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Tuesday, September 21, 2010

Egungun - 1964





Egungun - LP - Secneb (Sociedade de estudos da cultura negra do Brasil) - 1964
Um disco importantíssimo, raríssimo e maravilhoso: um dos primeiros registros do culto lesé Egun de Itaparica, com a colaboração de quatro figuras lendárias para o povo de santo em todos os tempos: Juana Elbein dos Santos, Nei Lopes, Mestre Didi e Pierre Verger. O disco peca um pouco pela qualidade da gravação, mas consegue captar o que há de melhor nas coisas do "Santo": pureza e autenticidade!
Abaixo, descrevemos as faixas dos lados A e B e o que cada cântico representa dentro do ritual.

Lado A:
1. Iba Orisha Iba Onile
Saudação a Onilé no início de cada cerimônia.
2. Osanyin
Nesta faixa são entoados três cantos louvando a Osanyin, patrono das folhas e da medicina.
3. Egunugun Kigbale
Através deste cântico os ancestrais são chamados a entrar e incorporar-se no mundo dos vivos.
4. Ewo Nile
Aviso de chamada, alguma coisa está para acontecer. O ancestral vai chegar.
5. Oro Abi Oro
Este cântico expressa o significado do rito, reencenando as ligações com a comunidade, trazendo a bondade, felicidade e bem-estar.
6. Onile Mo Bodo Ile
Baba está chegando, ele anuncia-se, saudando os anciões e pede permissão para vir até o barracão.
7. Nile Wa Alagbe
Baba canta, incentivando os Alagbês, os músicos-sacerdotes.
8. Agboula Ago Nile
Quando Agboula vem ao mundo, todas as coisas se tornam felizes.
9. O She Wara Wara
Dois cânticos em homenagem a Xangô, ancestral divinzado da dinastia real de Oyó, onde ainda pode-se encontrar vestígios da comunidade Agboula, suas origens na África. Muitos dos Eguns reverenciados hoje, foram em vida, adoradores de Xangô.

Lado B:
1. Saudações a Baba Olukutun, chefe de todos os antepassados.
2. Loni Ojo Odun
Dois cânticos de grande alegria no festival anual de Baba Olukotum. Uma explosão de fogos intensifica a cerimônia.
3. Kiye Kiye Bo Iroko
Homenagem ao Egun dos antepassados que foram reis em vida.
4. Orisha Wa Iye
Um cântico para chamar as entidades para vir e dançar com alegria.
5. Afulele Ade
Um canto em homenagem à Oya Igbale, rainha e padroeira dos Eguns.
6.Omi Ro
Um dos cânticos mais profundos, que evoca toda ancestralidade do povo africano.
7. Aluja
Os tambores tocar Aluja, o ritmo preferido de Xangô, o maior de todos reis, Alafin de Oyó, senhor da justiça, dono do fogo e do trovão.
Para ouvir a faixa 08, Agboula Ago Nilê, clique abaixo:

Monday, August 16, 2010

Les revenants de Ouidah - 1943



Les Reveants de Ouidah - EP - Discafric - 1943

Lado A: Savi Gnon Nou Lê;

Lado B: Ibahê;

Disco raríssimo, registra o culto Egun como era realizado no antigo Daomé. Podemos ouvir os instrumentos dos Alayans, Dunduns e Batás (no verdadeiro fundamento, Alabês e Ojès possuem uma importante e inseparável conexão espiritual e ritualística, sacralizada nas varas rituais). Na faixa apresentada abaixo, podemos escutar o diálogo entre o Ojè e o Ancestral materializado nas roupas e máscaras sagradas.

Por falar nisso, lembrem-se: jamais toquem em um Egun!!

Para ouvir a faixa Ibahê, clique abaixo:


Thursday, August 27, 2009

Afrique Vol. 1 - Collection du musée de l'homme -1952



Afrique Vol. 1 - Collection du musée de l'homme - VOGUE - LP - 1952

01.Acclamation des femmes; 02.Acclamations des femmes & Tambour Ogbon; 03.Chants des Mariwo; 04.Choeurs et tambours Ogbon; 04.Discours du Revenant et Choeurs des Mariwo; 05.Iwi Engungun; 06.Souhaits des revenants;


Em 1952, Pierre Verger, o famoso Babalawô, fotógrafo e ethnologista, realizou algumas das mais famosas fotos dos Eguns em terra, pois fotografar os Eguns é proibido. Egun é uma máscara, um ancestral divinizado que volta à terra através de rituais onde são invocadas as forças essenciais do morto para que sua força animal preencha as roupas sagradas de que le se serve para atuar novamente no mundo. Pierre Verger realizou este trabalho em parceria com Gilbert Rouget, o grande Etnomusicologista que trabalhou durante um longo período em Benim.



Este disco é raríssimo. Tão raro que até dói o osso ilíaco!! Existem apenas umas 50 cópias dele no mundo inteiro (se é que ainda existem, pois a gravadora o lançou apenas por causa do trabalho de Verger, mas não acreditava que o produto fosse vender), o que leva os colecionadores a se estapearem quando descobrem algumas delas. Eu mesmo dei umas bofetadas em uns três prá conseguir esse. As gravações foram feitas em um gravador de rolo, em condições absolutamente livres de qualquer acústica, no ambiente natural do templo do Benin.

Há o ritmo maravilhoso do tambor Ogbon, os tambores dos Alabês/Babalawôs da sociedade Oshogboni e o os cânticos de invocação das mulheres e dos homens e o cântico de Mariwô, a palha sagrada de Xapanã e Ogum, os senhores da morte, simbolizando a cortina disposta no chão, na forma de esteira, que separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos.

E, finalmente, a última faixa, Souhaits des revenants, onde podemos ouvir a raríssima voz do próprio Egun em terra, organizando a comunidade com seus conselhos e orientações.

Para ouvir a faixa "Souhait des Revenants", a voz do Egun, clique abaixo:






Só para ilustrar, um culto a Baba Egun na África, do "Povo "Zangbeto" os Guardiões da Noite, um Culto Ancestral, patriarcal beninense.



Aqui, um emocionante registro de um Baba Egun, filmado em Lauro de Freitas/Bahia no Ase Opo Aganju, onde o Bàbálàwòrìsà é Obaray (Balbino Daniel de Paula), filho de Alapini Pedro... reparem na alegria do pessoal ao receber seu ancestral, por sinal muito simpático e amoroso!!!


Saturday, May 16, 2009

Atabaque - Tocando para os Orixás


Atabaque - Tocando para os Orixás – Gravadora desconhecida – CD – data: ?

01.Todos os Orixás – Bata; 02.Ogum – Vasse; 03.Oxossi – aguerê; 04.Ossanha – Vasse; 05.Obaluayê – Opanijé; 06.Omulu – Savalu; 07.Oxumaré – Bravum; 08. Xangô - Vasse/Alujá; 09.Xangô – Arrebate; 10.Oxum – Ijexá; 11.Iansã – Ihu; 12.Iemanjá-Jincá; 13.Oxalá – Ibi; 14.Todos os Orixá – Ramunha; 15.Tempo – Congo; 16.Mamento/tateto –Barravento; 17.Todos orixás – Cabula; 18.Babalorixá/tatetos – Agabi;

Este disco foi enviado da Bahia por um admirador do acervo. É um disco que consta de informações pouco precisas com relação à datas, intérpretes e informações dos toques, que nos pareceu um pouco confusa, além da capa ser um xerox bem "funhanhado " e apagado. A gravação é extremamente precária (parece que foi gravada num gravadorzinho digital de mão, pois escuta-se o “bip” que anuncia a pausa do aparelho), mas, minha gente, QUEM SÃO ESTES ALABÊS??? Precisão, técnica, velocidade, uma MARAVILHA! Fazem o que se deve fazer em toques de kêto e angola e garanto a vocês, se fecharem os olhos durante audição vocês serão capazes de ver os eleguns dançando com a roupa do orixá correspondente ao toque, tamanha a capacidade de invocação dos camaradas. O tocador de Rum me pareceu o Vadinho, ou alguém que aprendeu com ele, mas como ter certeza?? Se alguém tiver mais informações nos informe, aqui, no meu, no seu, no nosso... acervo ayom!

Para ouvir a faixa 14, "Ramunha", clique abaixo:

Sunday, May 04, 2008

Rogério de Oxalá - Aborissá - 1994


Rogério de Oxalá - Aborissá - Cáritas - LP - 1994

01.Exu; 02.Exu; 03.Ogun; 04.Oxossi; 05.Oxossi; 06.Ossaim; 07.Ossaim; 08.Obaluaiyê; 09.Oxumarê; 10.Nanã; 11.Oxum; 12.Oxum; 13.Oxum; 14.Oxum; 15.Logun-edé; 16.Xangô; 17.Xangô; 18.Xangô; 19.Xangô; 20.Oyá; 21.Oyá; 22.Obá; 23.Ewá; 24.Yemanjá; 25.Oxoguian; 26.Ibi; 27.Orumilá;

Pai Rogério de Oxalá com Ebome Geralda de Ogunté, Pejigan Edmilson, Exedy Flávia de Opará, Pejigan Carlos de Oxossi; Ogans Paulo Cesar de Oxossi, Beto de Yemanjá e Cidão;

Este é um disco muito bom, apesar da qualidade de gravação, que deixa muito a desejar, principalmente nos graves. Outra impressão que se tem é de que foi gravado em mono, a instrumentação e o coral estão tão abafados que não é possível perceber qualquer variação de ambiência. Provavelmente algum problema deve ter ocorrido na masterização, o que é surpreendente na época do LP, quando ainda não existiam as "facilidades" do mundo digital, ou seja, era tudo feito com muito esmero e profissionalismo.

Voltando ao disco, este é um trabalho que possui uma particularidade interessante: vemos pontos difíceis de serem encontrados em outros discos, tais como o de Orumilá e o de Obá e de Ibi. Estes três cânticos aqui apresentados são coisa rara até mesmo de se ouvir em casas de santo nos dias de hoje. Como resgate, este é um disco muito bom, além, claro, de outras qualidades óbvias, como os alabês, todos muito bons.
Para ouvir a faixa 18, "Xangô", clique abaixo:

Saturday, May 03, 2008

Orikin de Ogum - 1978


Orikin de Ogun - Cáritas - LP - 1978

01.Invocação "Vamunha"; 02.Chamando Ogum prá guerra; 03.Petição a Ogum; 04.Reza Odura; 05.Sassanha de Ogum; 06.Sasanha de Ogum (toque); 07.Odura; 08.Odura (Rezas) 09.Bravum (Gege/Nagô);

Pai Arlindo Pires do Rio, com ebame Rosana, Equédi Sueli, Pejigan Arlindo Filho e os alabês Arlete (agogô), Arnoldo (Rum), Fábio (Rumpi), lé (Edson);
Um clássico da música de terreiro, este é um dos discos mais conhecidos pelos adeptos do Candomblé. O templo Xangô Airá Aufungêge possuía ótimos alabês e pai Arlindo canta muito bem, com sua voz firme. As vezes o coro dá umas semitonadas, mas nada que comprometa o trabalho final. Gravado como se fosse num ritual, "ao vivo", sem overdubs, a execução é ótima e em alguns momentos chega a ser instigante.

Para ouvir a faixa 02, "Chamando Ogum prá guerra", clique abaixo:


Sunday, January 13, 2008

Viva Bahia - Volume 2 - 1968

Viva a Bahia - Volume 2 - LP - Philips - 1968

01.Candomblé de Kêto; 02.Samba de Roda; 03.Capoeira;
Criado em 1962, o Conjunto Folclórico da Bahia nasceu com o objetivo de despertar o interesse de estudantes pela música popular, através de pesquisas e realizações artísticas sem abandonar o aspecto da espontaneidade e autenticidade, tão importantes no folclore. O grupo foi pioneiro no estado da Bahia, supervisionado e orientado pela professora Emília Biancardi Ferreira e era constituído de estudantes de vários estabelecimentos de ensino médio da Secretaria de Educação e Cultura do Estado. O disco, gravado em mono e captado de modo amador possui problemas sérios de nitidez no que se refere aos timbres dos instrumentos e mesmo à limpeza dos corais. Mas é um belíssimo disco - raríssimo -, e junto ao seu antecessor, resumem bem o contexto da musicalidade baiana na época e mesmo nos dias de hoje. As faixas são únicas, os músicos não dão pausas entre os cânticos e a gravação foi realizada ao vivo e sem cortes no tetro Castro Alves. O Alabê principal, pelo jeito de cantar e tocar, provavelmente é o mestre Vadinho do Gantois, inconfundível. No disco - como sempre - não constam os nomes dos músicos.

Para ouvir o excerto da faixa 01, "Oyá", clique abaixo:

Sunday, January 06, 2008

Obá Kawô: Sua real majestade - 1993


Obá Kawô: Sua Real Majestade - LP - Cáritas - 1994

01.Obá Coba Penaô; 02.bara ê ti Boasé; 03.Ê mo dô bi; 04.Saorô ginguin; 05.Obá Padewalonan; 06.Au-ra Ure; 07.Arelê o Bacowao; 08.Obá Alafim; 09.Obá Seré; 10.Ya masse Malé; 11.Obá Dodê; 12.Adupé; 13.Adupé Ni mobá; 14.A um bobo o luwo;

Alabês: Arodobi, Nil, Regivaldo Paul e Dú;

Coro: Oroniundebê, Rosângela D'Oxum, Geni d'Obaluaiê, Keminsudan, Arlet D'Ewá, Ekedi Isabel, Thaís d'Oxum, Ekedy Fabiana, Toninho de Oxum.

Apesar da parte gráfica possuir alguns erros, "Majestade" está escrito com "G" na capa, além de outros erros na tradução das músicas, o disco, na parte musical foi feito com carinho e cuidado. Se existem problemas são na captação dos instrumentos e na produção dos corais - algumas vozes desafinam muito e percebe-se uma certa insegurança, talvez fruto de inexperiência no estúdio - mas é um trabalho agradável, com algumas cantigas poucas vezes ouvidas nos cantos de terreiro.

Para ouvir a faixa 07, "Arelê o Bacowao", clique abaixo:


Sunday, December 23, 2007

Candomblé - 1977


Candomblé - LP - Phonogram/Fontana - 1977
1.Exu; 2.Ogum; 3.Oxossi; 4.Ossanha; 5.Obaluaê; 6.Oxumarê; 7.Xangô; 8.Iansã; 9.Oxum; 10.Nanã; 11.Yemanjá; 12.Euá; 13.Obá; 14.Oxalá; 15.Avania;
Atabaques: Vadinho, Dudu, Alcides;
Coro: Alice, Eliana, Vadinho, Dudu, Alcides;
O lendário percussionista Djalma Corrêa não foi importante apenas para a cultura brasileira através de seus instrumentos. Também foi um grande estudioso e batalhador do resgate e do registro de várias manifestações dos cultos brasileiros e neste disco contribui com o registro do grande alabê Vadinho do Gantois, acompanhado por outros excelentes músicos de outras casas da Bahia. Um disco excelente, muito bem gravado e gostoso de se escutar.
Para ouvir a faixa 02, "Oxossi", clique abaixo:



Tuesday, December 18, 2007

Imbarabô - Prov. 2003

Imbarabô - Jorge da Fé em Deus - CD - Independente - Prov. 2003
01 - Cânticos Abertura do Tambor - Exú e Ogun; 02 - Cânticos Para Oxalá-Lissá; 03 - Cânticos Para Xangô; 04 - Cânticos Para Badé; 05 - Cânticos Para Toy Averequete; 06 - Cânticos Para Nanã-Vó Missã0; 7 - Cânticos Para Yemonjá-Agbê; 08 - Cânticos Para Oxum; 09 - Cânticos Para Yèwá; 10 - Cânticos Para Navê Zuarina; 11 - Cânticos Para Oyá-Iansan; 12 - Cânticos Para Todos Orixás; 13 - Cânticos Para os Voduns Jejes; 14 - Cânticos Para Toy Zezinho D'Maramadã; 15 - Cânticos Para Oxumarê-Dan; 16 - Cânticos Para Obaluaiyé-Xapanã-Akossi; 17 - Cânticos Para Fechamento do Tambor de Mina - Exu e Lebara;
Uma das vertentes dos cultos brasileiros no Maranhão é o Tambor-de-Mina. Mina identifica diversas etnias de escravos que foram trazidos para o Brasil, embarcados no Porto de São Jorge del Mina, na Costa da África, sendo representado principalmente pela Casa das Minas e pela Casa de Nagô. Na primeira foi implantado o culto aos Voduns e suas famílias. Na Casa de Nagô além dos Voduns são cultuados os Orixás Nagôs, e os Encantados, Nobres, Fidalgos e Caboclos. Destas duas casas surgiu a tradição do Tambor de Mina, onde são usados os tambores conhecidos com Abatás, acompanhados pelos Gãs de ferro e os Agüés (Xequerês). O rito é uma seqüência de cânticos e danças que são dedicados às entidades espirituais homenageadas em cada festa e em cada casa. Descrevem apenas quatro ritmos que são identificados como Dobrado, Corrido, Dobrado Cadenciado e Repinicado. Este disco é uma coletânea do Tambor de Mina do Maranhão, cantado em Nagô-Tapá, Agrono e Jêje-Fon pelo Babalorixá Voduno Jorge Itaci de Oliveira, grande guardião das tradições maranhenses. O título Imbarabô refere-se ao cântico inicial, pedindo ao Orixá Exu que abra os caminhos para as outras divindades. Um disco muito bom, feito com dedicação e esmero. Os músicos são excelentes e Pai Jorge Itaci canta muito bem, chegando a emocionar. Um resgate importantíssimo e exemplo do que o Brasil tem a mostrar de melhor em termos de religiosidade. Infelizmente o disco não traz a data da gravação nem o nome dos músicos...

Para ouvir a faixa 12, "Cânticos para todos os Orixás", clique abaixo:

Sunday, September 02, 2007

Cânticos de Terreiro - Luiz da Muriçoca - 1971

Cânticos de Terreiro – Luiz da Muriçoca – LP – Philips – 1971

01.Saudação aos Orixás; 02.Ogum; 03.Oxossi; 04.Omolu; 05.Ossanha; 06.Oxumarê; 07.Xangô; 08.Logum; 09.Oxum; 10.Iansã; 11.Eua; 12.Exu; 13. Babá;

Luiz da Muriçoca é um dos mais respeitados Pais de Santo da Bahia e neste disco, traz mais algumas cantigas tradicionais dos candomblés Ketu. Gravado ao vivo no Teatro Castro Alves, mostra um xirê bem cantado, com alabês muito bons – infleizmente não há o nome dos músicos. Há algum problema no áudio, os instrumentos estouram um pouco na master, mas não compromete o trabalho.


Para ouvir a faixa 09, "Oxum", clique abaixo:

Wednesday, July 11, 2007

Bango – 2005


Bango – CD – Independente – 2005
11 faixas sem nome

Conhecemos o Alabê Lindoiá quando estivemos em Salvador. Ele é um dos raros tocadores de Sirrum – as cabaças na água utilizadas no Axexê junto com os porrões (potes de barro consgrados ao cultos dos mortos) – e é um camarada muito especial. Me indicou e providenciou vários discos para o acervo da FTU e é uma grata amizade naqueles páramos. O cd em questão foi gravado por ele e por Argôlo, um outro Alabê do Culto Lese Egun. São onze faixas sem identificação e a gravação é independente. Lindóia e Argôlo tocam suavemente e cantam baixinho, pode-se até "ver" a concentração no que fazem. O clima do disco é meio fúnebre (!) para quem não está acostumado com o culto Egun e segundo eles, como escreveram no encarte, o disco foi desenvolvido visando resgatar e preservar os Orim Egum Gum. Devemos apoiar essa inciativa. Um disco muito bom. Quem quiser adquirí-lo é só ligar pros meninos: (071) 9938-1296/3312-5749


Para ouvir a faixa 04, clique abaixo:

Sunday, July 08, 2007

Mãe Menininha do Gantois - 1974



Mãe Menininha do Gantois – ao Vivo – LP – Phonodisc - 1974

1.Entrevista depoimento com Mãe menininha do Gantois; 2.aguerê de Oshosi; 3.Hamunha; 4.Oração a Mãe Menininha; 5.Ijexá de Oshun; 6.Alujá de Shangô; 7.Ibí de Oshalá; 8.Depoimento de Manoel Queiroga;

Alabês:

Vadinho: Rwm
Edinho: Gan e Rwm-Lé
Loló: Rwm-Lé
Badaró: Rwm-Pri

Mãe Meninha do Gantois nasceu no dia 10 de fevereiro de 1894, na cidade de São Salvador, Bahia. Seu nome de batismo era Maria Escolástica da Conceição Nazareth e era descendente de nigerianos.

No inicio do século XIX, sua avó D. Maria Júlia da Conceição Nazareth, fundou o "Ilê Iyá Omi Axé Iyamassê" - o Terreiro do Gantois. As terras onde o Terreiro foi edificado foram compradas do francês Sr. Gantois, pelo cônjuge de Maria Júlia, o africano, Sr. Francisco Nazareth de Eta. Maria Escolástica da Conceição Nazareth era sobrinha da iyalorixá Pulchéria Maria da Conceição, que também era sua madrinha de batismo, e quem a iniciou no culto dos orixás, na nação Ketu, aos 8 anos de idade. Por esse motivo ela recebeu o apelido de "Menininha".

Mãe Menininha seria a sucessora direta de Mãe Pulchéria na função de iyalorixá do Gantois, mas com a morte repentina de Mãe Pulchéria em 1918 o processo de sucessão foi acelerado, pois Gantois não poderia ficar sem um dirigente. Através do jogo de búzios, os orixás Oxóssi, Xangô, Oxum e Obaluaiyê escolheram e confirmaram Menininha, então com 28 anos, para assumir a função de dirigente do Candomblé do Gantois, em 1922.

Entrada do terreiro do Gantois

Mãe Meninha enfrentou perseguições da polícia, que reprimia com violência a prática do culto aos orixás. Chegou a ser presa por resistir a polícia cultuando os orixás no candomblé de Gantois.
Mãe Menininha estava consciente de que a religião do candomblé era o último reduto de resistência da dignidade negra, da preservação da história do negro que não foi contada na escola, por esse motivo defendeu a preservação histórica dos locais sagrados onde estavam localizados os primeiros Terreiros de candomblé em Salvador, como por exemplo, o Engenho Velho e a Casa Branca.


Mãe meninha era casada, e tinha duas filhas, e durante 64 anos foi a força do Gantois, fazendo-se amar e respeitar por todo o povo baiano, a princípio e depois pelo povo brasileiro em razão de sua doçura, sabedoria e firmeza na defesa das tradições afro-brasileiras. Mãe Meninha foi a iyalorixá mais importante da Bahia e do Brasil, haja vista que todos babalorixás e iyalorixás a veneravam. Também foi inspiração de belas músicas, cantadas em prosa e verso por Dorival Caymi, Caetano Veloso, Bethânia, Gal Costa e Gilberto Gil, entre outros.

Este é um disco raríssimo e se por um lado é um excelente registro dos impressionantes Alabês que atuavam da casa do Gantois nos anos 70, por outro, ele peca pela pouca objetividade em focar uma figura tão forte na religiosidade brasileira como foi Mãe Menininha. Não que a homenagem tenha sido ruim (apesar do teclado horrível que se ouve ao fundo na faixa da entrevista, uma lembrança da estética da época), mas poderia ser mais completa, com perguntas mais valiosas para um registro deste porte. Mãe Menininha, na verdade era tão importante e tão emblemática para o Brasil que o disco ficou pequeno. Depois de ouvirmos o LP, ficamos querendo mais toques (que alabês são esses, por Zamby, que cacetada!! Ouvi poucos, muito poucos, desse nível!!) e, claro, mais cânticos – não há nenhum no disco - principalmente na voz de Mãe Menininha, ficamos curiosos para saber como era sua voz cantada e como puxava, naquela época, os pontos e orikis. É como é: quem viu, viveu...!



Para ouvir a faixa 03, "Hamunha", clique abaixo:

Wednesday, June 27, 2007

Orikin de Yansã – 197?/1995


Orikin de Yansã – A Universal/Cáritas – 197?/1995

1.Aguerê de Iansã –Oduras Ketu;2.Oduras (Rezas) Aguerê de Iansã Ketu;

Vocal Principal: Arlindo Pires do Rio;

Vocais: Ebame: Rosana; Equéde: Sueli; Pejigan: Arlindo Filho;

Agogô:Arlete; Rwm: Amoldo; Rumpi: Fábio; Lê: Edson;

Este disco conta apenas com duas faixas enormes de cada lado, sem especificação dos nomes dos pontos que são entoados, embora haja divisão nas mesmas. São simplesmente chamadas de “Oduras”, como são conhecidas as rezas nas nações Keto.

O grupo é bom, embora haja algumas pequenas falhas na interpretação, talvez pelo fato de estarem em estúdio, longe da atmosfera de terreiro, mas não chega a comprometer o trabalho final.


Para ouvir a faixa 1, "Aguerê de Iansã –Oduras Ketu", clique abaixo:

Shiré Orixá Ede Yorubá – 1974

Shiré Orixá Ede Yorubá - Korin Nagô – Musicolor – 1974

01.Eshu; 2.Ogun; 3. Oxossi; 4.Omulu; 5.Oshumare; 6.Ossaniyn; 7.Shango; 8.yemanjá; 9.Oba. 10.Oshun; 11.Yansan; 12.Nana; 13.Ewa; 14. Oshalá;

Vadinho do Gantois – agogô e voz;
Edinho do gantois – atabaque e voz;
Eunice – Voz;
Dudu – atabaque e voz;
Lula – Atabaque e voz;
José Carlos – Caxixi

Um disco muito bem gravado, com músicos excelentes e uma belíssima capa. Em sua edição original (musicolor) é um disco bem raro e as poucas vezes que o encontramos estava sempre em estado lastimável. Esta cópia nós restauramos praticamente todas as faixas. O músico que toca o Rwm é excelente, preciso e criativo, como poucos já ouvidos. Vadinho canta bem, ao estilo dos antigos Alabês, com a voz soando com uma entonação bem “africana”, com as acentuações em locais que fazem uma síncope na letra de modo a parecer que a voz ora está à frente, ora está atrás dos instrumentos. E só canta assim quem tem segurança prá levar um xirê por horas a fio... Muito bom!


Para ouvir a faixa 04, "Omulu", clique abaixo:

Tuesday, June 26, 2007

Axexê - 1975

Axexê - LP - K7 – Cáritas - 1975

1.Tocororô/Axexe Mojibá/Ofé ié airicó/Tá Um batacum; 2.amura Sebiná/Dabiuá Kokê/Corajá Ojarê; 3.Odurô Oi Ku Aiê/Auê Má Oiá; 4.Sim Azim La Gogéia/Ziriná Cota Moda; 5.Tambô Afã/Bangô Tatê/Simbe Ke Um/Xóra Kum Kangá; 06.Robobô Oiá/Oiá Tu Felebé; 07.Ta No Bongoiô/Xóra Muketum/ Ta I Mam/Kuenda Maionguê/Omulukum ê Maxá Ire; 08. Alá Uma Fá Gogó/abiku Alá Ore; 09..Airá Bikuô/Nio Kuô tauê Xê; 10..Sobá Birelê/Ená Dirê; 11 Banja Banja Cururu/Aê Aê Rumbê; 12.Ai Ku Balelê/E ku Olo Zan;

Gabriel s. Carvalho - Alabê Huntó Geí

Axexê: cerimônia realizada após o falecimento de alguém iniciado no candomblé.

A palavra Axexê é uma corruptela de ajeje , nome específico dado à trouxa das coisas que sai para ser posta fora, conforme veremos. O axexê, como o ipadê sempre foram rituais feitos pelos descendentes religiosos do reino de Ketu, dos caçadores, do qual Oxossi foi seu rei, tanto assim que até hoje está presente essa marca no canto que inicia o axexê:

Axexê oni mo juba....
O axexê é hoje meus respeitos

Axexê, omo ode........
O axexê, do varão caçador

Axexê Olorun Baba o...........
Axexê ó Deus Pai Axexê,

Axexê omo ode........
O axexê,o axexê do varão caçador

Quando um iniciado no candomblé morre, junta-se todos seus pertences pessoais utilizados em sacrifícios e obrigações, como roupas, colares e os assentamentos de santo e se faz uma consulta oracular para se saber do destino dos objetos separados, se ficam com alguém. Em caso positivo, o objeto ou objetos em questão é lavado com ervas sagradas e entregue ao herdeiro ou herdeiros revelado(s) no oráculo, e em caso negativo, o objeto é separado para junto com os demais e, após serem os colares rompidos, as roupas rasgadas e os assentamentos quebrados, são colocados em uma trouxa que será entregue em um local também indicado pelo oráculo.
Normalmente, a trouxa, chamada de Carrego de Egum, é acompanhada de um animal sacrificado, indo de uma única ave à um quadrúpede acompanhado de várias aves, dependendo do grau iniciático do morto. E ainda, se o falecido era um iniciado de pouco tempo, basta um lençol branco para embalar o carrego, se se tratava de alguém mais graduado, o carrego é colocado em um grande balaio, o qual é depois embalado no lençol.

O processo de preparação e entrega, ou despacho do Carrego de Egum é a cerimônia fúnebre mínima que se dedica a qualquer iniciado no candomblé quando morre. As variações surgem, como foi já colocado, dependendo do grau iniciático ao qual pertencia o morto mas também da Nação em que fora iniciado. Se o morto era uma pessoa graduada na religião é que mereceria um Axexê. O Axexê nesses casos antecede ao Carrego de Egum e consiste em uma, três ou seis noites de cânticos e danças na qual se celebra a partida do iniciado para o outro mundo, rememorando o nome de outros iniciados já falecidos e, enfim, os eguns em geral. Canta-se também a certa altura para os orixás, menos para Xangô e Oxalá para os quais se canta no depois da entrega do carrego no ritual do arremate.
Ritual de axexé
Todos os participantes devem vestir branco, a cor do nascimento e da morte no candomblé, e devem estar com a cabeça e os ombros cobertos. Obedecem-se vários preceitos rígidos de comportamento dentro do terreiro durante todo o processo, para evitar melindrar o espírito que está sendo respeitosamente despedido. Depois do carrego despachado, canta-se o arremate no dia seguinte à tarde, antes do pôr-do-sol, as mesmas cantigas do Axexê são ainda entoadas e no final são louvados os orixás, e empreende-se uma limpeza ritual do terreiro, com a participação eventual dos orixás que porventura tenha se manifestado em seus médiuns.
Ao longo do Axexê mesmo somente orixás mais ligados à morte como Oyá-Iansã, Obaluaiyê, Ogum, etc. costumam se manifestar. No caso em que o morto era um pai ou mãe de santo cujo terreiro permaneceu ainda aberto, costuma-se repetir o ritual um, três, seis meses, e um, três, sete anos depois do Axexê inicial.


O sirrum

O Axexê também é conhecido pelos nomes de sirrum e zerim, nomes em Língua Fon significando os instrumentos que são percutidos em substituição aos atabaques. Sirrun, é corruptela de sinhoun, de sin água e houn tambor. O sirrum é uma metade de cabaça emborcada em um alguidar onde se encontra uma mescla de substâncias líquidas e o zerim é um pote com certas substâncias dentro que é percutido com um leque de palha dobrado em dois. Quando se trata de uma pessoa especialmene antiga e poderosa na religião, o Axexê é tocado com atabaques mesmo, com os couros ligeiramente afrouxados para serem depois também despachados no carrego. Em alguns terreiros da Nação Ketu também se usa tocar Axexê com três cabaças: duas inteiras e uma com a ponta cortada.

O disco é excelente, com o alabê Gabriel cantando muito bem. O coral canta no limite, naquele típico quase-semi-tom, mas não chega a desafinar e não incomoda. Os músicos são maravilhosos e uma pena que não venha informação alguma sobre eles.


Para ouvir a faixa 04, "Sim Azim La Gogéia/Ziriná Cota Moda", clique abaixo:

Olubajé – O Banquete do Rei – 2000


Olubajé – O Banquete do Rei – Livro/CD – 2000

1.Faixa Multimídia; 2.Ilú; 3.Bata; 4.Aguerê; 5.Ijexá; 6.Adarrum; 7.Alujá; 8.Igbim; 9.Opanijé; 10.Avamunha; 11.Huntó; 12.Sato; 13.Adabi; 14.Bravum; 15.Tonibobé; 16.Korin Ewe; 17.Okelé; 18.araaye a je nbo; 19.É ajeniníìya; 20.Opeèré ma dó péré; 21.Omulú kìí bé rú já; 22.Àgò n’ilé, n’ilé; 23.Olóri ìjeníìya a pàdé; 24.Olóri ìjeníìa a padé; 25.Jô ale ijó; 26.àká ki fàbò wiwa; 27.Ò kìnì gbè fáárà faroti; 28.Ó ni a ló ijníìya; 29.Wúlò ní wúlò; 30.Omulú to ló kum; 31.Opé ire Onilè wá; 32.Omulú pè olóre; 33.Jé a npenpe; 24.Kóró nló awo; 35.Òsùmàrè wàlé lê mo ri; 36.Òdì Nana ni ewà/Nana ayó/Ó iijá wa òré; 37.Yemonja àwa/Ìyá Kòròba; 38.Oya balè e láári ó/Olúafééfé sorí omon; 39.Éyin ri àwa/àjàlá mo orí mo yo; 40.Oj´mó tyin odó alayé;

Alabês: Leandro da Castro e Souza; Luiz Gustavo da Conceição; Raimundo Santa Rosa; Uraçari de C.Pinto;
Coro: Cláudia Moraes; Dil Fonseca; José Renato Baptista; Marilza Torres; Marlene De Lufan

Solo Vocal: M. Lúcia da Silva;

Assim como seu antecessor “A Fogueira de Xangô”, este livro é uma obra ímpar, sensível e necessária aos cultos brasileiros. O imaginário social dos templos é desvendado pouco a pouco na escrita, simples e direta, mas que possibilita ao leitor penetrar no intrincado simbólico da rica religiosidade brasileira.
A gravação é primorosa, com excelentes músicos e a parte cantada, com o encarte no livro onde encontramos a partitura é um achado dentro do mundo das gravações da música sacra brasileira, pois jamais, antes, na história da fonografia de música de terreiro foi dada tamanha atenção e respeito aos registros de cânticos sagrados..


Para ouvir a faixa 29, "Wúlò ní wúlò", clique abaixo:

Tuesday, March 20, 2007

Fogueira de Xangô - 2005




Fogueira de Xangô – CD – (Pallas – 2005) 01.Bata; 02.Alujá; 03.Tonibobé/Kakaká-Umbó; 04.Oba Kawabá; 05.Ó niiká, Ó niiká; 06.Oba irá l’oko; 07.Béè ni je; 08.E ní pá léèrin; 09.Imo wá; 10.Àwa Dupé; 11.A dúpé; 12.Fé lê; 13.Sángbá; 14.Óni Dada; 15.Dada má sokun; 16.Báyànni gidigidi; 17.Fura ti na; 18.Ibá Orisá; 19.Òrán in; 20.Oba Sérée la fèhinti; 21.Eye Kékéré; 22.Airá ójo; 23.A niwa Wure; 24.Olowó; 25.Omo asiko bere; 26. Ago l’óna e; 27.Oba ní sà; 28. Máà inón; 29.Aláàkóso; 30.A sín e doba àra; 31.Aira ó lê lê; 32.Airá ó, ore géde; 33.Gbáà yíì l’àse; 34.Sàngó e pa; 35.Fírì ínón; 36. Barú; 37. Àjàká; 38.Àjáká òkè; 39.Ò be ri ò; 40. Aé aé ó gbé lê; 41.Agonjú; 42.Káwòóo; 43.Oba sérée; 44.Kíni ba; 45.Áwúre lê; 46.Ó fi làbá; 47.Ó jigón; 48.E ki Yemonja; 49.Oba sà rewà; 50.Sòngó to; 51.Ké kikì; 52.Kàtà-Kàtà; 53.Ògúm ní; 54.E ka máà ro; 55.E iyá kékéré; 56.Yemonjá sàgbàwí; 57.Oya kooro; 58.Odò hó; 59.Dá ní a padá; 60.A ri ide; 61.òsun e lóòla; 62.Yèyé yé olóomi ó; 63.Ayaba balé; 64.Ìyá do sìn; 65.Igbá Ìyàwó; 66.Oba e’léékò; 67. Ìtí wéré; 68.Oní sé a àwúre; 69.Ajagùnnòn; 70.Òrìsà oore;

Denílson dos santos Silva, Luiz Gustavo da Conceição, Raimundo Santa Rosa, Uaraçari de C. Pinto: Atabaques Run, Rumpi, Lê e Agogô; Coro: Ana Moreno, Bete d’Oxum, Cláudia Moraes, Dil Fonseca, Marcos Sacramento, Marilza Torres, Marlene De Lufan; Solo Vocal: M. Lúcia da Silva;

O que dizer de uma obra perfeita? José Flávio Pessoa de Barros conseguiu fazer o que ninguém nunca quis ou conseguiu: dar a atenção devida e respeitosa para a música de terreiro, esta matriz importante de sentimentos e dimensões que geraram e guardaram a força do povo brasileiro, seja nas igualdades sociais, seja na origem das manifestações artísticas de nosso povo. Livro e disco são excelentes, surpreendentes e corretíssimos na história e na descrição de cantos e toques, seja na reprodução da língua, seja na transcrição das partituras.
No livro, o autor explicita os procedimentos para a festa em homenagem ao orixá Xangô em suas várias etapas: preparo, bebidas e pratos festivos, mitos, danças, cânticos, etc. No cd, a mágica de músicos excelentes, envolvidos com a proposta e com a espiritualidade. O autor percorreu vários terreiros do Rio de Janeiro e ao perceber a falta de registro sobre os fundamentos da doutrina, resolveu escrever esta obra.
O desvendamento da estética de uma cultura é tarefa extremamente sensível. Palavras não são suficientes para descrever certas realidades e aí o discurso cede lugar à sensibilidade para atingir seu objetivo: este livro/cd é um maravilhoso presente à história brasileira, do mundo e da arte. Obrigatório.

Para ouvir a faixa 68, "Oní sé a àwúre", clique abaixo:



Toques, cantos e saudação aos Orixás Nação Keto com Luiz da Muriçoca - 1968

Toques, cantos e saudação aos Orixás Nação Keto com Luiz da Muriçoca – LP – (Musicolor –1968) 01.Xangô; 02.Iansã; 03. Iemanjá; 04.Ossaim; 05.Alujá; 06.Babalorixá; 07.Saudação a Exu; 08.Saudação a Ogun; 09.Saudação a Oxossi; 10. Logunedé; 11.Obaluaiê; 12.Obaluaiê2; 13.Obaluaiê3;

Luis da Muriçoca tem esse nome porque seu terreiro localiza-se no Bairro da Muriçoca, em Salvador. Sua linhagem vem do Gantois e do rito nagô de Pai Virgílio de Alves Assis. Neste disco Luiz da Muriçoca entoa alguns cânticos bem conhecidos do povo de santo. Os alabês são corretos, embora executem quase sempre o mesmo toque. O coro é bem afinado e Luis da Muriçoca canta bem ao estilo das nações mais antigas.

Para ouvir a faixa 09, "Saudação a Oxossi", clique abaixo:

Wednesday, November 29, 2006

Candomblé Gêge - Ijexa- Kêto – Volume 2 - 1987

Candomblé Gêge - Ijexa- Kêto – Volume 2 – (Cáritas – 1987)1.Oxumaré; 2.Ágüe; 3.Iansã; 4.Oxum; 5.Logun edé; 6.Iemanjá; 7.Nanã; 8.Oxalá;
Pai Arlindo Pereira do Rio com o coro dos filhos do templo Xangô Airá Aufungêge. Pai Arlindo e seus filhos nesse disco já desenvolvem algo raro: alguns cantos são em português, algo muito mais observado em Candomblés de raiz Bantu e/ou somente nos Candomblés de Caboclo, mas aí não estamos mais falando de culto Lesè Orixá... as observações para este disco são as mesmas do volume 1.


Para ouvir a faixa 3, "Iansã", clique abaixo: