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Monday, February 08, 2010

Escrava Isaura - 1976


Escrava Isaura - 1976 - Compacto - Som Livre
1-Elizeth Cardoso - Prisioneira; 2 - Francis Hime - Amor Sem Medo; 3 - Dorival Caymmi - Retirantes; 4 - Orquestra Som Livre - Nanã; 05 - Os Tincoãs - Banzo; 06 - Coral e Orquestra Som Livre - Mãe Preta;

A Escrava Isaura é um romance de Bernardo Guimarães que teve sua primeira edição publicada em 1875. O livro causou furor na época devido ao polêmico tema: a escrava de pele branca que era perseguida por seu senhor. Apesar da hipocrisia por trás do conceito (porque as pessoas se emocionavam mais com o sofrimento da escrava branca do que com o sofrimento igual - ou pior - dos outros personagens, negros.), o livro fêz a sociedade intelectual branca da época se enxergar na pele do outro seu semelhante, mesmo que de uma forma confusa. O mesmo aconteceu com a novela dos anos 70, quando as pessoas se viam divididas entre julgar as intenções do tema, no "absurdo" de existir uma escrava branca, mesmo que a história mostrasse o contrário, quando o verdadeiro absurdo era entender que nenhum ser humano merece estar em tais condições.
A trilha sonora é um primor, uma maravilha de arranjos, com composições, compositores e intérpretes espetaculares: Elizeth Cardoso, Francis Hime, os Tincoãs e Dorival Caymmi, além da Orquestra Som Livre, composta dos bambas da época. No que pese os arranjos globais serem extremamente pasteurizados, a banda fazia força prá fugir da escravidão branca dos produtores e soar exatamente como era: excepcional!
Clique abaixo para ouvir o clássico de Caymmi, "Retirantes", cujo refrão era e ainda é exaustivamente assoviado de forma "engraçadinha" por muitos patrões nazistas de todo o Brasil:


Friday, July 31, 2009

Yukihiro Takahashi - SARAVAH - 1974


Yukihiro Takahashi - SARAVAH - Compacto duplo - King Records - 1974

Lado A - Moody Indigo;
Lado B - Saravah!

Sim, senhores, podem acreditar em seus olhos!! Não, vocês não estão loucos, e o responsável por este blogue e por este acervo também não!! Você está no lugar certo, e na hora certa (que horas são?), aqui é realmente o ACERVO AYOM e é o único lugar onde você encontra raridades impressionantes como esta! Sim, a sua estupefação foi igual a minha quando, em minhas constantes e árduas buscas pela "Música do Santo", me deparei com este disquinho num sebo do Bairro da Liberdade (tradicional bairro da colônia japonesa de São Paulo). Li várias vezes, com incredulidade, o título, e como não conseguia ler o que dizia a parte de traz da capa do compacto (evidentemente em japonês!), pedi ao lojista que me ajudasse.
Apesar dos olhos puxados e da camisa escrito "Tóquio", o balconista me respondeu que se chamava Roberto Argemiro, que era brasileiro e não sabia ler japonês (talvez fosse um índio), mas chamou a dona da loja (uma bravíssima senhora que deveria ter uns 350 anos) que me deu uma tradução rápida, num japonês pré-histórico com sotaque Ainu e aqui conto o que consegui entender: o disco foi concebido numa viagem de duas semanas de Yukihiro à Paris, onde conheceu uma brasileira que era... DA UMBANDA (a senhorinha não sabia o que era isso, apenas disse que a palavra e que era uma "religión, né?")!!! Takahashi ficou muito impressionado com a palavra Saravá e seu significado (não sabemos o que a moça disse prá ele, mas deve ter sido coisa boa...), etc, etc, etc...



Como Yukihiro é um amante do samba bossa-nova de Tom Jobim, provavelmente a palavra o fêz lembrar-se de Carlos Lira com seu disco homônimo. Nascido em 52, Yukihiro Takahashi é um dos mais respeitados arranjadores do Japão e foi membro da banda de Rock Pop/Progressivo Yellow Magic Orchestra, juntamente com os igualmente famosos Haruomi Hosono e Riuichi Sakamoto (prá quem não se lembra, foi o compositor da belíssima trilha sonora do filme "O Grande Imperador"). A banda conseguiu chegar ao topo da parada britânica com o sucesso “Firecracker” no final dos anos 70 e foram uma grande influência no surgimento do acid house e do movimento techno do final dos anos 80 e começo dos 90.


A música Saravah é um samba bossa-nova cantado em Japonês, com as óbvias interpretações regionais que o suingue local permite. Com um arranjo belíssimo, a música é excelente, por mais estranho e bizarro que possamos achar um japonês legítimo fazendo um belo Saravá! Mas é a "Banda" já em 1974 chegando do outro lado do mundo! E salve Ela!


Para ouvir a faixa "Saravah", clique abaixo:

Sunday, July 29, 2007

Cigano - Minha mãe! - 1974


Cigano - Minha mãe - CID - CS -1974
Lado A - Simplesmente mãe;
Lado B - Yemanjá;
Compacto raríssimo deste cantor obscuro dos anos 70. Imitava Roberto Carlos e provavelmente era sua intenção se colocar na mídia religiosa (assim como Roberto faz até hoje com o catolicismo) através da Umbanda. Não temos registros de mais nenhuma outra gravação dele, mas vou lhes dizer: essas duas músicas são demais!! A banda é absurdamente boa, bateria, baixo, metais, percussão, orquestra, backing vocals, guitarras, tudo bem gravado, com o Ciganão mandando muito nos vocais. O percussionista da música Yemanjá quebra tudo nas congas. Considerando tudo que surgiu na cola do Rei nos anos 70, o "Cigano" até que merecia um reconhecimento maior da indústria fonográfica e do público em geral...


Para ouvir o lado B, "Yemanjá", clique abaixo:

Tuesday, October 03, 2006

Melodias de Terreiro1 - 70? 80?


Melodias de Terreiro 1 – CS – (Ogan - Provavelmente meados dos 70, meio dos anos 80) – 01-Iansã; 02- OiáOiá; 03-Cabelos louros; 04-Dona do Jacutá; 05-Moça Bonita 06-Oxum; 07-Cachoeira da Oxum; 08-Alto da pedreira; 09-Nagô oxum/Mamãe Cinda;

Ogã José Laurindo e Coro da Tenda Espírita Caboclo Tupinambá, com Alabês Edvaldo e Heleno; Um disquinho simples, sem maiores informações além das colocadas acima. Raríssimo, não sabemos da existência de um volume 2. Atabaques tocados em Cabula simples, com clima do terreiro bem acentuado. Os músicos são competentes, embora a masterização não seja muito boa (talvez tenha sido gravado num estúdio com poucos recursos), o disco é agradável e dá vontade de saber se existe por aí um LP com mais faixas.


Para ouvir a faixa 08, "Alto da Pedreira", clique abaixo: