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Sunday, July 25, 2010

Cabana São Jorge - 1950







Cabana São Jorge e Cosme e Damião - LP - Independente - 1950

LADO A: 01.Ele veio de tão longe; 02.Lá na mata tem sete folhas; 03.Caboclo Sete Flexas nasceu no Jardim das Oliveiras; 04.Quem manda na mata é Oxossi; 05.Eu vi chover; 06.A coral e sua cinta; 07.Vestimenta de Caboclo é samambaia; 08.Tupinambá chamei; 09.Caboclinho se perdeu na mata; 10.Filha de babalaô; 11.Chora na Macumba oi ganga; LADO B: 12.Palavra de Vovó Cabinda sacode a poeira da saia; 13.Zoa atabaque; 14.Baba de Orixá; 15.É a Pomba Gire; 16.A Umbanda é um caminho; 17.Palavra de Pai Tomé; 18.Preto Velho quer Tarimbar; 19.Preto Velho quando baixa; 20.palavra de Pai José; 21.palavra do Presidente da cabana São Jorge e vereadora; 22.Ponto de Ogum Sete Espadas; 23.Eu vi Mamãe oxum;
Alguns dos mais raros registros da Umbanda e dos cultos brasileiros não foram feitos pelas grandes gravadoras, mas sim, por pessoas zelosas, médiuns e prosélitos que amavam suas tendas, terreiros e orixás e não se furtavam a pedir permissão às entidades e/ou aos dirigentes para gravarem mensagens, cânticos e ritmos. Uma outra prática ainda era muito comum nos terreiros: e de lançarem discos sob encomenda para serem vendidos visando ajudar financeiramente o templo em questão. Estas gravações e discos são raríssimos, verdadeiras pérolas espalhadas num mar de tantos e tantos registros realizados nestes mais de cem anos de indústris fonográfica.
O registro em questão é um entre os 12 discos mais raros de nosso acervo, que pertencem à categoria daqueles que serviram como lembrança carinhosa para o dirigente da casa. Segundo nos foi informado, só existiram DUAS cópias deste vinil. A gravação foi realizada em 1950, segundo informações. Estava em péssimo estado e foi muito difícil recuperarmos a qualidade sonora. A "capa" trata-se de um velho papelão, onde alguém - talvez de muita idade, dada a imprecisão da caligrafia - escreveu o nome das faixas.
O rito gravado é um misto de Umbanda ritualizada com atabaques e palmas -, além da palavra de entidades (Pai Tomé e Pai José), e uma visita de uma candidata a vereadora que foi pedir força no terreiro para ganhar a eleição da época (talvez tenha sido ela que tenha pago a prensagem dos LPS). Sem comentários sobre isso.
Portanto, nos atenhamos à beleza do ritual. Aqui apresentamos duas faixas: uma, um ponto conhecido de invocação ao Caboclo Tupinambá, com gravação original bem precária e uma conversa de Pai Tomé, que pela proximidade do microfone pode ser ouvida com mais clareza. Registro impressionante, meu povo! E só tem aqui!
Para ouvir a faixa 08, "Tupinambá chamei", clique abaixo:





Para ouvir a faixa 17, "Palavra de Pai Tomé", clique abaixo:



Friday, January 09, 2009

Zélio de Moraes Recuperado!!




Estamos realizando um trabalho de recuperação de fonogramas muito antigos da Tenda Nossa Senhora da Piedade. Muitos deles nos foram cedidos por Mãe Maria de Minas e Pai Solano, da casa Branca de Oxalá. Outros nos foram cedidos pelo falecido Pai Demétrio de São Paulo. Todos conheceram Zélio de Moraes e dona Zilméa. Era nossa intenção lançar em cd através da Ayom Records este material, mas a direção atual da tenda não concordou. Mas para que nossos irmãos de todo o país possam usufruir deste material, iremos colocar alguns fonogramas recuperados para a apreciação dos mesmos, num resgate de vários pontos que já não são mais entoados em nossos terreiros.


Abaixo, apresentamos duas faixas, do Caboclo Cobra Coral, gravada em um gravador Telefunken no ano de 1914, com o som original da fita em péssimo estado. A seguir, a faixa recuperada. Depois, o ponto do Caboclo das Sete Encruzilhadas, antes e depois de ser recuperada em nossos estúdios. Foi um trabalho difícilimo, levamos cerca de três meses em cada uma das faixas, ajustando as freqüências para que os pontos voltassem a serem ouvidos. A medida em que formos recuperando algumas faixas (são centenas de pontos), iremos colocando aqui no blogue, para audição. Basta clicar no linque aí do lado, em Zélio de Moraes.




Ponto do Caboclo Cobra Coral original, gravado em 1915, cedida por Pai Demétrio:



Ponto do Caboclo Cobra Coral, recuperado:





Ponto do Caboclo das Sete Encruzilhadas original, gravado em 1932, cedida por Pai Demétrio





Ponto do Caboclo das Sete Encruzilhadas recuperado:

Tuesday, September 30, 2008

Fontes culturais da música em Goiás - Umbanda Goiana - 1973


Fontes culturais da música em Goiás - Umbanda Goiana e outras comunidades - LP - Tacape - 1973

01.Ponto de chegada de pretos velhos; 02.Ponto de Pai Mateus; 03.Ponto dos Pretos Velhos; 04.Ponto de santa Bárbara; 05.Ponto de firmeza ou de afirmação; 06.Ponto de Pai Tomás; 07.Pontodo povo da costa africana; 08.Ponto de subida dos Pretos velhos; 09.Ponto dos baianos; 10.Ponto dos baianos 2; 11.Ponto dos Baianos3; 12.Ponto de Maria Baiana; 13.Ponto de Preto Velho na linha de Nagô; 14.Ponto de subida de baiano; 15.Terço cantado; 16.Ladainha de Nossa Senhora; 17.Oração da noite; 18.Procissão de São Sebastião; 19.Folia de São Sebastião; 20.Festejo de São João;

Um disco raríssimo que trata do resgate da música de comunidades negras tradicionais do estado de Goiás. Foram registradas várias comunidades religiosas, praticantes do catolicismo e da Umbanda, em festejos profanos e rituais dentro de templos. O destaque é para o Terreiro do Pai Jerônimo, umantigo templo de Goiânia, onde ouve-se pontos conhecidos da Umbanda cantados apenas com palmas. A gravação - feita provavelmente com um microfone simples, talvez algum Aiko antigo - é em mono e está muito ruim. Além disso, o corte das fitas foi feito de maneira aleatória, até mesmo desleixada, pois a pausa do registro é feita de forma abrupta. Ao realizarmos a recuperação digital, nós corrigimos esse deslize criando uma nova sessão de fade out para evitar a surpresa da súbita interrupção do som. Mesmo com esses problemas, trata-se de um registro extremamente delicado no que concerne à raridade de documentos sonoros da região central do país, especialmente do estado de Goiás, onde nós desconhecemos outro registro de templos brasileiros além deste. Os registros de outras manifestações, como a reza do terço e os grupos de São Sebastião soam interessantes, porque nos remetem a uma mesma unidade sonora se comparados com o terreiro de São Jerônimo: a intensidade dramática, o registro do som da fé do povo Goiano é marcante e vemos muito mais semelhaças entre os cânticos do que diferenças, o que mostra que a verdadeira unidade das religiões no Brasil não está na identidade ritual, mas antes, na necessidade de saciar-se a fome comum do ser humano na conquista da paz de espírito.

Para ouvir a faixa 08, "Ponto de subida dos Pretos Velhos", clique abaixo:

Thursday, August 07, 2008

Mãe D´água - 2000

Umbanda Força e Magia: Mãe D´água - CD - TBS - 2000

1-Odo Sinha. 2-Oxum na Cachoeira; 3-Saia do Mar; 4-cabelo Loiro; 5-A Lua prateada; 6-Paga Promessas; 7-Raio das Ondas; 8-Flores no Mar; 9-canto da Sereia; 10-Clareia Oxum;

A Lenda da Iara, a deusa das águas, traduz a relação do caboclo com o mundo aquático da Amazônia, cuja paisagem ganhou do poeta baré Thiago de Mello o nome de “Pátria das Águas”. Essa interação permanente do amazônida com as águas gerou a chamada civilização ribeirinha, na qual os rios, lagos, igarapés e igapós são fontes da vida, da morte e do imaginário regional. São caminhos, referências e habitat naturais dos que vivem ou viveram, durante séculos, às margens do grande rio Amazonas e de seus inumeráveis tributários, herança cultural que recebemos de nossos ancestrais indígenas e portugueses. Mas a relação do caboclo com os rios não é apenas uma conjunção física e conjuntural, vai muito além do campo material, é sensível e presente. Nunca suas histórias são contadas no tempo passado, são presentes como se estivessem acontecendo naquele momento, ali mesmo.

Os colonizadores também foram vencidos pelas águas da região, assimilando a cultura ribeirinha milenar, mas incorporando à descendência cabocla lembranças do além-mar, formadas no novo ambiente cultural. Assim nasceu a Iara, o Boto e tantas outras lendas que hoje compõem a legião dos encantados da cultura amazônica. Os encantados, aliás, estão em todos os lugares, como afirma o poeta e escritor paraense João de Jesus Paes Loureiro – estão entre os índios e caboclos, entre o céu e a terra, nas selvas, nos campos, no fundo das águas...

Segundo Paes Loureiro, “a Iara – Mãe d’Água – vive nas encantarias do fundo dos rios. Ela atrai os moços e os fascina, mostrando-lhes seu rosto belíssimo à flor das águas e deixando submersa a cauda de peixe". Para seduzi-los, faz promessas de todos os gêneros. Para aumentar o estado de encantamento canta belas melodias com voz maviosa. Convida-os a irem com ela para o fundo das águas do rio – onde se localiza uma cidade da encantaria relacionada ao reino conhecido como "Fundo do Mar" – sob a promessa de uma eterna bem-aventurança em seu palácio, onde a vida é uma felicidade sem fim. Quem tiver visto seu rosto uma única vez jamais poderá esquecê-lo. Pode até, no primeiro momento, resistir-lhe aos encantos por medo ou precaução. No entanto, mais cedo ou mais tarde acabará por se atirar no rio em sua busca, levado pelo desejo ardoroso de juntar seu corpo ao dela.

O historiador Vicente Salles conceitua Iara como a mais perfeita convergência cultural na mítica amazônica, reunindo figuras antológicas de vários continentes: Sereia, Ondina, Loreley, Mãe-d’Água, Iemanjá. É uma simbiose encantada de mulher tentadora, sensual, apresentada com rosto europeu e longos cabelos e que recorre à magia do canto para exercer a sua irresistível atração fatal sobre navegantes e moradores da beira-do-rio, preferencialmente jovens.

Os indígenas também possuem inúmeras entidades aquáticas, mas nenhuma delas com as qualidades malignas e fatais de Iara. Sempre encontram remédio para as maldades, sublimando inclusive a morte. Para eles, o rio representa a fonte de sobrevivência e não da morte no “espelho do amor”. Por outro lado, o índio não reprime a sexualidade pelos arreios da sua cultura ou da civilização cristã do branco, razão pela qual não se vale de entes sensuais na sua mitologia. Sempre cita a beleza das cunhãs como referência estética e não como objeto do libido. A sua Mãe-d’Água é a guardiã dos rios, bondosa e se materializa nas plantas e flores aquáticas que alimentam os peixes, segundo lendas da algumas tribos.

Raimundo Moraes credita às leituras da Odisséia de Homero, feitas pelos colonizadores lusitanos, a lenda da Iara, configurada como uma linda mulher, metade gente e metade peixe, belos cabelos compridos, busto cheio e cauda de escamas multicoloridas, que vive nas margens dos rios e igarapés, seduzindo o caboclo para arrastá-lo ao fundo das águas. O pesquisador diz que a entidade também pode materializar-se em forma de lontra, no perfil de garça ou sob as penas da cigana para encantar o ribeirinho - aqui uma referência direta ao mito original das sereias, que eram metade mulher e metade pássaro. Mais tarde se transformaram em metade mulher e metade peixe.

As observações do historiador repousam em pesquisas feitas na região amazônica e na leitura dos clássicos da literatura universal que apontam convergência entre a mitológica Sereia e a Iara amazônica. Navegador por excelência, o colonizador português assimilou as lendas do mar e trouxe para cá suas tradições seculares. Os Lusíadas, de Luís de Camões, menciona várias vezes a presença de Sereias na rota dos navegadores lusitanos, lembrança de outros autores clássicos como Virgílio (Eneida), Heródoto (Epítetos) e Homero (Ilíada e Odisséia). Todos referindo-se à figura sedutora e fatal da entidade similar, ora na forma de mulher, ora feita ave ou animal anfíbio.

O Barão de Santana Neri, falando sobre o folclore brasileiro, descreve a Iara como uma mulher branca, de olhos verdes e cabeleira loura, conceitos pesquisados nos Estados do Pará e Amazonas. Diz ainda que sua beleza física, seus métodos de sedução e sua residência submersa revelam origem estrangeira. A oferta de tesouros e palácios, por exemplo, também confessa uma cultura importada, vez que os aborígenes desconheciam esses valores. Já o folclorista Câmara Cascudo, cobra possível contribuição do negro na lenda da Iara, lembrando a sereia africana Kianda e até a figura poderosa de Oxum, orixá dos lagos, lagoas e rios, da teogonia negra. Iemanjá, deusa das águas, também é lembrada como inspiradora do mito amazônico. Contudo, as Mães-d’Água africanas, com suas liturgias e rituais em nada lembram a deusa das águas amazônica, a não ser a morada.

O mito da Iara, aliás, como já foi dito, pode ser reconhecido em várias culturas. Na Espanha chama-se Sirena; na Grécia, a mitológica Nereidas; na Alemanha, a nórdica Loreley; a Kianda africana e a portuguesa Sereia, criaturas das águas que enamoram os homens e os levam à morte. Mas o seu estereótipo físico e malévolo garante a origem portuguesa do mito amazônico, inspirado nas cantos de Homero e nas esculturas de Praxíteles e Escopo. O colonizador, que chegou com a fé cristã e os costumes europeus, também trouxe na bagagem suas lendas, mitos e superstições, muitas delas modificadas ao longo do tempo na convivência cabocla, que lhes emprestou e recebeu valores, coroando a fronte da Iara com flores lilás do mururé, por exemplo.

A suprema sabedoria do amazônida, que soube usar a lenda do Boto para aplacar a ira de maridos traídos e pais enganados, quando suas mulheres ou filhas engravidam fora do domínio doméstico, também justifica na sedução da Iara a fuga ou o desaparecimento de seus entes queridos. Mas tudo isso são questões delicadas de um mundo físico que se mistura ao mundo espiritual dos encantados. Na verdade, encantaria é algo muito sério, com espíritos de difícil controle, embora muitos por aí acreditem que seja fácil evocá-los e tê-los sob controle dentro de um rito de terreiro.

Este é um disco da TBS, gravadora louvável pela sua intenção de despertar o imaginário do terreiro ao gravar cânticos tradicionais. Tem seus problemas de captação e mixagem, mas cumpre seu papel na música umbandista.

Para ouvir a faixa 07, "Raio das ondas, clique abaixo:


Sunday, May 18, 2008

Umbanda, Força e Magia: Cosme e Damião - 2003


Umbanda, Força e Magia: Cosme e Damião - CD - TBS Produções - 2003
01.Doum; 02.Camisa Azul; 03.Quero doce; 04.Cosme e Damião; 05.Flor de Laranjeira; 06.Beira D´água; 07.Caruru; 08.Amor e esperança; 09.Comer cocada; 10.Nosso protetor;
Como a maior parte dos discos da TBS, o que ouvimos é uma base rítmica pré-gravada, que se repete para dar sustentáculo à voz de Vado e seu coro. Vado canta bem, dá o recado, mas o coral desfina muito e a produção é algo inexistente, seja na mixagem ou na masterização. Mesmo assim, os disquinhos da TBS se tornaram clássicos modernos da música de terreiro e tarzem consigo um certo "aura" de magnetismo sempre inevitável neste estilo de música. Assim, para entendermos a mística dos dois santos que são tão cultuados e respeitados na Umbanda, apresentamos abaixo, a pouco conhecida história dos dois mártires gêmeos:
Cosme e Damião foram martirizados na Síria, porém é desconhecida a forma como morreram. Seu culto já estava estabilizado no Mediterrâneo no século V. Perseguidos por Diocleciano, foram trucidados e muitos fiéis transportaram seus corpos para Roma, onde foram sepultados no maior templo dedicado a eles, feito pelo Papa Félix IV (526-30), na Basílica no Fórum de Roma com as iniciais SS - Cosme e Damião.

Alguns relatos atestam que eram originários da Arábia, mas de pais cristãos. Seus nomes verdadeiros eram Acta e Passio. Surgiram várias versões, mas nenhuma comprovada com fundamento histórico. Em uma das fontes, explica-se que eram dois irmãos, bons e caridosos que realizavam milagres. Alguns relatos afirmam que foram amarrados e jogados em um despenhadeiro sob a acusação de feitiçaria e inimigos dos deuses romanos. Em outra versão, na primeira tentativa de morte, foram afogados, mas salvos por anjos. Na segunda, foram queimados, mas o fogo não lhes causou dano algum. Apedrejados na terceira vez, as pedras voltaram para trás, sem atingi-los. Por fim, morreram degolados.

Depois de mortos, apareceram materializados ajudando crianças que sofriam violências. Ao gêmeo Acta é atribuído o milagre da levitação e ao gêmeo Passio a tranqüilidade da aceitação do seu martírio. A partir do século V os milagres de cura atribuídos aos gêmeos fizeram com que passassem a ser considerados médicos, pois, quando em vida, exerciam a medicina na Síria, em Egéia e Ásia Menor, sem receber qualquer pagamento. Por isso, eram chamados de anargiros, ou seja, inimigos do dinheiro. Mais tarde, foram escolhidos patronos dos cirurgiões.
Sempre confiantes em Deus, oravam e obtinham curas fantásticas. Também foram chamados de "santos pobres". Muitos esforços foram feitos para demonstrar que Cosme e Damião não existiram de fato, que eram apenas a versão cristã dos filhos gêmeos pagãos de Zeus. Isto não é verdade, embora haja evidências de que a superstição popular muitas vezes fez supor haver em seu culto uma adaptação do costume pagão.
O culto aos dois irmãos é muito antigo, havendo registros sobre eles desde o século 5, que relatam a existência, em certas igrejas, de um óleo santo, que lhes levava o nome, que tinha o poder de curar doenças e dar filhos às mulheres estéreis.
No Brasil, em 1530, a igreja de Iguaraçu, em Pernambuco, consagrou Cosme e Damião como padroeiros. No dia 27 de setembro, quando é realizada a festa aos santos gêmeos, as igrejas e os templos das religiões afro-brasileiras são enfeitados com bandeirolas e alegres desenhos.
Os Ibeji
Aqui no Brasil, a devoção trazida pelos portugueses misturou-se com o culto aos orixás-meninos (Ibejis) da tradição africana yoruba. São Cosme e São Damião, os santos mabaças ou gêmeos, são tão populares quanto Santo Antônio e São João. São amplamente festejados na Bahia e no Rio de Janeiro, onde sua festa ganha a rua e adentra aos barracões de candomblé e terreiros de umbanda, no dia 27. No dia 27 as crianças saem às ruas para pedir doces e esmolas em nome dos santos e, as famílias aproveitam para fazer um grande almoço, servindo a comida típica da data: o chamado caruru dos meninos.
Segundo a lenda africana, os orixás-crianças são filhos de Iemanjá, a rainha das águas e de Oxalá, o pai de toda a criação. Outras tradições atribuem a paternidade dos mabaças (gêmeos) a Xangô, tanto que a comida servida aos Ibejís ou Erês, chamados também carinhosamente de “crianças” é a mesma que é oferecida a Xangô, o senhor dos raios, o caruru. Uma característica marcante na Umbanda e no Candomblé em relação às representações de São Cosme e São Damião é que junto aos dois santos católicos aparece uma criancinha vestida igual a eles. Essa criança é chamada de Doúm ou Idowu, que personifica as crianças com idade de até sete (7) anos de idade, sendo ele o protetor das crianças nessa faixa de idade. Junto com o caruru são servidas também as comidas de cada orixá, e enquanto as crianças se deliciam com a iguaria sagrada, à sua volta, os adultos cantam cânticos sagrados (oríns) aos orixás.

São Crispin e Crispiniano

Sempre acoplados a Cosme e Damião estão estes outros dois santos do catolicismo. Foram dois irmãos nobres romanos que foram martirizados em Soissons, França. Os irmãos eram sapateiros e acompanhavam São Quintino em sua viagem a França, tirando o seu sustento fazendo sapatos. A tradição diz que eles eram estudiosos da doutrina cristã e eram muito bons pregadores e quando foram presos e levados presença de Rictiovarus, que detestava os cristãos; Crispin e Crispiniano deixaram Rictiovarus tão nervoso com sua argumentação sólida e perfeita sobre Jesus, que Rictiovarus cometeu suicídio.O co-imperador Maximiano (286-305) furioso ordenou a sua morte imediata por decapitação em 286 DC. Eles são os padroeiros dos fabricantes de sapatos e dos sapateiros e foram muito populares na Idade Média. Na tradição da Igreja inglesa é dito que eles viveram por algum tempo em Faversham, Kent, Inglaterra.
Na arte litúrgica, eles são mostrados segurando sapatos ou ferramentas de sapateiro.
Sua festa é celebrada no dia 25 de outubro
Oração a São Cosme e Damião

São Cosme e Damião, que por amor a Deus e ao próximo vos dedicastes à cura do corpo e da alma de vossos semelhantes, abençoai os médicos e farmacêuticos, medicai o meu corpo na doença e fortalecei a minha alma contra a superstição e todas as práticas do mal.

Que vossa inocência e simplicidade acompanhem e protejam todas as nossas crianças. Que a alegria da consciência tranqüila, que sempre vos acompanhou, repouse também em meu coração. Que a vossa proteção conserve meu coração simples e sincero, para que sirvam também para mim as palavras de Jesus: "Deixai vir a mim os pequeninos, porque deles é o Reino do Céu".
São Cosme e Damião rogai por nós. Amém.
Padroados: Farmacêuticos; Faculdades de Medicina; Barbeiros e Cabeleireiros.
Protege: Orfanatos; Creches; Doceiras; Filhos em casa; Contra hérnia e Contra a peste.
Emblema: caixa com ungüentos, frasco de remédios, folha de palmeira.
Para ouvir a faixa 02, "Camisa Azul", clique abaixo:


Saturday, May 10, 2008

Pai João - A deusa do mar - 1985


Pai João - A deusa do mar - LP - Continental - 1985


01.Hino de abertura de trabalhos da Umbanda; 02.Saudação a Ogum; 03.Saudação a Obaluaê; 05.Saudação a Nanã; 06.Saudação a Cosme e Damião; 07.Toada para Inhançã; 08.Toada para Xangô; 09.Saudação a Iemanjá; 10.Toada para Oxum; 11.Toada para Oxalá;

Um disco com pouquíssimas informações. Não se sabe o nome dos músicos (que pelo modo como tocam parecem ser músicos de estúdio, até os alabês tocam mais num estilo de músicos de baile do que de músicos de terreiro...), não se sabe o nome do terreiro de Pai João. A primeira faixa, o hino da Umbanda, tem até guitarra e baixo, num arranjo bem próximo dos bregas do norte/nordeste. Como na contracapa do disco há um Ilu - tambor dos cultos dessa região, presume-se que seja um grupo de algum terreiro lá das bandas do maranhão, pernambuco, etc.

Mas é um disco bem gravado, com canções em yorubá e em português, todas de raiz.

Para ouvir a faixa 05, "Saudação a Nanã", clique abaixo:



Friday, January 25, 2008

Cânticos de Umbanda - 1.o festival de música afro-brasileira da corrente da rosa vermelha - 1978


Cânticos de Umbanda - 1.o festival de música afro-brasileira da corrente da rosa vermelha - Cânticos de Umbanda - LP - DJ produções - 1978

01.Deusa Encantada; 02.Vovó Juventina; 03.O galo Cantou; 04.Ogum, Oxum e Iansã; 05.me tira dessa poça; 06.Colhendo rosas da Jurema; 07.Caboclo Relâmpago; 08.Lindo cocar de caçador; 09.mandinga de velho; 10.Caboclo Cipó; 11.Iemanjá, Ogum Beira Mar; 12.proteção dos orixás; 13.Saudação ao povo afro-brasileiro; 14.Verdades;

Mais de 40 terreiros participam deste disco maravilhoso. Pontos de louvação com instrumental de samba e ritmos de terreiro, Ijexás, Cabulas, Congos de Ouro. Músicos de primeira, composições realmente inspiradas, verdadeiros hinos sinceros de agradecimento ao astral. Todos os vocalistas são realmente impressionantes. Ouvimos muitos cânticos deste LP sendo entoados em terreiros pelo Brasilm afora e, sinceramente, não destoaram em nada nos rituais. Mas eram os anos 70 e naquela época os compositores de terreiro eram movidos pela fé e não pela grana e pela vaidade de serem notados em seus pequenos núcleos e comunidades. Que voltem esses tempos e que discos maravilhosos como este aconteçam com mais frequência.
Para ouvir a faixa 04, Ogum, Oxum, Iansã, clique abaixo:




Thursday, January 17, 2008

Baianinha - Umbanda - Força Maior - 1982?



Baianinha - Umbanda - Força Maior - LP - Beverly - 1982 (provavelmente gravações dos anos 60)

01.Marinheiro de Aruanda; 02.Oxossi Rei da Mata; 03.Venho de Aruanda; 04.Caboclo Ubirajara; 05.Mãe Maria Conga; 06.Canto de Fé; 07.Força dos Orixás; 08.Força Maior; 09.Festa na Beijada; 10.Inhassã; 11.Saravá Pai Joaquim; 12.Canto da Sereia;
Baianinha foi uma das maiores intérpretes da música de terreiro. Gravou poucos discos, mas marcou a Umbanda com sua voz segura e o registro de pontos de raiz e de louvação que são até hoje entoados. Neste disco, Baianinha, com sua voz cristalina chega a emocionar em algumas faixas. Uma delas, "Canto da Sereia" foi por nós selecionada, tamanha a sua beleza. Bem diferente de seu outro disco, onde uma banda a acompanha, aqui a parte percussiva é simples: dois atabaques tocados em uníssono, uma cabula leve, e um agogô suave ao fundo, compõem uma maravilhosa estrutura climática que dá a base necessária a esta maravilhosa e esquecida cantora. A exemplo de Aparecida, quem souber mais alguma coisa de Baianinha, nos informe aqui no Ayom...

Para ouvir a faixa 12, "Canto da Sereia", clique abaixo:

Sunday, December 30, 2007

Encontro dos Giros - Filho de Ogum - 1973

Encontro dos giros - Filho de Ogum - Manoel Bento - LP - Continental - 1973



01.Filho de Ogum; 02.Ogum de Ronda é me amigo; 03.A luz divina; 04.Ele vencerá; 05.Só cuide de Omulú; 06.Jardim do velho; 07.Eu venho de longe; 08.Cheguei da minha aldeia; 09.Por ordem de Sultão; 10.Bacia de Oxum; 11.Brincando com sereia; 12.Eu já fui pedir; 13.A minha homenagem; 14.Também é babalorixá;


Alabês e coro: Vadinho do Gantois; Vadinho da engomadeira; Sedir alves dos santos; Claudete Macedo; Olidelma; Gigi do pandeiro;


Manoel Bento era um querido ogã da Bahia e resolveu gravar este disco para louvar os orixás, guias e protetores, sob o patrocínio da famosa casa 7 linhas (que um dia acreditou na música de terreiro). Assim, compôs vários hinos de louvação que trazem bem explícitas a fé de Manoel no mundo astral. Acompanhado do lendário Vadinho do Gantois, um dos maiores alabês da história da religiosidade brasileira, este disco é muito bom de se ouvir. Manoel canta bem, com um coro simples mas eficiente. Um trabalho muito bonito e quase desconhecido dos umbandistas.
Para ouvir a faixa 06, "Jardim do Velho", clique abaixo:


Thursday, December 27, 2007

Amacy - Cantos de Umbanda -2005


Dudu Tucci - Amacy - Cantos de Umbanda - CD - Welhunder Records - 2005

1. Abertura; 2. Canto à Exu; 3. Defumação; 4. Defumação II; 5. Saudação à Pemba; 6. Saudação à Ogum; 7. Saudação à Ogum Beira-Mar; 8. Saudação à Xangô; 9. Saudação a Oxossi; 10. Saudação a Obaluaiê; 11. Saudação às Criancas; 12. Saudação a Yemanjà;13. Saudação a Oxum; 14. Saudação a Yansã; 15. Hino de Umbanda; 16. Saudação ao Caboclo Flecha Vermelha; 17. Saudação ao Caboclo Ubiratã; 18. Saudação às Almas; 19. Saudação aos Pretos Velhos; 20. Saudação aos Pretos Velhos II; 21. Saudação aos Pretos Velhos III; 22. Saudação à Cabocla Yamar; 23. Canto à Yemanja; 24. Saudação ao Povo da Bahia; 25. Saudação ao Povo da Bahia II; 26. Encerramento;


Dudu Tucci nasceu em São Paulo e vem de uma família de músicos. Já tocava atabaque em sua juventude em ritos de Umbanda. Estudou percussão clássica e flauta, antes de viajar em 1976 por vários países latino americanos onde descobriu muito da espiritualidade que o acompanha. Tocava com Arrigo Barnabé quando participou do Festival de Jazz de Berlim. Desde 1982 vive na Alemanha onde trabalhou e trabalha com vários artistas, entre eles com o dançarino Ismael Ivo com o percussionista Reinhard Flatischler em sua turnê Megadrums e o grupo de percussão coreana "Samul Nori" que o levaram em 1988 para uma turnê no Japão e Coréia. Apresentações em vários festivais internacionais como as noites afrobrasileiras em Berlim e Tübingen, a EXPO 93 em Taejon, o Percpan em 1993 em Salvador e no dia da percussão internacional em Koblenz em 1995. Juntamente com o musicólogo Thiago de Oliveira, publicou o livro Samba e sambistas no Brasil. Professor muito procurado de percussão, somente na Alemanha existem mais de 130 grupos de samba, cujo repertório foi fortemente influenciado pelos seus Workshops. Alem da participação em discos de vários artistas já lançou seis Cds solos. Neste trabalho, "Amacy", Dudu consegue, mesmo longe de suas raízes, morando na Alemanha, trazer a atmosfera dos cânticos de terreiro com uma propriedade poucas vezes vista. O disco é muito bem gravado e Dudu manda muito bem nos couros!! Mesmo dando atenção primordial à seu trabalho como percussionista profissional e estando afastado da vida religiosa no que se refere aos tambores, Dudu Tucci não deixa de ser um dos maiores alabês do Brasil em todos os tempos.


Para ouvir a faixa 22, "Saudação à Cabocla Yamar", clique abaixo:


Monday, December 24, 2007

Sussu - O Rei do Congo - 1972


Sussú - O Rei do Congo - LP - Tropicana - 1972
1.Rei do Congo; 2.Ogum na Ronda; 3.Kirombô; 4.Nanã Buroquê; 5.Mironguê; 6.Rompe-Ferro; 7.São João Batista; 8.Mãe iemanjá; 9.Cacique Ubirajara; 10.Festinha; 11.Filho de Jurema; 12.O Home é...;
Mais um disco raríssimo de Sussu, talvez um dos últimos de sua carreira vitoriosa dentro da divulgação do imaginário umbandista. Dá para perceber pela respiração de Sussu, que ele já se encontrava de alguma forma debilitado e o modo como o disco foi gravado, com os canais separados totalmente, nos faz acreditar que ele tenha gravado por partes a sua voz, que ainda hoje, mesmo depois de tantos anos, possui um timbre que emociona. A banda já não é tão inspirada como nos seus outros discos, talvez pela direção musical, que por esta época já procurava andar por caminhos mais modernos em termos de arranjo, o que colocou os músicos numa espécie de "andar em círculos", pois aparentemente, todas as faixas começam e terminam da mesma forma. Mesmo assim, é um marco na história da Música Brasileira e da Música Umbandista. Saravá Sussú!!

Para ouvir a faixa 12, "O home é", clique abaixo:


Wednesday, December 19, 2007

A Brasileiríssima Cacilda de Assis - Jorge Ogan - 1978


Canta, canta, Ogan - Orquestra e Coral Setista "Girando na Umbanda" - A Brasileiríssima Cacilda de Assis interpretada por Jorge Ogan - LP - Íris - 1978

1.É o Pino da Hora Grande; 2.Assim não dá; 3.A deusa da beleza; 4.Cabocla Jurema; 5.O Manto de Iemanjá; 6.Oiê Caninana; 7.A Deusa do mar; 8.Xangô deus do trovão; 9.Louvação a Nanã Buruquê; 10.Inhaçã; 11.Papai Ogum; 12.Eu criei cobra;

Cacilda de Assis foi uma das mais famosas mães de santo do Rio de Janeiro, com a incrível presença mediúnica do Exu sr. 7 da Lira, que executou alguns feitos realmente espetaculares quando de sua manifestação em meio ao povo e até mesmo em alguns programas populares da época. Este disco contém algumas composições de louvação criadas pela própria mãe Cacilda. Cercada de vários músicos (segundo dizem, o próprio 7 da lira teria sido músico em outras vidas), como de praxe não creditados no disco, a chamada "Orquestra e Coral Setista realiza um trabalho muito bom nas doze faixas do disco que são creditadas como "oferendas" às entidades. Jorge Ogan canta bem e tudo é bem ao estilo carioca, com os pontos se aproximando bastante da estrutura de sambas e marchas. Um disco histórico, juntamente com os outros da própria Cacilda, perfazem uma mostra do que se tinha como fé nas Umbandas cariocas dos anos 60/70.

Para ouvir a faixa 11, "Papai Ogum", clique abaixo:


Tuesday, October 30, 2007

Ayom Records - Ayom Lonan - O Caminho dos Tambores


É com satisfação e alegria que estamos inagurando o nosso sêlo, AYOM RECORDS.

A Ayom Records será especializada em música de raiz, objetivando a pesquisa de campo o respeito incondicional às artes sob todas as suas formas.

Nosso primeiro título é AYOM LONAN, o Caminho dos Tambores.



Já há alguns anos que são inúmeros os pedidos ao mestre Obashanan para que gravasse os toques sagrados de terreiro. Assim, pela primeira vez, ele traz ao público da música sacra-brasileira os 22 ritmos sagrados utilizados por dentro dos rituais dos templos do Brasil. De forma didática, cada um dos toques é esclarecido no encarte e este é o primeiro de uma série de discos que apresentará os ritmos sagrados de todas as regiões do país.

Ritmos apresentados:

1.Foribalé;
2.Igbim;
3.Barravento;
4.Runtó;
5.Kakaká-Umbó;
6.Toruá;
7.Congo de Ouro;
8.Avamunha/Arrebate;
9.Sató;
10.Alujá;
11.Oguelê;
12.Batá;
13.Opanijé;
14.Cabula;
15.Adarrum;
16.Ilú ou Daró;
17.Adabi;
18.Tonibobé;
19.Ijexá;
20.Bravum;
21.Aguerê;
22.Korin Ewê;
23.Faixa Bônus - Chamada do Ayom - O toque do amanhecer.

Em breve, novos lançamentos.

Pedidos: ayom77@gmail.com

Tuesday, September 11, 2007

V festival nacional de cantigas de Umbanda/Isto é que é Umbanda – 1975

Capa original
Capa na Reedição

V festival nacional de cantigas de Umbanda/Isto é que é Umbanda – LP – Itamaraty – 1977

1.Hora de Rezar; 2.Pedra Lírio de Xangô; 3.Flores de Obaluaê; 4.O mundo encantado de Janaína; 5.O canto de Tupi; 6.Irôco; 7.Ressurreição; 8.Toada de Boiadeiro; 9.Vovó Chica; 10.Festa do Caboclo Folha Verde; 11.Venham as Crianças; 12.Prece a Tupã;

Intérpretes: René Filho, Getúlio Braga, Ítalo, Rogério, Tavares, Eunice, Paulo Cunha e Francisco.

Neste LP que resume o quinto festival de Umbanda, temos muitos altos e baixos, pois é um disco feito por compositores de pontos de louvação e a maior parte das faixas são, na verdade sambas retraduzidos para a idéia umbandista, algo que se tornou um hábito dentro dos terreiros por causa dos festivais. É a inversão da realidade de que o samba saiu dos terreiros, filho da Cabula e do Congo de Ouro. Sua volta ao cenário religioso o torna um tanto quanto alienígena dentro dos rituais, mas relevemos... há, ainda, alguns Ijexás que se aproximam de sua derivação mais óbvia, o afoxé. Os corais não desafinam, mas pecam no tempo da respiração, o que denota pouco ensaio, mas não chega a comprometer. O ponto alto do disco são os alabês muito bons, embora não haja informação algume e tampouco nome de nenhum deles. O destaque é a capa politicamente incorreta, uma estética que choca alguns, mas que deve ser levada em conta entendendo-se que a Umbanda é, antes de tudo uma religião que quebra convencionalismos. A capa desagradou tanto que numa edição posterior usaram uma outra fotografia, na nossa opinião, pior que a primeira...



Para ouvir a faixa 3, "Flores de Obaluaiê", clique abaixo:

Lá na Aruanda – 1971

Lá na Aruanda – LP – Sarava/Cáritas – 1971

1.Abertura e Prece de Cáritas; 2.Andorinha voou; 3.Saudação a Maria Baiana; 4.No Amazonas; 5.Oh, Iparrê; 6.Ponto de Oxossi; 7.Relampeou; 8.Estrela Guia; 9.Ponto do Caboclo Boiadeiro; 10.Ponto de Santa Bárbara; 11.Saudação à Umbanda; 12.Sarava cacique Sete Serras; 13.Soberbia (Preto Velho);

Tenda Tomba Morro, Tenda Pai Anastácio, Tenda Cacique Sete Serras; Tenda Cacique Tupi; Tenda Nossa Senhora Aparecida;

Um disco clássico, faz parte da trilogia que se completa com Aruanda e Maior é Zamby. Até a capa é praticamente a mesma de Maior é Zamby, só que com a disposição invertida. Assim como os outros, trata-se de um disco que mostra a Umbanda de terreiros do interior de São Paulo e Minas, com gravações feitas no próprio terreiro. São cantos de Encantaria e Umbanda mística (Com cantos bem próximos do catolicismo) e traduzem uma pureza maravilhosa. Os toques são em Cabulas, Ijexás e Toruás, executados de modo simples. Com um registro de Umbandas tão puras, é de se estranhar a abertura do disco com a prece Kardecista de Cáritas. Sim, a prece é muito bonita, mas a inclusão dela nesse e em outros discos influenciou os ritos de Umbanda, fazendo com que os mesmos se aproximassem da doutrina Kardecista sem o cuidado de não perderem suas raízes. Uma questão polêmica que não cabe discutirmos aqui.


Para ouvir a faixa 12, "Sarava cacique Sete Serras", clique abaixo:

Tuesday, September 04, 2007

Maior é Zamby – 1970

Maior é Zamby – LP – Cáritas – 1970

1.Maria Conga; 2.Mamãe Oxum; 3.Maior é Zamby; 4.Cosme e Damião; 5.Pai Clementino; 6.Caboclo Jeremias; 7. Seu Pedra Verde; Peixinho Dourado; 8.João Batista; 9.Caboclo da Serra; 10.Índio Micori; 11.Pai Oxalá;

Curimba do Centro de Umbanda Chico Masseto

Coral: Odete Batista, Maria da Glória, Lelé Batista;

Alabês: Arimatheia, Rui da Silva, José R. da Silva

A música popular brasileira deve muito ou quase tudo à música de terreiro. Durante sua história ela permeou sutilmente todas as formas musicais do país, seja no ritmo, seja na harmonia, seja na melodia. A música sertaneja, o samba, o baião, praticamente todos os estilos se não surgiram dentro dos barracões, foram iluminados em algum momento de sua história pelo imaginário dos templos.

Este LP, hoje bem raro, dificílimo de se encontrar é a mostra perfeita dessa ponte entre a música sacra e a música secular. Aqui temos um terreiro provavelmente influenciado pela Umbanda de Minas. Os cantos são realizados bem dentro do modo de se cantar das Congadas e os tambores são nitidamente Tambus e Candongueiros, em algumas faixas ouve-se um instrumento provavelmente um bambaque (um atabaque de bambu).
Os toques se aproximam muito do modo de se percutir dos jongos, algo como uma cabula mais “dobrada”. Há nos temas dos pontos uma nítida aproximação com o Kardecismo e com o Catolicismo, com invocações a João Batista e Bezerra de Menezes. Os vocais se harmonizam quase que em intervalos de quinta, o que nos leva a entender a aproximação com a música sertaneja de raiz. Além disso, em algumas faixas, bem ao fundo se ouve um violãozinho. Os ogãs cantam muito bem e o coral das meninas é perfeito. Um disco maravilhoso...


Para ouvir a faixa 3, "Maior é Zamby", clique abaixo:

Thursday, August 30, 2007

Pontos de Umbanda Girassol – 1970


Pontos de Umbanda Girassol – LP – Nilser – 1970

1.Defumação; 2.Prece; 3.Abertura: a)Oxalá, abertura de gira; b)Exu, Tranca Rua, Exumarê; c)Ogum, Xangô; d)Saudação aos Guias; e)Firmeza de terreiro; 4.Chamada do Guia chefe (Caboclo Girassol): a) Caminhou, caminhou; b)Lembrai de seu Girassol; 5.Chamada do Guia Chefe (Caboclo Girassol): a)Que caboclo lindo; b)Seu Girassol foi prá caçada; c) Na aldeia; 6.Ogum: a)Vamos Sarava Ogum; b)Beira-Mar; 7.Xangô: a)chamada de Xangô; b)No alto da pedreira; 8.Exu: a)Exumaré; b)Boa noite Exumaré; 9.Pomba Gira: a)Cigana de Fé; b)Rainha da encruzilhada; 10.Chamada de Caboclos; 11.Povo d’água: a)Iansã; b)Moça rica; 12.Beijada: a)Tem doce no jardim; b)Dandá na areia; 13.Almas: a)Pai Sabino; b)Os velhos da Bahia; 14.Encerramento: a)Subida do Caboclo Girassol; b)Oxalá; c)Fechamento de Gira; d)Estrela do Céu;

Filhos da Casa de Caridade Caboclo Girassol com Ogã Colofé Miguel Monassa e os Ogãs de atabaque Reinaldo Chaves e Joaquim Pontes;

O que dizer, ora, o que dizer? Praticamente não existem palavras para descrever o que o vinil registrou para a posteridade... Clássico absoluto, sem precedentes ou sucessores... Quem já escutou este disco certamente se deu conta da força e do poder da Umbanda quando se fala em simplicidade, sensibilidade, fé e alegria... a bolacha realmente captou a essência do que era o rito do Caboclo Girassol – o impressionante registro das intensas emoções que acontecem numa gira.

Do começo ao fim, os pontos – uma sucessão de clássicos da música sacra brasileira - arrepiam, induzem ao respeito e às lágrimas, e à esperança de que a Umbanda seja assim em todos os templos do Brasil. Os mais velhos ao escutarem este disco se lembrarão: a volta à infância nas imagens e sons mais lindos de uma gira bela, profunda e repleta de espiritualidade no seu mais alto grau.

Os médiuns cantam com fé, amor e disposição, afinados e acompanhando com palmas; não há palavras para definir o timbre de voz do Ogã Reinaldo, uma voz distante, forte e que faz tremer o coração e a alma... os ogãs Reinaldo e Joaquim estão, com certeza entre os melhores do Brasil em todos os tempos, se utilizam da técnica, velocidade, conhecimento, dinâmica, acentuação e respeito pelo coral, deixando, com perfeição, que este apareça nos momentos adequados. Raramente se viu ou se vê algo assim: a interação entre alabês e corrente num nível perfeito, jamais alcançado em nenhum registro que tenhamos escutado ou presenciado. O Ogã Miguel é uma voz de respeito, elegante e comovente... e todos os pontos certamente evocam, invocam e movimentam forças positivas em todos os níveis.

Novamente, o que dizer deste disco? Influenciou tudo o que veio depois dele no que se entende como rito umbandista, seja em disco, seja em terreiro, ao vivo... Talvez, para entender a felicidade que nos dá ao escutá-lo, só repetindo a chamada inicial – arrepiante - do Ogã Reinaldo, que abre o disco: ÊÊÊÊ, BANDAAAA!!!!


Para ouvir a faixa 5, "5.Chamada do Guia Chefe (Caboclo Girassol): a)Que caboclo lindo; b)Seu Girassol foi prá caçada; c) Na aldeia" clque abaixo:

Sarava Oxossi – Série dos Ogans Vol. 2 – 1980

Sarava Oxossi – Série dos Ogans Vol. 2 – LP – Cid – 1980

1.Saudação a Oxossi; 2.Cabocla Jurema; 3.Caboclo Guiné; 4.O gauinza; 5.Oxossi da pena Branca; 6. Caboclo Ubirajara; 7.cabocla Jussara; 8.Boiadeiro; 9.Caboclo caçador das matas; 10.Caboclo Tupi; 11.cabocla Jandira; 12.Despedida de caboclo;

Curimba da Tenda Espírita Unidos a Oxalá.

Um disco bem gravado, bem produzido, onde pontos de raiz se encontram com pontos de louvação. Os cânticos são tocados em sua maioria em Congos de Ouro, com arranjos bem próximos da estrutura do samba. Em algumas faixas há a inserção de um bongô, que embora seja um instrumento alienígena nos cultos brasileiros, ainda assim não compromete o resultado final. É um disco bem radiofônico e interessante...


Para ouvir a faixa 11, "Cabocla Jandira", clique abaixo:

Monday, August 20, 2007

No Reino de Nanã Buruquê - 1974


No reino de Nanã Buruquê - LP - Japoti - 1974

1.Odoiá; 2.Louvor a Oxalá; 3.Eparrei Oiá; 4.Xangô Agodô; 5.Saudação a Abaluaê; 6.Nana Buruquê; 7.Hierarquia dos Orixás; 8.Saudação a Ode; 9.Papai do céu e as crianças; 10.Ogum Marinho das Ondas; 11.Ogum Beira Mar; 12.Deusa do Mar;

Um disco muito conhecido dos Umbandistas, mais pela capa do que propriamente pelo som, que seria perfeito não fosse alguns detalhes na interpretação da vocalista, um pouco exagerada, às vezes... Mas é um disco muito bem gravado, com o estéreo aberto, na mixagem caprichada pelo técnico, pode-se ouvir nitidamente a percussão: dois atabaques, agogô, adjá e bateria e surdão na primeira e na segunda faixas, as únicas com violão. Os alabês são muito bons e sustentam o disco.


Para ouvir a faixa 01, "Odoiá", clque abaixo:

Monday, August 13, 2007

Umbanda e seu ritual – Pró-Construção do Hospital Umbandista – 1970


Umbanda e seu ritual – Pró-Construção do Hospital Umbandista - LP – Walby Disc – 1970

1.Ponto de defumação; 2.Ponto de abertura; 3.Ponto de 7 linhas; 4.Ponto da sereia; 5.Ponto do Caboclo da Lua; 6.Ponto do Caboclo 7 Estrelas; 7.Ponto do Caboclo 7 Montanhas; 8.Ponto do Cacique Tupi; 9.Ponto segura o boi; 10.Ponto linha de africano; 11.Ponto Pai Manoel de Angola; 12.Ponto das Crianças; 13.Ponto de Exu; 14. Ponto de encerramento;

Direção Artística: J.M. Alves

Orações: Narração de Sinclair Scandolara

Terreiros participantes: Tenda Pai Manoel de Angola, Tenda Benedito de Aruanda, Tenda Pai Benedito de Aruanda, Tenda Pai Damião, Tenda Santa Rita de Cássia, Tenda Pai Joaquim de Angola, Tenda Cacique Tupi, Tenda Cruz de Oxalá.

Solistas: Elizabeth Aparecido, Seu Pereirinha, Iracilda F. Mesquita, Benedita da Silva, Neusa de Oliveira, MariaInêz, Neusa Mariano, Anedina da Silva.

Este é um disco raríssimo, contando com a direção musical de um dos baluartes da Umbanda, J.M. Alves. O disco foi produzido visando a construção de um Hospital Umbandista. Não sabemos se o intento foi conquistado, mas o disco que conseguiram fazer é um registro muito puro e espcial da umbanda da época. Todos os terreiros cantam muito bem, apresentando pontos de raiz em sua maior parte muito conhecidos pelos Umbandistas do Brasil. Muito bem gravado, os templos foram captados sem maquiagens de estúdio. Impressiona a interpretação de Seu Pereirinha (Seria esta a primeira vez que uma entidade incorporada grava um disco???) da Tenda Pai Damião. Outra curiosidade: na faixa “Ponto das 7 Linhas” pode-se escutar J.B. de Carvalho dando uma canja no coral... Um disco muito bom.


Para ouvir a faixa 4, "Ponto da Sereia", com "Seu Pereirinha" clique abaixo: