Wednesday, June 04, 2008

Maria Bethânia - Brasileirinho - 2003


Maria Bethânia - Brasileirinho - CD - Quitanda/Biscoito Fino - 2003

1.Salve As Folhas - Poema De Mário De Andrade; 2.Yáyá Massemba; 3.Capitão Do Mato; 4.Cabocla Jurema - Poema De Mário De Andrade; 5.Santo Antonio; 6.Padroeiro Do Brasil; 7.São João Xangô Menino - Ponto De Xangô; 8.Cigarro De Paia - Boiadeiro; 9. Sussuarana; 10. Senhor Da Floresta - Manuelzão E Miguilim; 11. Purificar O Subaé - Cantiga Para Janaína; 12. Melodia Sentimental;

Na convergência de suas diferenças e seus credos, o Brasil vê-se grandiosamente refletido sob o mais musical dos diminutivos. Neste disco, Bethânia alcança o ápice da expressividade. Sua voz, cristalina e dona de uma força única, chega a cortar o coração da gente, uma obra perfeita em todos os sentidos possíveis, chega a beirar o lendário e terá eco na memória de muitos num futuro onde o imaginário perdido das coisas de Umbanda provavelmente ainda terá lugar. Produzido por Maria Bethânia, com direção musical de Jaime Alem, Brasileirinho tem as participações especiais dos poetas Ferreira Gullar e Denise Stoklos, do grupo instrumental mineiro Uakti, do grupo de choro Tira Poeira e das cantoras Miúcha e Nana Caymmi.

Bethânia tem o dom de dar ao público a nítida e real sensação de viver ou ter vivido cada detalhe das letras. Cada canção, toda palavra, é uma passagem de sua vida e resume ou define suas emoções, sua evolução espiritual e seu amadurecimento profissional. Mergulhar em um texto, em uma canção exige sensibilidade, talento e doação. Maria Bethânia empresta seu corpo, sua voz e sua alma a tudo o que interpreta. Ela é toda, em cada parte. Ela parece cantar, tão e somente, a sua existência. É tão perceptível, palpável, como se ela mesma fosse autora e personagem de tudo, e, meu Deus, que clareza, que beleza, que doçura é essa que nos faz lembrar de tudo que há de mais puro nos terreiros do Brasil e, sim, não só com atabaques, mas com vários instrumentos nos levando para a atmosfera mais enigmáticas de nossos congás, tendas e ilês... Impossível de dizer qual a faixa mais perfeita, qual a a atmosfera alcançada mais legítima, quais os melhores arranjos. Todo o disco se complemente e se atrai, de uma faixa a outra, convidando-nos sempre para mais.

Um misto de dor e prazer que alimenta a alma e acalenta o coração. Bethânia é atemporal. Ela sobrevive aos modelos e padrões criados pela indústria fonográfica e pela mídia em geral, nesses dias estranhos de cantoras baianas de um timbre repetitivo em série e de cantoras que teimam em imitar os maneirismos evangélicos, levantando as mãozinhas prá cima e prá baixo, como se isso melhorasse a voz.

Sem dúvida, os orixás despertaram para vê-la e ouvi-la. Maravilharam-se com a limpidez de sua voz, inundaram o céu com as lágrimas de sua emoção. Aplaudiram e convocaram-se, mutuamente, para esse espetáculo inesquecível e receberam, finalmente, Maria Bethânia perante a plêiade de estrelas que a aguardavam para coroá-la como nossa cantora maior. Bethânia chega aos píncaros de um Olimpo já habitado por cantoras perfeitas como Clara Nunes e Clementina e torna-se uma deusa na terra, a cantar lembranças do céu entre os homens.

Para ouvir a faixa 03, "Capitão do Mato", clique abaixo:







Assista ao vídeo de "Ya Massemba" abaixo:

1 comment:

Edson said...

Uma coisa que à tempo quero dizer, não sei a quem dizer mas vou usar o blog, Brasileirinho com Bethânia tem um ponto que é de Uruçu Silva do Amaral (Sussú),(São João menino)na verdade chama-se "São João Batista".
Obs:Obrigado!!! (Edson Cruz).