Showing posts with label Egun. Show all posts
Showing posts with label Egun. Show all posts

Tuesday, September 21, 2010

Egungun - 1964





Egungun - LP - Secneb (Sociedade de estudos da cultura negra do Brasil) - 1964
Um disco importantíssimo, raríssimo e maravilhoso: um dos primeiros registros do culto lesé Egun de Itaparica, com a colaboração de quatro figuras lendárias para o povo de santo em todos os tempos: Juana Elbein dos Santos, Nei Lopes, Mestre Didi e Pierre Verger. O disco peca um pouco pela qualidade da gravação, mas consegue captar o que há de melhor nas coisas do "Santo": pureza e autenticidade!
Abaixo, descrevemos as faixas dos lados A e B e o que cada cântico representa dentro do ritual.

Lado A:
1. Iba Orisha Iba Onile
Saudação a Onilé no início de cada cerimônia.
2. Osanyin
Nesta faixa são entoados três cantos louvando a Osanyin, patrono das folhas e da medicina.
3. Egunugun Kigbale
Através deste cântico os ancestrais são chamados a entrar e incorporar-se no mundo dos vivos.
4. Ewo Nile
Aviso de chamada, alguma coisa está para acontecer. O ancestral vai chegar.
5. Oro Abi Oro
Este cântico expressa o significado do rito, reencenando as ligações com a comunidade, trazendo a bondade, felicidade e bem-estar.
6. Onile Mo Bodo Ile
Baba está chegando, ele anuncia-se, saudando os anciões e pede permissão para vir até o barracão.
7. Nile Wa Alagbe
Baba canta, incentivando os Alagbês, os músicos-sacerdotes.
8. Agboula Ago Nile
Quando Agboula vem ao mundo, todas as coisas se tornam felizes.
9. O She Wara Wara
Dois cânticos em homenagem a Xangô, ancestral divinzado da dinastia real de Oyó, onde ainda pode-se encontrar vestígios da comunidade Agboula, suas origens na África. Muitos dos Eguns reverenciados hoje, foram em vida, adoradores de Xangô.

Lado B:
1. Saudações a Baba Olukutun, chefe de todos os antepassados.
2. Loni Ojo Odun
Dois cânticos de grande alegria no festival anual de Baba Olukotum. Uma explosão de fogos intensifica a cerimônia.
3. Kiye Kiye Bo Iroko
Homenagem ao Egun dos antepassados que foram reis em vida.
4. Orisha Wa Iye
Um cântico para chamar as entidades para vir e dançar com alegria.
5. Afulele Ade
Um canto em homenagem à Oya Igbale, rainha e padroeira dos Eguns.
6.Omi Ro
Um dos cânticos mais profundos, que evoca toda ancestralidade do povo africano.
7. Aluja
Os tambores tocar Aluja, o ritmo preferido de Xangô, o maior de todos reis, Alafin de Oyó, senhor da justiça, dono do fogo e do trovão.
Para ouvir a faixa 08, Agboula Ago Nilê, clique abaixo:

Monday, August 16, 2010

Les revenants de Ouidah - 1943



Les Reveants de Ouidah - EP - Discafric - 1943

Lado A: Savi Gnon Nou Lê;

Lado B: Ibahê;

Disco raríssimo, registra o culto Egun como era realizado no antigo Daomé. Podemos ouvir os instrumentos dos Alayans, Dunduns e Batás (no verdadeiro fundamento, Alabês e Ojès possuem uma importante e inseparável conexão espiritual e ritualística, sacralizada nas varas rituais). Na faixa apresentada abaixo, podemos escutar o diálogo entre o Ojè e o Ancestral materializado nas roupas e máscaras sagradas.

Por falar nisso, lembrem-se: jamais toquem em um Egun!!

Para ouvir a faixa Ibahê, clique abaixo:


Thursday, August 27, 2009

Afrique Vol. 1 - Collection du musée de l'homme -1952



Afrique Vol. 1 - Collection du musée de l'homme - VOGUE - LP - 1952

01.Acclamation des femmes; 02.Acclamations des femmes & Tambour Ogbon; 03.Chants des Mariwo; 04.Choeurs et tambours Ogbon; 04.Discours du Revenant et Choeurs des Mariwo; 05.Iwi Engungun; 06.Souhaits des revenants;


Em 1952, Pierre Verger, o famoso Babalawô, fotógrafo e ethnologista, realizou algumas das mais famosas fotos dos Eguns em terra, pois fotografar os Eguns é proibido. Egun é uma máscara, um ancestral divinizado que volta à terra através de rituais onde são invocadas as forças essenciais do morto para que sua força animal preencha as roupas sagradas de que le se serve para atuar novamente no mundo. Pierre Verger realizou este trabalho em parceria com Gilbert Rouget, o grande Etnomusicologista que trabalhou durante um longo período em Benim.



Este disco é raríssimo. Tão raro que até dói o osso ilíaco!! Existem apenas umas 50 cópias dele no mundo inteiro (se é que ainda existem, pois a gravadora o lançou apenas por causa do trabalho de Verger, mas não acreditava que o produto fosse vender), o que leva os colecionadores a se estapearem quando descobrem algumas delas. Eu mesmo dei umas bofetadas em uns três prá conseguir esse. As gravações foram feitas em um gravador de rolo, em condições absolutamente livres de qualquer acústica, no ambiente natural do templo do Benin.

Há o ritmo maravilhoso do tambor Ogbon, os tambores dos Alabês/Babalawôs da sociedade Oshogboni e o os cânticos de invocação das mulheres e dos homens e o cântico de Mariwô, a palha sagrada de Xapanã e Ogum, os senhores da morte, simbolizando a cortina disposta no chão, na forma de esteira, que separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos.

E, finalmente, a última faixa, Souhaits des revenants, onde podemos ouvir a raríssima voz do próprio Egun em terra, organizando a comunidade com seus conselhos e orientações.

Para ouvir a faixa "Souhait des Revenants", a voz do Egun, clique abaixo:






Só para ilustrar, um culto a Baba Egun na África, do "Povo "Zangbeto" os Guardiões da Noite, um Culto Ancestral, patriarcal beninense.



Aqui, um emocionante registro de um Baba Egun, filmado em Lauro de Freitas/Bahia no Ase Opo Aganju, onde o Bàbálàwòrìsà é Obaray (Balbino Daniel de Paula), filho de Alapini Pedro... reparem na alegria do pessoal ao receber seu ancestral, por sinal muito simpático e amoroso!!!


Wednesday, July 11, 2007

Bango – 2005


Bango – CD – Independente – 2005
11 faixas sem nome

Conhecemos o Alabê Lindoiá quando estivemos em Salvador. Ele é um dos raros tocadores de Sirrum – as cabaças na água utilizadas no Axexê junto com os porrões (potes de barro consgrados ao cultos dos mortos) – e é um camarada muito especial. Me indicou e providenciou vários discos para o acervo da FTU e é uma grata amizade naqueles páramos. O cd em questão foi gravado por ele e por Argôlo, um outro Alabê do Culto Lese Egun. São onze faixas sem identificação e a gravação é independente. Lindóia e Argôlo tocam suavemente e cantam baixinho, pode-se até "ver" a concentração no que fazem. O clima do disco é meio fúnebre (!) para quem não está acostumado com o culto Egun e segundo eles, como escreveram no encarte, o disco foi desenvolvido visando resgatar e preservar os Orim Egum Gum. Devemos apoiar essa inciativa. Um disco muito bom. Quem quiser adquirí-lo é só ligar pros meninos: (071) 9938-1296/3312-5749


Para ouvir a faixa 04, clique abaixo:

Tuesday, June 26, 2007

Axexê - 1975

Axexê - LP - K7 – Cáritas - 1975

1.Tocororô/Axexe Mojibá/Ofé ié airicó/Tá Um batacum; 2.amura Sebiná/Dabiuá Kokê/Corajá Ojarê; 3.Odurô Oi Ku Aiê/Auê Má Oiá; 4.Sim Azim La Gogéia/Ziriná Cota Moda; 5.Tambô Afã/Bangô Tatê/Simbe Ke Um/Xóra Kum Kangá; 06.Robobô Oiá/Oiá Tu Felebé; 07.Ta No Bongoiô/Xóra Muketum/ Ta I Mam/Kuenda Maionguê/Omulukum ê Maxá Ire; 08. Alá Uma Fá Gogó/abiku Alá Ore; 09..Airá Bikuô/Nio Kuô tauê Xê; 10..Sobá Birelê/Ená Dirê; 11 Banja Banja Cururu/Aê Aê Rumbê; 12.Ai Ku Balelê/E ku Olo Zan;

Gabriel s. Carvalho - Alabê Huntó Geí

Axexê: cerimônia realizada após o falecimento de alguém iniciado no candomblé.

A palavra Axexê é uma corruptela de ajeje , nome específico dado à trouxa das coisas que sai para ser posta fora, conforme veremos. O axexê, como o ipadê sempre foram rituais feitos pelos descendentes religiosos do reino de Ketu, dos caçadores, do qual Oxossi foi seu rei, tanto assim que até hoje está presente essa marca no canto que inicia o axexê:

Axexê oni mo juba....
O axexê é hoje meus respeitos

Axexê, omo ode........
O axexê, do varão caçador

Axexê Olorun Baba o...........
Axexê ó Deus Pai Axexê,

Axexê omo ode........
O axexê,o axexê do varão caçador

Quando um iniciado no candomblé morre, junta-se todos seus pertences pessoais utilizados em sacrifícios e obrigações, como roupas, colares e os assentamentos de santo e se faz uma consulta oracular para se saber do destino dos objetos separados, se ficam com alguém. Em caso positivo, o objeto ou objetos em questão é lavado com ervas sagradas e entregue ao herdeiro ou herdeiros revelado(s) no oráculo, e em caso negativo, o objeto é separado para junto com os demais e, após serem os colares rompidos, as roupas rasgadas e os assentamentos quebrados, são colocados em uma trouxa que será entregue em um local também indicado pelo oráculo.
Normalmente, a trouxa, chamada de Carrego de Egum, é acompanhada de um animal sacrificado, indo de uma única ave à um quadrúpede acompanhado de várias aves, dependendo do grau iniciático do morto. E ainda, se o falecido era um iniciado de pouco tempo, basta um lençol branco para embalar o carrego, se se tratava de alguém mais graduado, o carrego é colocado em um grande balaio, o qual é depois embalado no lençol.

O processo de preparação e entrega, ou despacho do Carrego de Egum é a cerimônia fúnebre mínima que se dedica a qualquer iniciado no candomblé quando morre. As variações surgem, como foi já colocado, dependendo do grau iniciático ao qual pertencia o morto mas também da Nação em que fora iniciado. Se o morto era uma pessoa graduada na religião é que mereceria um Axexê. O Axexê nesses casos antecede ao Carrego de Egum e consiste em uma, três ou seis noites de cânticos e danças na qual se celebra a partida do iniciado para o outro mundo, rememorando o nome de outros iniciados já falecidos e, enfim, os eguns em geral. Canta-se também a certa altura para os orixás, menos para Xangô e Oxalá para os quais se canta no depois da entrega do carrego no ritual do arremate.
Ritual de axexé
Todos os participantes devem vestir branco, a cor do nascimento e da morte no candomblé, e devem estar com a cabeça e os ombros cobertos. Obedecem-se vários preceitos rígidos de comportamento dentro do terreiro durante todo o processo, para evitar melindrar o espírito que está sendo respeitosamente despedido. Depois do carrego despachado, canta-se o arremate no dia seguinte à tarde, antes do pôr-do-sol, as mesmas cantigas do Axexê são ainda entoadas e no final são louvados os orixás, e empreende-se uma limpeza ritual do terreiro, com a participação eventual dos orixás que porventura tenha se manifestado em seus médiuns.
Ao longo do Axexê mesmo somente orixás mais ligados à morte como Oyá-Iansã, Obaluaiyê, Ogum, etc. costumam se manifestar. No caso em que o morto era um pai ou mãe de santo cujo terreiro permaneceu ainda aberto, costuma-se repetir o ritual um, três, seis meses, e um, três, sete anos depois do Axexê inicial.


O sirrum

O Axexê também é conhecido pelos nomes de sirrum e zerim, nomes em Língua Fon significando os instrumentos que são percutidos em substituição aos atabaques. Sirrun, é corruptela de sinhoun, de sin água e houn tambor. O sirrum é uma metade de cabaça emborcada em um alguidar onde se encontra uma mescla de substâncias líquidas e o zerim é um pote com certas substâncias dentro que é percutido com um leque de palha dobrado em dois. Quando se trata de uma pessoa especialmene antiga e poderosa na religião, o Axexê é tocado com atabaques mesmo, com os couros ligeiramente afrouxados para serem depois também despachados no carrego. Em alguns terreiros da Nação Ketu também se usa tocar Axexê com três cabaças: duas inteiras e uma com a ponta cortada.

O disco é excelente, com o alabê Gabriel cantando muito bem. O coral canta no limite, naquele típico quase-semi-tom, mas não chega a desafinar e não incomoda. Os músicos são maravilhosos e uma pena que não venha informação alguma sobre eles.


Para ouvir a faixa 04, "Sim Azim La Gogéia/Ziriná Cota Moda", clique abaixo: