Wednesday, July 11, 2007

Bate Folha - Kupapa Unsaba - Cantigas de Angola - 2005


Bate Folha - Kupapa Unsaba - Cantigas de Angola – CD – Fundação Universitária de Brasília – 2005

Faixas: 01 a 03 – Pombojira; 04 a 06 – Nkosi; 07 a 09 – Katendê; 10 a 12 – Tauami; 13 a 15 – Nzazi; 16 a 18 – Unsumbo; 19 a 21 – Kitembo; 22 a 24 – Zumbá; 25 a 27 – Hongolo; 28 a 30 – Unzingalumbondo; 31 a 33 – Kaiangu; 24 a 36 – Vunji; 37 a 39 – Dandalunda; 40 a 42 – Samba; 43 a 45 – Lembá; 46 – Nação;


O Bate-Folha do Rio de Janeiro


Por volta de 1938, João Correia de Mello, já então conhecido como João Lessengue, mudou-se para o Rio de Janeiro.


Ao chegar, Lessenge foi morar na Rua Navarro, no Catumbi, havendo trazido em sua companhia alguns irmãos de santo, dentre os quais, se destaca por sua atuação Mãe Ngukui, componente do terceiro barco de Bernardino (fundador do Bate Folha da Bahia).



Ngukui seria então o braço direito de Joao Lessenge na sua nova empreitada no Rio de Janeiro. Aqui, João Lessenge conheceu outras pessoas de santo em sua maioria oriunda da Bahia, passando então a participar dos rituais das diversas casas de candomblé já existentes na cidade.
Diversas personalidades importantes do candomblé faziam parte de seu círculo de amizades, como Ebomi Dila, Mãe Agripina do Opo Afonjá, Mãe Teté, Mãe Bida de Yemanjá, Joana Cruz, Joana Obasi, Mãe Andreza, Guiomar de Ogun, Mãe Damiana, Antônio Fomotinho, Vicente Bankolê, Ciriaco, América, Adalgisa, Marieta, Marota, Obaladê, Nair de Oxalá, Marina de Ossãin, Nino de Ogun, Mundinho de Formigas, Otávio da Ilha Amarela, Ogan Caboclo, Álvaro do Pé-Grande, Mãe Teodora de Yemanjá, etc. No início dos anos 40, Lesenge comprou um terreno com aproximadamente 5.000 metros quadrados, no bairro Anchieta, fundando ali, o Bate-Folha do Rio de Janeiro.



Ao longo dos anos João Lesenge tirou doze barcos, sendo o primeiro em 26 de novembro de 1944, e o último em 8 de novembro de 1969. Seu falecimento ocorreu dia 29 de setembro de 1970, às 23:40hs. Após sua morte, a roça atravessou um prolongado luto.



Foi somente em 1972, em ocasião de Luvalu (cerimônia de sucessão), que o Bate-Folha do Rio de janeiro reabriu, sendo ali investida no cargo como Mam´etu riá Nkisi (sacerdote chefe), sua sobrinha e filha de santo, Mabeji - Floripes Correia da Silva Gomes), tornando-se, herdeira de seu tio Lesenge em todo o sentido da palavra.



Mametu Mabeji no estúdio


Mam´etu Mabeji, baiana do bairro da Liberdade, chegou ao Rio de Janeiro para residir com o Sr. João Lesenge em 19 de outubro de 1946 e, iniciou-se no candomblé em 20 de abril de 1947. A partir desta data, Mabeji começa a fazer parte da história do Bate-Folha.


Por volta dos anos 50, em companhia de um índio Irapuru, chega ao Bate-Folha o Sr. José Milagres. Com o passar do tempo, Milagres casa-se com Mabeji e posteriormente, se confirma na casa como Pokó (sacrificador de animais) passando então a ser conhecido como Tata Nguzu-a-Nzambi, sua dijina. Dai em diante, Tata Nguzu tem sido um guerreiro incansável na preservação da roça em Anchieta. O Terreiro Bate Folha continua hoje sob a direção de Mam'etu Mabeji.


Em 2005, o Bate Folha lançou o disco aqui apresentado, produzido pela Fundação Universidade de Brasília e pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), com o apoio do Museu da República e da Fundação Cultural Palmares, do Ministério da Cultura.


O disco é maravilhoso, muito bem produzido, com xicarangomas excelentes. Mametu Mabeji canta muito bem e ainda com fôlego, afinadíssima. Um disco altamente recomendado para os estudiosos das nações Bantu.


Para ouvir a faixa 13, "Nzazi", clique abaixo:

4 comments:

Anonymous said...

Amei o cd!!!! N´guso sempre... Moxi kandandu.

Yan Kaô (Obashanan) said...

Qual cd? O Ayom Lonan???

Kuenda Malembe, se não entendi...

Anonymous said...

Olá!
Ganhei um cd e adorei, mas como sou leiga, tenho dificuldade de entender tudo que é cantado.
nmão teria como vcs me enviarem as letras das cantigas?


Obrigada!

Yan Kaô (Obashanan) said...

Ô Jade, escreve prá gente, vamos ver o que podemos fazer, pois estamos um pouco sem tempo. Mas tem um livro excelente da Editora Pallas, chamado Jameberesu - as Cantigas de Angola, onde você encontra as letras de quase todos os pontos desse disco.

Auêto!