Monday, July 26, 2010

O fim anunciado da cultura brasileira ou porque não votarei na Marina Silva ou ainda: aonde as coisas podem chegar!!!





Ayrton, desastrado cobrador da empresa Sá, Pato & Cia. sofre um acidente automobilístico na região de Friburgo (Rio de Janeiro) e é resgatado pelo recluso professor Benson, que o leva para sua residência. Ali, ele trava contato com a grande invenção de Benson, o "porviroscópio", um dispositivo que permite ver o futuro, e com Miss Jane, a bela e racional filha do cientista.

Através de Jane, Ayrton é posto a par da disputa pela Casa Branca nos Estados Unidos da América do ano 2228, onde a divisão do eleitorado branco entre homens (que querem reeleger o presidente Kerlog) e mulheres (que pretendem eleger a feminista Evelyn Astor), transforma o candidato negro, Jim Roy, no 88° presidente dos EUA.

A alegria dos negros, contudo, dura pouco. Incapazes de aceitar a derrota, os brancos (agora novamente unidos) elaboram uma "solução final" para o "problema negro", muito mais sutil e eficaz do que aquela elaborada por Hitler para os judeus. Esta história (quase real... ou não?) foi escrita em 1926 pelo criador do Sítio do Pica-Pau Amarelo, o grande Monteiro Lobato, intitulado "O Presidente Negro", (originalmente denominado "O Choque das Raças" e posteriormente, "O Presidente Negro ou O Choque das Raças: romance americano do ano 2228"), é o único romance (e de ficção científica) escrito por Monteiro Lobato.
Em 2008, a coincidência de dois pré-candidatos, um negro (Barack Obama) e uma mulher branca (Hillary Clinton) disputando a Casa Branca contra um candidato branco, despertou novamente a atenção da mídia brasileira para "O Presidente Negro". O livro ganhou nova edição da Editora Globo e, em algumas resenhas foi citado que Lobato teria previsto o surgimento da internet, graças a um diálogo das personagens Ayrton e Miss Jane sobre o ano de 2228:

"Ainda havia jornais neste tempo?"
"Sim, mas jornais nada relembrativos dos dias de hoje. Eram radiados e impressos em caracteres luminosos num quadro mural existente em todas casas."
O autor também fala do "teletrabalho": "em vez de ir todos os dias o empregado para o escritorio e voltar pendurado num bonde que desliza sobre barulhentas rodas de aço, fará ele o seu serviço em casa e o radiará para o escritorio. Em suma: trabalhar-se-á a distancia.

As idéias racistas defendidas por Monteiro Lobato estavam presentes em sua obra desde pelo menos 1900, quando leu L’Homme et les Sociètes (1881) de Le Bon, onde o autor afirma que os seres humanos foram criados de forma desigual e que a miscigenação é um fator de degeneração racial, além de que, as mulheres, brancas ou negras, são inferiores até mesmo quando comparadas aos homens de "raças inferiores".

Embora tenha tentado descobrir uma alternativa à "teoria científica" da desigualdade das raças, através da leitura de Comte e Spencer, nos anos seguintes, livros dos poligenistas Hyppolite Taine e Ernest Renan, figuras influentes no racialismo do século XIX, tornaram-se importantes fontes de referência para o escritor, que inclusive recomendava sua leitura aos amigos.

Em carta de 1905 endereçada a um amigo chamado Tito, Lobato declara ser impossível "civilizar" e "corrigir" o povo brasileiro, "devido ao fatalismo das inclinações, dos pendores, herdados com o sangue e depurados pelo meio". Ele conclui, absurdamente, que apenas uma injeção de "sangue da raça mais superior" asseguraria o futuro do país. Nesta mesma carta, ele chama de "patriota" ao brasileiro que se casasse com "italiana ou alemã".

Em 1908, talvez ecoando uma célebre declaração do Conde de Gobineau (que certa feita havia chamado os cariocas de "macacos"), Lobato confidenciou ao amigo Godofredo Rangel que a miscigenação criara uma classe de "corcundas de Notre Dame" nos subúrbios do Rio de Janeiro, declaração que trazia implícita uma crítica aos intelectuais da época, segundo os quais haveria um "padrão de beleza grega" entre a população mulata da cidade. Lobato advoga ainda a adoção de um esquema de segregação racial para o Brasil, nos moldes do então vigente nos EUA e a imigração de europeus para consertar a "anti-Grécia" carioca... Talvez seja por isso que vemos a Tia Anastácia ser retratada como uma cozinheira ignorante, fato que se repete até mesmo em revistas distribuídas ainda hoje com os personagens do Sítio, onde idéias ainda estranhas como as por Lobato admiradas estão em voga.

No livro "A Lei do Santo" (Rio, Ao Livro Técnico, 2000) de Muniz Sodré, cientista social, encontramos um conto igualmente profético intitulado Purificação. Traz a história da expansão política das igrejas evangélicas no Brasil, as quais têm como concorrente, o movimento “carismático” da Igreja Católica. No conto, se agrupam em torno de uma organização política, o Partido Evangélico, que consegue maioria no Congresso Nacional.

Muniz Sodré, a certa altura, logo a seguir deixa claros, para que o leitor comece a pensar, o que está por trás da Teologia da Prosperidade que orienta o neopentecostalismo: “A palavra de ordem era purificação. Casas de diversão e cultura eram compradas e transformadas em templos. A rede evangélica de televisão cobria o território nacional com mensagens de regeneração dos costumes e das crenças d toda espécie. Os pregadores eram todos especialistas em marketing e técnicas de motivação coletiva”.
Sodré anteviu, por exemplo, a resistência que está acontecendo em muitas escolas para ser implantada a história do povo africano e o recente ataque de evangélicos à terreiros afrobrasileiros: “Os evangélicos em especial queriam apagar todas as marcas consideradas negras. Por isso, havia agora ritos de apagamento. Um lugar com sinais de culto afrobrasileiro era perseguido, eventualmente arrasado a fogo e purificado com sal. Todos os negros que no início haviam aderido às seitas evangélicas terminaram sendo considerados suspeitos e finalmente expulsos”.

Os evangélicos se dizem perseguidos pela mídia, mas caso não existisse meios de comunicação denunciando a corrupção nesse meio, imagine as bizarrices que teríamos em nosso país. Interessante é a postura de gente como o jogador Kaká e Marina Silva, que se dizem vítimas, tentando se passar por modelos inocentes de um perseguição maior da qual são cúmplices e parceiros. Graças a Exu que a "Igrejinha" da seleção saiu maravilhosamente desonrada da Copa. E espero que Exu nos ajude a não colocar uma evangélica no topo do país, apesar de certos setores umbandistas estarem, vergonhosamente apoiando, sabe-se lá por quê, a candidata-símbolo das barbaridades feitas contra o povo do santo.

Somos descendentes de auropeus, asiáticos, indígenas e africanos. Devemos grande parte de nosso modo de pensar e sentir ao povo africano e é aterrorizador ver o que o cristianismo das igrejas evangélicas criou nos países do continente berço da cultura humana, onde crianças são acusadas de bruxarias pelos pastores, que pedem uma quantia equivalente a cerca de 4 meses de trabalho para que as crianças sejam exorcizadas. O tal exorcismo consiste em mutilar os corpos das crianças (como poderão ver no vídeo anexo) e queimar os ferimentos com o fogo de uma vela.

O principal precursor dessa doutrina perversa que campeia na África (e está pululando na Amazônia - de onde a candidata verde saiu - entre os nossos índígenas) foi um alemão e pastor neopentecostal conhecido como Reinhard Bonnke, o qual foi recebido pela Igreja Batista da Lagoinha no ano de 2007 com todas as honras de um "grande homem de Deus".

O jornal alemão Die Zeit o caracteriza como "um dos mais bem sucedidos missionários do nosso tempo". Como se não bastasse, esses missionários na África ainda recebem cachês milionários para virem pregar em congressos em outros países, como aconteceu aqui no Brasil. E muitas igrejas brasileiras já estão indo prá lá, buscar o dinheiro e disseminar sua doutrina entre os já sofridos povos africanos.


Nwanaokwo Edet, 9 anos, foi forçada a beber ácido pelo pai após pastor evangélico acusá-la de bruxaria. A menina ficou cerca de 1 mês internada em Akwa Ibom, Nigéria, antes de morrer

Os missionários brancos, vindos da América e da Europa, não se envolvem diretamente com a vitimização das crianças, como já era possível imaginar. Isso representaria muitos problemas para eles, tanto na África como em seus países de origem; um problema desnecessário, uma vez que o negócio deles é promover grandes cruzadas e construir grandes ministérios.

Moradores revoltados com Udo, 12, acusando-o de ser uma bruxa. Seu braço quase foi cortado com um facão. Fonte: http://guardian.co.uk

Dessa forma, o que resta a eles é usar o medo da bruxaria que os africanos possuem, pois o assunto bruxaria está presente em sua cultura há milênios. Não é mais possível, na África os evangélicos se utilizarem do argumento da "macumba" e do "encosto" como fazem aqui no Brasil quando se referem a Umbanda e ao Candomblé, pois mais de 70% da população é evangélica. O que eles fazem é usar um mito antigo de que existem "crianças bruxas" que, segundo eles são enviadas por Satanás para atrapalharem os negócios da família, trazendo má sorte e doenças.

Estima-se que mais de 5000 crianças foram abandonadas na Nigéria desde 1998 por conta das acusações de bruxaria feitas pelos pastores evangélicos, para morrerem; isso quando não são mortas, espancadas, dilaceradas e violentadas antes de serem abandonadas. Estatísticas dizem que a cada 5 crianças abandonadas, 1 acaba morrendo de desnutrição ou por conta das torturas indescritíveis que elas sofrem.
Juntem todas essas questões e pensem bem. Lembrem-se das "previsões" de Monteiro Lobato e de Sodré. Nossa cultura musical já está sendo esmagada pela dominação evangélica quando ligamos o rádio e ouvimos os trinados horrorosos de cantores e cantoras brasileiras que querem imitar o estilo "gospel"de canto. Quando ligamos a TV e vemos os calouros do Raul Gil, desesperadamente se esgarçando e dizendo "Graças a Deus" no mesmo modo fanático e falacioso de interpretar. Quando temos de engolir Robinho e Kaká dizendo "Amém Jesus" nos gols que fazem. Vejam o vídeo (apesar dele ainda arrastar alguma asa para os "bondosos" católicos) e percebam até onde as coisas podem chegar. Lembrem-se destas imagens na hora de votar. Lembrem-se das crianças africanas, de sua pele de ébano sendo queimada pela estupidez. E para a platéia que ainda julga ser este apenas problemas deles lá, na África, imaginem crianças brancas, loiras, sofrendo a lavagem cerebral e a tortura psicológica que só a imaginação de quem abraça esse tipo de fé pode ter.

E ainda tem (diri) gente que se diz do santo que quer abraçar este modelo de identidade evangélica para nossa comunidade e que diz, que se eles podem movimentar milhões (de almas e de grana), nós também podemos.
Como vêem, se adotarmos o mesmo sistema, haverá muita pouca coisa que não poderemos fazer...










Afoxés de Pernambuco - 2004




Afoxés de Pernambuco - 2004 - CD - Pernamhusica
1-Vim da África (Alafin Oyó); 2-Alafin eu sou (Alafin oyó); 3-Capital Yorubá (alafin oyó); 4-Obá-Omi (Alafin Oyó); 5-Gexá (Ylê de egbá); 6-Sublime egbá (Ylê de egbá); 7-negra Nagô (Ylê de Egbá); 8-Agê-Re-Okê (Ylê de egbá); 9-Nossa Riqueza (Filhos d´Ogundê); 10-Vem meu povo (Filhos d´Ogundê); 11-Axé de Oceano (Filhos d´Ogundê); 12-Louvação para Yemanjá (Filhos d´Ogundê);
O que é um Afoxé?
Pesquisando o Dicionário Yorubá (Nagô)/Português, de Eduardo Fonseca Júnior, o estudioso não encontrará a palavra Afoxé, mas Afòsé. Tal palavra (é um substantivo) africana e em português tem a seguinte tradução: “dança ritual de encomendação das almas dos mortos” (pág. 13). Logo, provavelmente, em sua origem, o Afoxé seria um tipo de Cortejo Africano, com destaque na dança, que apresenta o morto aos cuidados de um mundo que não é o material.
Afoxé em Pernambuco
Por volta do final da década de 1970, negros participantes e ligados ao atual MNU, na cidade do Recife, iniciaram rodas de conversas para a organização de um repasse sensível de conscientização para a comunidade negra daquele momento histórico. A Arte, a Cultura, são meios de comunicação de forte impacto, que atingem o ser humano em sua ótica de percepção crítica e sentimental. Logo, o viés articulado por tais negros foi a criação (ou recriação) do Afoxé Pernambucano. Assim nasceu o Ilê de África, o Axé Nagô... E surgiu o Ara Odé (de Seu Raminho de Oxóssi) em Olinda. Desse último, da Ala de Xangô, saiu a Associação Recreativa Carnavalesca Afoxé Alafin Oyó.
Contudo, o Afoxé em PE é um bem cultural que possui como principais funções o vivenciar e preservar a Cultura Negra, como uma forma de possibilidade de conscientização negra da sociedade. Todavia, esse tipo de Cortejo possui um forte vínculo com o Candomblé, não compreendendo apenas o cultural, mas a junção entre Arte e Religiosidade.
O Afoxé, longe de ser, como muita gente imagina, apenas um bloco carnavalesco, tem profunda vinculação com as manifestações religiosas dos terreiros de Candomblé. Vem daí o fato de chamar-se o afoxé, muitas vezes, de "Candomblé de rua". Inclusive por homenagear um orixá, geralmente, o orixá da casa de candomblé a que pertence. Em Pernambuco, o afoxé ressurge com o Movimento Negro Unificado no final da década de 70, como uma das formas de se fazer chegar à maioria da população, o debate sobre consciência negra e liberdade, através da música. Esse álbum conta com a presença de 3 grupos de afoxé: Afoxé Alafin Oyó, Ylê de Egbá e Filhos de Ogundê.

Paula Guedes: vocais; Thiago Nagô: vocais, atabaque, moringa; André Mulatinho: atabaque, agogô, abê; João Juquinha: atabaque, rum, tantã; Fabiano: atabaque, abê; Dito d'Oxóssi: voz, rum, pi, berimbau; Nouga do Axé: alfaia, lé; Karina Buhr: agogô, abê; Leandro: voz; Liliane: backing-vocals e abê; Cristine: backing-vocals e abê; Reginho: tantã; Alixandre: agogô, conga, tantã, timba; Diêgo: agogô; Flávio: conga, agogô; Binho: atabaque;

Alafin Oyó


Fundada em 02 de março de 1986 tem por principal objetivo repassar e preservar a Cultura Tradicional Pernambucana; em especial, a Cultura Negra. Ela é uma reverência a ancestralidade oyó. Trajas-se à moda africana – como a estética de todo Cortejo de Afoxé – e é responsável por um dos maiores repertórios de Afoxé do Estado de Pernambuco. A entidade se configura como um dos maiores expoentes da Cultura Negra local e em 2004 foi oficializada como um Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura; ou seja, um dos pontos (entidades) que perpetuam a identidade do povo brasileiro. Segundo Lepê Correa, e toda a trajetória da entidade, até os dias de hoje ela se mostra, em toda sua riqueza de valores, da seguinte forma: Oni ê ê Omo Afonjá Pela benção de Oxalá Alafin eu sou Ouvi o agogô no repique Ao som de atabaques Tocando ijexá Eu me animei e disse é agora Minha preta está na hora O Alafin já vem São muitos negros De encarnado e branco Pelas ruas de Olinda Vem para mais de cem É a cultura Que vem descendo a ladeira Despertou lá na Ribeira Pela força de Xangô

http://alafinoyo.blogspot.com/

Para ouvir a faixa 01, "Vim da África" com o Alafin Oyó, clique abaixo:







Ile de egba

Fundada em 17 de agosto de 1986 no bairro Alto José do Pinho, Zona Norte do Recife, a Entidade de Cultura Negra Afoxé Ylê de Egbá é oriunda do centro de Candomblé Ilê-Axé Ayra Dôcy, tendo como presidente da agremiação Expedito de Paula Neves (Babalaô), mais conhecido como Dito D'Oxossi. O Ylê de Egbá é formado por vários segmentos que cuidam de sua organização, entre eles o Afoxé, grupo de ritmistas, cantores e compositores responsável pela parte musical da entidade. O Afoxé mescla o toque do "Ijexá" (ritmo afro) a vários outros ritmos das nações yorubás que vieram para o Brasil, resultando arranjos e músicas com interessantes variações rítmicas, dando um "toque" singular à batida do grupo através de xequerês, atabaques, ganzás e agogôs, entre outros instrumentos específicos dessas nações negras.A entidade também desenvolve várias atividades comunitárias, educacionais e de preservação da cultura negra, participando de eventos como o "IV Congresso Afro-brasileiro" ou da "Campanha dos 300 Anos de Zumbi dos Palmares".
Para ouvir a faixa 6, "Sublime Egbá" com Ylê de Egbá, clique abaixo:







Filhos D'Ogundê

Para ouvir a faixa 11, "Axé de Oceano" dos Filhos d´Ogundê, clique abaixo:





Sunday, July 25, 2010

Cabana São Jorge - 1950







Cabana São Jorge e Cosme e Damião - LP - Independente - 1950

LADO A: 01.Ele veio de tão longe; 02.Lá na mata tem sete folhas; 03.Caboclo Sete Flexas nasceu no Jardim das Oliveiras; 04.Quem manda na mata é Oxossi; 05.Eu vi chover; 06.A coral e sua cinta; 07.Vestimenta de Caboclo é samambaia; 08.Tupinambá chamei; 09.Caboclinho se perdeu na mata; 10.Filha de babalaô; 11.Chora na Macumba oi ganga; LADO B: 12.Palavra de Vovó Cabinda sacode a poeira da saia; 13.Zoa atabaque; 14.Baba de Orixá; 15.É a Pomba Gire; 16.A Umbanda é um caminho; 17.Palavra de Pai Tomé; 18.Preto Velho quer Tarimbar; 19.Preto Velho quando baixa; 20.palavra de Pai José; 21.palavra do Presidente da cabana São Jorge e vereadora; 22.Ponto de Ogum Sete Espadas; 23.Eu vi Mamãe oxum;
Alguns dos mais raros registros da Umbanda e dos cultos brasileiros não foram feitos pelas grandes gravadoras, mas sim, por pessoas zelosas, médiuns e prosélitos que amavam suas tendas, terreiros e orixás e não se furtavam a pedir permissão às entidades e/ou aos dirigentes para gravarem mensagens, cânticos e ritmos. Uma outra prática ainda era muito comum nos terreiros: e de lançarem discos sob encomenda para serem vendidos visando ajudar financeiramente o templo em questão. Estas gravações e discos são raríssimos, verdadeiras pérolas espalhadas num mar de tantos e tantos registros realizados nestes mais de cem anos de indústris fonográfica.
O registro em questão é um entre os 12 discos mais raros de nosso acervo, que pertencem à categoria daqueles que serviram como lembrança carinhosa para o dirigente da casa. Segundo nos foi informado, só existiram DUAS cópias deste vinil. A gravação foi realizada em 1950, segundo informações. Estava em péssimo estado e foi muito difícil recuperarmos a qualidade sonora. A "capa" trata-se de um velho papelão, onde alguém - talvez de muita idade, dada a imprecisão da caligrafia - escreveu o nome das faixas.
O rito gravado é um misto de Umbanda ritualizada com atabaques e palmas -, além da palavra de entidades (Pai Tomé e Pai José), e uma visita de uma candidata a vereadora que foi pedir força no terreiro para ganhar a eleição da época (talvez tenha sido ela que tenha pago a prensagem dos LPS). Sem comentários sobre isso.
Portanto, nos atenhamos à beleza do ritual. Aqui apresentamos duas faixas: uma, um ponto conhecido de invocação ao Caboclo Tupinambá, com gravação original bem precária e uma conversa de Pai Tomé, que pela proximidade do microfone pode ser ouvida com mais clareza. Registro impressionante, meu povo! E só tem aqui!
Para ouvir a faixa 08, "Tupinambá chamei", clique abaixo:





Para ouvir a faixa 17, "Palavra de Pai Tomé", clique abaixo: