Saturday, August 09, 2008

Laguidibá


Recentemente discutia sobre o assunto abaixo com um amigo meu:


A MODA DO LAGUIDIBÁ

Na complexa e sofisticada tradição jeje-iorubana, o lágídígba (em português, laguidibá) é um fio preto de rodelas de chifre de búfalo, usado, tradicional e ritualisticamente, em torno de cinturas femininas.

Ligado ao culto de divindades da terra, como Nanã, Omolu e Oxumarê, é peça de alto fundamento, podendo ser usada como colar, mas não aleatoriamente.


As divindades representadas no laguidibá são cultuadas de modo muito particular, com muito mistério e respeito. Tanto que "Omolu" é apenas o epíteto de um orixá ou vodum tão forte que seu nome não pode sequer ser pronunciado.


E este papo todo vem a propósito da "moda do laguidibá", que virou adorno obrigatório de pescoço de percussionista; e de alguns músicos "de raiz". Raro hoje ver, no palco, um pandeirista, um tantanzeiro, um repiquista-de-mão, ou mesmo um violonista, que não se apresente com um laguidibá no pescoço.


Foi aí que, naquela linha do "quem não pode com mandinga, não carrega patuá", ocorreu ao Veterano aqui fazer um samba. Que pode começar mais ou menos assim:


"Quem não é de Obalibô / Não usa laguidibá/

Tira o colar do pescoço, seu moço / Que pode se machucar..."


Obalibô, vocês sabem, é outro cognome da grande divindade conhecida como Omolu e que, em Cuba, inspirou a rumba famosa: "Babalu! Babalu-aiê!"...


Atotô, meu pai!


Nei Lopes



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Veja o clip e cante junto:



Laguidibá
.
Quem não é de Obalibô (ioiô)
Não usa laguidibá (iaiá)
Tira o colar do pescoço, seu moço
Que é pra não se machucar

Laguidibá
Não é simples ornamento
É colar de fundamento
Você tem que respeitar
Então, seu moço
Sai desse angu de caroço
Tira o colar do pescoço
Pra Papai não se zangar
.
Laguidibá
É adereço muito certo
É coisa de santo velho
Do Antigo Daomé
Quem é de jeje
Pegue esse colar e beije
Quem não é, deite, rasteje
Se quiser ficar de pé.
Laguidibá
Pra usar, tem que ser feito
Dentro de todo o preceito
Da nação... Me diz qual é?
Nagô vodum, Jeje ruinhó, Mina-jeje
Peixe vira caranguejo
Na vasante da maré.

1 comment:

Pedro said...

Bom demaaaaaais!!