Friday, July 24, 2009

OFICINA RITMOS BANTU - MESTRE OBASHANAN


Iniciação aos Ritmos Bantu(Congo/Angola)

1.Origem e história;
2.Os ritmos Bantu no Brasil;
3.Congo de Ouro; Cabula; Barravento; Arrebate; e suas variações;

Instrumentos: Três Tambores (conga, atabaques, ngoma, etc), agogô, xequerê;

De 28 a 30/7, terça a quinta
Horário 16h às 17h30
Investimento: R$ 125,00

Informação:
Escola Prego Batido

Fones: 11 3868-14 97 /8937-5594
Rua Morro Agudo, 101 - Perdizes, São Paulo CEP-01259-090
e-mail: escola@pregobatido.com nosso msn: escolapregobatido@hotmail.com
Funcionamento: segunda à quarta das 10h às 12h, e das 14h às 22h e
quinta-feira das 10h às 19h. Aulas 1 vez por semana: 50 min

Wednesday, July 08, 2009

LANÇAMENTO! VENHA SE ENCANTAR COM ESSE DISCO! MÃE IBERECY CANTA PARA OS EXUS GUARDIÕES: O SENHOR DOS ENCANTOS!!


Uma das mais belas e fortes vozes da Umbanda em todos os tempos agora faz parte do Cast da Ayom Records! Um disco antológico, com Mestre Obashanan nos tambores Ngoma e capa do lendário artista plástico Fernando Naviskas!


A Psicofonia é uma das mais raras faculdades mediúnicas. Trata-se da capacidade de receber através da audiência ou da clariaudiência, invocações cantadas e/ou mesmo música instrumental, ou mais raramente ainda, receber através da psicografia partituras inteiras sem que o médium possua prévio estudo musical. Mãe Iberecy é uma destas médiuns. Aos 12 anos de idade já ouvia sons e vozes que ninguém conseguia escutar, até que aos 14 anos recebeu um ponto de Yemanjá, dando origem a mais de 2000 pontos de raiz e de louvação. Iniciada na Nação Angola e na Umbanda por Pai Bidó, um dos mais antigos sacerdotes de Campinas, Mãe Iberecy é hoje uma das mais incríveis forças do canto e da arte das religiões afro-brasileiras!

Faixas: 01.O Senhor dos Encantos; 02.Treme a terra, treme o mundo; 03.Sua capa abre (Volta Escura); 04.A cancela bateu (Sete Cruzes); 05.Galo Cantou; 06.Gira Mundo; 07.Balanceia a figueira; 08.Chegou prá guerrear (Seu Marabô); 09.Sete Encruzilhadas tem magia; 10.É madeira de lei (Tranca Ruas); 11.Povo do pó (Seu Caveira); 12.Feiticeira dourada (Maria Padilha); 13.Noite de lua cheia (Exu Quebra Galho); 14.Olha o Tiriri; 15.Exu Lobo; 16.Sete Covas; 17.Exu Rei; 18.Maria Rosa; 19.Meia Noite; 20.Dama de Vermelho (Maria Molambo) 21.Exu Cruzeiro;
Para adquiri-lo escreve para ayom77@gmail.com
ou ligue para Ayom Records: 011-3499-6152

Para ouvir a faixa 04, "A Cancela Bateu (Sete Cruzes)", clique abaixo:


Monday, June 22, 2009

XANGÔ CONFIRMA O AXÉ DE SUA CASA: 12 anos de TEV!!


12 ANOS DE TEV!!

Convidamos a todos para essa grande confraternização!

Será realizado no dia 04 de julho às 20:00h a louvação ao Orixá Xangô e aos Caboclos, no TEV- Templo da Estrela Verde, situado em São José do Rio Preto, na Rua Pepino Agrelli, 369, Jardim Vetorazzo. O Templo da Estrela Verde estará fazendo 12 anos de atividade, o número cabalístico do Orixá do Fogo e da Justiça. Será o dia onde os tambores de Ayan vão roncar!

Ao final das atividades será servido o já lendário carneiro na cerveja, especialidade de nossa Iabacê Iyaledan!

Será uma honra contarmos com a presença de todos os irmãos!

AYAN IRÊ Ô!

AYRÁ IBONÃ! AXÉ BODUM AXÉTUN; AXÉ OGBÉROSUN TELOFI YIÁ TOLOMAN IKÚ;

AGANJU XOLÁ BABÁ KIMI KIMI BABÁ, KINIBÁ KINIBÁ BABÁ, GANGÁIA!

BABÁ ELONIKAN! AXÉ BABÁ! AXÉ OGBEBI KAKÁ ODEDI LELÊ!

AXÉ ILÊ AXÉ OGBÉ OMAN ILOXEKUN! BENGBÊ YORO! MOKENKERÊ YORO!

ORANYAN KAINTÉ, IDÉ Ô UARABÁ OLORI IKÁ Ô INÁ;

OKUN, EDUN, OMO YÔBI OMON ALÁFIA!
AXÉ MI AXÉ ILÊ AXÉ TUPACINYNGA!!

KAAAAWWWWÔÔÔÔÔ! KAAABIEEECILÊÊÊÊ!

Friday, May 29, 2009

AMAZÔNICA - 1997



AMAZÔNICA – Camerata Cantione Antiqua e Angaatanàmú – CD – Sony – 1997

01.Caramuru; 02.Toada pra Xangô; 03.De deserto a deserto; 04.loa de maracatu:Vovó falou e baque de parada; 05.Baiano; 06. Chegança; 07.Caboclinhos; 08.Caramuru (reprise); 09.Aboio; 10.Aboio Grande;

Um disco interessantíssimo, que reconta – através de partituras recuperadas – como era a música brasileira dos anos 1600, com suas influências bem nítidas e ainda puras: há desde o canto das “Santidades”, onde os índios entoavam loas católicos (uma das bases dos cultos de encantaria), passando pelos primeiros cânticos de Candomblé até uma esquecida, mas importantíssima matriz da música nordestina: a música árabe/judaica. Nessa faixa (faixa 03 - De deserto a deserto) pode-se notar como as duas formas de se fazer música – do oriente médio e do nordeste – estão assustadoramente próximas, acrescidas ainda de um toque de flautim quase barroco à guisa de Ars Nova. Outra faixa importantíssima é a recuperação de um cântico de bruxaria Gêge, onde, num envultamento faz-se a pergunta tenebrosa: “que diabo de casa que não tem buraco pra sair?” O pessoal da pesquisa deste disco – em especial o diretor musical Miguel Kerstman - foi realmente fundo e produziram um dos mais importantes registros de nossa história musical, que, é claro, ninguém conhece, infelizmente... O disco é tão legal e importante, que colocamos logo três faixas para apreciação...

Para ouvir as faixas 02, "Toada prá Xangô", 03, "De deserto a deserto" e 06, "Chegança: Que diabo de casa é essa?", clique abaixo:







Thursday, May 28, 2009

Maracatu Nação Pernambuco - Independente - 2000

Maracatu Nação Pernambuco - Independente - 2000
1-Maracatu Misterioso; 2-Viver solto Virado; 3-Latina Cigana; 4-Toque Moderno; 5-Mateus embaixador; 6-Coroa Imperial; 7-Pão e Circo; 8-Recife; 9-Folia Geral; 10-Brasindiano; 11-Cambinda Nova; 12-Leão Coroado; 13-águas do MUndo das Águas; 14-Boi Aroeira;

Todo Maracatu possui ligação direta com algum terreiro. Esta é a tradição e sempre surge em algum tema a ser tocado o imaginário das Umbandas, Encantarias e Nações. Surgido em 1989, formado, em sua maioria, por jovens da classe média, o Maracatu Nação Pernambuco tinha como objetivo difundir o ritmo, na época em decadência, e pouco conhecido fora das comunidades onde era praticado. O Nação Pernambuco teve papel importante no reinteresse pelo maracatu em Pernambuco e no resto do país, e também no exterior, pois o Nação Pernambuco tem feito apresentações constantes na Europa. Participante da primeira edição do Abril Pro Rock, em 1993, o grupo ajudou bastante a fazer com que os novos músicos pernambucanos se interessassem pelo maracatu. O grupo já lançou três discos, o primeiro deles Batuque da Nação (1992), e tem participações em diversos outros discos, entre os quais Oceano, de Sérgio Mendes (1997).

Para ouvir a faixa 10, "Brasindiano", clique abaixo:



Wednesday, May 27, 2009

Le Monde Sonore des Bororo – Auvidis/Unesco – 1989


Le Monde Sonore des Bororo – Auvidis/Unesco – CD - 1989

01 - Roia Kurireu-Grande Chant During The First Burial; 02 - Marido Paru- Preparations for the dance game of th marido; 03.Exhortationbs; 04-Roia Mugureu Boecojiwu- Night time sitting cant; 05-Marido-Dance game; 06-Aije-Dance of the Bull Roarers; 07-Marenauire- Cant of the mourning; 08-Roia Mugureu Merijiwu- Daytime sitting Chant; 09-Oiego Joyful Chant For a Collective Hunt;
Bororo tocando o tambor Ka

Belíssimo trabalho de registro sonoro da gravadora Auvidis, apresentando canções dos índios Bororo gravado na própria aldeia. Trata-se de um disco misterioso, com clima sempre denso em cada uma das faixas, onde ritos fúnebres e cânticos para momentos simples, tais como o amanhecer e o anoitecer nos lembram de como a civilização nos levou a estranhar a celebração de pequenas observações e prazeres da natureza. É o que transforma a maior parte das canções num roteiro emocional para se compreender a paisagem sonora de uma cultura quase sem nenhuma conexão com nosso modo ocidental de se entender música. Escute atentamente a faixa onde o Pajé saúda o amanhecer com um sereno e místico canto quase mantrânico.

Ritual para casamento


Para ouvir a faixa 07, "Marenauire- Cant of the mourning", clique abaixo:


Wednesday, May 20, 2009

Voices of Africa - 1997





Vozes da África – CD – Amharsi Srl-1997

01.Mustapha Tettey Addy (Ghana); 02.Cabdullahi Qarshi-Cumar Dhule (Somália); 03.Africa Jolé (Guiné); 04.Gabin Dabiré (Burkina Faso); 05.Traditional Orchestra of the Comore Islands (Camarões; 06. La Famille dembelê (Burkina Faso) 07. El Mouahidya (Argélia); 08.Arafan Koyate (Mali); 09.Amanpondo (África do Sul); 10.Hausa-Ibo-Ensemble (Nigéria); 11.La Famille Dembele (Burkina Faso); 12. cabdullahi Qarshi-Cumar Dhule (Somália); 13.Sonia laaraisi (Tunísia); 14.Music of Nande (Zaire); 15.Florida Uwera (Rwanda);

Este é um trabalho lindíssimo do sêlo italiano Amharsi Srl. Trata-se de um apanhado precioso de canções africanas de todo o continente, constando de dois volumes: este aqui é o que dá ênfase ás vozes africanas e o volume dois, que se concentra nas cordas e nos instrumentos de sopro. Sim, exatamente! A idéia é essa mesma, a de explorar o tão pouco conhecido universo africano da música que não está concentrada só no tambor, pois a idéia estereotipada da cultura africana é de que lá só existe o tambor como instrumento e mais nada. Ao contrário, verdadeiras orquestras tradicionais de cordas realizam trabalhos importantíssimos de manutenção da cultura musical mais antiga do mundo e o tambor, em muitos casos é um mero coadjuvante.


Há a música de tribos, de griots e akpalôs - contadores de histórias -, a música influenciada e que influenciou o mundo árabe e sem exceção, em todas as faixas encontramos excelentes cantores. Um disco interessante para quem estuda as origens da música e para quem quer compreender as várias influências da música africana no modo de cantar da música de terreiro.

Para ouvir a faixa 01, com Mustapha Tettey Addy (Ghana), clique abaixo:


Monday, May 18, 2009

Adão Daxãlebaradã - Escolástica - 2003

ESCOLÁSTICA - Adão Dãxalebaradã- 2003 - CD - Selo Ambulante

1-Armas e Paz; 2-África; 3-Computador; 4-Bibi Lobi Woa; 5-Luanda; 6-Deus é um Negrão; 7-Vida Curta; 8-Escolástica; 9-Diamante; 10-I Ia Laa; 11-Xirê; 12-Vida Curta (Remix); 13-Armas e Paz (Remix);


Adão Daxãlebaradã: um gênio destruído pela violência


Um dia o cineasta Walter Salles subiu o morro do Cantagalo, no Rio, à procura de novas expressões artísticas. De lá, saiu com um documentário e uma descoberta: Adão Dãxalebaradã. Waltinho foi levado à casa desse músico desconhecido por Luanda, caçula dos filhos de Adão e bailarina do projeto Dançando para Não Dançar. O diretor de Central do Brasil ficou impressionado com o compositor, de mais de 500 canções, e o apresentou à sua parceira Daniela Thomas e ao irmão dela, o produtor musical Antônio Pinto. “Fiquei obcecado em registrá-lo. Adão tem um discurso de contestação, de paz, mas com olhar particular”, disse Antônio. Hipnotizados pela mistura de sons – reggae, samba, afro-beat, rap – e pelas letras vigorosas, os três decidiram revelar Adão. O resultado foi o disco Escolástica, o documentário Somos Todos Filhos da Terra e o videoclipe Armas e Paz.

Sobrevivente de emboscadas da polícia e de bandidos, levou 12 tiros. Quatro foram de metralhadora, e foi perseguido por 30 homens da polícia especial. Segundo Adão, o motivo foi ele ter sido excluído do Exército, conforme crê, por preconceito racial. Passou a pregar peças no coronel responsável pela sua exclusão. Em plena ditadura militar, conta ter sido até torturado. Um dos tiros de metralhadora ficou a um dedo do coração, e Adão passou meses no hospital.

A última bala ele levou quando tentava se afastar da violência do morro, como mecânico, em 1973. Em tese, foi assalto. Quis reagir e, sem ver que havia outro bandido atrás, foi alvejado. O tiro o deixou numa cadeira de rodas. “Sou semiparaplégico, consigo andar segurando nas coisas, tomar banho sozinho, fazer sexo", dizia. "Na verdade o tiro foi um mal que veio para bem, pois descobri as coisas da Umbanda e do Candomblé”. Daxãlebaradã é uma qualidade de Xangô que significa “Princípio, Meio e Fim”. Este foi o nome espiritual que adotou desde então.

Adão começou a fazer música aos cinco anos: “Meus pais eram crentes. Fazia hino de igreja”. Sua brincadeira era imitar o pastor. Aos oito anos, fugiu de casa e foi morar na rua. “Não tinha liberdade, era criado na base da pancada. Não podia jogar bola de gude nem soltar pipa porque eram coisas do diabo”, lembrava ele, o mais velho de nove irmãos. “Só podia brincar no porão. Não podia me misturar com filhos de pessoas que não eram da igreja.”
Na rua, sobrevivia com o que lhe davam. Foi encaminhado a uma instituição para menores, onde ficou dos 9 aos 17 anos. Foi guia espiritual de sua comunidade e por ser ligado às raízes afro-brasileiras, compôs cerca de 500 músicas sobre o tema. Residia no Morro do Cantagalo, em Ipanema. Faleceu no Hospital Miguel Couto, segundo alguns, vítima de uma Hepatite C com infecção generalizada, sendo enterrado no cemitério São João Batista, mas há muitos que juram que Adão incomodou o pessoal do tráfico, quando fêz a música "armas e paz", um protesto criticando o tráfico de armas e sua morte foi "repentina" e estranha demais...
A música de Adão é forte, cheia de fúria, com as letras focadas na injustiça de todos os matizes. Tocava apenas um atabaque - que era como compunha suas músicas - e muita gente achava que fazia parte da galera do funk carioca, o que o produtor Antônio Pinto provou não ser verdade, pois construiu junto com Adão um dos discos mais lindos da história da música brasileira. Adão era um homem de raiva e de fé, raiva dos poderosos que manipulam idéias para manter os homens escravizados, raiva da apatia dos seus iguais e fé na força de suas origens no Orun e nos rios da África, que o inspiravam na sua pregação libertária. Com uma voz rouca e profunda, forjada na tristeza e na difícil vida que levou, ela soa como se viesse de antes dos tempos, tempos melhores que estes que o fizeram vítima da violência. Adão foi uma perda, quase despercebida pelos homens, mas certamente, será sempre lembrado pelos deuses.
Deixou dois filhos: Ortinho e Luanda.
Para ouvir a faixa 2, a maravilhosa "Mãe África", clique abaixo:


Sunday, May 17, 2009

Umbanda – Força e Magia – Boiadeiro

Umbanda – Força e Magia – Boiadeiro – CD – TBS – 2003

01.Boiadeiro; 02.Terra Sagrada; 03.Salve o Boiadeiro; 04.No Caminho; 05.De manhã cedo; 06.Gruta de Jesus; 07.Cadê o boiadeiro;08.Seu Vaquejada; 09.Galo cantou; 10.É hora;

Vado canta bem, o coro as vezes desafina e há alguma coisa com o tempo da voz em relação aos tambores em algumas faixas que não andou muito bem... excetuando-se um o dois pontos, a maioria das cantigas parecem terem sido gravadas sem ensaio e muito rapidamente. Uma pena, pois seria um disco interessante se a revisão da qualidade técnica – até mesmo artística (a capa traz um desenho estranhíssimo) – fosse um pouco melhor.

Para ouvir a faixa 3, "Salve o Boiadeiro", clique abaixo:



Candombless



Carlinhos Brown - Candombless – Candiall Music – CD – 2005

01.Labarã; 02.Orerê emapá; 03.Patuá; 04.Aguaxirê/Saleromi; 05.Xerê Jexé; 06.Kissanga; 07.Três Coruna; 08.Ódemã; 09.Coicoia; 10.Saudação a Oxossi; 11.Seleloá (Nave Isaura); 12.Rei da Hungria;

Senhoras e senhores, o que dizer de uma obra onde respeito e integridade se fundem de tal forma que já não é possível pensar em nada, a não ser que estamos frente a uma nova reconstrução da música num encontro suntuoso de ancestralidade e modernidade!? As cores múltiplas de todas os modos brasileiros de se fazer música tradicional estão nessa obra impecável, da Umbanda ao Candomblé, da Encantaria ao canto Católico e além. Permeado por toques sutis de psicodelia, ruídos sampleados são tratados como percussão e percussão viva é perfeitamente transformada em agradáveis melodias onde baixos e agudos se reconstroem numa concepção timbrística intrincada e muito bem pensada. Carlinhos Brown atingiu a excelência como um pensador refinado das atitudes e posturas que o músico das religiões brasileiras deve ter enquanto fomentador social no tocante ao poder de envolvimento que tem com os prosélitos do "santo" e consequentemente ponte essencial da responsabiulidade de ser um tradutor entre a linguagem dos homens e dos deuses.





Candombless mistura a música pop eletrônica aos cantos tradicionais dos cultos que colorem a Bahia de todos os tempos. O disco conta com a participação da comunidade dos músicos e sacerdotes do santo e em momento algum esta é submergida ou absorvida por qualquer excesso eletrônico, pelo contrário, a eletrônica, como filha da acústica, atualiza os pontos para uma linguagem contemporânea, tornando-se tão ancestral e milenar como eles. Há rezadeiras, Ialorixás, Alabês e Babalorixás, traz a reza da aparição do Arcanjo Gabriel e o canto de Oxotocanxoxô, o mito primordial de Oxossi, como o guerreiro que venceu uma batalha com apenas uma flecha. E conta com participação mais que especial de Mateus Aleluia, o último dos Tincoãs.


É assim: Carlinhos Brown, AYAN IRÊ Ô!!


Para ouvir a faixa 07, "Três Coruna", clique abaixo:





Umbanda – Força e Magia – Marinheiro - CD – TBS – 2004

Umbanda – Força e Magia – Marinheiro - CD – TBS – 2000

01.Marinheiro; 02.Martin Pescador; 03.Apitou um navio; 04.Artilharia; 05.Ele é de Jauá; 06.Rema a canoa; 07.Navio no mar; 08.Sentado na pedra; 09.Eu viajei; 10.Boca do garrafão;

Apesar dos já tradicionais problemas dos quais a TBS sempre é criticada em seus discos (má gravação, masterização inexistente, uma batida pré-gravada dos atabaques ao fundo, apenas com um agogô ao vivo, má qualidade gráfica que já “estimula” a produção de cds piratas, sendo que, exatamente por tais fatores, a pirataria de discos de umbanda cresceu etc...), nós sempre fomos defensores da boa vontade dos mesmos em gravar pontos que já estavam caindo no esquecimento do povo do santo, sendo que a TBS foi uma das primeiras gravadoras dos anos 00 a ressuscitar o clima de magia surgido nos anos setenta com as gravações da música de terreiro, principalmente pelo estilo de cantar do Tombensi, com outro alguém cantando ao fundo num intervalo de terça típico das escolas congo/angola. Este disco de Marinheiro traz apenas dez faixas, mas são todos pontos de raiz da verdadeira encantaria da Jurema e da Angola. Sim, senhores, esse disquinho é – apesar de todos os revezes, - simplesmente muito bom!


Para ouvir a já conhecidíssima "Martim Parangolá", clique abaixo:


Saturday, May 16, 2009

Atabaque - Tocando para os Orixás


Atabaque - Tocando para os Orixás – Gravadora desconhecida – CD – data: ?

01.Todos os Orixás – Bata; 02.Ogum – Vasse; 03.Oxossi – aguerê; 04.Ossanha – Vasse; 05.Obaluayê – Opanijé; 06.Omulu – Savalu; 07.Oxumaré – Bravum; 08. Xangô - Vasse/Alujá; 09.Xangô – Arrebate; 10.Oxum – Ijexá; 11.Iansã – Ihu; 12.Iemanjá-Jincá; 13.Oxalá – Ibi; 14.Todos os Orixá – Ramunha; 15.Tempo – Congo; 16.Mamento/tateto –Barravento; 17.Todos orixás – Cabula; 18.Babalorixá/tatetos – Agabi;

Este disco foi enviado da Bahia por um admirador do acervo. É um disco que consta de informações pouco precisas com relação à datas, intérpretes e informações dos toques, que nos pareceu um pouco confusa, além da capa ser um xerox bem "funhanhado " e apagado. A gravação é extremamente precária (parece que foi gravada num gravadorzinho digital de mão, pois escuta-se o “bip” que anuncia a pausa do aparelho), mas, minha gente, QUEM SÃO ESTES ALABÊS??? Precisão, técnica, velocidade, uma MARAVILHA! Fazem o que se deve fazer em toques de kêto e angola e garanto a vocês, se fecharem os olhos durante audição vocês serão capazes de ver os eleguns dançando com a roupa do orixá correspondente ao toque, tamanha a capacidade de invocação dos camaradas. O tocador de Rum me pareceu o Vadinho, ou alguém que aprendeu com ele, mas como ter certeza?? Se alguém tiver mais informações nos informe, aqui, no meu, no seu, no nosso... acervo ayom!

Para ouvir a faixa 14, "Ramunha", clique abaixo:

Wednesday, May 06, 2009

LANÇAMENTO!! NO CLARÃO DA LUA! Série Brasil Encantado Vol. I: Ciganos e Malandros


A Ayom Records lança o primeiro volume da série "Brasil Encantado", uma série destinada a resgatar e registrar os cânticos entoados em templos que cultuam os espíritos encantados, tais como Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Ciganos, Mestres, Malandros, Nobres, Turcos, Caboclos e tantos outros.

O templo A Caminho da Paz é um templo tradicional do Rio de Janeiro que cultua os espíritos de Ciganos e de Malandros com musicalidade de raiz, com atabaqueiros de primeiríssima linha e excelentes curimbeiras. Gravado ao vivo, a energia e a garra passada na execução dos pontos chega a ser emocionante.

Para quem cultua os espíritos de encantados na Umbanda em outros cultos, tais como a Jurema, Catimbós, Omolokôs, Candomblés, e mesmo para estudiosos das origens e evolução da chamada "Encantaria", este é um disco que não pode faltar em sua coleção!


Tuesday, May 05, 2009

Kangoma na Vila!



09/05/2009 - Sábado


Kangoma na vila


Livraria da Vila - Shopping Cidade Jardim


Av. Magalhães de Castro, 12.000


Pista Local da Marginal Pinheiros


18:00 hs
Te esperamos lá!!


Entrada Franca

Tuesday, March 17, 2009

HOMENAGEM! CLARA NUNES


A Ayom Records estará nesse domingo, 22, na homenagem a Clara Nunes que se realizará no teatro Clara Nunes , no Museu de Arte Popular e na praça de eventos. Haverá debates, shows e apresentações de dança.
O evento começa às 13:00h com o debate Clara Nunes e o imaginário positivo das religiões afro. Presença de Adolar Barreira, a astróloga Marlene Deon e do Mestre Obashanan - Templo da Estrela Verde - SJRP.
Endereço: Praça da Moça - Rua Graciosa, 300 - Diadema.

Wednesday, February 25, 2009

LANÇAMENTO DO CD "VAMOS SARAVÁ"!!

Dia 13 de fevereiro de 2009 foi realizado o lançamento do cd histórico "Vamos Saravá" da Tenda de Umbanda Caboclo Caramã e Pai Cesário de Olímpia, um resgate da história da Umbanda, já que trata-se de um templo cuja origem de fundação remonta a mais de 100 anos atrás.
O lançamento se deu no TEV - Templo da Estrela Verde do Caboclo Trovão em São José do Rio Preto e contou com a presença de mais de 30 terreiros da região, que vieram prestigiar àquelas que são carinhosamente chamadas por todos como "as meninas de Olímpia".


Mãe Jesuína com o disco "Vamos Saravá" em mãos

Representantes dos vários templos que compareceram no lançamento


Mãe Jesuína e sua descendência, netas e bisnetos

Lançado pela gravadora Ayom Records, a confraternização se deu num clima de muita paz e harmonia entre todos os presentes. Logo em seguida, mestre Obashanan deu início ao rito de caridade onde todos os templos trabalharam juntos, sob uma mesma bandeira, a bandeira da branca da Umbanda.

Tuesday, February 17, 2009

BOUBACAR TRAORÈ


Boubacara Traorè - Cassete - 19? - Syllart Production - Lado A - 01.Mariama; 02.Benidmamogo; 03.Mantjini; 04.Diarabi; LADO B - 01.Kele; 02.Kayes Ba; 03.Khobe Natuma; 04.Pierrete;

Boubacar Traorè: um pequeno motivo para entender porque a África é tão importante!

Vasculhando nossa coleção musical para catalogar, digitalizar, acoplar ao acervo ou simplesmente para jogarmos fora, nos deparamos com algumas fitas que adquirimos quando de nossa estadia na África, em um intercâmbio. Estivemos em cinco países e ao passarmos pela Nigéria, encontramos vendedores ambulantes que comercializavam fitas cassete. A indústria de vinis na época (ainda não existiam mp3 ou cds, moçada, é... faz tempo isso...) era muito fraca nos países centro-africanos, por isso o mercado de fitinhas era bem intenso e porque não dizer, gigantesco. Sabemos hoje que na verdade o povo africano (de qualquer país ou etnia) tem uma verdadeira paixão por fitas cassete. Uma das alegações - bem discutível - é que elas funcionam melhor nos carros em locais inóspitos, por causa de poeira e calor, mas a verdade é que os africanos têm um verdadeiro xodó pelas enroladinhas e hoje há, inclusive muitos colecionadores de fitas e – pasmem – até mesmo artistas que se recusam a entrar no mercado de cd ou mp3 oficialmente, tal como aconteceu no início da decadência dos LPS, em que algumas gravadoras tentaram heroicamente resistir à invasão digital.

Tínhamos 19 anos na época e compramos bastante música num mercado de Lagos, em especial algumas fitas de canto dos versos do Ifá (diga-se logo de péssima qualidade sonora), algo raríssimo e completamente esquecido, uma vez que os versos devem ser cantados e não somente recitados. Babalaôs eram verdadeiros Griots, pessoas especializadas em contar histórias através do canto e mais do que isso, preservar a memória de seu povo e da humanidade, relembrando fatos heróicos e fatalidades que devem ser evitadas. Na Nigéria eram iniciados em Ayan Poolo, o deus da música de cordas.


A importância dos Griots era tanta, que no século 13, Sundiata Keita lutou contra o tirano Suamoro Kantê, que dominava região localizada na Costa Oeste do continente africano. Da batalha de Kirina, como ficou conhecida, surgiu o poderoso Reino do Mali, do qual Sundiata foi o primeiro Imperador. Para que essa história pudesse chegar aos nossos dias, foi sendo ininterruptamente transmitida oralmente pelos griots, os guardiões da memória histórica nessa região da África. Por sua importância, os griots eram os únicos que não poderiam ser mortos durante uma batalha. Eles seguiam à frente dos exércitos, cantando e tocando, ajudando na sua condução, observando a tudo e a todos para guardar os feitos e os fatos.

Foram os griots que chegaram ao povoado anunciando a vitória de Sundiata que também foi responsável por encontrar uma saída para que o seu exército poupasse a vida dos subjugados, promovendo, por meio de um pacto, a conciliação entre ganhadores e perdedores. Os griots puderam narrar então não apenas a vitória contra o opressor, como também o bom convívio instaurado por Sundiata ao fim do conflito armado.

Mas este nosso artigo visa tratar de uma das fitas que compramos naquele mercado, um dos mais belos achados que já tivemos o prazer de escutar em nossa existência (aos 19 anos nossa vida era praticamente voltada em sua grande parte para atividades menos nobres do que lidar com música). Foi uma emoção muito grande recuperar essas gravações, fui às lágrimas quando a ouvi novamente. Suas canções estavam esquecidas em minha alma e é sempre bom nos reconhecermos novamente através de uma canção...

Ele se chama Boubacar Traorè, um antigo artista de Mali, um Griot. É praticamente desconhecido no resto do mundo. A língua Fula é utilizada por ele para cantar as tristezas e glórias de seu povo, apenas lembrando que a língua Fula é oficial no Senegal, Mali, Mauritânia, Nigéria e outros países ao norte e centro-africanos.

Traoré nasceu em 1942 e começou a ser conhecido em 1962, quando cantava contra as injustiças de seu país. Sua música é classicamente pentatônica, como é comum na região em que vive e em vários países do mundo em que a estrutura modal ainda é a força musical das comunidades humanas tradicionais. Os tempos são em 2/4, 4/4 e algumas canções em 5 e 7 tempos, evidentemente devido à conexão com o mundo árabe. Mas Traorè traz mais do que som em sua música, traz a dor de todo aquele que é oprimido e traz a alegria e o alívio de quem se livra da opressão. Seu timbre lembra alguém velho, mas ainda com força para procurar novos tempos. Escute uma das faixas que recuperamos da fitinha, “Diarabi”: se prestar atenção, sentirá porque a raça negra foi quem, na verdade, conquistou o continente americano e não o branco europeu. Praticamente toda a cultura musical de nosso continente está ali! Escute e ouvirá em algum lugar naquelas notas sobrenaturais o canto triste do bluesman americano, os timbres e cores da música sertaneja, do Baião e da Milonga Rio-grandense. Lá dentro daqueles timbres está o passado de Bob Dylan, estão Cartola, Piazzolla e Tom Jobim, estão Rolling Stones, Beatles, Led Zeppelin e Pink Floyd, estes, ingleses que se renderam ao Blues americano, herdeiro direto do modo como Boubacar faz o glissando no violão. Lá estão a música árabe e o Klezmer judaico, juntos, sem conflitos, tão antigos quanto a música milenar africana. Escute Boubacar, sem preconceitos. Lá estão o Candomblé e a Umbanda, minha gente, naquela voz cansada e naqueles dedos antigos e desconhecidos, a cor-sem-cor de um espírito africano que abraça o mundo, que herdamos e ainda não entendemos, infelizmente, mas que pela beleza e senioridade, devemos sempre pedir a benção, respeitosamente...

Para ouvir a faixa 04, "Diarabi", clique abaixo:

Monday, February 02, 2009

LANÇAMENTO!! VAMOS SARAVÁ!!



VAMOS SARAVÁ - TENDA DE UMBANDA CABOCLO CARAMÃ E PAI CESÁRIO


Uma família de negras que cantam e tocam seus tambores como índias, mostrando o poder de síntese da Umbanda e sua capacidade de interrelação cultural e racial. Gravado ao vivo, este cd é um importantíssimo registro de uma antiga escola ritual de canto e toque que se espalhou pelos quatro cantos do Brasil. E o mais importante: um templo que é origem de várias manifestações culturais - tais como o Terno de Congada Chapéu de Fita - de Olímpia, a Capital do Folclore e que faz seus ritos em silêncio, humildemente e sem alarde desde 1897.

Série Umbanda: 100 anos... ou mais?

Saturday, January 17, 2009

Trilha e Tradição



Abaixo transcrevemos a matéria que foi publicada pelo Doutorando Jorge Lampa da Unicamp na revista Música ao Vivo:



Veredas da cultura popular brasileira
- por Jorge Lampa

A roda, a rede e a religião

Começo pelo último item e já com o pé na porta para desfazer qualquer possibilidade de mal-entendido. Ou seja: para afirmar que não estou aqui para fazer proselitismo. Ou seja novamente: que não estou aqui para propagar ideais religiosos ou tentar atrair adeptos para esta ou para aquela seita, religião, etc. Meu negócio é arte, é música e a verdade é que elas sempre andaram juntas. Digo, a música (e a arte em geral) e as religiões (também em geral). Se o assunto fosse a música de Bach seria difícil (e improdutivo) separá-la da música sacra da igreja luterana. Ou entender o Padre (olha só!) José Maurício Nunes Garcia sem falar da igreja católica dos brasis colônia e império.

Isto posto, volto a falar da música afro-brasileira ou, mais especificamente, da música das religiões afro-brasileiras. E aí vocês percebam que estou falando de música sacra, em certa medida, como qualquer outra. Até porque, falar em cultura popular sem tocar na questão das crenças é, no mínimo, uma certa hipocrisia. Pensem nas calungas do maracatu, nos caboclos envolvidos em vários “folguedos”, olhem o fascínio do Mário (sabem qual, né?) com o catimbó na Missão e vamos embora. Vamos que o assunto é a cultura musical das religiões.

Começo pelo lançamento recente do cd “Deixa a Gira Girar”, muito interessante, podem ser obtidas algumas informações (inclusive de como adquirir) no endereço:

http://ayomrecords.blogspot.com/search/label/Deixa%20a%20gira%20girar

“Gira” é um termo bastante utilizado na umbanda e significa “1. Cerimônia; 2. Ação mística de um Orixá.”; acepções tiradas do glossário de “Marginália Sagrada”, de Fernando Giobellina Brumana, Editora da Unicamp, 1991, uma referência bastante sólida sobre o assunto, livro de antropólogo. Já o cd é dedicado às “gravações pioneiras da música de terreiro”. Este primeiro volume traz registros do período de 1900 a 1940. Na verdade, é um apanhado, em suas 24 faixas, de uma produção bastante representativa do segmento que traz música de terreiro e canções populares tematizadas nas religiões de orixás e na umbanda.

Aliás, sobre a música desta, cabe uma observação: suas cantigas, seus “pontos cantados”, são muito próximos do que a gente conhece como “canção popular”. Sobre esse tipo de produção a Ayom Records (pra que esse negócio de “records”, né? Tudo bem, talvez para vender lá fora, espero…) tem outro excelente trabalho de registro chamado “Todo mundo quer Umbanda”. Quem ouve os cânticos em português narrando aventuras e desventuras de seus principais personagens entende o que digo, principalmente se a gente toma como termo de comparação outras religiões, com cânticos em iorubá ou outras línguas africanas. Então, fica difícil estabelecer uma clara distinção entre a música de terreiro e o que é música de disco, música popular, etc. E quando falo isso, quero dizer também de como o trânsito ocorre de lá para cá, ou seja, o que é “popular”, no sentido de veiculado pela mídia fonográfica vira de terreiro. Tem um estudo muito bacana sobre esse processo com relação a uma grande diva da música de orixás (e figura importante de nossa MPB), Clara Nunes. É da também antropóloga (esta é da USP) Rachel Bakke, dá pra ler em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-85872007000200005&lng=en&nrm=iso

E quando digo que “dá pra ler” quero deixar claro que é um texto, embora destinado aos pós e tudo, de uma leitura bastante amigável, livre de ranços acadêmicos.

Lá a gente vê uma trajetória ímpar num momento da indústria do disco e do show – momento talvez embalado pelos afro-sambas de Baden e Vinicius - que teve pontos de toque entre os dois tipos de música, a de estúdio e a de terreiro. Terreiros, bem dito, pois é bom frisar a diversidade desta última que tem sob tal rubrica a música dos candomblé angola, queto, do tambor-de mina maranhense, do surpreendente batuque negro do Rio Grande do Sul, do xangô pernambucano e muitas mais.

Quem quiser ter uma noção de tal diversidade, dê uma olhada no blog do acervo fonográfico da Editora Ayom.

Embora bastante comprometido com - aqui sim - uma visão religiosa bastante enfática e declarada (afinal, trata-se de uma faculdade de teologia), vale para qualquer interessado em conhecer melhor a cultura musical e tem uma compilação e catalogação de um acervo de forma jamais vista até hoje. Trabalho impressionante! Há sempre exemplos de uma faixa em cada disco ou cd comentado e dá para ter uma idéia auditiva do assunto que estamos abordando.

Trabalho de gigante, embora haja alguns textos aqui e lá com que possamos ter algumas divergências, o simples fato de reunir todo esse arquivo de forma organizada já vale muito, principalmente pelo fato de que esse tipo de acervo normalmente é relegado a um plano muito inferior. Vale também, para quem se interessa por esse tipo de música, para a gente “tirar a teima” sobre alguns produtos que a gente às vezes adquire por aí. Explico melhor, quem já se aventurou pelo mundo da música sacra afro-brasileira sabe que as informações nos cd’s que a gente adquire por aí nem sempre são muito precisas e confiáveis. O blog da turma da Ayom Records entra aí como uma referência para a gente conferir e adquirir alguns dados a mais sobre os discos.

Para ir encerrando, gostaria de sugerir uma leitura (igualmente agradável) de um texto que é uma espécie de par perfeito para a escuta do “Deixa a Gira…” - um complemento, na verdade, já que o encarte do cd traz uma série de informações sobre os artistas e as faixas que estão lá registrados, ressalte-se, com um ótimo trabalho de restauração e masterização.

Trata-se do artigo “FOI CONTA PARA TODO CANTO: as religiões afro-brasileiras nas letras do repertório musical popular brasileiro”.

http://www.afroasia.ufba.br/pdf/afroasia34_pp189_235_Amaral_Vagner.pdf

O nome já diz tudo para vocês saberem do que se trata, apenas acrescento que lá vamos ter um mergulho em outros momentos e outros artistas da nossa história e quem quiser ir além nessa escuta pode entrar no site do Instituto Moreira Salles, uma loucura! Essas coisas do arco da velha, de 78 rotações e mais para trás ainda!

http://acervos.ims.uol.com.br/php/index.php?lang=pt

Também para quem quiser ir além na coisa da religiões afro e sua música, tem o site do Núcleo de Antropologia Urbana da Usp:

http://www.n-a-u.org

onde se encontra o artigo “Cantar para subir: um estudo antropológico da música ritual no candomblé paulista”, entre vários outros dessa patota da pesada (bem anos 70 este termo, né?).

Vale a pena dar uma olhada também na página pessoal de um grande pesquisador de candomblé e religiões, que é o Reginaldo Prandi.

http://www.fflch.usp.br/sociologia/prandi/

Além de uma série de textos interessantes sobre o tema - disponíveis para download - tem um específico do nosso assunto que é o “ Orixás na Música Popular Brasileira: Diretório de 761 letras da MPB com referências a orixás e outros elementos das religiões afro-brasileiras — Período de 1902 a 2000”. Que baita, hein!

Ah, Prandi também é escritor e tem uns livros para crianças e jovens contando de forma muito bacana mitos dos deuses e deusas africanos que deram base a nossa religiosidade local. Narrativas que não deixam nada a dever aos gregos e nórdicos, etc., quanto ao sabor de aventura e à essência humana.

Bom, chega.

Alguém ainda pode perguntar: e a rede, do título do texto? Cadê?

Olha para cima e vê quanto link! Será que estou querendo sugerir um uso enriquecedor da rede mundial de computadores?

Agora, quanto à rede de dormir, depois de tanto cascudo que a vida dá, ave Caymmi – buda nagô, salve Paulinho da Viola – sidartha congo-angola e me deixa ir no balanço.

E abre a roda, que eu também sou cirandeiro.

Jorge Lampa - Músico que sonha em fazer o violão cantar e tocar a própria voz. Ama de paixão a música brasileira em suas várias vertentes e por isso fez e continua fazendo um bocado de cursos (Graduação em Música Popular, Mestrado em Artes e Doutorado em Música, tudo na UNICAMP). Atualmente, encabeça o projeto “Solo, Solar”, plantando suas
composições em solo fértil e abrindo as janelas para o sol entrar. Apareçam.

www.papolampa.blogspot.com

Friday, January 09, 2009

Zélio de Moraes Recuperado!!




Estamos realizando um trabalho de recuperação de fonogramas muito antigos da Tenda Nossa Senhora da Piedade. Muitos deles nos foram cedidos por Mãe Maria de Minas e Pai Solano, da casa Branca de Oxalá. Outros nos foram cedidos pelo falecido Pai Demétrio de São Paulo. Todos conheceram Zélio de Moraes e dona Zilméa. Era nossa intenção lançar em cd através da Ayom Records este material, mas a direção atual da tenda não concordou. Mas para que nossos irmãos de todo o país possam usufruir deste material, iremos colocar alguns fonogramas recuperados para a apreciação dos mesmos, num resgate de vários pontos que já não são mais entoados em nossos terreiros.


Abaixo, apresentamos duas faixas, do Caboclo Cobra Coral, gravada em um gravador Telefunken no ano de 1914, com o som original da fita em péssimo estado. A seguir, a faixa recuperada. Depois, o ponto do Caboclo das Sete Encruzilhadas, antes e depois de ser recuperada em nossos estúdios. Foi um trabalho difícilimo, levamos cerca de três meses em cada uma das faixas, ajustando as freqüências para que os pontos voltassem a serem ouvidos. A medida em que formos recuperando algumas faixas (são centenas de pontos), iremos colocando aqui no blogue, para audição. Basta clicar no linque aí do lado, em Zélio de Moraes.




Ponto do Caboclo Cobra Coral original, gravado em 1915, cedida por Pai Demétrio:



Ponto do Caboclo Cobra Coral, recuperado:





Ponto do Caboclo das Sete Encruzilhadas original, gravado em 1932, cedida por Pai Demétrio





Ponto do Caboclo das Sete Encruzilhadas recuperado: