Tuesday, February 17, 2009

BOUBACAR TRAORÈ


Boubacara Traorè - Cassete - 19? - Syllart Production - Lado A - 01.Mariama; 02.Benidmamogo; 03.Mantjini; 04.Diarabi; LADO B - 01.Kele; 02.Kayes Ba; 03.Khobe Natuma; 04.Pierrete;

Boubacar Traorè: um pequeno motivo para entender porque a África é tão importante!

Vasculhando nossa coleção musical para catalogar, digitalizar, acoplar ao acervo ou simplesmente para jogarmos fora, nos deparamos com algumas fitas que adquirimos quando de nossa estadia na África, em um intercâmbio. Estivemos em cinco países e ao passarmos pela Nigéria, encontramos vendedores ambulantes que comercializavam fitas cassete. A indústria de vinis na época (ainda não existiam mp3 ou cds, moçada, é... faz tempo isso...) era muito fraca nos países centro-africanos, por isso o mercado de fitinhas era bem intenso e porque não dizer, gigantesco. Sabemos hoje que na verdade o povo africano (de qualquer país ou etnia) tem uma verdadeira paixão por fitas cassete. Uma das alegações - bem discutível - é que elas funcionam melhor nos carros em locais inóspitos, por causa de poeira e calor, mas a verdade é que os africanos têm um verdadeiro xodó pelas enroladinhas e hoje há, inclusive muitos colecionadores de fitas e – pasmem – até mesmo artistas que se recusam a entrar no mercado de cd ou mp3 oficialmente, tal como aconteceu no início da decadência dos LPS, em que algumas gravadoras tentaram heroicamente resistir à invasão digital.

Tínhamos 19 anos na época e compramos bastante música num mercado de Lagos, em especial algumas fitas de canto dos versos do Ifá (diga-se logo de péssima qualidade sonora), algo raríssimo e completamente esquecido, uma vez que os versos devem ser cantados e não somente recitados. Babalaôs eram verdadeiros Griots, pessoas especializadas em contar histórias através do canto e mais do que isso, preservar a memória de seu povo e da humanidade, relembrando fatos heróicos e fatalidades que devem ser evitadas. Na Nigéria eram iniciados em Ayan Poolo, o deus da música de cordas.


A importância dos Griots era tanta, que no século 13, Sundiata Keita lutou contra o tirano Suamoro Kantê, que dominava região localizada na Costa Oeste do continente africano. Da batalha de Kirina, como ficou conhecida, surgiu o poderoso Reino do Mali, do qual Sundiata foi o primeiro Imperador. Para que essa história pudesse chegar aos nossos dias, foi sendo ininterruptamente transmitida oralmente pelos griots, os guardiões da memória histórica nessa região da África. Por sua importância, os griots eram os únicos que não poderiam ser mortos durante uma batalha. Eles seguiam à frente dos exércitos, cantando e tocando, ajudando na sua condução, observando a tudo e a todos para guardar os feitos e os fatos.

Foram os griots que chegaram ao povoado anunciando a vitória de Sundiata que também foi responsável por encontrar uma saída para que o seu exército poupasse a vida dos subjugados, promovendo, por meio de um pacto, a conciliação entre ganhadores e perdedores. Os griots puderam narrar então não apenas a vitória contra o opressor, como também o bom convívio instaurado por Sundiata ao fim do conflito armado.

Mas este nosso artigo visa tratar de uma das fitas que compramos naquele mercado, um dos mais belos achados que já tivemos o prazer de escutar em nossa existência (aos 19 anos nossa vida era praticamente voltada em sua grande parte para atividades menos nobres do que lidar com música). Foi uma emoção muito grande recuperar essas gravações, fui às lágrimas quando a ouvi novamente. Suas canções estavam esquecidas em minha alma e é sempre bom nos reconhecermos novamente através de uma canção...

Ele se chama Boubacar Traorè, um antigo artista de Mali, um Griot. É praticamente desconhecido no resto do mundo. A língua Fula é utilizada por ele para cantar as tristezas e glórias de seu povo, apenas lembrando que a língua Fula é oficial no Senegal, Mali, Mauritânia, Nigéria e outros países ao norte e centro-africanos.

Traoré nasceu em 1942 e começou a ser conhecido em 1962, quando cantava contra as injustiças de seu país. Sua música é classicamente pentatônica, como é comum na região em que vive e em vários países do mundo em que a estrutura modal ainda é a força musical das comunidades humanas tradicionais. Os tempos são em 2/4, 4/4 e algumas canções em 5 e 7 tempos, evidentemente devido à conexão com o mundo árabe. Mas Traorè traz mais do que som em sua música, traz a dor de todo aquele que é oprimido e traz a alegria e o alívio de quem se livra da opressão. Seu timbre lembra alguém velho, mas ainda com força para procurar novos tempos. Escute uma das faixas que recuperamos da fitinha, “Diarabi”: se prestar atenção, sentirá porque a raça negra foi quem, na verdade, conquistou o continente americano e não o branco europeu. Praticamente toda a cultura musical de nosso continente está ali! Escute e ouvirá em algum lugar naquelas notas sobrenaturais o canto triste do bluesman americano, os timbres e cores da música sertaneja, do Baião e da Milonga Rio-grandense. Lá dentro daqueles timbres está o passado de Bob Dylan, estão Cartola, Piazzolla e Tom Jobim, estão Rolling Stones, Beatles, Led Zeppelin e Pink Floyd, estes, ingleses que se renderam ao Blues americano, herdeiro direto do modo como Boubacar faz o glissando no violão. Lá estão a música árabe e o Klezmer judaico, juntos, sem conflitos, tão antigos quanto a música milenar africana. Escute Boubacar, sem preconceitos. Lá estão o Candomblé e a Umbanda, minha gente, naquela voz cansada e naqueles dedos antigos e desconhecidos, a cor-sem-cor de um espírito africano que abraça o mundo, que herdamos e ainda não entendemos, infelizmente, mas que pela beleza e senioridade, devemos sempre pedir a benção, respeitosamente...

Para ouvir a faixa 04, "Diarabi", clique abaixo:

Monday, February 02, 2009

LANÇAMENTO!! VAMOS SARAVÁ!!



VAMOS SARAVÁ - TENDA DE UMBANDA CABOCLO CARAMÃ E PAI CESÁRIO


Uma família de negras que cantam e tocam seus tambores como índias, mostrando o poder de síntese da Umbanda e sua capacidade de interrelação cultural e racial. Gravado ao vivo, este cd é um importantíssimo registro de uma antiga escola ritual de canto e toque que se espalhou pelos quatro cantos do Brasil. E o mais importante: um templo que é origem de várias manifestações culturais - tais como o Terno de Congada Chapéu de Fita - de Olímpia, a Capital do Folclore e que faz seus ritos em silêncio, humildemente e sem alarde desde 1897.

Série Umbanda: 100 anos... ou mais?

Saturday, January 17, 2009

Trilha e Tradição



Abaixo transcrevemos a matéria que foi publicada pelo Doutorando Jorge Lampa da Unicamp na revista Música ao Vivo:



Veredas da cultura popular brasileira
- por Jorge Lampa

A roda, a rede e a religião

Começo pelo último item e já com o pé na porta para desfazer qualquer possibilidade de mal-entendido. Ou seja: para afirmar que não estou aqui para fazer proselitismo. Ou seja novamente: que não estou aqui para propagar ideais religiosos ou tentar atrair adeptos para esta ou para aquela seita, religião, etc. Meu negócio é arte, é música e a verdade é que elas sempre andaram juntas. Digo, a música (e a arte em geral) e as religiões (também em geral). Se o assunto fosse a música de Bach seria difícil (e improdutivo) separá-la da música sacra da igreja luterana. Ou entender o Padre (olha só!) José Maurício Nunes Garcia sem falar da igreja católica dos brasis colônia e império.

Isto posto, volto a falar da música afro-brasileira ou, mais especificamente, da música das religiões afro-brasileiras. E aí vocês percebam que estou falando de música sacra, em certa medida, como qualquer outra. Até porque, falar em cultura popular sem tocar na questão das crenças é, no mínimo, uma certa hipocrisia. Pensem nas calungas do maracatu, nos caboclos envolvidos em vários “folguedos”, olhem o fascínio do Mário (sabem qual, né?) com o catimbó na Missão e vamos embora. Vamos que o assunto é a cultura musical das religiões.

Começo pelo lançamento recente do cd “Deixa a Gira Girar”, muito interessante, podem ser obtidas algumas informações (inclusive de como adquirir) no endereço:

http://ayomrecords.blogspot.com/search/label/Deixa%20a%20gira%20girar

“Gira” é um termo bastante utilizado na umbanda e significa “1. Cerimônia; 2. Ação mística de um Orixá.”; acepções tiradas do glossário de “Marginália Sagrada”, de Fernando Giobellina Brumana, Editora da Unicamp, 1991, uma referência bastante sólida sobre o assunto, livro de antropólogo. Já o cd é dedicado às “gravações pioneiras da música de terreiro”. Este primeiro volume traz registros do período de 1900 a 1940. Na verdade, é um apanhado, em suas 24 faixas, de uma produção bastante representativa do segmento que traz música de terreiro e canções populares tematizadas nas religiões de orixás e na umbanda.

Aliás, sobre a música desta, cabe uma observação: suas cantigas, seus “pontos cantados”, são muito próximos do que a gente conhece como “canção popular”. Sobre esse tipo de produção a Ayom Records (pra que esse negócio de “records”, né? Tudo bem, talvez para vender lá fora, espero…) tem outro excelente trabalho de registro chamado “Todo mundo quer Umbanda”. Quem ouve os cânticos em português narrando aventuras e desventuras de seus principais personagens entende o que digo, principalmente se a gente toma como termo de comparação outras religiões, com cânticos em iorubá ou outras línguas africanas. Então, fica difícil estabelecer uma clara distinção entre a música de terreiro e o que é música de disco, música popular, etc. E quando falo isso, quero dizer também de como o trânsito ocorre de lá para cá, ou seja, o que é “popular”, no sentido de veiculado pela mídia fonográfica vira de terreiro. Tem um estudo muito bacana sobre esse processo com relação a uma grande diva da música de orixás (e figura importante de nossa MPB), Clara Nunes. É da também antropóloga (esta é da USP) Rachel Bakke, dá pra ler em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-85872007000200005&lng=en&nrm=iso

E quando digo que “dá pra ler” quero deixar claro que é um texto, embora destinado aos pós e tudo, de uma leitura bastante amigável, livre de ranços acadêmicos.

Lá a gente vê uma trajetória ímpar num momento da indústria do disco e do show – momento talvez embalado pelos afro-sambas de Baden e Vinicius - que teve pontos de toque entre os dois tipos de música, a de estúdio e a de terreiro. Terreiros, bem dito, pois é bom frisar a diversidade desta última que tem sob tal rubrica a música dos candomblé angola, queto, do tambor-de mina maranhense, do surpreendente batuque negro do Rio Grande do Sul, do xangô pernambucano e muitas mais.

Quem quiser ter uma noção de tal diversidade, dê uma olhada no blog do acervo fonográfico da Editora Ayom.

Embora bastante comprometido com - aqui sim - uma visão religiosa bastante enfática e declarada (afinal, trata-se de uma faculdade de teologia), vale para qualquer interessado em conhecer melhor a cultura musical e tem uma compilação e catalogação de um acervo de forma jamais vista até hoje. Trabalho impressionante! Há sempre exemplos de uma faixa em cada disco ou cd comentado e dá para ter uma idéia auditiva do assunto que estamos abordando.

Trabalho de gigante, embora haja alguns textos aqui e lá com que possamos ter algumas divergências, o simples fato de reunir todo esse arquivo de forma organizada já vale muito, principalmente pelo fato de que esse tipo de acervo normalmente é relegado a um plano muito inferior. Vale também, para quem se interessa por esse tipo de música, para a gente “tirar a teima” sobre alguns produtos que a gente às vezes adquire por aí. Explico melhor, quem já se aventurou pelo mundo da música sacra afro-brasileira sabe que as informações nos cd’s que a gente adquire por aí nem sempre são muito precisas e confiáveis. O blog da turma da Ayom Records entra aí como uma referência para a gente conferir e adquirir alguns dados a mais sobre os discos.

Para ir encerrando, gostaria de sugerir uma leitura (igualmente agradável) de um texto que é uma espécie de par perfeito para a escuta do “Deixa a Gira…” - um complemento, na verdade, já que o encarte do cd traz uma série de informações sobre os artistas e as faixas que estão lá registrados, ressalte-se, com um ótimo trabalho de restauração e masterização.

Trata-se do artigo “FOI CONTA PARA TODO CANTO: as religiões afro-brasileiras nas letras do repertório musical popular brasileiro”.

http://www.afroasia.ufba.br/pdf/afroasia34_pp189_235_Amaral_Vagner.pdf

O nome já diz tudo para vocês saberem do que se trata, apenas acrescento que lá vamos ter um mergulho em outros momentos e outros artistas da nossa história e quem quiser ir além nessa escuta pode entrar no site do Instituto Moreira Salles, uma loucura! Essas coisas do arco da velha, de 78 rotações e mais para trás ainda!

http://acervos.ims.uol.com.br/php/index.php?lang=pt

Também para quem quiser ir além na coisa da religiões afro e sua música, tem o site do Núcleo de Antropologia Urbana da Usp:

http://www.n-a-u.org

onde se encontra o artigo “Cantar para subir: um estudo antropológico da música ritual no candomblé paulista”, entre vários outros dessa patota da pesada (bem anos 70 este termo, né?).

Vale a pena dar uma olhada também na página pessoal de um grande pesquisador de candomblé e religiões, que é o Reginaldo Prandi.

http://www.fflch.usp.br/sociologia/prandi/

Além de uma série de textos interessantes sobre o tema - disponíveis para download - tem um específico do nosso assunto que é o “ Orixás na Música Popular Brasileira: Diretório de 761 letras da MPB com referências a orixás e outros elementos das religiões afro-brasileiras — Período de 1902 a 2000”. Que baita, hein!

Ah, Prandi também é escritor e tem uns livros para crianças e jovens contando de forma muito bacana mitos dos deuses e deusas africanos que deram base a nossa religiosidade local. Narrativas que não deixam nada a dever aos gregos e nórdicos, etc., quanto ao sabor de aventura e à essência humana.

Bom, chega.

Alguém ainda pode perguntar: e a rede, do título do texto? Cadê?

Olha para cima e vê quanto link! Será que estou querendo sugerir um uso enriquecedor da rede mundial de computadores?

Agora, quanto à rede de dormir, depois de tanto cascudo que a vida dá, ave Caymmi – buda nagô, salve Paulinho da Viola – sidartha congo-angola e me deixa ir no balanço.

E abre a roda, que eu também sou cirandeiro.

Jorge Lampa - Músico que sonha em fazer o violão cantar e tocar a própria voz. Ama de paixão a música brasileira em suas várias vertentes e por isso fez e continua fazendo um bocado de cursos (Graduação em Música Popular, Mestrado em Artes e Doutorado em Música, tudo na UNICAMP). Atualmente, encabeça o projeto “Solo, Solar”, plantando suas
composições em solo fértil e abrindo as janelas para o sol entrar. Apareçam.

www.papolampa.blogspot.com

Friday, January 09, 2009

Zélio de Moraes Recuperado!!




Estamos realizando um trabalho de recuperação de fonogramas muito antigos da Tenda Nossa Senhora da Piedade. Muitos deles nos foram cedidos por Mãe Maria de Minas e Pai Solano, da casa Branca de Oxalá. Outros nos foram cedidos pelo falecido Pai Demétrio de São Paulo. Todos conheceram Zélio de Moraes e dona Zilméa. Era nossa intenção lançar em cd através da Ayom Records este material, mas a direção atual da tenda não concordou. Mas para que nossos irmãos de todo o país possam usufruir deste material, iremos colocar alguns fonogramas recuperados para a apreciação dos mesmos, num resgate de vários pontos que já não são mais entoados em nossos terreiros.


Abaixo, apresentamos duas faixas, do Caboclo Cobra Coral, gravada em um gravador Telefunken no ano de 1914, com o som original da fita em péssimo estado. A seguir, a faixa recuperada. Depois, o ponto do Caboclo das Sete Encruzilhadas, antes e depois de ser recuperada em nossos estúdios. Foi um trabalho difícilimo, levamos cerca de três meses em cada uma das faixas, ajustando as freqüências para que os pontos voltassem a serem ouvidos. A medida em que formos recuperando algumas faixas (são centenas de pontos), iremos colocando aqui no blogue, para audição. Basta clicar no linque aí do lado, em Zélio de Moraes.




Ponto do Caboclo Cobra Coral original, gravado em 1915, cedida por Pai Demétrio:



Ponto do Caboclo Cobra Coral, recuperado:





Ponto do Caboclo das Sete Encruzilhadas original, gravado em 1932, cedida por Pai Demétrio





Ponto do Caboclo das Sete Encruzilhadas recuperado:

Saturday, December 27, 2008

PRÊMIO DARDOS


Caros amigos:


O sêlo aí ao lado é um reconhecimento ao trabalho de nosso blogue.


Recebemos esta mensagem de um grupo de pessoas ligadas a um movimento de valorização de conteúdo na Internet.


“Seu blogue foi indicado ao prêmio Dardos!

O que representa o Prêmio Dardos...

Com o Prêmio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.


(...)

Esses selos foram criados com a intenção de reconhecimento por um trabalho que agregue valor cultural à Web. Seu blogue foi indicado por vários blogueiros e jornalistas por ser um importante resgate das tradições afro-brasileiras. Trabalho que sabemos, infelizmente é muito mais valorizado fora do país. Pretendemos fazê-lo ser reconhecido em grande escala através deste sêlo.”


Agradecemos à equipe do prêmio Dardos e a todos que nos acompanharam neste ano!

Wednesday, December 24, 2008

SEM TAMBOR NÃO TEM FESTA!!!


Boas festas a todos, com muito porco, frango, cabrito, vacas e outros bichos sacrificados em louvor ao Cristo e à Dionísio!!

E, claro, um bom marafinho de uvas prá acompanhar!!

Saravá a todos e muito tambor na cabeça no ano que vem!!

William de Ayrá (Obashanan)

Friday, November 21, 2008

Xangô pega sua jangada e vai em busca de Ayom!! Vem aí: III Encontro de Curimbas


Xangô da Justiça, de Élon Brasil

O Templo da Estrela Verde, o IlÊ AXÉ IDAN TOJÔ, o Conselho Afro de São José do Rio Preto, a FTU e o Conub convidam para o III Encontro de Curimbas da região noroeste de SãoPaulo a ser realizado no ILÊ AXÉ IDAN TOJÔ às 17:00h do dia 29 de novembro de 2008 à Rua 3, número 82 - Bairro Floresta Parque - São José do Rio Preto - SP. Contatos: Fones - (17) 3011-3203/32373431.

O Encontro de Curimbas da região noroeste de São Paulo já tornou-se uma atração anual da região. É realizado em conjunto com o Conselho Afro de São José do Rio Preto e trata-se de um evento itinerante, cada ano um terreiro é sede do evento, para que todos possam se conhecer e mais do que isso, para cumprir o Itán (mito) do Ayom, em que Xangô constrói sua jangada para encontrar outras terras e levar a palavra da civilização expandindo seu reino e ir em busca de libertar Ayan Toké.


O primeiro evento, de 2006, foi realizado no Templo do Caboclo Mata Virgem, de Pai Miano e pode ser visto clicando aqui:

http://acervoftu.blogspot.com/2007/07/encontro-de-curimbas-campinas-2005-so.html

Abaixo, algumas fotos do encontro de curimbas de 2007, realizado no templo do Caboclo 7 Flexas, da Mãe Sônia de Odé. Uma grande celebração!
Congá do Sr. 7 Flexas, entrada do templo e assistência: todos felizes pelo encontro

Pai Júnior apresentando o evento, Mãe Sônia de Odé e corpo mediúnico, ogãs da casa

Todos os sacerdotes dançando no Ipadê para Exu

Obashanan palestrando sobre o Ayom










Obashanan em invocação ao orixá do tambor e dois momentos da abertura ritualística do evento

Alabês tocando doze ritmos para louvar Xangô

Pai Marcos, corpo mediúnico e ogãs do Templo Pena Branca

Pai Martins e filhos de santo

Pai Miano e suas filhas de santo

Ogãs de Mãe Irani

Fechamento do evento: todos cantando o hino da Umbanda

Sunday, November 09, 2008

Deixa a Gira Girar!


O mais novo lançamento da Ayom Records: "DEIXA A GIRA GIRAR!"
As primeiros registros fonográficos relativos ao imaginário de terreiro!
Os estúdios da Ayom Records recuperaram das trevas do ostracismo para o futuro digital, raríssimas gravações que fazem parte da história da Umbanda e dos cultos afro-brasileiros!
São 23 faixas emocionantes com as primeiras e raríssimas gravações com temas de Umbanda, Candomblé, Kimbanda e Encantarias, de 1900 à 1940, com terreiros ao vivo, temas instrumentais, canções líricas e música de inspiração umbandista. Uma aquisição única e imprescindível para os amantes da música de terreiro, pesquisadores e músicos em geral!!
NÃO PERCA!!
Pedidos:
AYOM RECORDS - ayom77@gmail.com
(0xx11) 3499-6152


Friday, October 03, 2008

Oficina Ayom Lonan - O Caminho dos Tambores em Curitiba


Oficina de Toques Ritualísticos em Curitiba!!

AYOM LONAN
(O Caminho dos Tambores)
Com Mestre Obashanan

As origens do ritmo;
A importância da música no desenvolvimento da linguagem humana;
As origens da comunicação ritual;
Fundamentos da orquestra ritual de terreiro;
A função dos tambores nos Templos afro-brasileiros;
Noções básicas sobre a divindade do Tambor: Orixá Ayom (Aña, Ayan);
O Ayom no mundo;
Introdução aos ritmos bantu, yorubá, jeje e indígenas;

Mestre Obashanan, sacerdote da Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino, autor dos livros “Do Movimento à Convergência” e “Cultura Umbandística”, criador da primeira revista de Umbanda do país, diretor da Ayom Records e criador do maior acervo de música de terreiro do Brasil.

A Oficina se realizará no dia 11 de outubro de 2008, das 09:30h às 17:00h, no Templo Escola Vovó Cambinda, situado à Rua Antônio Escorsin, 1730
São Brás – Curitiba – PR

Vagas Limitadas!

Maiores informações e inscrições, entre em contato com Thomé:
(41)3026-3395 / (41) 9207-8083

Tuesday, September 30, 2008

Fontes culturais da música em Goiás - Umbanda Goiana - 1973


Fontes culturais da música em Goiás - Umbanda Goiana e outras comunidades - LP - Tacape - 1973

01.Ponto de chegada de pretos velhos; 02.Ponto de Pai Mateus; 03.Ponto dos Pretos Velhos; 04.Ponto de santa Bárbara; 05.Ponto de firmeza ou de afirmação; 06.Ponto de Pai Tomás; 07.Pontodo povo da costa africana; 08.Ponto de subida dos Pretos velhos; 09.Ponto dos baianos; 10.Ponto dos baianos 2; 11.Ponto dos Baianos3; 12.Ponto de Maria Baiana; 13.Ponto de Preto Velho na linha de Nagô; 14.Ponto de subida de baiano; 15.Terço cantado; 16.Ladainha de Nossa Senhora; 17.Oração da noite; 18.Procissão de São Sebastião; 19.Folia de São Sebastião; 20.Festejo de São João;

Um disco raríssimo que trata do resgate da música de comunidades negras tradicionais do estado de Goiás. Foram registradas várias comunidades religiosas, praticantes do catolicismo e da Umbanda, em festejos profanos e rituais dentro de templos. O destaque é para o Terreiro do Pai Jerônimo, umantigo templo de Goiânia, onde ouve-se pontos conhecidos da Umbanda cantados apenas com palmas. A gravação - feita provavelmente com um microfone simples, talvez algum Aiko antigo - é em mono e está muito ruim. Além disso, o corte das fitas foi feito de maneira aleatória, até mesmo desleixada, pois a pausa do registro é feita de forma abrupta. Ao realizarmos a recuperação digital, nós corrigimos esse deslize criando uma nova sessão de fade out para evitar a surpresa da súbita interrupção do som. Mesmo com esses problemas, trata-se de um registro extremamente delicado no que concerne à raridade de documentos sonoros da região central do país, especialmente do estado de Goiás, onde nós desconhecemos outro registro de templos brasileiros além deste. Os registros de outras manifestações, como a reza do terço e os grupos de São Sebastião soam interessantes, porque nos remetem a uma mesma unidade sonora se comparados com o terreiro de São Jerônimo: a intensidade dramática, o registro do som da fé do povo Goiano é marcante e vemos muito mais semelhaças entre os cânticos do que diferenças, o que mostra que a verdadeira unidade das religiões no Brasil não está na identidade ritual, mas antes, na necessidade de saciar-se a fome comum do ser humano na conquista da paz de espírito.

Para ouvir a faixa 08, "Ponto de subida dos Pretos Velhos", clique abaixo:

Thursday, September 25, 2008

Louvação a Vunge


Dando continuidade ao calendário litúrgico do TEV - Templo da Estrela Verde, convidamos a todos para nossa louvação aos Ibeji/Yori/Vunge/Hoho.
Dia 26/09, sexta.
Rua Pepino Agrelli, 869 - São José do Rio Preto - SP
William de Ayrá (Obashanan)

Friday, September 05, 2008

Lançamento do cd Todo Mundo quer Umbanda


Data: 27.09.2008
Horário: 20:00h
Local: Av. Santa Catarina, 400 - Vila Alexandria - São Paulo
Entrada: Gratuita
Participação especial: Curimbas de vários templos Umbandistas

Sunday, August 31, 2008

Caboclos de um Brasil Caboclo - Candomblé de Caboclo

Documentário maravilhoso!! As origens da Umbanda por uma de suas matrizes, o Candomblé de Caboclo! Embora não seja indicado para os umbandistas mais radicais, aqueles que desmaiam em açougues e churrascarias e acham que estão diante de um genocídio quando se deparam com uma máquina de frango assado!! Mas vejam, vale a pena mesmo!!


Sunday, August 17, 2008

Dona Edith do Prato - Vozes da Purificação - 2003

Dona Edith do Prato - Vozes da Purificação - CD - Quitanda/Biscoito Fino - 2003

01. Abertura e Cavaleiro; 02. Quem Pode Mais, Dona de Casa, Eu Vim Aqui; 03. Marinheiro Só; 04. Casa Nova, Raiz; 05. Tombo do Pau; 06. Samba Numerado; 07. Ariri Vaqueiro; 08. Senimbú e Calolé; 09. Ai Dindinha; 10. Minha Senhora, How Beautiful; 11. Santo Amaro Ê Ê; 12. Viola Meu Bem; 13. Vivas;

Para quem não está ligando o nome à pessoa, e para quem gosta de música brasileira, dona Edith do Prato não é outra senão Edith Oliveira, que abriu o LP Araçá Azul (1973), de Caetano Veloso, cantando "Viola, Meu Bem" (adaptação de Caetano para tema de domínio público), e dividiu com ele os vocais em "Sugar Cane Fields Forever". Dona Edith também era citada ("Edith Oliveira, meu bem/ Ai, ai, ai/ Torno a repetir, meu amor/ Ai, ai, ai...") na parte improvisada do samba-de-roda "Torno a Repetir" (1968), outra adaptação de Caetano para tema popular.

Eram formas de homenagem do já famoso cantor à amiga de sua mãe, dona Canô, que sempre reuniu em casa amigos e parentes para cantarem samba-de-roda horas a fio, com o indispensável acompanhamento das iguarias da culinária do Recôncavo baiano. Com certeza, foi um ambiente de intenso aprendizado para o autor de "Odara" - o aprendizado mais gostoso, em que é difícil dizer quem ensina e quem aprende, e ninguém chega a perceber o processo acontecendo.

E é óbvia, para quem é da "Banda", logo na primeira audição, a presença inquívoca de trechos de pontos cantados em terreiros de Encantaria, Omolokô, Candomblés de Caboclo e nas Umbandas desse Brasil. Um exemplo claro é "Viola meu bem, viola", que em qualquer terreiro se escuta nas giras de baianos e boiadeiros. Além desta, é óbvia, ainda a "Marinheiro Só", usada para invocar os encantados do mar. Dizem ser de domínio popular, criação do povo para a festa. Acreditamos que esses cânticos em sua maioria surgiram dentro do terreiro e depois foram levados para o folguedo profano. Um modo muito saudável que a espiritualidade brasileira encontrou para se manter viva na cultura e na alma de nosso povo.

Para ouvir a faixa 03, "Marinheiro só", clique abaixo:

Thursday, August 14, 2008

Homenagem a Kaviungo e Pais Velhos no TEV - Templo da Estrela Verde - São José do Rio Preto


Axé, irmãos da "Banda"!!
Dando continuidade ao calendário litúrgico do ano, convidamos a todos para o Rito de Louvação aos Pais Velhos e ao Orixá Obaluaiê/Nkice Kaviungo no TEV - Templo da Estrela Verde - São José do Rio Preto, em 15/08/2008.
Atotô!!!
Tateto Mateba Sakula Oiza - Dixibe!!
Adorei as almas!!!
William de Ayrá (Obashanan)
Templo da Estrela Verde:
Rua Pepino Agrelli, 849 - Jd. Vetorazzo - São José do Rio Preto - SP

Wednesday, August 13, 2008

Novo Show Grupo Kangoma


Dia 24/08/2008 - domingo às 15h30 - SESC CAMPINAS
Entrada gratuita
Rua Dom José, 270/333 - Bonfim, Campinas - SP
(19) 3737-1500
Visitem o blogue e a página do Kangoma:
Aguardamos todos lá!!

Saturday, August 09, 2008

Laguidibá


Recentemente discutia sobre o assunto abaixo com um amigo meu:


A MODA DO LAGUIDIBÁ

Na complexa e sofisticada tradição jeje-iorubana, o lágídígba (em português, laguidibá) é um fio preto de rodelas de chifre de búfalo, usado, tradicional e ritualisticamente, em torno de cinturas femininas.

Ligado ao culto de divindades da terra, como Nanã, Omolu e Oxumarê, é peça de alto fundamento, podendo ser usada como colar, mas não aleatoriamente.


As divindades representadas no laguidibá são cultuadas de modo muito particular, com muito mistério e respeito. Tanto que "Omolu" é apenas o epíteto de um orixá ou vodum tão forte que seu nome não pode sequer ser pronunciado.


E este papo todo vem a propósito da "moda do laguidibá", que virou adorno obrigatório de pescoço de percussionista; e de alguns músicos "de raiz". Raro hoje ver, no palco, um pandeirista, um tantanzeiro, um repiquista-de-mão, ou mesmo um violonista, que não se apresente com um laguidibá no pescoço.


Foi aí que, naquela linha do "quem não pode com mandinga, não carrega patuá", ocorreu ao Veterano aqui fazer um samba. Que pode começar mais ou menos assim:


"Quem não é de Obalibô / Não usa laguidibá/

Tira o colar do pescoço, seu moço / Que pode se machucar..."


Obalibô, vocês sabem, é outro cognome da grande divindade conhecida como Omolu e que, em Cuba, inspirou a rumba famosa: "Babalu! Babalu-aiê!"...


Atotô, meu pai!


Nei Lopes



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Veja o clip e cante junto:



Laguidibá
.
Quem não é de Obalibô (ioiô)
Não usa laguidibá (iaiá)
Tira o colar do pescoço, seu moço
Que é pra não se machucar

Laguidibá
Não é simples ornamento
É colar de fundamento
Você tem que respeitar
Então, seu moço
Sai desse angu de caroço
Tira o colar do pescoço
Pra Papai não se zangar
.
Laguidibá
É adereço muito certo
É coisa de santo velho
Do Antigo Daomé
Quem é de jeje
Pegue esse colar e beije
Quem não é, deite, rasteje
Se quiser ficar de pé.
Laguidibá
Pra usar, tem que ser feito
Dentro de todo o preceito
Da nação... Me diz qual é?
Nagô vodum, Jeje ruinhó, Mina-jeje
Peixe vira caranguejo
Na vasante da maré.

Thursday, August 07, 2008

Mãe D´água - 2000

Umbanda Força e Magia: Mãe D´água - CD - TBS - 2000

1-Odo Sinha. 2-Oxum na Cachoeira; 3-Saia do Mar; 4-cabelo Loiro; 5-A Lua prateada; 6-Paga Promessas; 7-Raio das Ondas; 8-Flores no Mar; 9-canto da Sereia; 10-Clareia Oxum;

A Lenda da Iara, a deusa das águas, traduz a relação do caboclo com o mundo aquático da Amazônia, cuja paisagem ganhou do poeta baré Thiago de Mello o nome de “Pátria das Águas”. Essa interação permanente do amazônida com as águas gerou a chamada civilização ribeirinha, na qual os rios, lagos, igarapés e igapós são fontes da vida, da morte e do imaginário regional. São caminhos, referências e habitat naturais dos que vivem ou viveram, durante séculos, às margens do grande rio Amazonas e de seus inumeráveis tributários, herança cultural que recebemos de nossos ancestrais indígenas e portugueses. Mas a relação do caboclo com os rios não é apenas uma conjunção física e conjuntural, vai muito além do campo material, é sensível e presente. Nunca suas histórias são contadas no tempo passado, são presentes como se estivessem acontecendo naquele momento, ali mesmo.

Os colonizadores também foram vencidos pelas águas da região, assimilando a cultura ribeirinha milenar, mas incorporando à descendência cabocla lembranças do além-mar, formadas no novo ambiente cultural. Assim nasceu a Iara, o Boto e tantas outras lendas que hoje compõem a legião dos encantados da cultura amazônica. Os encantados, aliás, estão em todos os lugares, como afirma o poeta e escritor paraense João de Jesus Paes Loureiro – estão entre os índios e caboclos, entre o céu e a terra, nas selvas, nos campos, no fundo das águas...

Segundo Paes Loureiro, “a Iara – Mãe d’Água – vive nas encantarias do fundo dos rios. Ela atrai os moços e os fascina, mostrando-lhes seu rosto belíssimo à flor das águas e deixando submersa a cauda de peixe". Para seduzi-los, faz promessas de todos os gêneros. Para aumentar o estado de encantamento canta belas melodias com voz maviosa. Convida-os a irem com ela para o fundo das águas do rio – onde se localiza uma cidade da encantaria relacionada ao reino conhecido como "Fundo do Mar" – sob a promessa de uma eterna bem-aventurança em seu palácio, onde a vida é uma felicidade sem fim. Quem tiver visto seu rosto uma única vez jamais poderá esquecê-lo. Pode até, no primeiro momento, resistir-lhe aos encantos por medo ou precaução. No entanto, mais cedo ou mais tarde acabará por se atirar no rio em sua busca, levado pelo desejo ardoroso de juntar seu corpo ao dela.

O historiador Vicente Salles conceitua Iara como a mais perfeita convergência cultural na mítica amazônica, reunindo figuras antológicas de vários continentes: Sereia, Ondina, Loreley, Mãe-d’Água, Iemanjá. É uma simbiose encantada de mulher tentadora, sensual, apresentada com rosto europeu e longos cabelos e que recorre à magia do canto para exercer a sua irresistível atração fatal sobre navegantes e moradores da beira-do-rio, preferencialmente jovens.

Os indígenas também possuem inúmeras entidades aquáticas, mas nenhuma delas com as qualidades malignas e fatais de Iara. Sempre encontram remédio para as maldades, sublimando inclusive a morte. Para eles, o rio representa a fonte de sobrevivência e não da morte no “espelho do amor”. Por outro lado, o índio não reprime a sexualidade pelos arreios da sua cultura ou da civilização cristã do branco, razão pela qual não se vale de entes sensuais na sua mitologia. Sempre cita a beleza das cunhãs como referência estética e não como objeto do libido. A sua Mãe-d’Água é a guardiã dos rios, bondosa e se materializa nas plantas e flores aquáticas que alimentam os peixes, segundo lendas da algumas tribos.

Raimundo Moraes credita às leituras da Odisséia de Homero, feitas pelos colonizadores lusitanos, a lenda da Iara, configurada como uma linda mulher, metade gente e metade peixe, belos cabelos compridos, busto cheio e cauda de escamas multicoloridas, que vive nas margens dos rios e igarapés, seduzindo o caboclo para arrastá-lo ao fundo das águas. O pesquisador diz que a entidade também pode materializar-se em forma de lontra, no perfil de garça ou sob as penas da cigana para encantar o ribeirinho - aqui uma referência direta ao mito original das sereias, que eram metade mulher e metade pássaro. Mais tarde se transformaram em metade mulher e metade peixe.

As observações do historiador repousam em pesquisas feitas na região amazônica e na leitura dos clássicos da literatura universal que apontam convergência entre a mitológica Sereia e a Iara amazônica. Navegador por excelência, o colonizador português assimilou as lendas do mar e trouxe para cá suas tradições seculares. Os Lusíadas, de Luís de Camões, menciona várias vezes a presença de Sereias na rota dos navegadores lusitanos, lembrança de outros autores clássicos como Virgílio (Eneida), Heródoto (Epítetos) e Homero (Ilíada e Odisséia). Todos referindo-se à figura sedutora e fatal da entidade similar, ora na forma de mulher, ora feita ave ou animal anfíbio.

O Barão de Santana Neri, falando sobre o folclore brasileiro, descreve a Iara como uma mulher branca, de olhos verdes e cabeleira loura, conceitos pesquisados nos Estados do Pará e Amazonas. Diz ainda que sua beleza física, seus métodos de sedução e sua residência submersa revelam origem estrangeira. A oferta de tesouros e palácios, por exemplo, também confessa uma cultura importada, vez que os aborígenes desconheciam esses valores. Já o folclorista Câmara Cascudo, cobra possível contribuição do negro na lenda da Iara, lembrando a sereia africana Kianda e até a figura poderosa de Oxum, orixá dos lagos, lagoas e rios, da teogonia negra. Iemanjá, deusa das águas, também é lembrada como inspiradora do mito amazônico. Contudo, as Mães-d’Água africanas, com suas liturgias e rituais em nada lembram a deusa das águas amazônica, a não ser a morada.

O mito da Iara, aliás, como já foi dito, pode ser reconhecido em várias culturas. Na Espanha chama-se Sirena; na Grécia, a mitológica Nereidas; na Alemanha, a nórdica Loreley; a Kianda africana e a portuguesa Sereia, criaturas das águas que enamoram os homens e os levam à morte. Mas o seu estereótipo físico e malévolo garante a origem portuguesa do mito amazônico, inspirado nas cantos de Homero e nas esculturas de Praxíteles e Escopo. O colonizador, que chegou com a fé cristã e os costumes europeus, também trouxe na bagagem suas lendas, mitos e superstições, muitas delas modificadas ao longo do tempo na convivência cabocla, que lhes emprestou e recebeu valores, coroando a fronte da Iara com flores lilás do mururé, por exemplo.

A suprema sabedoria do amazônida, que soube usar a lenda do Boto para aplacar a ira de maridos traídos e pais enganados, quando suas mulheres ou filhas engravidam fora do domínio doméstico, também justifica na sedução da Iara a fuga ou o desaparecimento de seus entes queridos. Mas tudo isso são questões delicadas de um mundo físico que se mistura ao mundo espiritual dos encantados. Na verdade, encantaria é algo muito sério, com espíritos de difícil controle, embora muitos por aí acreditem que seja fácil evocá-los e tê-los sob controle dentro de um rito de terreiro.

Este é um disco da TBS, gravadora louvável pela sua intenção de despertar o imaginário do terreiro ao gravar cânticos tradicionais. Tem seus problemas de captação e mixagem, mas cumpre seu papel na música umbandista.

Para ouvir a faixa 07, "Raio das ondas, clique abaixo:


Wednesday, August 06, 2008

Casa de Lei - 2007

Casa de Lei - Pontos de Exu e pomba Gira - Escola de Curimba Aldeia de Caboclos - CD - Independente - 2007

01.Ventania amigo leal; 02.Coroa de Marabô; 03.Caminhos de Marabô; 04.Treme Terra é rei; 05.Lá vem tata Caveira; 06.Senzala de Marabô; 07.Chave de Sete Porteiras; 08.Exu abre caminhos; 09.Exu do fogo; 10.Exu Abará; 11.Exu sete campas; 12.Casa de Lei; 13.Dama da noite; 14.Mulambo só; 15.Pomba Gira Menina; 16.Padilha Faceira; 17.Sete Saias; 18.Padilha chegou; 19.Desamarra; 20.Rosa Caveira; 21. Mirim Porteira; 22.Um grito de Liberdade;

A Escola de Curimba Aldeia de Caboclos é uma das mais corretas e importantes escolas de curimba do estado de São Paulo. Liderada pelo Engels de Xangô, são extremamente competentes em ensinar e orientar seus alunos na arte de se tocar atabaques e o forte nesse disco é a parte instrumental, com o pessoal realmente mandando muito bem no couro. São pontos de louvação, ou seja, foram compostos pelos curimbeiros e ogãs e apenas um ponto de raiz, a faixa 09, dado pelo Exu do Fogo é realmente bem vibrada. Muito bem gravado (a captação é excelente), ouve-se perfeitamente os três atabaques, separados num estéreo bem estudado. Há claro, alguns problemas, como o coral um pouco sem ensaio, quase semitonando e algumas inserções completamente dispensáveis de risadas e gritos de "exus" incorporados, visando ilustrar e ampliar o imaginário da proposta do disco. Mas no geral está de parabéns o Engels e os Alabês Rafael de Ogum, Juliana de Iansã, Dany da Aldeia e Eduardo de Ogum. Um bom disco.

Para ouvir a faixa 2, "Coroa de Marabô", clique abaixo:


Sunday, August 03, 2008

Rádio Macumba!!

Mãe Asclépia de Oxum escuta o som da Banda na Rádio Ayom, a Rádio Macumba!!

Muita gente perguntou sobre o sumiço da Rádio Ayom. Ela estava dando problemas na hora de carregar e por isso jogamos ela em outra hospedagem. Basta clicar em cima da figura aí do lado direito, onde o Supermac está colocando a agulha no disco prá acessar a rádio. Em breve colocaremos novos programas pro pessoal ouvir.

Ayan Irê Ô!!

Obashanan