Jorge; 9. Iemanjá; 10.Cobra –Coral; 11. Preto Velho de angola; 12. Cabocla Jurema.
Um disco muito conhecido pelos umbandistas – era trilha de alguns programas umbandistas dos anos 70/80. Muito simples e muito bem produzido – talvez por isso mesmo – um atabaque tocado em Toruá simples e um ou outro Congo de Ouro e um agogô muito bem executado, tudo muito leve, quase tímido, mas cantado pelo coral (que percebe-se não é profissional, talvez médiuns de terreiro) com muito cuidado e carinho. Infelizmente em nenhuma das edições encontramos créditos dos músicos ou dos produtores. Todas as canções são creditadas a J.M. Alves, o compositor do Hino da Umbanda embora alguns pontos sejam de raiz. Suponho que a voz masculina seja do próprio J. M. Alves, que tornaria o disco de uma importância singular e obrigatório de se conhecer. Nostálgico, é um disco agradável de seu ouvir e um importante registro. Numa das edições, a do Cd, é curiosa a capa, pois trata-se da capa de um livro de nossa autoria, o Cultura Umbandística.

Para ouvir a faixa 10, "Cobra Coral", clique abaixo:

Abertura e Encerramento 6 - prov. anos 50/60


Abertura e Encerramento 6 - Cabocla Jurema (Beverly – 1982 – As gravações provavelmente são dos anos 50/60, estavam guardadas nas matrizes e foram lançadas mais tarde) 1. Hino da federação; 2. Saudação às 7 linhas; 3. Você que é filho de Pemba/Vou abrir minha Aruanda; 4. Exu da Meia Noite/Exu da Madrugada/Exu Afirma seu ponto; 5. Vamos defumar a Umbanda/Corre gira Pai Ogun/Incensa...incensa; 6. Oxalá meu Pai; 7. Ponto de chamada das 7 linhas; 8. Seu Lage Grande; 9. Seu José Francisco; 10. Caboclo da Mata Virgem; 11. Salve o Preto Velho; 12. Estrela e Lua; 13. Cosme e Damião; 14. Chegou a Hora.
Coro da federação de Umbanda Nossa Senhora aparecida. Produção e direção: Jairo A. Rodrigues Um disco maravilhoso, com a Federação de Umbanda Nossa Senhora Aparecida. Curimba feminina tocando um Toruá cru e direto, uma ogã que canta com sinceridade e simplicidade: percebe-se muito respeito e dedicação no modo como cantam e tocam. Existe uma relação muito próxima com os cânticos do catolicismo e das congadas e alguma coisa da encantaria (Invocam o Caboclo Laje Grande e o Caboclo Zé Francisco). As meninas quando cantam pontos de exu podem assustar os mais sensíveis com as coisas da Kimbanda. Mesmo com a qualidade de gravação ser um pouco precária (em mono), é um disco maravilhoso, exemplo de um tipo de umbanda simples, honesta e pura que está desaparecendo, infelizmente.


Para ouvir a faixa 11, "Salve o Preto Velho", clique abaixo:


Abertura e Encerramento 5 - 1970


Abertura e Encerramento 5(LP/CD – Universal/talvez 1970) 1 – São Miguel ponto de chamada; 2 – Ponto do Caboclo ventania; 3 – Saudação a São Jorge e Ogun de ronda; 4 – Saudação a yemanjá; 5 – Ponto de Romaria; 6 – saudação a Oxum, Iansã e Nana; 7 – Ponto do Caboclo Samambaia; 8 – saudação a Sra Santana; 9 – Ponto de Marinheiro; 10 – Ponto de Ogun de ronda; 11 – Festa de Ode; 12 – Deus lhe pague; 13 – Ponto do caboclo Pedra preta; 14 – Ponto de encerramento; 15 – Toque para saída de Yaô em 3 tempos;
Produção: Wanderley Martins; Congregação espírita São Gerônimo – SP; Isaura da Bahia com Ogan e Corimbeiras da Congregação espírita São Gerônimo. O Ogan lembra muito a voz do Pai Carlos Buby. Um disco sincero, de um templo fortemente marcado pelo catolicismo(o nome congregação já o identifica), pela encantaria e pela nação keto (escute segunda e a última faixa do cd), sem chegar a ser Omolokô. Um disco interessante, muito bem executado, a gravação nem tanto, mas vale a pena.


Para ouvir a faixa 1, "São Miguel", clique abaixo:

Oxossi Rei da Mata - 1979


Oxossi Rei da Mata(LP/Cáritas/Luzes – 1979) 01 – Quimbanda, quimbanda/raiz da Jurema/No centro da mata virgem; 02 – Gira Gira; 03 – Ele é Caboclo; 04 – No alto da serra; 05 – caboclo Roxo; 06 – Ele é Demoragy; 07 – Ela vem de Longe; 08 – Estrela Dalva é sua guia; 09 – Na sua aldeia tem tupiniquim; 10 – Sereno que cai; 11 – Seu irmão é flor do dia; 12 – Galo cantou na serra; 13 – Ubirajara vai embora;
Produção: Jairo Rodrigues; Ogan Ulisses Agi Akaissu; Disco interessante com pontos de raiz adaptados a uma linguagem radiofônica da época; Conhecemos os templo de onde o ogã Ulisses surgiu e as pessoas que o conheceram. Os pontos, no terreiro, ainda são cantados exatamente da mesma forma do disco, com exceção do excesso de produção, que pasteurizou um pouco a interpretação de Aji Akaissu. Mas mesmo assim, este é um clássico absoluto da Umbanda.
Para ouvir a faixa 03, "Ele é Caboclo", clique abaixo:


J.B. de Carvalho – Mensagem - anos 50


J.B. de Carvalho – MensagemLP (Musicolor/Discos Continental – 1975- Originalmente lançado nos anos 50) – 1. Exu Rei; 2. Viva as almas; 3. Rainha dos ventos; 4. Caboclo Viramundo; 5. Lá no Maytá; 6. Eu vi chover Oxossi; 7. Mensagem; 8. Cantiga de santo; 9. O Jacutá é seu; 10. Pedindo Licença; 11. São Cosme e São Damião; 12. Rei da Jurema;
Nesse disco J. B. de Carvalho e seu grupo trazem na maior parte composições próprias (pois era hábito do cantor apropriar-se de pontos de raiz e colocar-se como o autor dos mesmos), com exceção de "Eu vi chover Oxossi", que seria regravado mais tarde por Ruy Maurity, o que despertou os ciúmes de J.B., que à época protestou (declarando-se - injustamente - autor deste ponto), nos jornais e revistas. É um disco muito bem produzido e gravado, com um coral afinadíssimo colorindo os fundos, característicos da época (anos 50/60), lembram muito o posterior grupo Os Tincoãs. Na faixa Mensagem, J.B. surge como uma espécie de Messias, salvador do mundo. Tinha um senso de humor equilibrado com uma seriedade que o faz valer a pena. A parte rítmica conta com um atabaque, um agogô e um Afuxé, da orquestra tradicional de terreiro, completado por surdões, cuícas e outros instrumentos de samba. Por serem muito datados, os arranjos podem soar estranhos aos mais novos, mas alguns minutos de audição já resolvem o problema e revelam um disco agradável e bonito.

Para ouvir a faixa 6, "Eu vi chover Oxossi", clique abaixo:


J.B. de Carvalho - anos 30/40/50


J.B. de CarvalhoLP – K7 – (A Universal – gravações dos anos 40/50 reeditadas nos anos 70) – 1.Ponto de babalaô; 2.Ponto de Congo; 3.Ponto de Iansã; 4.Pau Guiné; 5.Inaina Mocibá; 6.Ogun Maytá; 7. Pomba Gire; 8. Exu Tranca Ruas; 9. Ogum Megê; 10. Doum e Damião; 11. Ponto de Pomba Gira; 12. Hino a Iansã;
Este é um disco/coletânea que exemplifica muito bem o que J.B. produziu no ápice de sua carreira como cantor umbandista; os arranjos dos instrumentos são muito bem cuidados, os corais são afinados ao estilo dos grandes ícones da época de ouro do rádio, a ambiência e mixagem lembram muito gravações de Luiz Gonzaga, Orlando Silva e outros, quase tudo dos anos 30/40/50. Um disco muito bom...


Para ouvir a faixa 3, "Ponto de Iansã", clique abaixo:

J.B. de Carvalho Apresenta São Jorge, o rei do terreiro - 1970


J.B. de Carvalho Apresenta São Jorge o rei do terreiro – LP – (Continental – 1970) 1. Beira Mar; 2. Ê-RÊ-RÊ; 3. Caboclo da Cachoeira; 4. Ogum Megê meu Pai; 5. Oxumarê; 6. Cangira; 7. São Benedito; 8. Tranca Ruas; 9. Cabocla Jurema; 10. Congo-ê; 11. Dia das Crianças; 12. Ponto de aniversário (Cosme e Damião);

Neste disco, J.B. de Carvalho gravou alguns dos pontos mais conhecidos do Brasil, colocando-se como autor dos mesmos. A percussão conta com atabaques, congas, agogôs, afuxés e bateria. J.B. regravou o ponto do Caboclo 7 Flechas várias vezes, talvez visando uma melhor sonoridade ou adaptar-se a novos tempos. O disco data de 1970, mas provavelmente as gravações são dos anos 50 e foram reeditadas.


Para ouvir a faixa 9, "Cabocla Jurema", clique abaixo:

J. B. Carvalho - O rei da Macumba - 1978


J. B. Carvalho - O rei da Macumba – C.S.(Som Livre/1978) 1. Estrela Matutina; 2. Mamãe Oxum; 3. Sua espada Reluz; 4. Suará;
Este raríssimo compacto simples é o canto do cisne de J.B.. Seu último trabalho. Surpreendentemente sairia pela Som Livre, gravadora global, conhecidíssima nos anos 70 por “arquivar” artistas que não quisessem entrar nos ditames de seu esquema de mão de ferro (certamente este compacto deve ter sido extraído de um LP inteirinho que não foi lançado, e que deve estar lá nos arquivos da gravadora).
Com arranjos do lendário maestro Waltel Branco e com a produção do”Disco-man” Guto Graça Melo, J.B. de Carvalho foi um resgate interessante, um mito quase desconhecido numa época de crescimento da tecnologia e modernidade, onde praticamente tudo era dominado pela disco-music. Recolocado como “Rei” de uma “macumba” que jamais foi compreendida (até mesmo por ele) num país de preconceitos com a própria origem, J.B. neste registro é ao mesmo tempo triste, quase patético - por ser tratado como mero objeto na redescoberta de um mercado voraz que visava, na verdade produções que pudessem competir com a então rainha Clara Nunes e paradoxalmente vitorioso: sobrevivente de uma manifestação musical que deu origem a praticamente tudo que se conhece como música brasileira, seu reinado termina com um compacto onde conta com arranjos e produção de primeiro mundo.
Um tratamento digno (embora tardio) foi dado a este artista que apesar de algumas distorções em sua carreira, com relação à manifestação pura da doutrina da Umbanda em suas várias manifestações, foi – talvez com as óbvias exceções de Clara Nunes e Clementina – seu maior divulgador por quase quatro décadas, entre a massa anônima de prosélitos de todo o Brasil.
O Rei da Macumba despede-se de braços abertos de uma nação que jamais prestou-lhe reverência, ou sequer reconheceu-lhe a coroa. Para o bem, ou para o mal, Xangô saberá pesar sua importância na história da Música e da Umbanda do Brasil.


Para ouvir a faixa 1, "Estrela Matutina", clique abaixo:

Sussu – Preto Velho - 1968


Sussu – Preto VelhoLP – (Okeh – CBS – 1968) – 1. Preto Velho; 2. Frumulunga; 3.Ferimã; 4.Rainha da Pontaria; 5. O Vento; 6.Japiaçu; 7.Sarandamba; 8. Ubirajara; 9. Mamãe Garuanda; 10. Seu Orirê; 11. Maria Conga; 12. Acorda Tranca-Rua;
Disco raro. Sussu foi um dos pioneiros a fazerem sucesso radiofônico com música influenciada pela mística umbandista. Influenciou cantores posteriores, como Élcio de Oxalá e outros bambas do estilo. Foi um contemporâneo tardio de J.B. de Carvalho, com o qual tinha boas relações. Seu templo ainda existe em Olinda - RJ. Este disco – como a maioria dos discos da época – é muito bem produzido, com músicos excelentes: a bandinha tem atabaques, pandeiro, berimbau, violões, um coral maravilhoso e é um disco importante para qualquer pesquisador e amante da música brasileira.
Obrigado ao irmão Edson pelas informações que obtivemos para atualizarmos esta postagem!

Para ouvir a faixa 5, "O vento", clique abaixo:

Monday, October 30, 2006

A Caminho da Luz – o disco que traz a Umbanda até você - 1971


A Caminho da Luz – o disco que traz a Umbanda até vocêLP – (Beverly – 1971) – 1.Prece – Homenagem ao Caboclo da Lua; 2.Oxalá; 3.Oxoce; 4.Ogum; 5.Oxum; 6.Xangô; 7.Xangô; 8. Iansã; 9.Preto Velho; 10.Relaxamento;

A Yalorixá Arlete Moita, do templo Rompe Mato,o Babalorixá Azuilson dos Santos da Tenda Vovô Congo da Bahia e o radialista Haroldo Eiras junto ao presidente do templo "A Caminho da Luz", o Babalorixá Paulo Newton de Almeida gravaram este disco que conta com alguns pontos tradicionais da Umbanda, até hoje cantados nos terreiros. Os alabês são competentes, nas cabulas, congos de ouro e Ijexás e embora os Ogãs desafinem um pouquinho, não chegam a comprometer o trabalho. Destaque para o Agogô de três campânulas, com o coro afinado na sua tonalidade.

Para ouvir a faixa 8, "Iansã", clique abaixo:

Sarava Ogun - 1974


Sarava Ogun(LP- Copacabana/Beverly – 1974) – 1. Prece de Cáritas; 2. Ogum já foi coronel; 3.Cavaleiro da alvorada; 4.Ogum Jangadeiro; 5. Clarim na Lua; 6. Rema, rema seu barquinho; 7. Jurou bandeira; 8. Seu barquinho era de ouro; 9. Cavaleiro do Céu; 10. Bahia é boa; 11. Mamãe Cinda; 12. Cosme e Damião;

Coletânea com vários terreiros, gravações de épocas diferentes, que vai de Cicica ao Ogã Ismael. Os pontos são de raiz e de louvação, a qualidade de gravação não é muito boa, mas os músicos são excelentes, o que torna o disco muito interessante num resultado final.

Para ouvir a faixa 11, "Mamãe Cinda", clique abaixo:

Pontos de Terreiro - 1975


Pontos de Terreiro - LP (Alvorada/Chantecler/1975/1986)1.Orixás; 2. Rei Panaiá; 3. beijadas; 4. Ogum Beira-Mar; 5. yemanjá; 6. Exu; 7.Guiame de Caboclo; 8.Guilherme Diogo; 9. Caboclo Rompe mato; 10. Caô cabeci; 11. Exu ponto 2; 12.Ogum; 13. Jurema; 14. Viva as almas; 15. Xangô; 16. Boiadeiro; 17. Nanã;

Conjunto folclórico Ybiara. Dois atabaques, um agogô, palmas e uma excelente colofé fazem deste um excelente disco. Apesar do interior do disco haver a indicação “Conjunto Folclórico”, acreditamos ser esta uma forma de não revelar os nomes dos participantes da gravação, além de rotular os músicos do terreiro com um nome pomposo. Nos parece também que a gravação data de antes de 1975 (como vem indicado no selo do disco), pois a ambiência lembra muito os anos de 50/60. Como se referem a Exu como Santo Antônio, acreditamos que trata-se de um terreiro do Nordeste, onde existe este sincretismo. Há ainda uma misteriosa décima oitava faixa não creditada, parecendo enxertada de outra gravação. Um disco muito bom, com um visual de capa muito bonito e músicos excelentes. Os toques são em cabula, toruá e congo de ouro.


Para ouvir a faixa 1, "Orixás", clique abaixo:


Pontos de Ogun - São Jorge Guerreiro - 1984


Pontos de Ogun - São Jorge Guerreiro (Fermata/Cáritas, 1984); LP/CD 1. Engorossi; 2 – Chamada de Ogun; 3 – Por entre mares; 4 – Saudação a Ogun Megê; 5 – saudação a Ogun 7 Ondas; 6 – Saudação a Ogun Beira Mar; 7 – Batismo na Irradiação de Ogun; 8 – Filho de Pemba; 9 – saudação a Ogun das Pedreiras; 10 – Saudação a Ogun Iara; 11 - Saudação a Ogun de Ronda; 12 – Subida de Ogun; 13 – Despedida de Ogun; 14 – Oração Para Fechamento de Corpo;

Produção: Jairo Rodrigues; Carlos Buby com Coral do Templo Espírita Guaracy; Faixa 14: Dionísio Azevedo; Percussão: Paraná; Um disco bem produzido e muito bem gravado, embora a execução perca um pouco da espontaneidade. Alguns pontos são de raiz, outros de louvação.


Para ouvir a faixa 9, "Saudação a Ogun das Pedreiras", clique abaixo:

Pai João D´Angola – No reino do Preto Velho - 1960


Pai João D´Angola – No reino do Preto Velho (Sarava/Cáritas/1960) LP/CD – 1. Saudação a Exu-Pomba Gira/Cabula; Exu/Congo; 2. Saudação a Defumação-Pemba/Barravento; 3. Saudação a Ogun/Barravento; 4. Saudação a Xangô/Congo; 5. Saudação a Catendê/barravento; 6. Saudação a Oxum/Ijexá; 7. Saudação a Nhá-sã-Caboclo da Morunganga/Barravento; 8. Saudação a Tempo/Cabula, Congo; 9. Saudação a Oxossi/Congo; Yemanjá/Cabula; 10. Saudação a caboclos/Todos os caboclos/Despedida dos Caboclos/Marujada/Congo; Saudação ao povo do Congo/ Congo;

Zelador de Santo Dorico, com Ogan Durval de Souza e Coro da Tenda Virgem Maria de Belo Horizonte;
Exemplo excelente da Umbanda Omolokô, rito em transição dos Cultos de Nação para os templos Umbandistas, onde pontos de nação coexistem com pontos cantados em português. O Zelador Dorico era filho de santo de Tancredo da Silva Pinto e traz toda a carga de informação de antigos ritos Umbandistas, em Kêto e Angola, além de pontos da Encantaria. A capa original em vinil é uma arte muito bonita em lápis, provavelmente de inspiração mediúnica por algum artista chamado Flávio. O disco é sincero e um registro fidedigno do que se canta no Omolokô; a atmosfera do terreiro está presente, e ainda que tenha sido gravado em estúdio, a captação em over possibilitou recriar o clima ritual de modo quase convincente. Obrigatório para os estudiosos dos cultos brasileiros.

Para ouvir a faixa 2, "Saudação à Pemba", clique abaixo:

Pai Guiné de Aruanda - 1985


Pai Guiné de Aruanda(Caritas/Luzes – 1985) – Faixas: 01. Meu Cativeiro; 2. Auê, meu cativeiro; 3. Adorei as almas; 4. Meu candieiro; 5. Pai Guiné de Aruanda; 6. Preto na Senzala; 7. Preto Velho Nagô; 8. Filho de Pemba; 9. Pai Joaquim de Angola; 10. Retirada de Preto Velho; 11. Com Dendê; 12. Congo de Sassaravá; 13. Congo; 14. Rei Congo; 15. Senhora do Rosário; 16. Caminhou; 17. Minha Cachimba; 18. Tá caindo fulô;

Produção e direção: Jairo Rodrigues; Ogã Nelson M. Nogueira com coro da Cabana Espírita Umbandista Nossa Senhora da Glória – BH – MG;

Pontos de profundidade e raiz, com execução simples: Voz, coro, um atabaque Rumpi e um Gonguê. Um exemplo ímpar de como uma obra pode representar com perfeição a musicalidade sagrada do povo brasileiro sem qualquer adereço que não a boa vontade e a alegria de se expressar no contato com a espiritualidade.Um disco muito bem gravado, com a captação em perfeita harmonia das vozes e dos instrumentos. Percebe-se uma proximidade muito grande com a Encantaria e com o Jongo, talvez por ser um templo de Minas. Um clássico da Umbanda.

Para ouvir a faixa 3, "Adorei as almas", clique abaixo:

Oxossi é Rei - 1994


Oxossi é Rei(Cáritas/Luzes – 1994) LP/CD – 1. Aguerê de Oxossi (toques); 2. Ubirajara é Caboclo Valente; 3. Flechas de Oxossi; 4. As Folhas da Mangueira/Ogum de Lei; 5. Cabocla Jurema; 6. Seu Pena Branca/Oxossi Mora; 7. Oxossi é Rei; 8. Sarava Filho de Umbanda; 9. Pisa na Linha de Umbanda; 10. Ubirajara vai embora; 11. Ponto de Inhaçã/Ponto de Oxossi; 12. samambaia; 13. Ele é Oxossi; 14. Caboclo Tangaraí;

Produção de Jayro Rodrigues; Coletânea de vários discos antigos da gravadora Cáritas que abrangem os anos 60/70/80 e 90, além de gravações não aproveitadas em LPS (sobras de estúdio). Estão neste disco Paraná, Ogã Ulisses Lucas, Mãe Santina Toledo,Coro da Tenda de Umbanda Sete Linhas, Tenda de Umbanda Nossa Senhora Aparecida, Zelador de Umbanda Dorico e Tenda de Umbanda Tupã Oca. Assim, podemos ver várias escolas da Umbanda do Brasil: desde toques de Nação até Umbanda Mística e Umbanda Omolocô. Um bom disco.
Para ouvir a faixa 6, "Seu Pena Branca/Oxossi Mora", clique no botão abaixo:


O Valente Guerreiro - 1970


O Valente Guerreiro (LP/CBS/TROPICANA – 1970) - 1. Proteção de Xangô; 2. Jurema; 3. Riscando um ponto; 4. Salve os Meninos; 5. Guia de Yemanjá; 6. 23 de abril; 7. Filho de Umbanda; 8. Rainha do Mar; 9. Divina Yara; 10. Lua Cheia; 11. Xangô meu Pai; 12. Santo Guerreiro;


Todas as faixas são de autoria de D. Monteiro e não há maiores informações nem encarte, como a maior parte dos discos dos cultos brasileiros, um descaso das gravadoras com o registro de nossa história musical. O disco conta apenas com pontos de louvação (não há nenhum ponto de raiz), com coro bem afinado e Alabês muito competentes na Cabula, no Congo de Ouro, no Toruá e num raríssimo Tonibobé tocado com as mãos no ponto Salve os Meninos.


Para ouvir a faixa 4, "Salve os Meninos", clique no botão abaixo: