Friday, June 08, 2007

Alaiandê Xirê - 2006


Gravações realizadas no terreiro Mansu Banduquenqué, o Bate-Folha, em Salvador-BA, em dezembro de 2006. Foram gravados vários templos do Brasil e de Salvador que lá se apresentaram, tais como o próprio Bate-Folha, Axé Opó Afonjá, Casa Branca, terreiros do Maranhão, o Tumba-Junçara, Alabês FTU e Alabês de Pai Tauá.
Fotos: Vivian Lerner.

Alabê da Casa Branca

Há oito anos que os tambores batem forte num espaço dedicado especialmente a eles. O Alaiandê Xirê foi criado por um grupo de membros do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, que sediou todas as edições do evento até o ano de 2005. Sua intenção é permitir o entrosamento de músicos especializados nas diversas nações culturais procedentes da África na diáspora brasileira, que vêm contribuindo na formação da música popular.



Cléo Martins e Roberval Marinho, criadores do evento


O ALAIANDÊ XIRÊ - Festival Internacional de Alabês, Xicarangomas e Runtós reúne os melhores músicos sacerdotes: cantores e tocadores de atabaques da Bahia, do Brasil e, também, de diferentes regiões do exterior. As exibições de alguns virtuoses do universo cultural dos Orixás, Voduns e Inquices atraem centenas de pessoas de múltiplos interesses que vêm participar do ALAIANDÊ XIRÊ - já reconhecido e sedimentado na cidade do Salvador, no Brasil e alguns paises da diáspora africana.





Congá principal de Bate Folha - parte superior





Congá principal do Bate-Folha - Parte interna


A partir de 2006, o festival tornou-se itinerante. A decisão de mudar a sede do encontro foi resultado da necessidade de ampliar sua abrangência. O terreiro Mansu Banduquenqué, conhecido como Bate-Folha, foi escolhido, sobretudo, por conta da amizade entre o fundador do Bate Folha, Pai Ampumandezu (Manuel Bernardino da Paixão) e mãe Iani, fundadora do Ilê Axé Opô Afonjá. "A escolha do terreiro Bate-Folha, além de casar com os seus 90 anos de existência, tem este aspecto mais que simbólico como se fosse a celebração desta amizade entre os dois", afirma a escritora e uma das fundadoras do Alaiandê Xirê, Cléo Martins, também apresentadora do festival, por sinal, excelente, conduzindo o evento com maestria, simpatia e profissionalismo exemplares.



Data de fundação do Bate Folha - Entrada do templo.




Tata Ampumandezu - fundador do Bate Folha


Neste ano (2007), provavelmente a sede do Alaiandê será no Ilê Axé Iya Nassô Oká, a Casa Branca do Engenho Velho, um dos mais antigos templos do Brasil, Com a abertura – no dia 01/12/2006 - da nona edição do Festival Alaiandê Xirê, o tradicional Terreiro do Bate-Folha, na Mata Escura, transformou-se, no ponto de encontro dos sacerdotes músicos das três nações de candomblé, queto, angola e jeje e também da umbanda, pois no ano de 2006 ela foi representada pela primeira vez com a presença da FTU.


Tata Mulandurê, atual mestre do Bate-Folha


O evento, que tem o objetivo de congregar as diversas religiões de matriz afro-brasileira, reúne, de maneira festiva, os mestres tocadores dos ritmos africanos - alabês (queto), xicarangomas (congo/angola) e runtós (jeje). Além do caratér musical, o Alaiandê Xirê, que pela primeira vez acontece em um terreiro que não o Ilê Axé Opô Afonjá (em São Gonçalo do Retiro), também reuniu pesquisadores de temas ligados aos cultos afro-brasileiros. O festival foi aberto com a exposição Fogo que fica, da artista plástica Suzana Duarte, que homenageia os inquices, as divindades da natureza cultuadas pelo povo de candomblé angola. O maestro Fred Dantas iniciou o evento com sua banda marcial, executando músicas com temáticas de terreiro.



Maestro Fred Dantas e bandinha Alaiandê

Na abertura, foram saudados os Nkices com os Xicarangomas do Bate Folha, principalmente Bamburucena e Kitembo, os patronos da casa. A seguir foram saudados os Orixás com os alabês do Axé Opô Afonjá, que entoaram cantigas de permissão para o bom andamento do evento.


Xicarangomas do Bate-fôlha. Em especial este senhor: o Xicarangoma Dedé! Surpreendente. Toca com suavidade e sensibilidade, reconhecendo o tambor como um sagrado ser vivo. Canta maravilhosamente, às raias da emoção. História viva!!

A atriz Chica Xavier deu um depoimento a respeito da história do evento. "Para mim, é sempre uma honra participar deste evento, que antes de tudo significa uma celebração entre os povos de candomblé. Acho que este ano ele ganha mais significado com a sua realização num terreiro histórico como o Bate-Folha" Ao saber da presença da FTU no evento, declarou-se umbandista: “Sou umbandista!! E é de extrema importância o surgimento de uma Faculdade para o povo do santo”, afirmou a atriz. Ao final, ocorreu a apresentação da banda Canjerê de Sinhá.


A atriz Chica Xavier e marido


Alaiandê Xirê significa, em língua iorubá, "festa do mestre tocador". Alaiandê serve também como epíteto do orixá Xangô, que rege o evento. De acordo com a mitologia da religião dos orixás, Xangô é o mestre tocador, o maior dentre todos os tocadores e dançarinos de batá, um toque ritual em sua homenagem – Batá ainda é na África e em Cuba, o nome de um tambor consagrado a este orixá. Segundo alguns mitos, Ayom, o orixá do tambor era filho de Xangô e Oyá.


Obashanan e Mameto Guanguacessy


Membro do terreiro Alaketu, Florivaldo Cajé coordenou a primeira mesa-redonda do dia 02/12/2006: “Bate-Folha, o Mansu Banduquenqué: 90 anos de resistência”. "A intenção da mesa-redonda é discutir e redimensionar a importância histórica do terreiro do Bate-Folha, que é um dos mais tradicionais da Bahia", afirmou Cajé.




Este é um verdadeiro Mestre tocador de Rwm. É o Alabê Edvaldo, da Casa Branca do Engenho Velho. Esse homem é um absurdo, toca muito, com seriedade, respeito e devoção ao seu instrumento!! Um dos melhores que já vi! Quem está com Edvaldo no fundo é Ogã Guelê do Axé Opô Afonjá.

Não podemos deixar de registrar a presença do professor Ângelo Mário do Prado Pessanha, o pai Alayedã, que em sua preleção colocou com maestria muitos pontos importantes para a religiosidade brasileiraLogo após, houve a exibição das delegações de alabês, xicarangomas e runtós. Além dos grupos dos terreiros de Salvador, como a Casa Branca, houve a presença de outros vindos do Rio de Janeiro, de Recife e de São Paulo. Foi aberto o espaço para a Umbanda, onde Obashanan apresentou alguns toques e pontos cantados e discursou sobre a FTU e o CONUB como de importância histórica e fundamental para todo o povo do santo. Além da FTU também esteve presente o templo umbandista do Vale do Sol e da Luz, do pai Luís.



Obashanan representando a Umbanda

A confraternização maior aconteceu quando foram entoados pontos louvando-se os Caboclos – o Orixá do Brasil, segundo as autoridades das diversas nações presentes ao evento. Carregando a bandeira do Brasil, todos, unidos, cantaram emocionados para esta entidade que é unanimidade em qualquer templo, mostrando que o astral está em todo e qualquer terreiro através desses nossos mestres da Umbanda.

A bandeira brasileira...


... sendo carregada por todas as nações quando da louvação aos caboclos.


Xicarangoma Xuxuca, um dos maiores do Brasil


No dia 03 outra mesa-redonda realizou-se cujo tema foi: “a origem dos povos bantos” e uma nova apresentação de delegações apresentou-se à tarde, com especial destaque para Pai Tauá, da raiz Angola, numa apresentação maravilhosa, mostrando um conhecimento absolutos dos cânticos Bantu, com Xicarangomas absolutamente impecáveis, próximos da perfeição e conseqüentemente, da espiritualidade.

Completos... perfeitos... impecáveis! Xicarangomas de Pai Tauá.


Filhas do Bate Folha saudando Inkices ao som dos Xicarangomas de Pai Tauá

Friday, June 01, 2007

O Rei do Candomblé - Joãozinho da Goméia - 1969


Capa original do LP 1969.


Capa do LP relançado em 1987.


O Rei do Candomblé – Joãozinho da Goméia – (LP – Fermata /Cáritas – 1969)

1. Bombogira; 2. Pemba; 3. Oxossi; 4.Caiaia; 5. Ogun; 6. Xangô; 7. Pavão; 8. Vou me embora pro sertão; 9. Sou da Mina da Santé. 10. Pedrinha; 11. Saudação a Logunedé; 12. Oxum;


Produção Artística: A . Schneider;

Produção: Todamérica;

João Alves Torres Filho Nasceu em 27 de março de março de 1914, na cidade de Inhambupe, Bahia. Filho de Pais católicos, chegou a ser coroinha. Ainda menino, descobriu o mundo dos Orixás e dos Caboclos; em 1924, aos dez anos, deixou a casa dos pais e foi para Salvador, onde trabalhou em um armazém. Lá conheceu uma mulher que considerava como sua madrinha; ela o levou pela primeira vez a um candomblé, o terreiro de Severiano Manuel de Abreu, o lendário Jubiabá, citado por Jorge Amado em uma de suas obras. Foi iniciado na nação Angola no dia 21 de dezembro de 1931. Foi um dos mais famosos Babalorixa´s do Brasil entre as décadas de 1940 a 1960. A rua Goméia, onde fundou seu primeiro terreiro no bairro de São Caetano, na Cidade Baixa de Salvador, lhe deu o sobrenome que carregou durante toda a sua vida. Sua fama atingiu todo o país quando se mudou para a cidade de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Desde sua chegada ao Rio, em 1946, o município da Baixada Fluminense tornou-se um grande divulgador dos cultos afro-brasileiros, com a popularização de inúmeros terreiros de Candomblé.



Joãozinho da Goméia foi um dos mais importantes e polêmicos divulgadores do Candomblé nos anos 60, fazendo da mídia e das artes seus grandes aliados. Faleceu em 19 de março de 1971, em São Paulo. Foi enterrado no cemitério de Duque de Caxias. O disco em questão é um clássico absoluto, onde pontos de raiz da nação angola se encontram com pontos tradicionais dos cultos da encantaria. “Pedrinha miudinha”, “Vou-me embora pro Sertão”, “Bombogira” são conhecidíssimos graças a este disco e são entoados até hoje, tanto em terreiros do Brasil inteiro como por artistas como o Cordel do Fogo Encantado e Rita Ribeiro.


Para ouvir a faixa 4: "Caiaia", clique abaixo:

Monday, May 28, 2007

Rádio Ayom: a Música Umbandista, só aqui!!


Como podem ver, retiramos das postagens os exemplos das faixas, pois a hospedagem estava com problemas. Criamos uma rádio virtual, a Rádio Ayom aí do lado. Ela começa a tocar ao clicar no botão de play. Selecionamos quase 4 horas de música de terreiro em todas as suas vertentes e origens prá você ouvir enquanto navega aqui pelo blogue. A cada postagem, vamos procurar atualizar. Deu um trabalhão, mas espero que gostem!!

Um saravá profundo a todos...

Sunday, May 06, 2007

A história da Revista Umbanda – Uma Religião Brasileira – Parte I

Nos idos de 1993, há exatamente 14 anos, dávamos um passo importante dentro de nossa caminhada espiritual: uma série de apostilas onde compilamos assuntos importantes para a corrente mediúnica do terreiro em que freqüentávamos, subitamente transforma-se na primeira revista exclusivamente de Umbanda da história brasileira. Por essa época havíamos deixado de freqüentar o templo em questão e havíamos acabado de colocar nossa vestimenta branca na corrente da Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino.

Mestre Arapiaga ao ver as apostilas disse-me: “William, acho que essas anotações podem virar algo muito maior...”. Não havia lhe contado ainda, mas estava com o contrato fechado com a Editora Pen para a publicação do material e havia ido à Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino naquele dia, exatamente para pedir-lhe permissão para publicar alguns itens que havia retirado de suas obras. Na verdade, expliquei-lhe que a idéia da revista era realizar uma ponte onde todas as formas de umbanda pudessem conviver harmoniosamente, encontrando pontos de contato em suas semelhanças. Dez anos mais tarde nosso amigo Marques Rebello retomaria a idéia com a Revista Espiritual de Umbanda.

Contei-lhe então do contrato, e com sua experiência, alertou-me: “você sabe a briga que vai comprar, meu filho?” “Acho que não imagino, meu mestre, mas estamos aqui para trabalhar e obedecer vossa vontade e a vontade do mundo astral.” Respondi.

“Faz o que tem de fazer. É sua missão. Essa revista vai trazer muita gente para a Umbanda, mas o submundo encarnado e desencarnado vai vibrar negativamente para que você se perca no caminho, pois já sabem da existência dela e vão fazer de tudo para que a luz dessa publicação se apague. Mas nada tema. Estou com você e todo o astral também. Vá à luta!”

E assim fomos, convictos da seriedade de nossa tarefa, embora não soubéssemos nem a metade das dificuldades que teríamos. E talvez tenha sido melhor assim, pois a inocência quase sempre nos livra do desânimo e nos faz focar a visão nos objetivos principais. A revista saiu em maio de 1993, depois de uma série de dificuldades, tais como doenças no pessoal da produção, assaltos na editora e até dois incêndios em duas gráficas diferentes!! Uma primeira prensagem de 2000 exemplares só foi possível – haviam previsto uma tiragem inicial de 4000 – porque o Márcio, o editor da Pen era um homem de fibra e lançou a revista tão logo ficou pronta, não quis nem saber quantos exemplares haviam sido prensados. Foi impulsionado pela vontade de ver a coisa acontecer e ela aconteceu: a revista foi um sucesso tão grande que o Márcio mandou prensar logo mais 6000 exemplares. Não houve recolhimento da primeira nem da segunda prensagem, a vendagem ficou em praticamente 100% e desde esse primeiro número, o número experimental, o mercado editorial e as “majors” da imprensa da época cresceram o olho no produto e começaram a se preparar para explorarem o filão.

E nisto a revista Umbanda – Uma Religião Brasileira (em seu número "0" trazendo o nome "Introdução à Umbanda") foi também pioneira, pois ninguém, até aquela época havia se arriscado a publicar alguma coisa, nem um folhetim em distribuição nacional, que falasse de Umbanda, Macumba, Candomblé ou religiões brasileiras, pois o preconceito era gigantesco e o público umbandista muito mais acanhado do que atualmente. Aquela era uma época simples, em que as revistas não possuíam a sofisticação gráfica e tecnológica de hoje. Foi lançada em preto e branco, com ilustrações no lugar de fotos, mas agradou tanto que uma outra editora, a Editora Escala – hoje uma das maiores editoras do Brasil - nos procurou com uma proposta mais abrangente em termos de distribuição e qualidade técnica. Como o Márcio iria mudar de ramo e fechar a Pen, nos transferimos para a Escala, onde entramos numa nova fase, de muitas lutas, físicas e astrais, onde finalmente percebi o que um iniciado umbandista enfrentava nos bastidores do terreiro...

Monday, April 30, 2007

Notas sobre o Ayom - Parte I - O Ayom


Do seio de Olodumare, dentro do Orún, estão os Imolés (a palavra Imolé significa LUZ, BRILHANTE) do qual emanam 400 consciências denominadas de direita, os Irùnmòlés, palavra que significa "Concebidos com a luz do Orún", espíritos que não nasceram e nem morreram na Terra, pois são fonte original da luz espiritual. São chamados Orixás e se agrupam em 200 casais. Também emanam 201 consciências da esquerda chamadas Igbàmòlé, que significa "Os que guardam a luz" (igbá – Cabaça, enquanto substantivo; enquanto numeral, significa 200). Estes 200 espíritos foram responsáveis diretos pela implantação da evolução em nosso planeta e pelo despertar da humanidade, rumo à civilização. São os tradutores, filhos dos 200 casais de Irúnmolés e são mais conhecidos como Eboras. Dentre eles estão Xangô, Obaluaiê, Ossain, Oyá, etc...

A primeira categoria, a dos Irunmalés, por surgirem de dentro da luz de Olorum foram chamados de “FUN-FUN”, os Senhores do Branco e são potestades extremamente antigas, a maior parte quase esquecidas. Oxalá é o mais conhecido dentre eles, mas existem muitos outros, praticamente desconhecidos no Brasil. Dentre eles podemos citar Ifá (o destino) Irawó (as estrelas), Oshupá (A lua), Orun (o céu), Ori (a mente), Agba Lodé (A imensidade do espaço) e em especial o Ayòón POOLO (ou Ayan), a Senhora da Música.



Representação do Ayom num tambor nigeriano

Um desses “FUN FUN”, chamado Órúnmílà (que se traduz como "Só o céu conhece os que se salvaram"), é considerado o primeiro profeta que passou pela Terra para trazer os ensinamentos de Olodumare. Trouxe o conhecimento cósmico, através da Antiga Sabedoria de Ifá, que descreve, num de seus textos, as origens dos primeiros momentos do Universo, o despertar da Gênese por intermédio de AYOM, o Movimento Pontual, a Eternidade no Momento, as Eras, ou o Eterno Sacrifício. Conhecido em várias culturas com praticamente o mesmo nome (Ayom ou Ayan para os sudaneses, Aña para os cubanos, Mooyo para os Bantu, Y-Om Ahed para os Judeus, Aum para os Hindus, Eon para os gregos, etc), Ayom é a potestade que encerra alguns dos maiores mistérios da profunda iniciação, pois está ligada a praticamente todo o sistema de equilíbrio das divindades, estando presente no começo e no fim do mundo, atuando na ritualística de todos Imolés. É o espírito da Música e segundo os mitos antigos, morava dentro do tambor no princípio dos tempos.

Quando os homens começaram a fazer a guerra, foi libertado por Xangô, que utilizando seu machado, cortou os tambores batá (antigos tambores de duas peles, ainda usados em alguns cultos) ao meio, fazendo surgir os tambores de uma só pele. Ayom é a entidade que ensinou os homens a falar, a cantar e a preservar e viver a música como fonte de equilíbrio e estabilidade. Por isso hoje, os raros sacerdotes iniciados nos mistérios de Ayom firmam sua força através de um saquinho ou uma cabaça, preenchidos com seus fundamentos que fica fixado dentro ou fora do tambor, o qual produz um som peculiar quando se choca com as paredes do casco. Um tambor bem preparado é um verdadeiro ser vivo, e quase sempre o espírito de Ayom quando se manifesta nele, induz o Alabê a executar ritmos extremamente hipnóticos e complexos, pois os tambores chegam a “falar” sozinhos.
Quando o fundamento (afobô) de Ayom é fixado no tambor o instrumento é chamado de Eléèkóto. O ritual de consagração inclui a pintura do tambor com a assinatura de Xangô. Eléèkóto é representado por uma miniatura de tambor que não pode ser tocada, pois está representando o assentamento do Ayom na Terra. O tambor batá é um dos instrumentos onde o Ayom pode ser assentado, embora todo e qualquer tambor pode passar por sua consagração. O tambores Ayom das tradições mais antigas são cônicos e não em curva como os batás, mas o que importa é o poder que o instrumento adquire de invocar, curar e até mesmo matar, dependendo do ritmo que se percute, por isso é uma iniciação para poucos, pois o mito do Ayom é bem claro: a música jamais será usada para a guerra!



Otun Alabê com Tambores consagrados e bastão ritualístico de comando.
O preparo de um tambor para Ayom requer muitos cuidados dentro da magia, pois desde a construção até a preparação, são utilizados diversos materiais para a consagração, que vão do azeite ao mel, elementos de alguns peixes e resinas de árvores. Um especial cuidado com as tiras que prendem o couro, com elementos diferenciados e polêmicos são indispensáveis. Normalmente afina-se os tambores próximos a nota Lá.
Os fundamentos do Ayom são conhecimentos que estão praticamente perdidos e são rarísimos no Brasil os iniciados nestes mistérios...

Wednesday, April 04, 2007

Curso de Formação em Música Umbandista

A Faculdade de Teologia Umbandista abre seu Curso de Extensão em Formação em Música Umbandista. Aulas Semanais aos sábados. Abaixo o cartaz de divulgação e o vídeo.

Inscrições na Av. Santa Catarina, 400 - São Paulo - SP

(011) 5031-8852 e (011) 5031-8110





Umbanda Força e Magia: Baiano - 2000


Umbanda Força e Magia: Baiano – CD – (2000-TBS produções) – 1. O Baiano; 2.Lapa do Bom Jesus; 3.Povo Baiano; 4.Baiano Bom; 5.Da Porta prá fora; 6.Dendê no Balaio; 7.Mironga no Conga; 8.Baiano Trabalhador; 9.Ladeira Abaeté; 10.Uma Vela acesa;

Vado Tombensi e Ogãs Einei, Marcelo, Osvaldo, João Luis e Eduardo, com coro de Camila, Conceição, Cidinha, Fátima, Nete, Gabriela e Tânia.

Muita gente já me falou mal da TBS, dizendo que os discos são mal-gravados, que existe algo de estranho em alguns deles, no caso dos toques de atabaques (as pessoas não me souberam explicar a estranheza e eu fui ouvir: na verdade, em algumas produções de candomblé Keto e outros, a TBS usa como fundo dos toques outro cd, o Rwm aos orixás, ou seja, o que ouvimos, na verdade é um karaokê de pontos). Mas justiça seja feita, vou dizer a todos que o trabalho da TBS pode pecar na produção, mas não peca no resgate dos pontos que foram gravados. É uma das poucas gravadoras nos dias de hoje a investirem na música do santo e isso deve ser respeitado. No caso deste disco não fazem feio, embora o coral esteja um pouco inseguro e desafina em algumas horas. Dá prá perceber, infelizmente que os toques dos atabaques são sempre os mesmos, o que nos leva a duvidar se os ogãs realmente tocaram, ou se aproveitaram as gravações de outro trabalho. Mas os pontos são bonitos, alguns já clássicos e o Vado canta muito bem. São só dez pontos, o que nos faz até querer mais. Agora, quanto a capa, sinceramente...

Para ouvir a faixa 8, "Baiano trabalhador", clique abaixo:

Tuesday, March 20, 2007

Fogueira de Xangô - 2005




Fogueira de Xangô – CD – (Pallas – 2005) 01.Bata; 02.Alujá; 03.Tonibobé/Kakaká-Umbó; 04.Oba Kawabá; 05.Ó niiká, Ó niiká; 06.Oba irá l’oko; 07.Béè ni je; 08.E ní pá léèrin; 09.Imo wá; 10.Àwa Dupé; 11.A dúpé; 12.Fé lê; 13.Sángbá; 14.Óni Dada; 15.Dada má sokun; 16.Báyànni gidigidi; 17.Fura ti na; 18.Ibá Orisá; 19.Òrán in; 20.Oba Sérée la fèhinti; 21.Eye Kékéré; 22.Airá ójo; 23.A niwa Wure; 24.Olowó; 25.Omo asiko bere; 26. Ago l’óna e; 27.Oba ní sà; 28. Máà inón; 29.Aláàkóso; 30.A sín e doba àra; 31.Aira ó lê lê; 32.Airá ó, ore géde; 33.Gbáà yíì l’àse; 34.Sàngó e pa; 35.Fírì ínón; 36. Barú; 37. Àjàká; 38.Àjáká òkè; 39.Ò be ri ò; 40. Aé aé ó gbé lê; 41.Agonjú; 42.Káwòóo; 43.Oba sérée; 44.Kíni ba; 45.Áwúre lê; 46.Ó fi làbá; 47.Ó jigón; 48.E ki Yemonja; 49.Oba sà rewà; 50.Sòngó to; 51.Ké kikì; 52.Kàtà-Kàtà; 53.Ògúm ní; 54.E ka máà ro; 55.E iyá kékéré; 56.Yemonjá sàgbàwí; 57.Oya kooro; 58.Odò hó; 59.Dá ní a padá; 60.A ri ide; 61.òsun e lóòla; 62.Yèyé yé olóomi ó; 63.Ayaba balé; 64.Ìyá do sìn; 65.Igbá Ìyàwó; 66.Oba e’léékò; 67. Ìtí wéré; 68.Oní sé a àwúre; 69.Ajagùnnòn; 70.Òrìsà oore;

Denílson dos santos Silva, Luiz Gustavo da Conceição, Raimundo Santa Rosa, Uaraçari de C. Pinto: Atabaques Run, Rumpi, Lê e Agogô; Coro: Ana Moreno, Bete d’Oxum, Cláudia Moraes, Dil Fonseca, Marcos Sacramento, Marilza Torres, Marlene De Lufan; Solo Vocal: M. Lúcia da Silva;

O que dizer de uma obra perfeita? José Flávio Pessoa de Barros conseguiu fazer o que ninguém nunca quis ou conseguiu: dar a atenção devida e respeitosa para a música de terreiro, esta matriz importante de sentimentos e dimensões que geraram e guardaram a força do povo brasileiro, seja nas igualdades sociais, seja na origem das manifestações artísticas de nosso povo. Livro e disco são excelentes, surpreendentes e corretíssimos na história e na descrição de cantos e toques, seja na reprodução da língua, seja na transcrição das partituras.
No livro, o autor explicita os procedimentos para a festa em homenagem ao orixá Xangô em suas várias etapas: preparo, bebidas e pratos festivos, mitos, danças, cânticos, etc. No cd, a mágica de músicos excelentes, envolvidos com a proposta e com a espiritualidade. O autor percorreu vários terreiros do Rio de Janeiro e ao perceber a falta de registro sobre os fundamentos da doutrina, resolveu escrever esta obra.
O desvendamento da estética de uma cultura é tarefa extremamente sensível. Palavras não são suficientes para descrever certas realidades e aí o discurso cede lugar à sensibilidade para atingir seu objetivo: este livro/cd é um maravilhoso presente à história brasileira, do mundo e da arte. Obrigatório.

Para ouvir a faixa 68, "Oní sé a àwúre", clique abaixo:



Tenda de Umbanda Folha Verde e Zé Pelintra - ?

Tenda de Umbanda Folha Verde e Zé Pelintra – LP – (?-Conselho afro-produções artísticas) – 1.Chamada de Zé Pilintra; 2.Morada de Zé Pilintra; 3.Zé Pilintra, o rei da boemia; 4.Mulher-mulher; 5.Cidade das Torrinhas; 6.Limoeiro de Zé Pilintra; 7.Zé Pilintra Abalou CC. 8.Zé Pilintra vem de Alagoas; 9.Boêmio Zé Pilintra; 10.Mestre Zé Pilintra; 11.Seu Doutor; 12.O mestre na mesa; 13.Subida de Zé Pilintra;

Tenda de Umbanda Caboclo Folha Verde e Zé Pilintra, com Babalorixá Bené de Ogum, e alabês. Este é um disco especial para este que vos escreve, pois o primeiro e o quinto pontos do disco eram cantados por nossa avó, índia guarani que fazia um culto de encantaria em nossa infância. Ela não usava as cantigas para invocar seu Zé Pilintra, mas as melodias são praticamente as mesmas. E o disco também é especial porque é muito bom: bem gravado, bem captado, simples, apenas dois atabaques, tocando em Toruás e Cabulas suaves, o coral afinado e o Bené de Ogum cantando muito bem com seu sotaque nordestino. Infelizmente (como sempre), não há informação alguma no disco além do nome das músicas.
AH, ESPECIALÍSSIMO, ESTE DISCO, POIS É A CENTÉSIMA POSTAGEM ESPERAMOS CHEGAR AOS TANTOS 18900 QUE FALTAM!!!! E SALVE O ZÉ PILINTRA!! SARAVÁ!!

Para ouvir a faixca 08, "Zé Pilintra vem de Alagoas", clique abaixo:

Toques, cantos e saudação aos Orixás Nação Keto com Luiz da Muriçoca - 1968

Toques, cantos e saudação aos Orixás Nação Keto com Luiz da Muriçoca – LP – (Musicolor –1968) 01.Xangô; 02.Iansã; 03. Iemanjá; 04.Ossaim; 05.Alujá; 06.Babalorixá; 07.Saudação a Exu; 08.Saudação a Ogun; 09.Saudação a Oxossi; 10. Logunedé; 11.Obaluaiê; 12.Obaluaiê2; 13.Obaluaiê3;

Luis da Muriçoca tem esse nome porque seu terreiro localiza-se no Bairro da Muriçoca, em Salvador. Sua linhagem vem do Gantois e do rito nagô de Pai Virgílio de Alves Assis. Neste disco Luiz da Muriçoca entoa alguns cânticos bem conhecidos do povo de santo. Os alabês são corretos, embora executem quase sempre o mesmo toque. O coro é bem afinado e Luis da Muriçoca canta bem ao estilo das nações mais antigas.

Para ouvir a faixa 09, "Saudação a Oxossi", clique abaixo:

Monday, March 19, 2007

Sarava Ogum – Série dos Ogans -1977

Sarava Ogum – Série dos Ogans – LP – (CID – 1977) 1. Chamada de Ogun/Pisa na linha de Umbanda/Pisa no Reino Cangira; 2.Ogun é pai de todos/Louvação a Ogum Beira Mar/Ogun Sete Ondas; 3. Louva cão a Ogum Dilê/Ogum Dé; 4.Ogum rompe Nuvens/Ogum Timbiri/Louvação a Ogum; 5.Ogum de Guia/Deixa a Gira Girar/Vencedor de demandas; 6.Ogum Oiá/Ogum Guerreiro/Coroa de Ouro; 7.Popologundê/OgumDakê/Ogum Megê; 8.Ogum Vai ao Ló/É madrugada/Seu Cavalo selei/Imagem de Ogum;

O centro espírita Obreiros de Oxalá foi o responsável pela direção musical deste disco, que conta com cantigas de raiz, adaptadas por músicos profissionais num formato radiofônico, com coro e percussionistas muito bons. A cadência, como sempre, é voltada ao samba e existe sempre a tentativa de recriar a atmosfera de terreiro através de saudações coletivas decoradas. Mas o disco é muito bem gravado, com os instrumentos muito bem equilibrados no estéreo. Há a presença de atabaques, congas, bongôs e afuxés e agogôs de metal e de madeira. Um bom disco.


Para ouvir a faixa 01, "Chamada de Ogun", clique abaixo:


Thursday, March 08, 2007

Oferendas a Oxossi - Prov. 60/70

Oferendas a Oxossi (LP – A Universal/Cáritas/Provavelmente anos 70 com gravações dos anos 60);1. Bambolê Olé Olá; 2.Andorinha voou; 3. Saudação à Maria Baiana; 4. No Amazonas; 5. Sultão das almas; 6. Lua bonita; 7. Cabocla Jurema; 8. Relampeou; 9. Caboclo Boiadeiro; 10. Seu Tangaraí; 11. Clarão da Lua; 12. Serra Negra; Iluminou a Aruanda;

Não há informação alguma no disco, no que se refere ao terreiro, data de gravação, etc. Mas o que se ouve são terreiros legítimos, pureza e espiritualidade expressas no canto e no toque. Pelo menos um dos templos é a tenda de Umbanda Nossa Senhora Aparecida, presente em outros discos da Cáritas. Tudo muito simples, gravações feitas com captação direta, e sem exceção percebe-se muita alegria em todas as pessoas que cantam. A maior parte dos toques é em Cabula e Toruá, e pelo menos dois dos terreiros são fortemente influenciados pela encantaria amazônica. Todos os pontos são de raiz, com evidentes variações regionais nas letras. Um disco excelente, para quem quer ouvir cantos legítimos de umbanda, sem maquiagens de estúdio. Um disco emocionante, quase comovente, pela lembrança de uma umbanda que está desaparecendo.


Para ouvir a faixa 6, "Lua Bonita", clique abaixo:

Wednesday, March 07, 2007

Mantras Primevos de Umbanda - 2000


Mantras Primevos de Umbanda – CD – (OICD – 2000) – 1. Mantra Primevo do Ombhandhum; 2. Mantra de Permissão aos sete Arashas; 3. Vozes da Natureza; 4. Mantra do Par Vibratório Primevo; 5. Mantra em Tributo a Yemanjá; 6. Mantra de Exaltação ao Arasha Yorima; 7. Sons do Infinito; 8. Mantra ao Par Tântrico Yorima; 9. Tributo a Hauanauara; 10. Mantra de Permissão aos Mestres Tântricos; 11. Penetrando no Inconsciente; 12. Rito de Permissão a Mestre Arashamanan para executar os mantras, tantras e yantras; 13. Mantra de Louvação ao Tembetá; 14. Nos pés de Essuia; 15. Mantra de Purificação dos elementos; 16. Filhos da Terra; 17. Mantra tributo a Yamunisiddha Arhapiagha;

A Umbanda é um território vastíssimo em sua composição religiosa, musical e social. Nela existem vários tipos de manifestações que se interpenetram e se comunicam num exercício poucas vezes visto na religiosidade, onde rituais completamente diferentes convivem uns com os outros em harmonia. Ser diferente não significa ser desigual e muito menos antagônico. Assim, a Umbanda vai da periferia ao centro de sua própria manifestação, abarcando e reconstruindo sempre com inovação e propriedade os ritos que dela se originam, pois o sincretismo é a primeira maneira de se fazer síntese e síntese é a procura do melhor na mistura de diferentes concepções. Este disco pode soar estranho para aqueles mais acostumados com os pontos cantados e com os toques clássicos de atabaques. Mas é um disco profundo, de grande impacto sobre o espiritual de qualquer pessoa, atemporal e universal, pois foi amplamente vivido dentro do templo antes de ser gravado. Baseia-se nas questões teogônicas dos mistérios da palavra, da coroa do verbo e encontra-se com a ancestralidade de todas as raças, livre das algemas das línguas regionais. Histórico por seu ineditismo. Polêmico pela proposta é, acima de tudo, um disco repleto de amor e felicidade. Foi gravado no templo da Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, com seu corpo mediúnico reunido. Na parte percussiva, embora não conste no encarte, os dois alabês da OICD e integrantes do grupo Kangoma, José Roberto Silva, o Yamatiara e Yan Kaô, o Obashanan.

Para ouvir a faixa 15, "Mantra de Purificação aos elementos", clique abaixo:

Sunday, March 04, 2007

Na Gira dos Caboclos - 1974

Na Gira dos Caboclos – LP – (Alvorada – 1974) – 1-Oxossi Rei da Mata; 2-Caboclo Pena Branca; 3-Salve a Cabocla Jurema; 4-Caboclo Tupinambá; 5-Caboclo Flecheiro; 6-Na Gira dos Cabcoclos; 7-Cadê Vira-Mundo; 8-Caboclo Sete Flechas; 9-Oxossi Sete Flechas; 10-Oxossi da Mata; 11-Caboclo Venceu; 12-Seu Pena Branca; 13-Cabocla Jurema;
Este é o disco campeão dos umbandistas! Não me lembro de ninguém na banda que não tivesse este LP em sua casa, seja em fita cassete ou em bolachão. E muitos terreiros o tinham estrategicamente guardado lá atrás do peji, quando tinham o azar de não terem presentes nenhum alabê ou atabaqueiro em suas giras. Pois tal problema gerou uma das maiores distorções dentro do mundo dos terreiros: o de se colocar música de terceira geração sonora para se fazer rituais. É comum ainda hoje terreiros colocarem discos ou cds e dispensarem o canto, as curimbas e os atabaques ao vivo. Todos os pontos são de raiz, de escolas umbandistas diversas, recebidos e inspirados anonimamente em terreiros, mas que foram registrados pelos “autores”: Avarese, J.Barroso, Alberto Paz, Cezar Cruz, João Ferreira, Sidney da Conceição, J.B. de Carvalho, Rubem Brasil, Neusa Lino, Dias da Cruz, Geraldo Gomes e Armando de Carvalho; Uma capa muito bonita é atrativa principalmente para os gringos, que vêm ao Brasil comprar este disco, como um alvo preferido, para misturarem em suas mixagens de tecno, trance e jungle, o que faz os donos de sebo pedirem um preço absurdo por ele, já que nem chega a ser tão raro. O disco é muito bem gravado, com coral profissional de estúdio (evidentemente a gravadora não dá o nome dos músicos), todos os pontos tocados em Congo de Ouro e Cabula, num arranjo que revela a claríssima ponte entre o samba e a macumba. Atabaques, um agogô e um surdão fazem a parte rítmica, com percussionistas muito bons. Um disco clássico.

Para ouvir a faixa 07, "Cadê Viramundo", clique abaixo:


Saturday, March 03, 2007

A Umbanda sem segredos

Em 1968, a revista Enciclopédia publicou uma matéria de 14 páginas da jornalista Zora A. O. Seljan, "Os deuses que vieram da África". Um irmão nos mostrou a revista e ao lermos a reportagem, ficamos supresos como em outros tempos a umbanda era muito mais compreendida do que hoje. A matéria, muito boa, mostra, talvez pela primeira vez a unidade da umbanda enquanto religião brasileira, unindo em seus vários braços de manifestação os Candomblés, Catimbós e outras manifestações da religiosidade brasileira, além do que a matéria em momento algum é tendenciosa ou irônica, tratando o fenômeno umbandista com a seriedade e importância que o tema merece. Abaixo, a matéria, página à página.

















Umbanda - Sylvano Alves - Prov. 60/70

Umbanda – Sylvano Alves – LP – (Nortson - Provavelmente anos 60/70) –1.As Criancinhas; 2.Negro velho; 3.Pena Branca; 4.Todos os Baianos; 5. Salve Yemanjá; 6. Filho de Oxalá; 7.Divino Mestre; 8. Quizumba; 9. Tranca Rua; 10. Pomba Gira; 11. Paz no Conga; 12. Despache;
Todas as composições são de louvação, não há nenhum ponto de raiz. Composições de Baianinha, A. Bittencourt, J. Rangel, E. Bispo, Adailson, S. Alves, J. Aldo, Jorge Rangel, F. Costa, V. silva, Caçula. Um disco com produção simples, sem qualquer sofisticação para um disco de louvação. Sylvano Alves as vezes não chega no tom, mas canta com vontade. Um violão e os vocais de fundo trazem um clima de música sertaneja antiga. Um só atabaque, um chocalho e um agogô fazem a parte percussiva.
Para ouvir a faixa 11, "Paz no Congá, clique abaixo:


Thursday, March 01, 2007

Gira da Umbanda - 1979


Gira da Umbanda – LP – (Cid – 1979) – 1- Exaltação a Exu; 2 - Oxossi das Sete Giras; 3 –Ponto do Caboclo Araúna; 4 – Ponto do Caboclo do Sol e da Lua; 5 – Ponto do Caboclo Urubá; 6 – Ponto do Caboclo das Três Montanhas; 7 – Ponto do Preto Velho Pai Caetano; 8 – Ponto do Vovô Sete Estrelas; 9 – Ponto de Xangô Alafim; 10 – Ponto de Xangô Jurema; 11 – Ponto de Crispim e Crispiniano; 12 – Ponto de Ogum;
Com uma produção extremamente profissional, a Tenda espírita São Sebastião do Rio de Janeiro gravou um disco onde os pontos são de louvação, compostos pelos compositores Joaquim de Albuquerque, Jorge José da Silva, orondino José da Silva, Del Loro e Lívia Prestes da Silva. É um disco muito bom, onde os temas umbandistas são gravados na maior parte em ritmo de um samba verdadeiro, típico dos anos setenta, alguns tão bem executados que em alguns momentos se aproximam do choro. O coral é afinadíssimo, canta em uníssono. Cordas, atabaques, agogô e reco-reco realizam um trabalho impecável. Com este formato, é um disco que ainda pode ser - e com certeza foi – muito apreciado por umbandistas ou não.


Para ouvir a faixa 4, "Ponto do caboclo do Sol e da Lua", clique abaixo: